Notas iniciais
Queridos Leitores, Como alguns sabem, passei por uns problemas na vida pessoal e ainda estou me recuperando disso. Aos poucos estou voltando a escrever, para mim é fundamental voltar a escrever! Perdoem-me pela ausência. Boa leitura!

* * * Centro – Atenas, Grécia * * *

Hotel Primórdio – Térreo – Palco/Bastidores

(Apresentadora) — Eu não sei vocês, mas eu estou empolgadíssima depois desse beijo maravilhoso no palco!!! Mas nós precisamos de uma pequena pausa! Enquanto isso, no telão ficará passando a imagem desses homens incrivelmente belos que já passaram neste leilão valiosíssimo!

A apresentadora saiu do palco e foi em direção ao que deveria ser o seu camarim.

*

Minha cabeça estava a mil por horas! Eu tinha que ter uma solução para tudo isso! Qualquer uma!

Eu não parava quieta, andando de um lado para o outro. A sensação que eu tinha era de que haviam espinhos no sofá, a água do meu copo estava quente, o ar-condicionado havia quebrado, que eu estava tendo um mini enfarto e só Zeus sabia o que mais eu estava sentindo por dentro!

Estava tão fixada no meu plano que só parei de andar quando me choquei no corpo de alguém que parou do nada na minha frente, eu não precisava levantar o rosto para saber em quem eu havia esbarrado. Na verdade, fechei os olhos e inspirei o delicioso cheiro de flor de cerejeira e sândalo. Sussurrei:

(Atena) — Shaka...

Ele me abraçou me dando a oportunidade de sentir o calor do seu corpo. Suavemente encostou seu queixo na minha cabeça e disse baixinho:

(Shaka) — Por que estou sentindo seu cosmo inconstante, Vida?

Levantei o meu rosto e vi seus olhos azuis me olhando de volta. Sei que ele esperava uma resposta. Mas eu só conseguia admirar toda a sua beleza. Delicadamente passei a mão na sua linda franja e com os dedos afastei os seus cabelos loiros dos seus lindos olhos, que fecharam quando deslizei a mão pela lateral do seu rosto. Depois seus olhos fitaram os meus, em busca da resposta que eu ainda não havia dito.

Eu estava imersa em vários sentimentos, mas olhá-lo só aumentou o meu ciúme e a minha insegurança. Olhei para a sua boca e deslizei o polegar nos seus macios lábios rosados. Eu sabia exatamente qual era o sabor delicioso daqueles lábios.

Vi seu lindo sorriso puxado, que mostrava um pouco dos seus lindos dentes brancos.

(Shaka) — Está tentando me distrair para não me responder, amor?

Ele pegou a minha mão que estava próxima do seu rosto e a beijou, me lembrando da maciez daqueles lábios, e ficou me olhando, aguardando a minha resposta.

Eu sei que não estava raciocinando direito, o turbilhão de sentimentos não estavam me permitindo isso e eu sabia exatamente o que fazer para acalmá-los. Levando a minha outra mão para o seu rosto, eu o puxei para diminuir a distância dos nossos lábios. Não me importava com mais nada! Eu precisava disso, tanto quanto o ar que eu respirava!

Assim que nossos lábios se encontraram, fui ao encontro da sua doce língua e senti-la deslizar na minha me fez gemer de prazer com o seu sabor de morangos doces. Com minha mão na sua nuca, eu o puxava, eu queria me fundir a ele. Para minha surpresa ele me retribuiu sem qualquer hesitação. Ele me puxava pela cintura, fazendo nossos corpos colarem. Enquanto eu tentava recuperar o fôlego, sussurrei em seus lábios macios.

(Atena) — Shaka... meu Shaka

Shaka de olhos fechados, respirou fundo. Lambendo os lábios, ele puxou um sorriso.

(Shaka) — Não posso negar que sua técnica de distração funciona muito bem, vida!

Shaka abriu seus olhos e os círculos luminosos se destacaram nas suas íris. Eu amava esse efeito. Eu estava tão concentrada nele que só agora percebi que eu não estava mais nos bastidores do auditório, quando uma brisa passou por nós e olhei ao redor, eu estava em um imenso campo florido com flores nos tons de fúcsia, com duas grandes árvores idênticas que se destacavam no lindo campo. Eu não sabia diferenciar se ele me teletransportava ou se eram ilusões.

Eu olhei para ele e sorri.

(Atena) — Estamos no seu jardim ao lado da casa de virgem?

