O Despertar das Trevas
7 Uma vida... Por uma vida
Notas iniciais
– Não... não acabou! – ergui minha varinha para o alto e um trovão ribombou. Eu sorri e os amigos de Delacroix recuaram.
O meu patrono, a coruja, apareceu entre as nuvens com um tamanho dez vezes maior que o habitual. Atrás dela uma densa nuvem de fumaça branca dançava pelo ar, se separando em várias outras. O reforço havia chegado... em grande estilo.
– O QUE ESTÃO ESPERANDO? – Delacroix berrou, chamando a atenção de seus aliados. – ACABEM COM ELES!
Logo a batalha recomeçou e penumbras da luz e das trevas se atracavam pelo ar, bruxos lutavam em terra. Explosões de magia para todos os lados. De repente nós fomos tomados por grandes chances de vencer.
Harry se juntou a Neville, que apareceu a seu lado com um pote cheio de frutinhas explosivas que se assemelhavam a morangos. Dino Thomas corria pelo terreno com parte do seu corpo em penumbra. Ele nocauteou alguns inimigos e jogou uma poção para Draco. Este a derramou na blusa, que curou suas feridas. Bill recebeu ajuda das gêmeas Patil que aparataram ao seu lado e ajudaram a deter os inimigos. Aurores amigos também tinham vindo. Harry guiou um batalhão deles contra um grupo de quatorze comensais. Mandei Arthur e Molly ajudarem os outros.
Outra onda de bruxos em penumbra branca desceu do céu e os professores de Hogwarts apareceram. Minerva vinha a frente, seguida de Horácio Slughorn, Filius Flitwich e as Professoras Vector e Pince. A Madame Pomfrey foi até os feridos e Profa. Sinistra usou encantamentos que impediu alguns comensais, não todos, de aparatarem em penumbra.
Fiquei encarando meu velho inimigo.
– Você cair aqui Delacroix! – berrei usando uma das mãos para mostrar a desvantagem dele na batalha. – Chega de Ambições... Chega de Mortes... Chega de... Sofrimento.
Ficamos andando em círculos, prontos para a batalha.
– Cala a boca! Você diz isso por quê é fraco! – ele lançou um feitiço e eu desviei-o com facilidade. – Vou destruir tudo que tem ligação com você! Você vai me entregar todo seu poder... você vai me entregar!... Ou morrerá!
– A única coisa que você vai... – comecei a falar, mas ele iniciou um onda de ataques poderosos contra mim. – Ah!
Comecei a me defender e atacar. Ele aparatou em penumbra na minha direção e eu fiz o mesmo, só que voei para o céu e me materializei no meio do horizonte. Mergulhei no ar, indo na direção da penumbra dele e no último momento antes dele conseguir me pegar, ergui a varinha na direção dele e gritei:
– Expulso! – o feitiço fez a fumaça se espalhar no ar em câmera lenta. Passei pela penumbra e antes de cair, aparatei no meio da batalha, são e salvo... pelo menos por enquanto.
Olhei para o céu e vi a fumaça negra sumindo. Depois senti um arrepio na espinha e virei para traz agitando a varinha.
Crash! Minha varinha ligou-se com a do Delacroix, que tinha aparatado atrás de mim.
– Summers! – ele berrou cheio de fúria. O poder das varinhas emitiu um barulho estridente e as minhas vestes eram levadas ao vento.
Eu não falei nada e interrompi a ligação, lançando em seguida, um feitiço que feriu seu braço esquerdo. Só não entendi por que do seu sorrisinho depois que viu o sangue gotejando no chão.
– Não seja covarde! – e lancei outra maldição. – Tire a Droga do capuz!
– Protego! – ele disse, cambaleando para trás. – O que está esperando... Mate-me.... Salve sua família... Seus amigos.... Mate-me!
Eu ergui a varinha. Senti uma vontade imensa de fazer isso... queria ver a vida deixar seus olhos... queria acabar com tudo de uma vez...
– Não o escute! – Emmie berrou no momento em que aparatou com Jorge já recuperado, a alguns metros de distância.
– Não se esqueça que matar rompe a alma! – continuou Jorge, dando seu sorriso brincalhão, indo ajudar os outros.
– Emmie! – disse Delacroix. – Ah quanto tempo... Continua linda...Só não acredito que preferiu ele, e não a mim.
– Não dirija a palavra a ela! – Lancei outro feitiço e ele caiu de joelhos. Depois olhei para Emmie furioso. – Por quê está aqui?! Vá embora!
– Eu vou ficar ao seu lado! – ela respondeu, e quase que imediatamente um grupo de comensais apareceu para ataca-la.
