O Despertar da Rosa Branca
13 Uma emboscada
Após algumas horas de treinamentos, o dia para ir para o Reino Arenlindor havia chegado. O sol mal havia tocado o horizonte quando nos reunimos na entrada do castelo. O príncipe Johan, alto e imponente, esperava com seu grupo de guardas. O ar da manhã tinha aquele frescor cortante e mesmo com a rotina de preparação, meu coração batia acelerado. Hoje eu finalmente veria a escolha de meus passos em ação: a missão de escolta até o reino Arenlindor.
— Liz, pronta para liderar sua parte da escolta? — Alarien aproximou-se, ajustando sua armadura leve, verde-escura, que reluzia sutilmente à luz do sol.
— Sim… — respondi, tentando controlar a ansiedade. — Espero estar à altura.
Ela sorriu, mas seus olhos transmitiam mais do que confiança havia alerta, como se cada passo que eu desse pudesse despertar algo que ainda não conhecíamos. Ambas estávamos atentas. O mundo está mudando, e qualquer deslize político poderia nos custar caro. Essa era a primeira missão que eu e ela estaríamos liderando junto com alguns outros soldados.
Quando o príncipe Johan finalmente chegou até nós, senti onda de respeito misturada com curiosidade. Seus cabelos dourados refletiam o sol da manhã, e seus olhos, de um azul profundo, carregavam tanto determinação quanto cansaço. Ele era muito bonito, por um breve momento entendi a fixação da Rien no príncipe. Ele nos cumprimentou brevemente, confiando nos membros da escolta.
— Então, estamos prontos para partir? — Perguntou Johan, a voz firme, mas com uma calma que impunha respeito.
— Sim, alteza — respondi, respirando fundo. — Tudo organizado. O mapa já está com a mágica do Sr. Goty para nos levar aos tótens que estão posicionados ao longo do caminho, garantindo que a viagem seja mais curta e segura.
— Muito bem — disse ele, assentindo. — Confio em vocês. Ele olhou para Rien e eu podia jurar que ela corou naquele momento. Enquanto montávamos nossos cavalos, senti Alarien se aproximar de mim:
— Liz, ele...
— Eu sei — Algumas pessoas estavam ao nosso redor. Como um breve momento de meninas, sorrimos uma para a outra, porém em seguida apertei a empunhadura da Rosa escondida sob minha capa. Fiz um sinal para darmos início a viagem.
Seguimos pelo portão do castelo, o sol agora mais alto iluminando as ruas da capital, que começavam a despertar. A sensação de poder e perigo pairava no ar, uma lembrança constante de que não se tratava apenas de uma escolta comum. Cada passo, cada olhar poderia carregar consequências que iam muito além do que eu podia imaginar.
Alarien manteve-se próxima, e por um instante, notei algo diferente em seu olhar respeito, preocupação e talvez um pouco de curiosidade sobre minha mudança. Aquilo me deu coragem. E então, enquanto seguimos, pensei: mesmo no meio de perigos e segredos, pelo menos por agora, eu não estaria sozinha.
****
O caminho pelo bosque entre a capital e Arenlindor era estreito, cercado por árvores antigas cujas copas se entrelaçavam, filtrando a luz do sol em fios dourados. O silêncio era quase absoluto, exceto pelo som dos cascos dos cavalos sobre a estrada de pedra. Cada passo parecia mais pesado como se a floresta estivesse esperando algo.
— Sinto algo errado — murmurou Alarien, os olhos percorrendo as sombras entre as árvores. Eu assenti, mãos próximas à Rosa, sentindo o bracelete aquecer levemente, uma antecipação que se misturava com o medo.
— Fiquem atentos. — Falei em voz alta para os outros soldados próximos.
O príncipe Johan parecia alheio, confiante demais na escolta, mas eu sabia que o perigo não escolheria aviso. De repente, um rugido baixo cortou o ar, seguido de um estalo estranho, quase como vidro quebrando. Das sombras, criaturas surgiram: enormes bestas de pele escamosa e olhos incandescentes, com garras afiadas e dentes que refletiam a luz filtrada pelo bosque. A magia que emanava delas era densa, sufocante.
— Criaturas da floresta de Umbra… — sussurrou Alarien, sacando a lâmina longa, reluzente, com runas gravadas.
— Elas são rápidas e traiçoeiras. — Um dos soldados falou.
Meu coração disparou. Segurei a Rosa com firmeza, sentindo a energia da espada pulsar no meu pulso. Enquanto fomos enfrentar as criaturas, dávamos estratégia uns aos outros.
As criaturas avançaram e o primeiro ataque foi feroz. Alarien deslizou pelo lado direito, movimentos fluidos, desviando de uma garra e cravando sua lâmina na carne escamosa de uma das bestas. Eu me concentrei, Rosa brilhando com uma luz prateada e executei o primeiro golpe sentindo o impacto da magia na lâmina e a energia se espalhar pelo meu braço.
— Cuidado! — Alarien gritou, desviando de outra criatura que avançava silenciosa.Um instante de sincronia: eu avançava, ela cobria a lateral.
— Cuidado com o príncipe — gritei, concentrando a Rosa em um feixe de luz que cegou momentaneamente os olhos das bestas.
As criaturas recuaram, sibilando, mas não por muito tempo. Elas atacaram novamente, mais rápidas e calculistas. Desta vez, senti o bracelete vibrar no pulso, quase me guiando. Uma das bestas avançou por trás de mim, mas Alarien foi mais rápida: empurrou a criatura para o lado com a lâmina, quase roçando meu ombro.
— Concentra na Rosa — disse ela, sem perder o ritmo.
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Quando abri, a Rosa pulsava em meus braços, criando uma onda de energia que derrubou duas criaturas de uma vez. Alarien sorriu, levemente surpresa com a potência.
— Impressionante — disse ela, antes de atacarmos juntas novamente, movimentos harmonizados, instinto e treinamento se fundindo.
Após alguns minutos que pareceram horas, as criaturas recuaram, desaparecendo nas sombras do bosque. Meu corpo tremia, e o suor escorria pelo rosto, mas a adrenalina me fazia sentir viva como nunca.
— Conseguimos — murmurei, exausta, respirando com dificuldade.
— Bom trabalho Soldados. — Eu falei esboçando um sorriso.
Alguns deles estavam bem cansados, me certifiquei de que ninguém havia se machucado gravemente. O príncipe Johan finalmente percebeu a gravidade do que havíamos enfrentado.
— Bom trabalho, escolta. — Ele dirigiu a palavra a nós.
— Você está bem, vossa magestade? — Rien perguntou ao príncipe.
— Eu quem deveria perguntar, vocês estão bem Srta. Miravell ?
— Estamos sim, Vossa magestade. Foi um ataque de bestas mágicas. -Ela continuou.
— Ninguém se machucou gravemente, vossa Alteza. — Eu conclui.
— Ótimo. Vamos parar um pouco para nos recompor.— Ele deu um breve sorriso dando ordens para alguns da comitiva ajudarem. O príncipe Johan era muito admirado no reino por ser um homem de bom coração, empático e justo. Após alguns minutos nos recompondo, caminhamos em silêncio, recuperando o fôlego e a calma. Eu sentia a ligação com Alarien mais forte, um laço de confiança nascido do perigo compartilhado. Enquanto as árvores do bosque se abriam para a estrada que levava a Arenlindor, senti que algo maior nos aguardava não apenas o destino da profecia.
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