Ele sorriu e suavemente tocou o meu rosto, deslizando o polegar na lateral do meu rosto.

(Shaka) — Uma ilusão apenas, eu não tive muito tempo para pensar em algo antes que me beijasse, amor.

Mais uma vez olhei ao redor. Era uma ilusão linda! Olhei para ele novamente e perguntei.

(Atena) — E as outras pessoas nos bastidores?

Calmamente me respondeu:

(Shaka) — Não se preocupe, estão em uma ilusão também. Estão nos vendo conversando, não viram nada além disso.

Olhei para o chão. Eu senti um misto de alívio e de frustação com isso. Acho que ele percebeu a minha confusão. Levantando o meu rosto para que os nossos olhos se encontrassem ele me perguntou:

(Shaka) — Preciso que fale comigo, Vida. O que está acontecendo?

Ótima pergunta! Nem eu mesma estava me entendendo!

Respirei fundo e olhei nos seus olhos azuis.

(Atena) — Sinceramente, eu não sei o que está acontecendo comigo.

Pacientemente ele continuou me olhando me dando tempo para processar o que eu iria dizer.

Era impressionante o quanto eu me sentia uma idiota quando o assunto se tratava dos meus planos mirabolantes! Na mente eram perfeitos! Mas ao falá-los eram ridículos!

Ele puxou um sorriso, sabia que eu não estava conseguindo organizar as ideias.

(Shaka) — Vamos começar do começo, ok? Por que seu cosmo estava tão inconstante quando eu vim aqui?

Não ia pensar em uma explicação além da verdade. Cruzei os braços e respondi:

(Atena) — Eu quero ir embora! Quero que todos nós voltemos para a mansão! Quero encerrar esse leilão agora!

Shaka balançou a cabeça em concordância e continuou.

(Shaka) — Certo, por quê?

Ele deveria ter parado na pergunta anterior. Coloquei uma mecha do cabelo atrás da orelha e voltei a cruzar os braços.

(Atena) — Não quero que essas mulheres cheguem perto de vocês, não me interessa se é por uma boa causa!

Shaka segurou um sorriso.

(Shaka) — Entendi, amor... Está com ciúmes.

(Atena) — Não me olhe assim! É claro que estou na minha razão! Estou com ciúmes! Muito na verdade!

Fiz cara de séria.

(Atena) — Então, vai me ajudar?

Shaka me olhou tentando ver se o que eu disse era verdade.

(Shaka) — Quer mesmo encerrar o leilão?

Respondi mais séria ainda.

(Atena) — É claro que sim!

Ele olhou para o chão e segurou um sorriso. Olhou para mim e me puxou em direção ao seu corpo.

(Shaka) — Suponho que você não ia se importar que os outros vissem o beijo que me deu. Assim teria uma boa justificativa de encerrar o leilão, estou certo?

Respirei fundo.

(Atena) — Acho que sim, e eu estaria errada se fosse isso mesmo?

Ele puxou um lindo sorriso.

(Shaka) — Depende... para mim seria maravilhoso poder demonstrar o meu amor por você para todos verem...

Eu segurei o seu rosto e olhando dentro dos seus olhos.

(Atena) — Então você concorda comigo! Vamos embora!

Ele colocou a sua mão em cima da minha.

(Shaka) — Amor, por mais que eu entenda os seus sentimentos eles não justificam encerrar esse evento, não só você, nós também concordamos em fazê-lo e devemos finalizar conforme o combinado.

Por mais sentido que fizesse o que ele disse eu não conseguia aceitar isso.

Ele aproximou o seu rosto do meu e deslizou delicadamente a ponta do seu nariz no meu. Deslizando o seu nariz na lateral do meu rosto, disse calmamente.

(Shaka) — Acha mesmo que eu preferiria estar aqui neste leilão ao invés de estar sozinho com você?

Fechei os olhos me entregando para as sensações deliciosas do seu nariz deslizando pela minha pele. Podia sentir o delicioso perfume emanando da sua pele quente. Deslizei a minha mão na sua nuca, sentindo os fios sedosos do seu cabelo deslizando entre os meus dedos.

(Atena) — Shaka...

Sussurando no meu ouvido, me gerando arrepios, disse:

(Shaka) — Te amo...

(Atena) — Também te amo...

Ele me deu um beijo calmo, lento e suave.

Colocando a sua testa na minha, fechou os olhos.

(Shaka) — Preciso que continue assim, calma, como está agora, pode fazer isso?

