O Despertar da Rosa Branca
3 Despertar em Eilyn
Meu corpo parecia ainda afundado na cama, o tecido leve me mantinha aquecida. Será que finalmente acordei do meu sonho fantasioso? Recordava que magia e criaturas mágicas eram coisas que eu via em filmes ou lia em livros. De onde eu vinha, tudo aquilo parecia excessivamente fantasioso. Ao abrir os olhos, a luz dourada do sol filtrava-se através das cortinas de linho, dançando nas paredes de pedra do meu quarto.
Levantei-me lentamente, sentindo a maciez do tapete de lã sob meus pés descalços. O quarto era simples, mas acolhedor, com uma cama de madeira escura coberta por um edredom de retalhos coloridos. As paredes estavam adornadas com tapeçarias que contavam histórias de bravura e magia. Lembrei-me de tudo que aconteceu na noite passada, desde o momento em que entrei na floresta até o instante em que Thereon me trouxe para cá as imagens estavam nítidas em minha mente.
Caminhei em direção a um espelho próximo a uma escrivaninha de madeira. Olhei para aquela figura que me era familiar, mas ao mesmo tempo estranha.
— Aurelis Lirae, o que aconteceu com você? — perguntei a mim mesma, observando meu corpo esguio e pálido, marcado por algumas cicatrizes claras e discretas, provavelmente resultado de treinos. Aproximando-me do espelho, pude ver com mais clareza meus olhos cor de mel o contraste do olhar marcante de Liz com os cabelos agora prateados criava uma harmonia única. Ela era linda.
Não me lembrava de ter sentido isso em minha antiga vida. A insegurança de não ser boa ou bonita o suficiente era quase sufocante. Mas aquelas habilidades, aquele corpo e aquele rosto eram delicados e fortes ao mesmo tempo. Liz possuía uma beleza marcante e incomum.
— Liz... fiz um café para você — a voz do meu tio interrompeu meus pensamentos.
— Vou tomar banho e já vou — respondi.
Tive pouco contato comigo mesma desde ontem. Estava tão exausta que mal conversei com meu tio antes de subir para dormir. Após o banho, sentei-me à escrivaninha e peguei um caderno antigo com folhas em branco.
— Vamos lá... Vou tentar anotar tudo que lembro e sei — suspirei enquanto começava a escrever as informações que tinha.
O nome deste universo é:
EILYN
Eilyn é um continente mágico composto por reinos diversos. Alguns estão em ruínas, outros em guerra, e poucos tentam manter a paz em um mundo cada vez mais instável.
REINO LUMINARA — O Reino da Luz Serena
Esse é o país onde Liz nasceu. O vilarejo de onde ela veio pertencia ao Reino Luminara, conhecido por sua beleza natural, mágica, templos antigos e cavaleiros leais. Thereon é um dos cavaleiros desse reino.
REINO UMBRA-NOR — O Domínio da Sombra Nórdica
Região atualmente governada pela rainha Morwenna. Costuma ser bastante fria e escura, habitada por criaturas mágicas renegadas e exércitos de sombras. Um dos países que gera bastante conflito com Luminara. Os maiores criminosos advêm desse país.
REINO ARENLINDOR — O Refúgio dos Elfos
Terra ancestral com vasto conhecimento de magia e ligação com a natureza. Um país de neutralidade política, mais isolado e tentando manter a paz. Não me lembro do governante desse país, mas recordo que a princesa estava prometida em casamento ao príncipe de Luminara.
DRAKTHARN — Montanha dos Dragões Silenciosos
Terra sem governante atual, repleta de criaturas mágicas e dragões. Dizem que o primeiro pacto de sangue e magia foi selado ali.
Espada da Rosa Branca
Circulei várias vezes esse termo. Seria uma profecia? No Reino Luminara, existiam muitas profecias, e certamente já ouvi falar de algo assim.
— Você está bem, Liz? — Meu tio bateu na porta do quarto novamente, e eu a abri.
— Ah, tio, estou bem sim, desculpe, perdi a noção do tempo — sorri, um pouco sem graça. Ele lembrava muito a minha mãe, com seus cabelos grisalhos e traços que evocavam sua imagem. Apesar de ser bonito, meu tio não quis se casar, soube que ele namorava homens. Talvez, nesse universo, apesar de existir muitas criaturas, ainda fosse um tabu viver com alguém do mesmo sexo. Não me recordo de Liz ter conversado com ele sobre isso, mas era um assunto que eu tinha curiosidade de abordar, talvez devesse apenas esperar o momento certo.
Caminhei até a cozinha. A casa onde estávamos era onde Liz morava com seu tio. Era repleta de pedra e madeira, simples, mas muito bem arrumada e decorada com flores. Assim que me sentei para comer, agradeci.
— Você tem certeza de que está bem, Liz?
— O que? Por que, tio? — perguntei, um pouco assustada. Será que Liz era muito diferente de mim agora?
— Eu não sei... talvez tenha sido uma experiência muito difícil na floresta. Mas você está... — ele hesitou.
— Diferente — concluí, e ele apenas concordou com a cabeça.
— Eu... me sinto confusa, tio. — Queria muito falar a verdade para ele: "Desculpe, tio, eu não sou a sua Liz. Não faço a mínima ideia de quem sou agora. Estou habitando o corpo da sua sobrinha, e ela compartilha as memórias dela comigo." Ela morreu? Não fazia ideia do que havia acontecido com a Liz original. É claro que não poderia dizer isso tinha certeza de que seria considerada insana.
— Imagino que seja, querida. Você passou por momentos difíceis. — Ele foi carinhoso, dando-me um beijo na testa como conforto. Sorri.
— O Goty quer muito te ver. A cidade já sabe que você sumiu na floresta e que seus cabelos agora estão como neve.
— Ah, verdade. Thereon comentou sobre ele comigo — respondi, tomando um gole do chá.
— Ele é o sábio mago do Reino Luminara. Tenho certeza de que ele saberá o que aconteceu.
— Espero que sim — suspirei, enquanto colocava o último pedaço de pão na boca.
Desejava muito que o mago Goty soubesse o que aconteceu e talvez sobre alguma profecia da Rosa Branca. Do vilarejo até o castelo de Luminara, a viagem de cavalo levava cerca de cinco horas. Certamente, eu teria que me apressar para ir à capital. Será que era seguro falar com ele sobre o que aconteceu na floresta? Eu não seria presa? Um arrepio percorreu meu corpo enquanto me arrumava e coloquei o meu bracelete prateado sobre o punho.
— Rosa... por favor, ilumine novamente meu caminho, assim como fez na floresta.
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