Ela lutava como ninguém, mas eu queria socorre-la. Queria pegar ela e Luke e fugir para bem longe... para um local onde ninguém nos encontrasse. Não! Não podia ser egoísta... eu tinha que acabar com isso!
–Jake! – Emmie berrou, fixando o olhar, por um breve momento, para algo por detrás de mim, voltando a luta em seguida.
Quando percebi o grave erro que cometi, direcionei meu olhar trás e deparei-me com Delacroix. Não no chão, fraco e vulnerável, e sim em pé, ereto e confiante, há quatro metros de mim.
– Primeira regra de Batalha! ... – ele gritou, dando um sorriso perverso e desdenhoso, a única expressão que o capuz não cobria. – Nunca vire as costas para seus inimigos!
Preparei minha varinha e Delacroix começou a atacar-me com maldições e encantamentos numa velocidade espantosa. Estes, de tão poderosos, abalavam meus feitiços defensivos com explosões de luz multicoloridas, me fazendo recuar enquanto ele avançava. Consegui conjurar alguns feitiços, mas ele se defendeu de todos eles com a facilidade com que se espanta uma mosca.
Foi nesse duelo que percebi o quão poderoso Delacroix havia se tornado... E que os meios que ele explorou para chegar a tal nível eram sombrios e muito proibidos.
Ele ergueu a cabeça em um gesto esnobe.
– Está sentindo meu poder?! – e mais um feixe de luz veio na minha direção e rompeu meu Protego. Depois de cada “pergunta” ele dava um passo à frente lançando uma explosão mágica, a qual eu defendia precariamente. – A minha soberania?! Está vendo o que perdeu se recusando a aliar-se a mim?!
– Eu jamais aceitaria ajudar-lhe nos seus propósitos! – berrei furioso, me lembrando de cenas do passado... cenas que eu tinha certeza que nunca sairiam da minha mente. — Eu nunca praticarei Artes das Trevas! NUNCA!!!
– Poderíamos ter usado o Poder Antigo para purgar o mundo daqueles vermes trouxas!!! – sua voz soava fria e cheia de ressentimento. – MAS VOCÊ FOI TOLO! FRACO! MUITO RACIONAL E ESTÚPIDO!
Ele fez um movimento com a varinha e um feixe poderoso de luz amarela veio na minha direção. Em contrapartida, murmurei algumas palavras, fazendo o feitiço ricochetear de volta para ele, que o defletiu com dificuldade. Logo o duelo recomeçou e nas idas e vindas dos feitiços, acabei vacilando, o que abriu espaço para uma maldição que me jogou no chão.
A minha visão embaçou e minha mente foi tomada por imagens horríveis: Corpos de milhares de pessoas empilhados como lixo em campos negros, eu as ouvia gritando enquanto eram consumidas por chamas púrpuras... Hogwarts tornando-se areia... Os cadáveres de Harry, Ron, Mione e todos os meus amigos... Nuvens pretas tomando o globo terrestre... A lua de sangue... Eu acorrentado numa masmorra com Luke e Emmie mortos aos meus pés...
“Tudo que ama... tudo vai se tornar apenas lembranças... Esse vai ser o seu futuro... É o seu fim Summers... Seu fim... Seu Fim...”, a voz de Delacroix ecoova na minha mente, fazendo com que cada palavra fosse como uma facada no meu coração.
Então, minha visão entrou em foco novamente e percebi que tudo que vi e ouvi aconteceu em microssegundos.
Eu ainda estava no caído chão, sujo de terra. Delacroix parecia me fuzilar com o olhar (considerando que ele via através de seu capuz). Ele deu um sorrisinho abrindo os braços e suas vestes começaram a virar fumaça. Eu quase podia sentir sua vontade de me matar. Olhei para todos os lados em busca de minha varinha e a avistei atrás de mim.
Delacroix veio na minha direção em forma de penumbra. Recuei pelo chão, me arrastando na direção da minha varinha... Droga! Eu não conseguia aparatar... Não ia dar tempo... Ele ia me pegar e matar minha família...
– Não!!! – Uma voz feminina gritou atrás de mim e a fumaça da penumbra espalhou-se pelo ar, como se o tempo tivesse para ao seu redor. Eu sabia o que era aquilo: A Azaração do Impedimento. – Caso não saiba... somente eu posso dar alguns tapas nele.
Emmie estava atrás de mim com a varinha erguida para Delacroix. Este por sua vez, estava deitado de bruços e paralisado no ar com a mão estendida em forma de garra pronto para pegar o primeiro pescoço que encontrasse, nesse caso, o meu. Ele parecia-se um Peter Pan, misturado com fada sininho em pó magico negro e capitão gancho.
Emmie usou um feitiço estuporante, fazendo Delacroix voar longe. Em seguida ela me ajudou a levantar. Dei-lhe um beijo totalmente fora de hora.