Minhas emoções realmente haviam se acalmado. Eu estava nos braços de quem eu amo.

(Atena) — Se continuasse aqui eu conseguiria prometer isso...

Ele me deu um beijo na testa e com um sorriso me disse.

(Shaka) — Não poderei continuar aqui, minha vida... sabe disso...

Respirei fundo.

(Atena) — Vou tentar...

Ele me deu um selinho.

(Shaka) — Obrigado, amor.

Olhei para ele “por que ele tinha que ser tão lindo?”

Shaka sorriu sem jeito.

(Shaka) — Obrigado, meu amor.

Pisquei algumas vezes.

(Atena) — Não quis constrangê-lo, era para ser apenas um pensamento...

Shaka me deu um selinho.

(Shaka) — E foi, você apenas compartilhou comigo.

Observei ao redor e a linda ilusão dele estava se desfazendo. Os sons do ambiente original voltavam ao normal. Ao longe, do meu lado direito os meus outros lindos cavaleiros estavam aguardando em fila conversando entre eles. Voltei a olhar para o meu lindo loiro que seria o próximo. Voltar para o cenário original já me disparou a ansiedade.

Shaka segurou o meu rosto, acho que ele sentiu minhas emoções se agitarem e me olhou nos olhos.

(Atena) — Eu não vou sobreviver a isso...

(Shaka) — É só uma noite, amor. Logo tudo acabará. Não se esqueça disso!

Ouvi o barulho da platéia, me virei para ver o monitor e nele apareceu a imagem da apresentadora que pegou o microfone e disse:

(Apresentadora) — Sentiram a minha falta???

Um coral respondeu “siiimmmmm”

Voltei a minha atenção para ele.

Ele pegou a minha mão e beijou o dorso.

(Shaka) — Preciso ir, Vida...

Eu iria impedi-lo quando senti uma mão no meu ombro. Sabia exatamente quem era pela cheiro de rosas.

Shaka olhou para o Dite.

(Shaka) — Cuide dela por favor.

(Afrodite) — Pode ir, não se preocupe, cuidarei dela.

(Shaka) — Obrigado.

Ele olhou para mim.

(Shaka) — Lembre-se: é só uma noite.

Ele me deu um beijo na testa e saiu em direção aos outros cavaleiros.

Afrodite me abraçou. Ele sabia que a minha vontade era de segurá-lo bem ali, impedi-lo de subir naquele palco.

(Afrodite) — Venha, melhor nos sentarmos.

Eu não ia questionar, estava cansada para isso. Acho que depois daquele turbilhão de emoções, meu corpo estava me cobrando toda a energia gasta.

Dite me ajudou a me sentar e se sentou ao meu lado. Pela minha visão periférica, percebi que ele me olhava, observando como eu me sentia e concluiu:

(Afrodite) — Pelo menos a sua conversa com o Shaka te acalmou.

Ainda olhando para o chão, concordei com a cabeça.

(Atena) — Sim, ele é incrível, Dite...

Olhei para o Dite.

(Atena) — Eu sou uma pessoa ruim por não me preocupar nem um pouco com esse leilão? De querer ir embora daqui com os meus cavaleiros?

Ele sorriu.

(Afrodite) — Não, isso não a torna uma pessoa ruim, egoísta talvez, mas não ruim.

Puxei um sorriso de incredulidade.

(Atena) — Está me chamando de egoísta?

Dite sorriu.

(Afrodite) — Querida, não leve para o lado ruim, eu mesmo levaria meu marido embora sem olhar para trás, então estou falando por conhecimento de causa.

Sorrimos juntos.

Encostei a minha cabeça no ombro do Dite e ele passou a mão nos meus cabelos.

(Atena) — Ah, Dite... onde eu estava com a cabeça para aceitar isso?

(Afrodite) — Você não é a única com perguntas sem respostas, eu também quero saber por Zeus, onde eu estava com a cabeça que me deixei levar pelas palavras do meu marido quando me convenceu que era uma boa essa ideia de leilão!

Ainda com a cabeça no ombro dele olhei para o telão e passava a imagem do Shaka de costas, mostrando aqueles lindos cabelos longos loiros.

E os gritinhos irritantes começaram.

(Atena) — Estamos no mesmo barco, amigo...

(Afrodite) — Vamos nos lembrar do que ele disse: É apenas uma noite!

Respirei fundo.

(Atena) — Sim, um longa noite...

***

Notas finais
Continua...