Notas iniciais
Olá povo! Sorry! Passei muito tempo sem postar, mas vou recompensar-lhes com um capitulo gigante e cheio de revelações. Espero que tenham fogo para ler tudo... não quero dividir de novo. Há... eu estou preparando outro cap de minha outra fic, então acho que vou demorar novamente. Minha vida tá conturbada. Tirei minha primeira nota baixa.... em espanhol. Tô ferrado e estudando muito. Espero que me perdoem e boa leitura.!

Jacob Summers

De repente, os lampejos e explosões da batalha cessaram. Os comensais da morte começaram a aparatar, fugindo. Emmie estava ajoelhada ao lado de Molly, tentando ajudar Arthur. Delacroix deu um sorriso ao ver o Weasley gritando de dor... uma dor que eu sabia ser tão forte, se não mais poderosa, que a maldição Cruciatus.

– Bem, foi um prazer lutar com vocês. – ele começou a recuar para trás lentamente. – Adeus e... boa morte Arthur!

Seu manto começou a virar fumaça. Atrás de mim eu ouvi Ron berrar enlouquecido. Ele veio correndo em penumbra na direção de Delacroix. Agora o campo de batalha estava ficando cada vez mais vazio com os comensais fugindo.

– Ahhhhhh!!! – Ron lançava feitiços, cheio de fúria. Nenhum afetava Delacroix.

– RON! – corri e me atraquei-me com ele, o segurando por trás com um aperto forte. – Não vale a pena! Ron!

Ele se contorcia e gritava de raiva, tentando se soltar. Eu sentia ele tentando virar fumaça, mas consegui usar um encantamento mental para impedi-lo. Harry correu para me ajudar e Hermione foi até Molly.

Delacroix deu uma gargalhada horrível e seus últimos seguidores viraram fumaça e foram até ele, ficando a sua volta girando com um furacão negro. Depois o líder das trevas voou em penumbra com seus servos até o céu e sumiram ao atravessar uma nuvem. Esta transformou-se na... na Marca Negra.

Eu e Harry soltamos Ron, que correu até seu pai. Todos nós nos reunimos a sua volta. Os professores, amigos e familiares de Arthur... estávamos todos lá.

Ron caiu de joelhos ao lado do pai, chorando muito.

– Papai... Você vai ficar bem. – ele murmurou pegando na mão dele. — Emmie faça alguma coisa... Emmie ele está morrendo...

Ela balançou a cabeça. Pude ver seus olhos marejados e sua expressão triste.

– Abram espaço! Abram espaço! – gritava Madame Pomfrey, atravessando a multidão. Emmie a outra mão de Arthur e se levantou, indo de encontro com a enfermeira chefe. – Emmie o que atingiu?

– Uma maldição... não sei qual e ela é... irreversível. – Papoula ficou pálida e saiu correndo para uma barraca que montara para atender os feridos. Emmie correu e me abraçou forte. – Eu não consegui... eu não consegui. – ela deixou as lagrimas rolarem.

Houve um silencio desconfortável. Arthur continuava a se contorcer de dor. O seu peito estava sangrando muito. Ele ofegava quase sem ar. Seus filhos o circundavam, sofrendo tanto quanto o pai. A culpa era minha... disso eu estava certo.

– Emmie... vá para o caldeirão furado... leve as crianças para nossa casa e peça para Ginny vir. – sussurrei no ouvido de dela a largando — Se afastem! – ordenei. – Ele precisa de ar! Afastem-se!

O pessoal começou a se dispersar mais. Molly que acariciava os cabelos ruivos do marido, agradeceu-me meneando a cabeça.

– Molly... – Arthur murmurou. Era visível sua dificuldade para falar. – Molly... cuide bem dos nossos filhos.

– Que é isso? Você vai sobreviver. Você é forte... vai ver nossos netos crescerem e se tornarem grandes bruxos.

A cabeça dele estava cuidadosamente colocada sobre o colo de Molly. Ele a virou na direção de Ginny, que havia chegado do caldeirão furado, e estava aos prantos, abraçada com Harry.

– Minha filha... Você vai cuidar bem da sua mãe não vai? – ela assentiu com a cabeça, com a expressão triste. Ele voltou-se para Jorge. – Jorge... seja forte. Cuide da sua mãe como... como ela cuidou de você... Olha as brincadeirinhas... – Arthur conseguiu dar um sorriso.