– Você é assustadora as vezes sabia? – falei assim que o beijo acabou e ela usou um Protego para se defender de um raio que veio na nossa direção, o que é bastante comum já que estamos no meio de uma batalha.
– Pegue sua varinha! – ela ordenou, batendo no meu sobretudo para tirar a poeira. – Ele está voltando!
Isso era um fato. Delacroix já se levantara e sacudia suas vestes.
Peguei minha varinha e quando direcionei meu olhar para Emmie, vi-a duelando com Delacroix. Eu corri defende-la, mas tudo pareceu premeditado...
Uma onda de uns quinze bruxos das trevas me cercaram e lançaram feitiços que me impediram de passar, eu não conseguia virar penumbra branca e muito menos sair sem ser morto... Fiquei usando feitiços de proteção, tentando passar... mas não conseguia. Eu ouvia meu coração bater... O medo que Delacroix a matasse para só para me atingir me aterrorizava.
Certo, se a droga do “Poder Antigo” me trouxe tanto sofrimento... podia pelo menos ser útil para alguma coisa.
Vamos... Sirva... exploda todos a minha volta. Eu Ordeno que me obedeça!
Nada aconteceu, mas Hermione, que lutava junta de Ron, viu a minha desvantagem e gritou algo para Draco e Harry que aparataram ao meu lado. Depois vi a Sr.ª Weasley aparatar em penumbra até Emmie, fazendo Delacroix recuar.
– Estava dando uma festa e não nos chamou! – disse Malfoy desarmando um comensal — Que tipo de amigo é você?
– A quanto tempo não lutamos juntos? Ah uns dez anos? – disse Harry, dando um sorriso.
Com o trabalho em equipe, não demorou muito para vencermos. Corríamos, abaixávamos, estuporávamos, nos defendíamos, queimávamos e desarmávamos. Não importava o quanto aparecessem, nós arrasávamos todos.
– Expelliarmus! – disse Harry, desarmando um comensal que usava máscara.
– Estupore! – Draco e eu estuporamos o mascarado ao mesmo tempo.
Tudo parecia sobre controle... até avistar Delacroix.
Ele lutava como um demônio. Aparatava e desaparatava ao redor de Molly e Emmie, as atacando com explosões ferozes. Elas ficaram lado a lado, nervosas. Então Delacroix se materializou na frente delas e um raio irrompeu da sua varinha e atingiu o Protego de Emmie, fazendo a proteção se desfazer e a varinha voar para longe.
Eu corri pelo campo de batalha, no meio das explosões e lampejos mágicos, me defendo. Eu tinha que defende-la a qualquer custo! Ela era minha razão de viver...
Um comensal apareceu na minha frente e eu sacudi a varinha, acertando-lhe uma maldição que o derrubou imediatamente sobre a poça do próprio sangue.
Vi Delacroix lançando a maldição da morte em Emmie, mas Molly a defendeu.
Continuei a correr desesperado, mas cada vez mais comensais me atrasavam... Eu sabia que não iam resistir. Sabia que ele as mataria sem piedade...
– Emmie!!!
– VELHA TOLA! NÃO SE ENTROMETA ONDE NÃO É CHAMADA! – ele gritou e eu pude jurar que vi ele menear a cabeça negativamente para mim.
A ponta da sua varinha brilhou com uma luz purpura e ele sorriu. Não... se fosse o feitiço que eu estava pensando... Não!!!
– MOLLY CORRA! SALVE-SE!!! — tentei avisa-la, mas um cordão de comensais apareceu na minha frente e me impediu de avançar. De repente, uma descarga de adrenalina faz meu corpo vibrar. Eu podia sentir a raiva fervilhando nos meus olhos. Ergui a varinha para o cordão de inimigos. – ARGUIS TRAPALIUM ET MORTUIS! — Eles caíram no chão inconscientes e se dissolveram na areia.
Não... era tarde demais. Molly tentou enfeitiçar Delacroix, mas essa acabou perdendo a varinha e Este, lambeu e acariciou a parte superior da varinha...
– Mortalia agitur!!! – O feixe de luz púrpura foi na direção de Molly que estava em choque.
– NÃO!!! – gritei, e lancei um feitiço para defende-la, mas contra aquele feitiço, proteção mística não seria forte o bastante...
Então segundos antes do feitiço acertar Molly, uma defesa inesperada surgiu... uma barreira física forte o bastante para deter o feitiço. Essa barreira a abraçou forte no último segundo... Esse abraço continha muito amor e desejo que ela vivesse... Esse era o abraço de Arthur Weasley. As roupas dele estavam empapadas de sangue, especialmente nas costas, onde a maldição o atingiu.
Molly, com os olhos marejados, o sustentou para que não caísse.
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