O Despertar da Rosa Branca

16 O Baile em Arenlindor


O salão principal de Arenlindor estava deslumbrante. Lustres de cristal flutuantes lançavam reflexos cintilantes sobre o mármore prateado, enquanto a música sutil de harpas e flautas preenchia o ar com uma harmonia quase encantada. As paredes estavam decoradas com ouro que contavam histórias antigas do reino, e o aroma de flores raras misturava-se ao perfume delicado dos convidados.

Uma elfa me guiou até o centro do salão e ali o sacerdote esperava, de postura ereta e semblante grave, mas com os olhos brilhando de algo que eu não conseguia decifrar. Ele se aproximou e sua voz, baixa e melodiosa, cortou o murmúrio dos convidados:

— Majestade, apresento-lhe Aurelis Lirae, aquela que eu havia comentado — disse, curvando-se ligeiramente diante do rei Myndor.

O rei imponente em seu manto verde-esmeralda bordado com fios dourados, ergueu-se do trono com um gesto calmo e majestoso. Seus olhos atravessaram a sala até encontrarem os meus e senti um arrepio percorrer a espinha. Era a primeira vez que nos encontrávamos diretamente e seu olhar parecia pesar sobre mim, avaliando e ao mesmo tempo reconhecendo algo que eu ainda não compreendia.

— Seja bem-vinda a Arenlindor, Srta. Lirae — disse Myndor, sua voz grave e serena. — Que esta noite lhe permita sentir o calor de nossas tradições e o respeito de nosso povo.

Inclinei-me em reverência, mantendo o máximo de compostura possível, enquanto o sacerdote permanecia ao meu lado, observando cada movimento meu com atenção quase protetora.

— Vossa Majestade… — sussurrei, sentindo a presença dele tão próxima quanto um lembrete silencioso de que meu destino já começava a se desenrolar.

— Sinta-se à vontade — respondeu o rei, com um leve aceno de cabeça, um gesto que parecia acolher, mas também pesar sobre minhas responsabilidades.

O sacerdote inclinou-se discretamente para mim, seu sussurro quase inaudível para os outros:

— Hoje você está no centro de algo muito maior que a formalidade do baile. Observe, ouça e sinta. A profecia já caminha ao seu lado.

Enquanto ele se afastava para permitir que a dança começasse, eu fiquei ali, no meio do salão, sentindo o bracelete da Rosa pulsar contra meu pulso. Cada passo dos convidados, cada olhar, parecia carregar segredos antigos, e eu compreendi, mais do que nunca, que aquela noite não seria apenas uma celebração: seria o início daquilo que estava escrito para mim.

Foi então que meus olhos encontraram o príncipe Johan e a princesa Sylwe. Ele se aproximava com passos seguros, o sorriso discreto e elegante, enquanto Sylwe, vestida em um vestido de tons lilases que realçava sua aura delicada, inclinava-se levemente ao me olhar.

— Srta. Lirae, é um prazer finalmente conhecê-la — disse Sylwe, curvando-se ligeiramente em reverência.

— O príncipe Johan falou de sua bravura durante a escolta.

— A honra é minha, princesa Sylwe — respondi, mantendo a postura formal, mas sentindo um leve calor subir às bochechas.

— Fico feliz em poder servir ao reino Arenlindor. — Eu continuei.

O Príncipe Johan interveio, sorrindo de maneira tranquila:

— Srta. Lirae demonstrou grande coragem. Sem ela, nossa viagem até aqui teria sido muito mais difícil. — Seus olhos encontraram os meus por um instante, e percebi uma mistura de orgulho e alívio em seu olhar.

A princesa Sylwe inclinou a cabeça em sinal de respeito, mantendo o sorriso elegante:

— Estou certa de que o reino estará em boas mãos com sua presença, Srta. Lirae. Espero que esta noite seja agradável para todos nós.

— Sem dúvida, princesa. — respondi, inclinando levemente o corpo em sinal de respeito.

Eles seguiram, discretos, enquanto a música os envolvia, mas senti que aquela breve interação carregava mais do que cortesia: havia avaliação, observação e a sutil consciência de que cada gesto poderia influenciar os próximos movimentos de todos nós.

De repente, um sussurro percorreu o salão, quase como um vento que carrega rumores: o príncipe Eryon Thorne entrava. A atenção parecia se voltar involuntariamente para ele alto, com a presença imponente e o olhar intenso que conseguia penetrar qualquer disfarce ou gesto contido. A sua cicatriz deixava os traços dos seu rosto ainda mais chamativo.

Ele parou por um instante como se tivesse visto algo que não esperava. Seus olhos se fixaram em mim, e senti um calafrio percorrer minha espinha. Não era hostilidade, mas um choque, misturado com confusão e algo indefinível, os flashes de memórias no reino Umbra-Nor parecia como um sonho distante eu um aperto surgiu dentro de mim. Enquanto ele caminhava com nossos olhos fixos, eu percebi que um conselheiro estava ao lado dele lhe dando as coordenadas, até que ele desviou atenção para o rei e a rainha, as formalidades precisavam ser cumpridas.

Alarien me observava discretamente, percebendo o choque em meu semblante, mas eu não tinha tempo de me explicar ou de me preparar. O príncipe Eryon avançou pelo salão, mantendo a expressão firme, controlada, mas seus olhos não desgrudavam de mim. Cada passo dele parecia medir a distância entre nós, como se tentasse calcular o que aquilo significava, tanto para ele quanto para o destino que agora me perseguia.

No fundo, senti a tensão crescer: a profecia parecia sussurrar novamente e eu compreendi, pela primeira vez, que aquela noite não seria apenas um baile. Era o momento em que caminhos colidiam, e que escolhas começariam a pesar sobre nós escolhas que ninguém, nem eu, poderia ignorar.