O Desejo Dela
1 Tremor
Notas iniciais
Capítulo 1 — Tremor
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Ela encarava a suave fumaça que saía da xícara de chá a sua frente sem nem sequer piscar. O mundo dela se resumia àquele objeto, àquela única lembrança que sobrara de sua melhor amiga.
Aya Hirano se tornara uma guerreira mágica por ela. Mas agora, num descuido, sua amiga se foi, se tornando mais uma desaparecida no mundo real.
–Isso não é justo — Aya murmurou, estendendo o braço para tocar a xícara, mas desistindo do gesto quando a primeira lágrima caiu.
Suas mãos, com raiva, foram aos olhos imediatamente. Ela lutou, no entanto, as lágrimas teimavam em sair.
Todo seu corpo tremia.
Mesmo sendo sua melhor amiga, Aya não tinha sido capaz de ajudar Akemi. E agora ela estava morta.
Antes de serem atormentadas com os pesadelos do mundo das garotas mágicas, Akemi sempre sorria, não importava o quão difícil fosse o que estava por vir — e Aya acreditava em cada sorriso dela. Porém, esse foi seu maior erro: não ser capaz de perceber o que a amiga realmente sentia.
Talvez nenhum sorriso dela fosse verdadeiro, só que Aya, inocentemente, acreditou em cada um deles — e sofreu as consequências com isso.
Somente agora Aya sabia que toda a história da amiga tinha sido construída num caminho cheio de dor e desespero.
Ela precisava encontrar Kyubey. Se a garota pudesse mudar seu pedido feito a ele, tudo que pediria seria uma chance de voltar para tentar mudar o passado, quando tudo começou...
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Capítulo 2 — Morte
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Alguns anos atrás...
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–Pobrezinha... perder os pais desse jeito — dizia uma voz feminina ao longe.
–Tem razão — o homem ao seu lado concordou, cruzando os braços. — Ter a casa invadida e os pais assassinados bem na sua frente... ela deve estar em choque.
Por mais comentários que surgissem, ninguém ousava se aproximar daquela garotinha tristonha e encolhida num canto. Aos cinco anos de idade, Akemi Michiyo viu seus pais serem assassinados; e os gritos deles ainda doíam em seus ouvidos.
Assim que os policiais deixaram a casa, uma jovem policial se aproximou da menina, ajoelhando-se ao seu lado. Akemi se encolheu ainda mais, começando um choro fino.
–Hey, hey... eu não vou te machucar — a mulher disse, numa voz tão segura e maternal que fez a pequena garota olhar para ela. — Desculpe por te deixarem sozinha aqui tanto tempo. Sua avó está aqui... Ela veio te ver e disse que está morrendo de saudades de você. O que acha de ir falar um oi para ela?!
A mente da menina, até então escurecida pelo medo e tremor, foi invadida pela imagem gentil da avó. Alguém em quem pudesse confiar e contar tudo que aconteceu; foi na avó que ela encontrou a luz depois das trevas.
Vendo que a menina queria sair dali, a policial levantou-se e lhe estendeu a mão, mas a pequena garota não conseguia ficar em pé — seus joelhos cediam antes mesmo do primeiro passo. Sentindo-se derrotada pelo próprio corpo, um choro suplicante invadiu a garganta da pequena Akemi.
Passos apressados se aproximaram das duas. Como se tivesse ouvido a conversa delas, uma figura de cabelos levemente brancos chamou pela menina e agachou-se ao seu lado, a envolvendo num abraço.
–Vó vó — Akemi falou tão baixo que sua voz era equivalente a um sussurro.
A avó a abraçou mais forte e disse no ouvido da neta:
–O que acha de darmos uma volta? Você deve estar cansada de toda essa gente aqui, não?
A menina olhou pela primeira vez ao seu redor. Ela nem tinha reparado antes em toda aquela multidão desconhecida parada em frente a sua casa.
Sem conseguir dizer mais nada, a menina foi carregada pela avó para fora dali. Ela não olhou nenhuma vez para trás, para aquela casa que tinha se tornado um palco do terror. Mas, pela primeira vez, um sentimento (até então desconhecido para a menina) começou a crescer dentro dela. Akemi ainda viria a descobrir que ele se chamava ódio.
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Capítulo 3 — Promessa
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A pequena Aya Hirano estava ao lado de sua mãe e, ambas, encaravam perplexas aquela garota ao lado da policial. Algumas vezes a mãe de Aya mirava o olhar para a casa, mas não conseguia mantê-lo ali por muito tempo — era como se, se ela mantivesse o olhar onde acontecera aquele teatro de horror, ele também aconteceria à família dela.
Aya Hirano era quem não tirava os olhos daquela menina toda encolhida, tão sozinha e perdida. Ela queria se aproximar da garota, se tornar amiga dela e dizer que estava tudo bem. Só que a faixa amarela em frente a casa e a própria mão da mãe envolvida na sua não permitiam isso.
–Qual o nome dela? — Aya perguntou para a mãe.
A mãe piscou algumas vezes, como se voltasse ao mundo real.
– Akemi Michiyo. Ela também tem cinco aninhos, Aya... como você.
Num desejo infantil e inocente, os olhos da menina brilharam. “Eu vou ser amiga dela”, Aya prometeu a si mesma.
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