– Papai... Você não pode morrer! Você vai resistir... Tem que resistir! – ele ficou de joelhos ao lado de Ron.

– Harry... – ele disse com a voz falha e Harry se aproximou. – Por favor... não deixe nada acontecer com minha família... proteja-os.

– Sim, Sr. Weasley, eu prometo protege-los. – ele reprimiu o choro e Ginny o abraçou.

– Jake... – meu coração disparou ao ouvi-lo pronunciar meu nome. – Eu sei de tudo... Severus me confiou a tarefa... Não se entregue. Você é bom... não deixe Victor manipula-lo. Sabe que a convergência tributal se aproxima... proteja seu filho... e ame cada vez mais sua esposa. E por favor... Faça minha morte... – ele deu um gemido de dor, apertando a mão de Ron. – valer a pena... Eu sei o que se passa no seu coração... faça as escolhas certas e um dia... você viverá em paz. Seu pai lhe amava Jacob... ele sempre me disse isso.

Ele tateou os bolsos das suas vestes e tirou uma pedaço uma carta suja de sangue. Havia uma frase no envelope.

Para meu filho amado, Jacob Summers.

Peguei-a, com a mão trêmula, deixando uma lagrima escapar.

– Você é um grande pai Arthur... Você é bom. Não vai ser em vão... eu juro.

Depois ele levantou a mão com dificuldade e Molly a apertou.

– Chegou minha hora...

– Querido, você vai ficar bem... – ela já estava perdendo o controle... – Eu te amo.

– Eu também amo você, nossos filhos e netos... Sempre amei e... e sempre... sempre amarei...

Ele deu um último suspiro e com um sorriso final, sua expressão se desfez. Uma lagrima desceu pelos seus olhos já sem vida e Molly o abraçou sem jeito, inconformada com a morte do marido. Foi preciso que seus filhos a agarrassem. Gui Weasley conjurou uma maca com magia e colocou seu pai nela.

Todos ficaram em silêncio. Molly, já estava passando mal e o restante da família se encontrava desolada.

“E por favor... Faça minha morte... valer a pena... “, a voz de Arthur ecoava na minha cabeça.

Limpei as lagrimas e me voltei para a Marca Negra. Apertei o peito com a mão direira, sentindo a carta do meu pai. Então, senti cada centímetro do meu corpo ser possuído por um poder indescritível. Fúria, ódio, e desejo de vingança misturado com amor, carinho e força de vontade para mudar o mundo. Não! Isso não poderia caber dentro de uma pessoa... eu não consigo!

Comecei a abrir espaço entre as pessoas, erguendo a varinha na direção da Marca Negra. Como Delacroix consegui conjura-la?

– Morti Arthuri disperdam... – murmurei, sentindo uma dor lancinante na cabeça. – Animadvert Teneborsum... – Um brilho branco assumiu a ponta da minha varinha e a língua de cobra da marca negra começou a se desfazer. — Funesta benem possum promittere... teneo!

A caveira começou a se desfazer ao poucos, mas ainda se mexia. Não era força magica o bastante.... eu tinha que tentar novamente... tinha que destruí-la.

Sacudi a varinha novamente e recitei o encantamento novamente, concentrando-se no poder oculto, pedindo forças.

Eu senti minhas energias sendo drenadas pela Marca Negra... ela foi conjurada de maneira diferente... mais poderosa.

Continuei a repetir o encantamento desesperadamente, mas nada aconteceu... na verdade, a Marca estava se refazendo.

– Não consigo... é impossível!

Não... Não é impossível, disse uma voz na minha cabeça. Essa voz era a mesma que apareceu durante minha... convergência tributal.

Saia da minha mente! , gritei no pensamento, balançando a cabeça. Não quero você perto do meu filho! Saia!

Eu não posso... Agora escute com atenção: a Marca Negra não pode ser destruída para sempre... não agora. Ela está ligada a você e ao resto de sua linhagem até o fim dos tempos. Talvez você possa “interrompe-la”... desliga-la temporariamente... Arthur não merece ser enterrado com a Marca no céu. Eu lhe ajudarei.

Como posso saber que posso confiar?, perguntei. Como posso ter certeza que você é uma boa “voz” na minha cabeça?

Só confie... Logo entenderá o que é tudo isso. Agorum Magícus, Terrificus Danum... in treveranum destructos...

Por um momento, tudo escureceu como se eu tivesse perdido a consciência. Então minha visão voltou e me vi com a varinha levantada para o alto. Sua ponta brilhava com mais intensidade. Senti-me forte de repente e meu corpo sofreu uma descarga de adrenalina.

