O Despertar - Embry Call

1 1| Orfanato e o Novo Médico


Notas iniciais
Faceclaim da Faith é a Isabella Moner.

Boa Leitura!

A chuva batia forte contra o vidro da janela, lá fora. O barulho do vento e dos trovões era alto, me assustando. Mamãe me agasalha com uma blusa grossa e quentinha, cachecol e uma touca.

— Melhorou querida? Está quentinha agora? — mamãe pergunta me olhando preocupada. Ela parece triste também.

— Sim, mamãe! — digo e ela sorri, mas uma lágrima escorre do seu olho e ela limpa rapidamente. — Mas acho que minhas mãos ainda estão geladas, olha. — levo minha mão tocando seu rosto.

— É verdade, estão sim! Vem vamos colocar logo umas luvas que logo estarão quentinhas.

Mamãe me leva até a cômoda, abrindo uma das gavetas e pegando um par de luvas; as colocando em minhas mãos.

— Obrigada, mamãe! Agora estou bem quentinha.

— Olha amor, os homens maus nos encontraram. — mamãe diz se ajoelhando na minha frente.

— Eles vão nos matar? — pergunto com medo.

— Eu não vou permitir que te machuquem. Você confia em mim? — apenas afirmo que sim. — Então venha, eu vou te esconder.

Mamãe me levou até o armário que tinha debaixo das escadas, trazendo meu ursinho e abriu a porta para mim.

— Entre e fique bem quietinha! Presta atenção, querida, não importa o que aconteça ou que você veja; não grite, não fale nada e não faça barulho. Entendeu?

— Sim. Estou com medo, mamãe! — digo tentando não chorar.

— Vai dar tudo certo, confie em mim! O papai está protegendo a casa pra eles não entrarem até você estar segura. Tome — mamãe me entrega meu ursinho de pelúcia. — haja o que houve não o perca! Ele poderá te ajudar quando for maior.

Apenas assinto com a cabeça, enquanto lágrimas descem por nossos rostos.

— Lembre-se querida, papai e mamãe ama muito você!

Mamãe me dá um beijo e um carinho no rosto, antes de fechar a porta. Pela gradinha que tem na porta, a vejo pegando uma vela preta e uma mesinha pequena redonda e trazendo pra perto do armário, onde estou.

Escuto um barulho alto vindo da sala, e levo minhas mãos à boca para não gritar. Mamãe olha desesperada na direção do barulho e depressa acende a vela. Dois homens aparecem apontando uma arma na direção de mamãe, e ela apenas olha rápido onde estou e volta o olhar aos homens.

— Vocês não deveriam ter fugido dele! — um dos homens fala fazendo sinal de negação, antes de atirar em mamãe. Seguro firme as mãos na boca pra não gritar, as lágrimas escorrendo.

Eu não podia acreditar que eles haviam matado mamãe. Eu tento não fazer barulho com meu choro, mas acho que não consegui porque um dos homens começa a vir na minha direção e eu faço de tudo para abafar o barulho até da minha respiração.

Mamãe disse pra ficar quietinha pra eles não me acharem, "Então se esforça mais, Faith!" brigo comigo mesma.

O homem abre a porta do armário e logo sinto uma mão no meu ombro...

E começo a gritar.

— Shi, shi! Se acalme querida, foi só um pesadelo! — a voz doce de Amélia me traz pra realidade. Ela me abraça fazendo carinho, para me confortar. — Foi só um pesadelo!

Ela repete, mas não era só um pesadelo. Era uma lembrança. A lembrança do pior dia da minha vida!

O dia que meus pais foram assassinados.

Hoje eu vivo de orfanato em orfanato. Por causa da minha doença, eles não conseguem me manter por mais de um ano.

Amélia é a única que se importa comigo, em anos. Ela é doce e carinhosa comigo. Ela me protege quando as crianças zombam de mim ou fazem brincadeiras maldosas.

— Eu vim te acordar, menina! Arrume suas coisas, eu consegui uma vaga pra você no orfanato de Port Angeles.

Ela diz sorridente. Há meses que ela tenta conseguir essa vaga pra mim, porque lá mesmo sendo um orfanato de cidade pequena, é tudo muito organizado e vai um médico muito bom de duas em duas semanas pra cuidar das crianças. Isso é ela que diz, mas vamos ver depois que chegar lá.

— Eles não quiseram mandar um carro só pra uma criança, mas eu convenci a nossa diretora a disponibilizar um carro para leva-la. Então vamos, que eu vou te ajudar com a mala.

Fico feliz de ver a felicidade de Amélia e a esperança em seus olhos, mas não acredito que minha vida possa mudar assim como ela sonha.

Pra isso acontecer eu precisaria de um milagre.

Após tudo arrumado — o que não demorou muito "afinal, eu não tinha quase nada" — apenas pego meu ursinho em cima da cama, antes de irmos em direção ao carro. Ele e um quadro com uma foto, que já está na mala, são as únicas coisas que tenho dos meus pais.

