Abro meus olhos, a claridade me incomoda e os fechos novamente. Sento devagar na cama e coloco minha mão próximo aos meus olhos — tentando bloquear um pouco da luz —, volto a abri-los lentamente para acostumar com a claridade.

— Que bom que acordou, Faith. — uma voz suave e calma me chama a atenção e me viro em sua direção, encontrando o doutor Cullen me observando. — Poderia me dizer o que está sentindo?

— Foi só uma tontura, eu ‘tô bem.

— Não foi só uma tontura…

— Você desmaiou, querida! — uma voz doce e aveludada interrompe o doutor e eu sigo a voz encontrando a loira com um olhar preocupado e cheio de carinho direcionado a mim. — E ficou assim por uns quinze minutos. Carlisle — ela diz olhando o médico pra depois apontar meu braço se aproximando. —, teve que injetar soro com vitaminas, pra você acordar. Se sente mais forte agora?

— Eu ‘tô bem. — digo olhando meu braço, sigo olhando e observo a bolsa de soro amarelada, devido ao medicamento, quase no fim. Me forço a olhá-los novamente. — Eu hm… só preciso do meu remédio.

— Onde está? Rosalie, pode pegar para você. — o doutor questiona com a voz calma que acredito que ele seja sempre tão calmo como ele transparece.

— Na gaveta do meu criado-mudo. — digo e a loira, Rosalie, sai em seguida me deixando sozinha com o doutor.

— Faith, eu já queria fazer uns exames com você e ainda mais agora depois desse desmaio. Eu já conversei com a diretora Jones e a ambulância já está a caminho, nós vamos te levar para o hospital, em Forks, onde trabalho.

— Não tem necessidade doutor, assim que eu tomar o meu remédio ficarei bem. — minto e torço pra ele não perceber.

Rosalie entra com um copo de água e o frasco do meu remédio, me entregando. Abro o frasco e quando ia tomar o doutor pega o comprimido e o frasco, e entrega pra a loira, sussurrando algo que eu não entendi.

— Acho melhor fazer uma medicação injetável, você ainda está fraca e não é bom tomar esse remédio forte com o estômago vazio. — ele diz já preparando algo na seringa e colocando no local próprio para injetar medicações. — Não precisa se preocupar Faith, nós cuidaremos de você.

Sinto uma moleza de repente e um sono que eu não consigo controlar. Um toque gélido me ajuda a deitar e a última coisa que vejo é Rosalie colocando meu remédio dentro de um saquinho antes de guardar na bolsa.

Meus olhos abriram para uma forte, luz branca. Eu estava em um quarto que não me era familiar, nem um pouco. Um quarto com paredes brancas, a parede a minha esquerda está coberta com venezianas verticais e com cortinas em tom bege.

Eu estava deitada — ou melhor — meio sentada, numa cama dura e irregular com grades nas laterais. Me sentei na cama e comecei a observar melhor o quarto.

Era definitivamente um quarto de um hospital, mas era bem mais chique do que eu tinha costume.

Tinha uma TV em frente a minha cama, fixada na parede, um frigobar ao lado dela no chão. E apenas uma cama, ou seja, eu estava naqueles quartos reservados e chiques que custavam o olho da cara.

Eu não tinha dinheiro, muito menos o orfanato. Eu precisava sair daqui, tinha que aproveitar enquanto não tinha ninguém e ir embora.

Quando apoio as mãos para levantar algo em meu braço me chama a atenção.

Havia um esparadrapo fixando a mangueirinha do soro ali. Então eu ainda estava tomando soro com vitaminas ou medicamentos, por causa da coloração que estava.

Bom... isso não importava muito, eu precisava sair.

Levo minha mão direita no meu braço para retirar o esparadrapo e o soro. Um toque gélido no meu ombro fez meu corpo todo arrepiar.

— O que está fazendo, querida?

A voz suave e melodiosa me assusta, chamando minha atenção. Olho e vejo a mulher loira e bonita que estava no orfanato, Rosalie. Atrás dela estava o doutor Cullen, o homem grande e cheio de músculos que também estava lá, acho que seu nome é Emmett, e havia mais duas pessoas que eu não conhecia.

Uma mulher baixa de cabelos castanhos e um homem alto de cabelos castanhos acobreados. Os dois muito pálidos e com os olhos dourados iguais aos outros três.

Todos eles eram diferentes, mas tinham uma beleza muito parecida.

Volto meu olhar a loira a minha frente, que esperava ansiosa minha resposta e percebo que fiquei observando os outros, tempo demais.

— Hm... eu... hã... vou pra casa. — a loira fecha o maxilar com força e fecha os olhos, como num ato de se acalmar. Eu presumi. — Eu não devia estar aqui.

— Querida, aquela não é sua casa! — ela disse com a voz suave e doce tentando tampar a raiva que estava estampado em seu rosto, com se ela soubesse de algo horrível que acontecia ali. — Se depender de mim, você não colocará os pés naquele lugar nunca mais.

— Por quê? O que aconteceu lá? — questiono enquanto eles trocam olhares entre si.

— Faith? A quanto tempo você toma aquele remédio? — o doutor Cullen questiona, e apesar da sua voz estar calma como das outras vezes, seus olhos pareciam ansiosos.

— Hm... — tento me lembrar, já havia um bom tempo que eu tomava aquele medicamento. — Acho... que talvez seja desde que tinha uns seis ou sete anos, não me lembro ao certo, mas já tem tempo.

— Ok... e ele sempre foi daquela cor? Marrom? — o doutor questiona trocando um olhar com a loira, Rosalie.