Repita comigo! Agorum Magícus...

– Terrificus Danum... in treveranum destructos... – Fiz o que a Voz mandou e aconteceu o que eu queria.

Uma explosão invisível e inesperada ocorreu a partir da boca da caveira, deixando um buraco circular redondo e azul no céu sombrio, que ficou bem acima de nós.

– Eu o homenageio... Arthur Weasley. – murmurei, e um feixe de luz irrompeu da minha varinha e foi ao buraco no céu, onde se fragmentou e tocou as nuvens, que começaram a tomar forma novamente.

Desta vez, um grande W de nuvens surgiu. A luz do fim da tarde refletia no símbolo, deixando-o com um tom avermelhado, quase “ruivo”.

***

Já pela noite, eu e os professores de Hogwarts, protegemos os terrenos da Toca, ajudamos com os feridos e reparamos a casa de Molly. Ela e sua família estavam muito mal e a casa ficara lotada de amigos que ficariam lá até o funeral pela manhã.

Quando aparatei em frente minha casa, hesitei um pouco. O que falaria para os netos deles, para os filhos dos meus amigos? Como explicar? Não sabia, mas eu tinha que seguir em frente... tinha que ser forte. Ao atravessar o portão magico, minha casa apareceu para mim. Quando entrei, tudo estava silencioso. Não havia ninguém? Será que Delacroix... Não!

Subi as escadas desesperado e fui até a sala de estudos. Ao irromper pela porta eles estavam lá. Albus e James se encontravam sentados em poltronas opostas, de cabeça baixa. Lily estava cochilando, deitada no sofá com a cabeça no colo de Emmie, que contava o conto do Caldeirão Saltitante para ela e para Hugo, que estava sentado numa cadeira. Scorpius estava ao lado de Rose, ambos no mesmo assento da escrivaninha do centro da sala. Esta estava escrevendo algo em um pedaço de pergaminho. Esse lia o livro “Slytherin v.s Gryffindor – uma rixa eterna?”. No outro sofá, Luke estava sentado com Elizabeth. Eles sussurravam e trocavam olhares.

Ao me verem lá, todo sujo e ferido, eles se levantaram. Todos estavam tristes, sabiam que Arthur tinha se ferido. Queriam respostas.

– Jake... – começou Emmie, segurando o choro ao ver minha expressão.

– Ele se foi... Arthur se foi Emmie. – disse, deixando os sentimentos saírem. Ela correu e me abraçou.

Scorpius deixou o livro cair e Rose o abraçou. James ficou imóvel e Luke foi consolar o amigo. Lily abraçou Hugo. Albus sentou-se novamente, caindo no choro. Emmie correu até mim e me abraçou. Elizabeth abraçou Albus pois viu que ele precisava muito, era o neto mais próximo do avô.

Passamos um tempo em silencio, abalados com a perda. Ativei a rede de Flúor e Harry, Ron, Mione e Draco saíram da lareira.

Eles se abraçaram aos filhos, choraram e conversaram um pouco. Depois, um por um foi entrando na lareira e sumindo entre as chamas, até sobrar somente Harry.

– Luke, Elizabeth podem nos dar licença? – pedi para saírem da sala.

– Está bem. – disseram em uníssono e saíram da sala.

– Eu vou preparar algo para comermos. – disse Emmie, seguindo os garotos

Ao fecharem a porta, utilizei um feitiço silenciador.

– Jake... eu só tenho a agradecer-lhe. – começou Harry, limpando uma última lagrima. – A homenagem a Arthur no céu foi deslumbrante.

– Eu não mereço sua gratidão Harry. – fiz um gesto para ele se sentar na poltrona, e assim ele fez. Eu continuei em pé. — Aquele feitiço foi obra minha. Eu contribui para tudo aquilo. Eu sou culpado pela morte de Arthur!

– Do que está falando? – ele se inclinou para frente, curioso.

– Foi no nosso 7° ano em Hogwarts... ele pediu ajuda em um projeto e eu não sabia o que era, eu juro que não sabia. Ele mostrou umas equações e perguntou como um feitiço pode concentrar-se em uma parte do corpo, como fazer magias concentradas. A maneira que ele usou as informações foi horrível.

– Delacroix criou uma maldição?! – Harry exclamou, arregalando os olhos.