Me despeço de Amélia, aos choros. Ela prometeu ligar, sempre quando der, para ter notícias minhas. A diretora apenas acena um tchau de longe com indiferença e certa alegria no rosto, provavelmente por conseguir se livrar de mim. Entro no carro e partimos com destino a Port Angeles.

'ღ'

Tem três meses que cheguei no orfanato e nada do médico aparecer. Amélia dizia tão bem desse orfanato e que o médico era um dos melhores, talvez, ele tenha se cansado de fazer caridade.

Aqui é igual a todos os outros orfanatos que passei, tirando o último em Los Angeles.

Lá tinha Amélia que gostava de mim e me tratava como uma filha. Agora nos outros eu sempre fui um peso.

Até as outras crianças não gostavam de mim e mantinham distância, como se a minha doença fosse contagiosa.

Toda segunda-feira a diretora me chamava pra repassar tudo o que eu deveria dizer se o médico aparecesse, ela disse que ele nunca ficou tanto tempo sem aparecer e que devia ter acontecido algo. Eu nem me surpreendo com o que ela pede pra eu dizer, pois é a mesma coisa em todos os orfanatos.

Era pra mentir que eles me tratavam bem, que cuidavam de mim e me fazer de coitadinha pra tirar algum dinheiro do médico, assim como os remédios do meu tratamento. Eu nunca vi nenhuma melhoria nos orfanatos que os médicos davam dinheiro, para dar mais confortos as outras crianças e para o meu tratamento. A única coisa que eles me davam eram os remédios que o doutor receitava e deixava pra eu tomar.

Seria fácil me fazer de coitadinha, há semanas que eu não me sinto bem. Os enjoos, fraqueza e dores no corpo está cada vez mais frequente. Acredito que os remédios talvez, não estejam fazendo mais efeito, fora que já está quase no fim.

Hoje amanheceu chuvoso como a maioria dos dias aqui, e como todo dia chuvoso as crianças todos ficam dentro do orfanato, pro meu total azar. Elas não perder a oportunidade de serem maldosas comigo, e aqui não tem Amélia pra me proteger.

A verdade, é que a cada dia que passo aqui... desejo logo que chegue meu fim! Pelo menos assim eu terei paz e quem sabe encontrarei com meus pais lá no céu.

As crianças largam de me importunar e fazem um tumulto perto da porta, e como estou ainda muito fraca fico tentando ver o que poderia ser, da cama onde estou.

— Me perdoe por ter faltado esses dias, tive que resolver uns problemas de família. A senhora entende, ne? — o homem alto e loiro se aproxima da porta com a diretora ao seu lado.

— Claro, doutor Cullen! — a megera diz com um sorriso, que aposto é só pelo dinheiro que ele tem.

— Crianças, eu trouxe presentes! Emmett e Rosalie estão no saguão com eles. Por quê não vão lá enquanto eu converso com a diretora. — ele fala com um sorriso gentil e as crianças gritam enquanto sai correndo em direção ao saguão de entrada.

Eu apenas deito novamente me virando pro canto, já que mesmo se eu estivesse bem eles não me deixariam brincar com as outras crianças.

— E ela? Por quê não foi com as outras crianças? — ele questiona a diretora e eu me encolho mais na cama.

— Ah! Ela é a garota que comentei, ela veio transferida aos uns três meses. Ela tem câncer, temo que a pobrezinha não tenha muito tempo de vida. — ela diz com a voz sofrida, como se realmente se importasse. Que sínica!

— Então vou atende-la primeiro, depois nós conversamos!

— Como quiser doutor Cullen. Faith? — me chama e eu me sento na cama para olhá-los. — O doutor Cullen vai examiná-la.

— Poderia nos deixar a sós, senhora Jones? — a diretora afirma e antes de sair faz um sinal com a cabeça, como se fosse pra me lembrar de extorquir o médico.

Tô cansada disso!

— Então, Faith... aqui na sua ficha diz que você tem leucemia. A quanto tempo foi diagnosticada? — ele tira os olhos da prancheta e me olha com aqueles olhos dourados diferentes de todos que eu já vi.

— Depois que meus pais morreram quando eu tinha quatro anos, eu me isolei e nunca tinha fome, então... eu tive uma anemia muito forte, mas foi com cinco anos que evoluiu para o câncer. — digo com um pouco de dificuldade, devido à fraqueza.

— E você não tinha nenhum parente que pudesse cuidar de você? — ele questiona e parecia realmente interessado em saber o que aconteceu comigo, então resolvo contar tudo.

— Eu morei um ano com meus tios por parte de mãe, eles não gostavam muito de mim. Sempre me maltratavam e me batiam. Eles brigavam com minha mãe por ter morrido e deixado a aberração da filha com eles, e que eles não eram obrigados a carregar esse fardo. — lágrimas escorrem por meu rosto ao lembrar das palavras cruéis que eles diziam.

