O Cálice do Desejo e o Retorno do Passado - 5ª Tem
20 A Paciência
* * * Centro – Atenas, Grécia * * *
Hotel Primórdio – Térreo – Palco/Bastidores
Ainda com a minha cabeça encostada no ombro do Dite, eu olhava o monitor.
(Apresentadora) — Então sem mais delongas vamos chamar o nosso lindíssimo Cavaleiro de Virgem!!! Pode subir!
Então surgiu a visão do meu Shaka na tela, juntamente com aplausos, gritinhos eufóricos e adjetivos irritantes sobre a beleza dele. Ele sorriu para a plateia e foi em direção à apresentadora. Ela o olhou da cabeça aos pés e abanou o próprio rosto.
(Apresentadora) — Uau! Você é muito mais bonito pessoalmente do que nas fotos!
Ele sorriu, um sorriso lindo demais para se mostrar.
(Shaka) — Obrigado pelo elogio.
(Apresentadora) — Não agradeça, disse apenas a verdade! Qual o nome do dono dessa beleza única?
Ele ainda sorrindo, respondeu:
(Shaka) — Me chamo Shaka.
(Apresentadora) — Que lindo nome, igual ao dono!
Ela ainda sorrindo, se voltou para a plateia.
(Apresentadora) — Vocês notaram que ele é lindo, não preciso falar sobre isso, até porque eu sou suspeita, porque eu amoooo um lindo homem loiro! E para mim, o Shaka é exatamente o meu número!!! Portanto, tratem de arrematá-lo ou eu mesma levo ele!! E já vou avisando que vou começar alto! Podemos começar?
Um coro de “siiiimmmmm” foi ouvido.
(Apresentadora) — Ok, quem dar 30 mil? Opa, já temos 30. Que dar mais? Ouvi 32? Temos 32, quem dá mais?
Tirei a minha cabeça do ombro do Dite e esfreguei as mãos.
(Atena) — Ceerrtooo, não consigo ficar calma.
(Afrodite) — Isso é mais do que normal, querida!
Voltei a minha atenção para a TV.
(Apresentadora) — Ouvi 41? Mais alguém? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... opa, ouvi 42? Já temos 42 mil, quem dá mais?
Me levantei do sofá, fiquei de costas para o monitor, de frente para o Dite e cruzei os braços.
(Atena) — Pelos deuses! Tem certeza que explicaram para elas que é apenas um jantar????
(Afrodite) — Tenho certeza que elas sabem disso, querida, agora se elas vão querer apenas isso aí já é outra coisa...
Passei a mão nos cabelos.
(Afrodite) — Não se atreva a desfazer esse penteado, mocinha!!
Tirei as mãos dos cabelos.
(Atena) — Me desculpe, foi involuntário...
Virando um pouco a cabeça para ver a TV eu vi a apresentadora.
(Apresentadora) — Arrematado por 43 mil! Pode subir no palco!!!
(Atena) — Por Zeus... isso é loucura!!!
Subiu no palco toda sorridente uma linda mulher de longos cabelos negros e lisos, parecendo uma boneca de porcelana. Ela se aproximou dele e ele pegou a sua mão e beijou o dorso.
(Atena) — Pelos deuses, ela nem pisca!!! Nunca viu homem na vida?
(Afrodite) — Lindo desse jeito, eu duvido!
Olhei séria para o Dite.
(Afrodite) — O que foi? Querida, isso serve para qualquer um de nós! Somos únicos!
Respirei fundo.
(Atena) — É, eu sei disso, Dite...
Voltei a minha atenção para o monitor.
(Apresentadora) — Que casal lindo vocês formam!
Ela olhou para a plateia.
(Apresentadora) — Parecem dois anjos, concordam?
A plateia em peso concordou com esse absurdo! A Apresentadora voltou a atenção para os dois.
(Apresentadora) — Então, Lana, não vou mais segurar vocês aqui, vai lá e curta bastante esse lindo prêmio!
Voltando para a plateia disse.
(Apresentadora) — Uma salva de palmas para os dois!
Vários aplausos podiam ser ouvidos e os dois saíram do palco.
Levei minhas duas mãos para a lateral da minha cabeça.