— Não. Ele era vermelho antes, mas há pouco mais de um mês a inspetora Clark me trouxe aquele frasco quando o meu, que eu trouxe do orfanato de Los Angeles, acabou. — explico e eles se olham como se eu tivesse dado a última de peça de um quebra-cabeça que eles pareciam ansiosos para montar.

— E você notou algo de diferente nos efeitos do remédio? — o doutor pergunta cauteloso.

— Bom... eles não tiram mais a dor, me deixa com o estômago mais enjoado do que o outro e me deixa muito sonolenta. Mas... — meu olhar voltou para a loira, Rosalie. Ela havia dito algo que agora me fez querer questionar. — O que você quis dizer... quando disse que eu não voltaria para o orfanato?

Ela me olhou sorrindo e depois trocou um olhar com o homem cheio de músculos, Emmett. Ele se aproximou ficando atrás dela a abraçando, enquanto os dois me encarava sorrindo.

— Emmett e eu, vamos adotá-la! Já pegamos todas as suas coisas e também já demos entrada nos papéis.

— Não... — eu sussurrei. Eu estava assustada com isso e não podia permitir que eles fizessem isso. — Não, eu não quero ser adotada. Vocês não podem fazer isso, há outras crianças lá... crianças saudáveis... crianças que podem ter um futuro.

— Faith, não queremos outra criança! — Emmett se pronunciou pela primeira vez, sua voz era aveludada e forte. Eu poderia ter ficado com medo, mas era estranhamente reconfortante.

— Eu não me importo se você está doente ou não, assim que coloquei meus olhos em você eu soube que você era nossa filha! — ela disse com o olhar cheio de amor.

Mas eu não podia me deixar levar assim tão facilmente. Eu não podia vê-los carregando o peso e o fardo que criar uma criança doente. Deixá-los se apegarem a mim apenas para vê-los sofrer enquanto eu definhava com a doença.

Eu apenas negava freneticamente com a cabeça tentando afastar deles. Como eles não viam que eu era um caso perdido? Se até meus tios viram isso? Como eu poderia confiar que eles realmente me queriam? Se nem meus tios quiseram? Como eu poderia esperar que eles me amassem? Quando nem eu mesma achava que conseguia?

— Ela apenas está assustada com isso! — o homem de cabelos cor de bronze disse, me fazendo reparar que ele continuava ali e eu nem sabia quem ele era. E ninguém pareceu se importar que ele era um total estranho para mim. Aliás... todos eles eram.

Eles eram completamente estranhos pra mim! Estranhos que apareceram de repente querendo me levar para algum lugar distante do que eu conhecia boa parte da minha vida.

— Ela está só confusa... ela não acredita que vocês realmente a queiram, se nem os parentes dela a quiseram. — ele continuou falando me deixando chocada. Como ele sabia sobre meus tios? Há provavelmente foi Carlisle que disse a ele. — Dê um tempo pra ela.

— Hm... eu não quero ferir seus sentimentos nem nada, mas... eu só quero voltar pra casa.

Assim que as palavras saíram da minha boca, Rosalie ficou furiosa. Ela andava de um lado pra o outro tentando se acalmar. Os outros só observavam ela com o olhar, assim como eu.

— Faith... você não pode voltar pra lá... pra aquele orfanato. — Emmett se forçou a dizer, e tinha um tom amargo em sua voz agora, raiva.

— Emmett, Rosalie, não! — o doutor Cullen disse e seus olhos estavam cautelosos e suplicantes.

— Só um tempo para ela, Rosalie. Nós somos todos estranhos, seria mais fácil se ela quisesse ser adota por vocês. Só dê um tempo pra ela conhecer vocês. — a outra mulher, de cabelos castanhos, finalmente falou. Ela me pareceu sensata, mas ela estava errada.

Eu não ia mudar de ideia, eu não ia lhes impor esse fardo.

— Obrigada Bella e me perdoe Carlisle, mas ela precisa saber! — Rosalie o respondeu antes de virar para mim, me encarando com aqueles diferentes olhos na cor topázio. — Faith, querida! Você não pode voltar pra lá... alguém trocou seu medicamento e isso implica que tem alguém que queria você...

— Nós mandamos seu remédio para análise, o resultado fica pronto amanhã de manhã. Nós anexaremos o laudo no pedido de adoção e a assistente social nos assegurou que assim que você receber alta poderemos leva-la pra casa conosco. — Emmett interrompeu a mulher que olhava pra ele agradecida.

E então... o peso das palavras dela caiu sobre mim. Alguém queria me matar? Não que eu esteja longe disso, mas... eu achei que ali eu ficaria segura. Pobre Amélia! Achou que realmente eu estaria em boas mãos ali.

O quarto todo começou a girar, as pessoas saíram de foco. Rosalie que ainda estava em foco na minha frente passou os dedos suavemente na minha bochecha e abaixo dos meus olhos e só aí eu percebi que estava chorando.

O desespero foi tomando conta de mim, meu peito subia e descia a procurar de oxigênio parecia que eu estava me afogando. Desesperada em busca de respirar quando tudo foi se apagando para um grande breu que se instalava. Eu escutava as vozes sem compreender o que diziam. Sentia algo me chacoalhando como se estivessem me carregando desesperados a algum lugar.

Eu senti algo molhado nos meus braços e no meu peito. O barulho de um bip irritante começou, ele parecia muito distante. Eu queria abrir os olhos para ver o que estava acontecendo, mas a escuridão me puxava mais e mais... até que eu não ouvia mais nada e mergulhava na escuridão da inconsciência.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.