– Pior que isso... ele criou uma maldição irreversível. Capaz de destruir qualquer defesa mágica. Nenhuma barreira física inanimada pode parar aquele raio roxo. Molly não morreu porque a barreira física era viva... era Arthur. A culpa foi minha. Eu demostrei como concentrar feitiços.... ensinei muita coisa a ele Harry. Confiei a ele meus segredos... – minha garganta estava seca. Eu sabia que Harry era um cara legal, podia confiar nele. – Ele seria meu padrinho de casamento... Tínhamos planejado tudo. Até montamos um esquema para capturar comensais da morte foragidos. Nós estávamos determinados a sermos Aurores famosos e bem sucedidos. Ai ele me traiu... eu sei que foi difícil superar a morte da mãe mas... Eu não entendo o porquê! Não entendo de onde vem o ódio que ele sente por mim... Não entendo por que ele quer destruir minha vida.

– Eu sinto muito Jake... Deve ser difícil suportar. – ele disse solidariamente. — se precisar de um amigo, eu vou estar sempre aqui.

– Obrigado. Sei que posso confiar em você.

Ele se levantou e me deu um abraço.

– Amanha bem cedo vai ser o funeral de Arthur. Não se sinta culpado... Ao nascer do sol, começaremos a prestar as homenagens. Te espero lá.

– Ok.

– Adeus. – ele foi até a lareira e as chamas o levaram.

Fiquei algum tempo em silêncio.

“Seu pai lhe amava Jacob... ele sempre me disse isso”

Tirei a carta que Arthur me dera do meu sobretudo. O envelope estava sujo de sangue. Hesitei em abri-lo e coloquei-o em cima da mesa de centro. Me sentei no sofá e fiquei encarando a carta. O que ele escrevera? Será que os segredos do poder oculto estavam ali? Eu queria rasgar o envelope e descobrir, mas não queria... Tinha medo do que estava escrito.

Emmie entrou na sala com uma bandeja com biscoitos e suco de abobora.

– Elizabeth vai dormir aqui. Ela e Luke estão lanchando. – ela caminhou até mim. -Jake... você está melhor?

Não respondi e quando ela pousou a bandeja sobre a mesa, viu a carta.

– Essa carta é...

– Do papai. – completei, sem sequer olhar para ela.

Emmie se sentou ao meu lado e contei-lhe como Arthur morreu, sobre a minha ligação com a Marca Negra e minha conversa com Harry.

– Não vai ler a carta? – ela perguntou. – Seu pai deve ter falado sobre...

– Eu não quero ler Emily! – me levantei, cheio de fúria. — Não quero! Você não entende o que sinto... a confusão na minha mente! Eu temo pelo meu filho! Não quero ler sobre mais desgraças que podem acontecer em minha vida!

Joguei a bandeja para longe, fazendo a maior sujeira.

– Tem razão... não entendo. Mas sei de uma coisa. Eu também tenho sentimentos! – ela se levantou e me encarou. – Você acha que não tenho sentimentos?! Acha que não tenho medo de você sair de casa um dia e nunca mais voltar?! Você é egoísta Jacob Summers! Egoísta e orgulhoso! Você acha que tudo gira em torno de seu umbigo, mas eu estou aqui para dizer o contrário! Não! Não é só você e nem o “seu filho”. É o “NOSSO FILHO”! Nossa vida! Nossos amigos! Nossa família! Todos correm perigo!

Fiquei paralisado ao ouvir o que ela disse. Era verdade... desde o começo eu só pensava o que ia acontecer comigo se perdesse alguém e não no que ia acontecer aos outros. A verdade é tão... amarga.

– Às vezes você é imaturo Jake... – se tom de voz voltou ao normal. — Você tem que ser mais altruísta, se ponha no lugar das outras pessoas. Veja a vida por outro ângulo... não é só você.

– Eu sei... – me sentei novamente. Me senti derrotado por uma mente feminina. – Desculpe.

– Eu te amo... mas as vezes você precisa que alguém abra seus olhos e lhe mostre a verdade. – ela veio até minha frente e curvou-se para me beijar. – Você vai ler a carta?

Me levantei e dei-lhe um beijo de leve. Caminhei até a lareira e fitei as chamas.

– Dê as honras. – eu disse.