(Atena) — Por que isso não termina logo???
Dite bateu no sofá bem ao seu lado.
(Afrodite) — Querida, é melhor se sentar, ainda vai demorar para acabar.
Eu ainda permanecia em pé. Olhei para o meu lado direito e o meu próximo cavaleiro estava conversando com o restante que aguardava para subir ao palco.
(Atena) — Não vou sobreviver, Dite...
Dite pegou no meu braço e me puxou em direção ao sofá para que eu me sentasse e assim eu fiz.
(Afrodite) — Escuta, mais do que nunca você precisa ter paciência, sabe que não vai ter tempo de respirar, se é que me entende?
Olhei novamente para o Kanon e Milo que seriam os próximos logo em seguida.
(Atena) — É eu sei...
Dite encheu minha taça de água e me entregou.
(Afrodite) — Preciso que beba, respire fundo, e logo esse pesadelo vai ter passado.
Eu bebi toda a água sem nem ter percebido, devolvi para o Dite.
(Atena) — Obrigada.
Voltei a minha atenção para a TV, se eu continuasse olhando para eles eu iria fazer alguma besteira, com certeza!
Sentada e com um pé em cima do outro eu os balançava em sinal de nervosismo.
No telão do palco apareceu a imagem do Kanon de costas mostrando o lindo perfil daquele rosto perfeito. O suficiente para atiçar toda a plateia novamente.
(Apresentadora) — Não fiquem confusas, de fato estão vendo essa mesma beleza duas vezes! Vocês estão vendo o irmão gêmeo do cavaleiro de gêmeos! Pode subir ao palco nosso Cavaleiro de Libra!!!!
Pelos deuses! Os gritos aumentaram quando a figura de 1,88m do Kanon apareceu no palco. Ele acenou para a plateia e foi em direção a apresentadora que o estava devorando com os olhos.
(Apresentadora) — Estou impressionada... como podem ser tão parecidos?
Ela deu a volta no corpo dele e olhou para a plateia.
(Apresentadora) — Gente, eles têm o mesmo cheiro delicioso!!!
A plateia gritava e assobiava. Ela voltou a ficar de frente, o encarando descaradamente.
(Apresentadora) — Ok, como devemos chamar essa oitava maravilha do mundo?
Kanon puxou um sorriso, para o meu desespero e sua voz potente como a do irmão ecoou no microfone, fazendo a plateia delirar.
(Kanon) — Me chamo, Kanon.
(Apresentadora) — Por Zeus, até a voz é idêntica! Devemos agradecer a natureza por nos presentear com duas maravilhas assim...
Ela voltou a atenção para a plateia.
(Apresentadora) — Vamos começar, porque senão eu me perco olhando tudo isso na minha frente. Para você que ficou chateada por ter perdido o lance do nosso terceiro cavaleiro, essa é a sua chance! Vamos começar! 30 mil! Uau, temos 41 mil!
(Atena) — Pelos deuses! Elas vão raptar cada um deles, Dite!!
(Afrodite) — Possivelmente!
(Apresentadora) — Arrematado por 49 mil! A sortuda pode subir ao palco!
Rapidamente surge a imagem de uma linda mulher loira de cabelos cacheados que correu para os braços do Kanon e o abraçou pelo pescoço, ficando na ponta dos pés para isso! Kanon sorriu e colocou suas mãos na lateral da cintura dela.
Eu não conseguia ficar sentada, me levantei e comecei a andar sem tirar os olhos da TV.
(Apresentadora) — Uau! Nem preciso perguntar se está feliz com o seu prêmio! Qual é o seu nome?
Ela ficou abraçada ao corpo dele. Sem disfarçar a alegria respondeu:
(Ganhadora) — Me chamo, Débora!
(Apresentadora) — Já percebeu que está levando tudo isso para uma noite romântica, né?
(Ganhadora) — Siiimmmm! Não vejo a hora de estar a sós com ele!
A sós???
(Atena) — O que raios ela quis dizer com “a sós”??? Eles não vão ficar a sós!!!
(Afrodite) — Não se preocupe, ela vai perceber isso, acredito que ela está demasiadamente empolgada, só isso!
