Notas iniciais
Valeu pessoinhas que estão acompanhando, desculpe a demora (estava viajando, interior sem internet :( fazer o que). Mas o próximo capitulo sai logo. Prometo.

—Prometo que vou ficar bem. – falei pela milésima vez naquele dia.

Já estava na frente do portão de embarque, dentro do Aeroporto Internacional de Los Angeles, encarando o olhar preocupado do meu avô que parecia buscar mais uma razão para que eu não seguisse viagem. Ele havia tentado me convencer todo o caminho de casa até o aeroporto, o que era exatamente 45 minutos, sem contar a meia hora que levei para arrumar tudo e tomar café.

—Eu só acho que esta foi uma viagem programada em cima da hora. – começou a falar meu avô.

—Vovô. –falei olhando nos olhos dele, que eram de uma cor verde mar iguais aos meus. –Tia Emma sempre vem nos ver quando pode, mas agora está com a agenda lotada de trabalho. Acho que um pouco de companhia faria bem a ela e sem contar que me ajudaria a esfriar a cabeça, afinal estou de férias.

Ele até tentou argumentar comigo, mas sabia que eu realmente precisava de um descanso e que desde que tia Emma havia se mudado para Seattle ela estava sempre sozinha. Sorri, sabendo que tinha vencido a guerra e beijei suas bochechas enrugadas e queimadas de sol.

—Vamos sentir saudades Liah. – ele disse sorrindo e me abraçando.

—Vou voltar mais rápido do que pensa. – falei enquanto uma voz eletrônica fazia a última chamada para o embarque.

Dei um último abraço em meu avô, peguei a pequena bolsa cor de rosa que compunha toda a minha bagagem de mão e corri para dentro da sala de embarque onde uma eternidade pareceu ter se passado enquanto seguranças verificavam pelo raio-X se eu carregava armas ou drogas. Quando finalmente fui liberada, metade dos passageiros já estava dentro do avião, o que era algo bom, pois havia menos pessoas para ver minha cara de pânico.

Mostrei minha passagem e meu RG para uma mulher que parecia entediada e carimbou os papeis sem nem ao menos olhá-los. Segui para meu assento na parte traseira do avião, um lugar escolhido estrategicamente por mim, onde sabia que teria mais chances de sobreviver a um acidente aéreo e sentei no meu lugar, ao lado do corredor, nunca da janela.

Um homem que aparentava ter uns 30 anos se sentou do meu lado e parecia empenhado em começar uma conversa comigo, mas deve ter mudado de idéia quando me viu conferindo se o cinto estava preso pela 18° vez e em seguida colocava meus enormes fones de ouvido cor de rosa — que tinha ganhado junto com as malas de presente de aniversário — colocando uma música aleatória no volume máximo.

Assim que avisaram que o avião ia decolar, me agarrei ao braço da poltrona como se minha vida dependesse dos meus dedos em contato com o tecido áspero. Passei a viagem inteira de Los Angeles a Seattle naquela mesma posição sem ousar me mexer. Quando o avião pousou fui a primeira a descer, correndo como um condenado fugindo da forca. Peguei minha mala grande na esteira e fui até a saída, onde Tia Emma me aguardava.

Ela não tinha mudado nada, com os cabelos curtos e pintados de ruivo, os olhos cinza e o mesmo sorriso sapeca no rosto. Apesar de ser irmã da minha mãe, as semelhanças entre elas eram poucas. Os cabelos de Tia Emma eram sempre curtos e repicados enquanto os de mamãe costumavam ir até a cintura. Os olhos cinza contra os azuis. Elas eram diferentes, como chuva e sol.

—E então? – ela disse me abraçando. – Como vai minha surfista preferida?

Dei risada.

—Não deixe Austin ouvir isso. – brinquei enquanto ela me guiava para fora do aeroporto até o estacionamento onde um velho Chevrolet verde aguardava com todo glamour de um iguana.

Tia Emma não parava de tagarelar sobre qualquer assunto que viesse na cabeça enquanto eu apenas sentia o vento entrando pela janela do velho carro.

—Se importa se eu passar no zoológico? – ela perguntou após rir de algo que havia falado antes.

—Claro, sem problema. – respondi, embora estivesse um pouco cansada da viagem.

Tia Emma era a coordenadora chefe do zoológico de Seattle, o que significava que tinha muito trabalho a fazer, organizando praticamente tudo e; pelo que ela havia dito, com a diretora do zoológico adoentada o trabalho só tinha aumentado.

Assim que passamos pelos portões, me dei conta que nunca tinha estado em um zoológico, talvez apenas uma vez, mas eu devia ter uns cinco anos. Vamos dizer que olhar animais presos não é o que considero meu passatempo preferido.

Minha tia sorriu para mim.

—Tenho que ir conferir algumas papeladas. Importa-se em ficar sozinha por uns minutos?

—Sem problema. – falei olhando ao redor, para as de placas de indicação.

—Fique a vontade para ir pra qualquer lugar. Só não se afaste muito.

—Claro vovô. – brinquei, sabendo que ela odiaria a comparação.

—Eu sou bem mais legal e menos mandona. – ela afirmou enquanto se afastava, me deixando sozinha e sem saber o que fazer.

Segui na direção da placa que dizia “Mamíferos Terrestres”, passando por todo tipo de animais, desde elefantes, girafas até os ursos. Parei apenas para observar os pandas, por algum motivo, olhar para eles fazia com que eu lembrasse do meu pai, que uma vez me trouxe uma pelúcia de urso panda gigante de uma viagem que ele tinha feito até a China. Esse urso gigante ficava em cima de uma cadeira de balanço perto da porta da varanda do meu quarto.

—Eles não são muito interessantes. Não fazem quase nada o dia todo.

Virei e dei de cara com um garoto que aparentava uns vinte e poucos anos, usando o uniforme do zoológico com cabelos pretos caindo no rosto. A plaquinha em seu peito indicava o nome “Max”.

—Você também não seria muito interessante se ficasse preso em uma cela todo santo dia. – rebati.

Max sorriu.

—Tudo bem. – ele falou levantando as mãos como em um gesto de paz. – Vejo que estou com uma defensora dos animais. Só não jogue sorvete na minha cara OK?

—Não tenho sorvete. – falei, pensando que mesmo se tivesse jamais desperdiçaria jogando em alguém.

—Lamento dizer isso, mas o zoológico está fechado e agora só é permitido o pessoal autorizado. – ele falou olhando ao redor, que estava deserto.

—Eu sei. Estou só esperando minha tia. Por acaso sabe onde fica o escritório da Emma? – perguntei, percebendo que não sabia onde ela fora.

—Sei. – ele disse, parecendo um pouco surpreso com a pergunta. – Mas ela provavelmente não está lá.

—E onde mais ela estaria?

—Cuidando do novo animal do zoológico.

Notas finais
Confuso? Tipo quem sou eu e onde estou? Talvez. "Curiosidade: pandas adoram reviews. Não negue um aos fofos pandas" Beijo. Beijo. Amor. Coração.