— Me desculpe, não precisa continuar se não quiser. — ele diz atencioso.

— Tudo bem, eu preciso falar. — ele apenas afirma e eu tento controlar o choro. — Tia Ashley descobriu que estava grávida e na mesma semana eu passei muito mal na escolinha que frequentava. A diretora não estava conseguindo falar com meus tios e a coordenadora me levou pro hospital e ficou comigo lá. O médico disse que minha anemia tinha evoluído e que agora eu tinha leucemia.

"Ele passou os remédios que eu teria que tomar, e quantas sessões de quimioterapia que teria que fazer. Quando meus tios chegaram no hospital, o médico conversou com eles e depois fomos embora."

"Lá meus tios estavam discutindo, tia Ashley dizia que por mais que as coisas estavam difíceis eles não podiam fazer isso comigo, ainda mais depois da doença. E que apesar de tudo eu ainda era filha da irmã dela. Tio Anthony falou algo sobre não conseguir cuidar de mim com o tratamento ainda mais com a chegada do bebê. E no fim de semana eu estava na frente de um orfanato com uma pequena mala ao lado. Tia Ashley pedia desculpas, por estar me abandonando. Já tio Antony estava sorrindo, por finalmente conseguir se livrar de mim."

— Eu sinto muito! — ele diz sincero.

— Quando era menor, eu não entedia o porquê deles terem me abandonado. Hoje eu entendo, e não os culpo por isso.

— Não guarda rancor por eles terem te abandonado? — ele questiona curioso.

— Não! Eu já os perdoei, por isso. — digo e ele apenas afirma me olhando de um jeito diferente.

— Me acompanha, tem uma sala que eu montei com alguns equipamentos para eu poder examinar as crianças. Você consegue andar?

— Consigo, só preciso de algo pra me apoiar de vez em quando.

Eu o sigo, as vezes segurando na parede outras vezes segurando seu braço, que mesmo por cima do jaleco parecia frio.

Ele me ajuda a sentar, pega uma maleta com seus aparelhos e começa me examinar.

— Vou ligar o aquecedor, lá fora tava um frio de congelar! — o doutor diz apertando um botão no controle em cima da mesa e a sala logo começou a ficar quentinha.

— Como está sua alimentação?

— Não muito boa, sempre tive dificuldade de comer com o efeito dos remédios, mas de um mês pra cá tem piorado cada vez mais.

— Você toma alguma vitamina?

— Não. — digo e a cada resposta ele anota tudo na ficha.

— E as quimioterapias e os remédios? Vocês está os tomando certinho?

— Os remédios, sim. A quimioterapia nunca comecei. Os orfanatos por onde estive não tinham condições para arcar com as despesas do tratamento.

— Certo, eu vou marcar um dia pra te levarem no meu consultório em Forks, para fazer alguns exames.

Começo a levantar da cama onde ele estava me examinando, quando escuto vozes em frente a sala do doutor Cullen.

— Não tem mais nenhuma outra criança aqui? — uma voz feminina e melodiosa diz e eu começo a prestar atenção.

— Tem mais uma, mas... a senhora não vai se interessar. Ela está doente.

— Eu quero vê-la. — a mulher fala ao mesmo tempo que abre a porta. — Desculpe Carlisle, não percebi que estava ocupado.

— Tudo bem, Rosalie. Eu já havia acabado com a Faith. — assim que ele diz me nome a mulher parece me notar me olhando com os mesmos olhos dourados do doutor Cullen. Talvez, sejam parentes.

A mulher é linda! Loira, alta e com um corpo de modelo. Assim que volto o olhar em seu rosto ela está sorrindo para mim. Um sorriso doce, e cheio de carinho.

Me lembrou o sorriso que mamãe me dava todos os dias que me acordava e antes de dormir.

— É essa a menina, senhora! — uma das inspetoras diz me olhando. — Mas ela tem leucemia, não viverá muito. Tem outras crianças saudáveis que vocês podem adotar.

Assim que ouço a palavra "adotar" meu coração dispara com a esperança de ter uma família, mas na mesma rapidez que ela aparece... ela vai embora.

— Eu gostei dela, Emmett! — a mulher loira diz ao homem alto e forte, que aparece ao lado dela para me olhar.

— Ela tem razão, senhora. Eu estou muito doente, não vão querer um fardo como eu na vida de vocês. Tem muita criança aqui, saudável, que adorariam ser adotadas!

— E você querida? Não quer ser adotada? — Ela questiona com um olhar que parecia que ela via através de mim.

— Eu... Eu...

Eles vêm em minha direção e eu me levanto rápido pra sair dali, mas fico tonta e minhas vistas escurece. A única coisa que sinto são mãos geladas me pegando, antes de cair na inconsciência.

Notas finais
* A história se passa ao fim do confronto com os Volturis.

* Faith tem 13 anos com corpo de uma criança de 9 anos por causa da doença e falta de cuidados.

* Renesmee tem 4 anos de nascida com a aparência de 8 anos.