Quando ela tocou no envelope, as manchas de sangue começaram a clarear até sumir completamente. Ao abri-lo, um cheiro de flores do campo encheu o ar, o que me lembrava a casa do papai. Então ela começou a ler:

Jacob, meu filho, sei que estarei morto quando ler isto, e sei também que é grande a raiva que sente de mim. Eu nunca quis deixa-lo naquela estação, mas era para sua segurança. Depois que sua mãe morreu durante o parto, não suportaria perde-lo. Você era tudo que eu tinha, um verdadeiro presente de Deus. O Prof.º Dumbledore e seu diretor da Sonserina, Severus Snape, prometeram protege-lo da tirania de Voldemort.

Viver em Hogwarts não deve ter sido tão ruim assim. Magia, Quadribol, amizades e muito aprendizado é claro. Não tive essas oportunidades e espero que tenha aproveitado ao máximo tudo isso.

Eu sinto muito por tudo. Por não ter uma mãe... por não ter um lar... por não ter uma família. A culpa é minha se você carrega essa maldição. Passei anos tentando quebra-la, destruí-la para sempre por você, mas não obtive sucesso. Não quero que por causa dela, meu neto – que tenho quase certeza que terá um – perda o pai e toda a família. Minha mãe também acabou morta pelo amor da vida dela, por causa da maldição. Faça o possível e o impossível para não deixar o poder oculto sair das suas mãos. Um passo em falso e tudo vai abaixo... toda sua vida é destruída.

Filho, eu te amo e quero mais que tudo que você tenha uma vida feliz, ao lado de quem você ama ok? Lembre-se que a família nunca nos deixa verdadeiramente. Sempre podemos encontra-los no coração. Você nunca estará sozinho, eu estarei sempre com você, no peito, nos seus pensamentos, até o fim desse pesadelo, até o fim dessa vida. Anexei nesta carta, uma foto, a mais valiosa que tenho – nesse caso, “tinha” (risos). Acho que não nasci para ser humorista, literalmente – é de sua mãe e eu. Foi o dia mais feliz da minha vida. Nessa tarde, descobri que sua mãe estava grávida de você. Está lembrança foi usada por mim para conjurar o Feitiço do Patrono – e olha que ele nunca falhava -. Só tenho uma coisa a pedir a você: Cuide de seu filho como queria que eu tivesse cuidado de você.

“As respostas virão quando a luz iluminar a reconciliação”

Charlie Samot Summers

Eu não estava olhando para Emmie. Ela veio até mim e viu meu rosto molhado pelas lágrimas.

– Foi na plataforma nove e meia, quando eu tinha doze anos, ele havia me abraçado e até disse que nos veríamos no natal. Foi a última vez que o vi. – Emmie me abraçou, e não me contive. Comecei a chorar. – Pensei que tinha sido abandonado... Mas ele estava tentando destruir o poder oculto, A Maldição dos Summers... por mim. No fundo eu sabia que ele não tinha desistido de mim.

– Seu pai lhe amava. Não era negligente. – ela me deu um beijo e entregou-me a foto dos meus pais. – Ela era linda.

Na foto, uma mulher de cabelos castanhos encaracolados, com pele clara e olhos azuis, vestia um vestido rosa longo e elegante. Suas mãos estavam postas para a frente e um homem a abraçava de ladinho, ambos sorrindo. Ele tinha a pele bronzeada com a minha e olhos verde escuro, quase castanhos e cabelos negros como eu. O sorriso da mulher era exatamente como o meu e o de Luke, travesso e sarcástico. Será que ela era como o Luke? Só sabia que essa era uma herança notável da minha mãe. Eles hora acenavam, hora se beijavam, e as vezes papai acariciava a barriga da mamãe.

– Como era o nome dela? – Emmie perguntou.

– Aurora... Aurora Smith. – respondi acariciando a imagem. – Papai me contava muito sobre ela... as aventuras que viveram juntos pela Oceania... Os estudos temporários na Academia de Magia de Camberra... A corrida de vassouras pelo deserto... Ele não ficava um dia sem falar nela.

– Nossa. – ela deu uma gargalhada. — Sua mãe era como você. Mas tem uma coisa que me intriga.

– O Quê?

– Essa frase solta no final: “As respostas virão quando a luz iluminar a reconciliação”. Tem alguma ideia do que isso significa?

– Não... mas as respostas podem ser o que precisamos para vencer o Despertar das Trevas... deve ter algum significado oculto, uma mensagem subliminar. Depois eu vou estudar a carta melhor.

– Ok. Então vá comer alguma coisa que eu vou limpar a sujeira que você fez no meu tapete! – ela deu um tapa no meu braço.