Eu andava de um lado para o outro, tinha que no mínimo não enfartar... se bem que se isso acontecesse esse evento acabaria...
Saí dos meus devaneios quando ouvi a voz da apresentadora:
(Apresentadora) — Eu não vou impedir isso, podem prosseguir para a cobertura! Palmas para os dois!
Os dois saíram do palco.
(Afrodite) — Ei, é melhor se sentar, vai fazer um buraco no chão!
De cara fechada, me sentei no sofá de braços cruzados.
(Atena) — Eu não concordo com nada disso!
(Afrodite) — Eu também não! Massss, precisamos esperar, querida!
*
Hotel Primórdio – Cobertura – Restaurante
Levantando suas taças de vinho para brindarem. Sorridente, ela disse:
(Antonela) — A esta noite!
Saga sorriu.
(Saga) — A esta noite!
Tocaram suas taças e deram um gole. Ela olhou, para mesa ricamente posta para eles. Olhando nos olhos azuis que a olhavam de volta, falou:
(Antonela) — Um jantar delicioso, com um dos melhores vinhos, na melhor companhia que uma mulher poderia querer... só posso deduzir que isso é um sonho... um sonho ma-ra-vi-lho-so!
Saga puxou um sorriso encantador.
(Saga) — Então sou um privilegiado em fazer parte deste sonho!
Ela sorriu.
(Antonela) — Eu sou a privilegiada aqui, senhor Saga! Afinal o sonho é meu!
Saga desviou o olhar do dela e puxou um sorriso, pegou o guardanapo de pano e levou ao canto da boca. Olhando nos olhos verdes dela, encostou as costas na poltrona e cruzou os braços.
(Saga) — Bom, neste caso, se o sonho é seu, o que gostaria de fazer agora?
Ela sorriu.
(Antonela) — Está me dizendo que sou eu quem vou escolher as próximas cenas da noite?
Ele puxou um sorriso.
(Saga) — Sim, é o seu sonho, logo, quem manda é você!
Antonela pegou a taça de vinho e virou o restante do líquido. Colocou a taça na mesa e olhou novamente para ele e sorriu.
(Antonela) — Certo, faz sentindo... meu sonho, minhas ideias! Correto?
(Saga) — Correto!
Ele descruzou os braços, pegou sua taça e tomou o restante o vinho.
(Saga) — Então, o que pretende fazer, senhorita Antonela?
Ele devolveu a taça para a mesa.
(Antonela) — Bom, eu adoraria dançar essa música lenta com você, o que acha?
Ele sorriu.
(Saga) — Estou aqui para servi-la, o seu desejo é uma ordem!
Ele olhou para o vaso de cristal ornado de flores e retirou uma linda rosa vermelha. Ele afastou a poltrona, se levantou e foi a encontro dela que permanecia sentada. Ela acompanhava cada movimento dele. Saga se aproximou dela e depositando um beijo na rosa e com um sorriso a ofereceu.
(Saga) — Para você.
Ela encantada com o gesto colocou uma mão no coração e com a outra pegou a linda rosa.
(Antonela) — Obrigada, adorei!
Ele ofereceu-lhe a mão para que ela pegasse. Ela tirou a mão que estava em seu coração e colocou a sua mão na dele. Ele se inclinou e beijou o dorso da mão dela e assim com os rostos próximos um do outro ele disse.
(Saga) — Me daria a honra desta dança?
Ela olhando para o rosto do magnífico homem a sua frente, puxou um sorriso.
(Antonela) — É o que eu mais quero agora, Saga!
Ele se ergueu e a ajudou a se levantar e foram para a área reservada para as danças dos casais.
No salão, assim como na área do restaurante, estava decorado com flores, luzes baixas para deixar um clima aconchegante. De mãos dadas entraram, ainda não havia outros casais no local.
(Antonela) — Uau, que lugar lindo!
Ela olhou para ele.
(Antonela) — E o melhor, é todo nosso!
Ele sorriu.
(Saga) — No seu sonho era para ter mais alguém?
Ela sorriu.
(Antonela) — De forma alguma! Vamos!
Antonela animadamente o puxou para o centro do salão.
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