Sem falar mais nada, sequei o rosto com a manga da blusa e fui até escada. Porém hesitei em descer ao ouvir algo. Inclinei-me sobre o corrimão e vi Luke e Elizabeth no sofá da sala de estar.

– Eu gostava muito do Arthur. – Elizabeth falou. — Era um bom homem.Deus! Como meus pais vão reagir quando lerem a carta que mandei?

– Eu sinto muito... – disse Luke, já limpo e com pijama. – Papai deve está abalado, era muito amigo dele, Arthur era quase como um pai para ele.

Houve um silêncio rápido.

– Eu tenho uma surpresa para você. – Luke quebrou o gelo. – É meio cafona mas foi o melhor que conseguir pensar.

– Sim?

Ele levantou-se e pegou um monte de cartas enroladas em um barbante que estava do lado do sofá.

– São todas as cartas que iria receber nessas férias de verão, mas papai não deixou que eu enviasse. – ele disse, colocando as cartas no colo dela, voltando a sentar-se. – Eu sei que não gostou e que é uma coisa muito simples e...

– Quê?! Está Perfeito! – ela deu-lhe um beijo e pegou uma das cartas, lendo em voz alta.

Serio... não faz uma semana que as férias começaram e já anseio pelo fim.

Liz, você deve estar ótima! A Califórnia deve ser incrível. Seus pais são demais e os meus nem tanto.

Papai está sendo convocado para ser o Novo 1º Ministro da Magia e mamãe não pode viajar até terminar uma investigação no Departamento dos Aurores.

Te amo muito e se eu pudesse aparatar, estaria ai com você.

Vou estudar, mas meus desejos mais íntimos estão com você, beijos.

Seu melhor amigo e namorado,

Luke Summers.

– Desejos íntimos?! – ela exclamou, surpresa. – Que tipo de desejos?

Concordo... que tipo de desejos?

– De estar com você... – ele se aproximou um pouco demais dela, com a respiração acelerada. – De te beijar... – ele começou a beija-la de leve — E de passar a noite inteira abraçado com você...

Os beijos começaram a ficar mais intensos, até ele avançar mais, o que a obrigou a deita-se...

Para tudo! Passar a noite inteira com ela... eles já... fizeram? Nessa idade? Eu não vou ser avô agora!

Quando fui acabar com a festa Emmie tampa minha boca por trás e me guia até a cozinha.

– Deixa eles serem felizes. – ela sussurrou.

– Eu não vou cuidar de nenhum bebê! – murmurei em resposta. – Não quero um neto feito em sala de estar!

– Você é exagerado sabia? Eles não vão fazer nada.

– Não vão? – ergui uma sobrancelha. – Se lembra da gente? Quando quase “fizemos” na biblioteca de Hogwarts, a noite.

– Ei! – ela replicou. – Você era um assanhado na época!

Ela fez um gesto colocando o dedo no ouvido.

– Luke para de brincadeira... eu vou dormir.

– Quê?

– Você é muito “hormonal”. Vou acabar engravidando se ceder aos seus “encantos”. E além do mais... ninguém está no clima para isso. – ouvi um barulho de almofada sendo jogada em alguém, um estalo de beijo e uma batida de... acho que de mão em traseiro. – Você tá muito safadinho hein. Boa noite e nem pense em tentar algo pela madrugada, eu grito pela sua mãe ok? E a propósito, eu adorei sua família.

Ouvi barulhos na escada e depois um silencio aconchegante.

– Viu? Além de inteligente, é sensata e educada. Adorei ela. – disse Emmie. – Vou subir.

Comi algo, tomei banho e vesti o pijama. Quando fui fechar a porta do quarto, Luke vinha subindo.

– Boa noite filho.

– Boa noite pai.

Quando fui fechar a porta do quarto ele disse:

– Espere. – veio até mim e me abraçou. – Sinto muito por Arthur, mesmo.

– Obrigado. – mexi nos seus cabelos e respirei fundo. – Agora vá... temos poucos tempo para dormir... o funeral vai ser no nascer do sou. Boa noite Luke.

– Boa noite... Sr. Jake.

Dei uma risada e fechei a porta.

– Está se saindo bem. – Emmie murmurou. Ela já estava na cama. – Vamos dormir.

Me deitei e abracei-a. Ficamos conversando em posição de conchinha até o sono vir...

Notas finais
Gente deem sua opinião! Preciso saber se estão gostando. Obrigado.