O Curioso Relacionamento Entre A Fada e o Dragão
10 Decisões Perigosas, Porém Tomadas Por Amor - Parte III
Notas iniciais
Após teletransportar a caverna, os dragões e as fadas a adentraram para Crolse cumprir sua parte do acordo. O príncipe usou sua magia para iluminar o lugar, andaram até o fundo, e lá encontraram um dragão dormindo. Ele não era tão grande quanto os pais, apesar de também ser enorme, mas definitivamente era tão maravilhoso quanto os mesmos.
Tinha as escamas pretas, assim como seu pai, porém as marcas ao redor de seus olhos eram vermelhas, e seus olhos levemente abertos eram de um amarelo brilhante como os de sua mãe. Também tinha vários padrões amarelos por todo o seu corpo que se destacavam na escuridão de suas escamas.
— Rápido, não queremos perder tempo aqui! – Resmungou o rei. Crolse também não queria perder tempo, então conjurou sua magia para fortalecer as correntes que prendiam suas patas dianteiras. O jovem dragão se mexeu um pouco, porém não acordou.
— Ah, nosso Zartaxes é tão preguiçoso... Dorme como uma pedra, mesmo com essas correntes o apertando... Quase da vontade de libertá-lo. – Choramingou a rainha.
— O que ele fez para estar aqui? – Perguntou Crolse, não conseguindo conter a curiosidade.
— Ele... Er, ele é um mal terrível para os dragões. Não podíamos deixá-lo solto por aí destruindo tudo. Isso é tudo culpa daquela maldita bruxa! Argh, o dia em que eu por minhas garras naquela Wenzy...
— Se acalme, querido. – A rainha esfregou a cabeça no maxilar do marido, como gatos faziam. – Garoto fada, perguntas não fazem parte do acordo. Você está nos ouvindo perguntar sobre sua irmã?
Crolse se desculpou, encabulado. Todos saíram da caverna, e então, o príncipe herdeiro selou sua entrada com um selo poderoso e a escondeu com magia de camuflagem. Ninguém poderia dizer que havia uma caverna ali.
— Aqui, vamos finalizar com uma magia de teleporte, para caso alguém indesejado chegar perto. Não vão nem notar que voltaram para o mesmo lugar. – Disse o rei dragão.
— Certo. Apesar de esse ser um lugar restrito, todo cuidado é pouco. – Concordou Crolse, que olhou de soslaio para os dragões. – Espero que ele não cause problemas para nós.
— Bem, enquanto sua magia funcionar, a nossa também funcionará. – Respondeu a rainha. – Se ele estiver preso, não haverá problemas.
— Agora a assimilação. – Assentiu Crolse, impaciente. Os dragões concordaram e o doutor Horiluc preparou o necessário para o procedimento. Crolse suspirou e estendeu as mãos para a irmã caçula, que fora colocada na grama. Por favor, que dê certo!
Crolse desfez o selo, o doutor usou sua magia de cura e ambos os dragões sopraram sua magia em Anllye.
— Não, por favor, apenas um! Assimilar duas magias diferentes pode ser ainda mais prejudicial! – Exclamou o médico, porém os dragões não deram ouvidos e continuaram soprando. Crolse olhou para eles furioso.
— Parem! Parem com isso! Querem matar minha irmã?
— Eu não estou conseguindo manter a assimilação, alteza! – Gritou o médico. Crolse se juntou ao doutor Horiluc e o ajudou com sua magia de cura. Anllye não se mexia, e o príncipe herdeiro estava ficando desesperado.
— Parem! Por favor! – Gritou Crolse para os dragões. Eles continuaram por mais alguns instantes, até que a ligação mágica se quebrou e todos foram lançados para trás com ímpeto.
— O que é essa garota? Parece um poço sem fundo! – Vociferou o rei dragão.
— Arf, estou esgotada! Que criança esquisita! – Reclamou a rainha. – Vamos, querido! Vamos embora daqui!
— Mantenha a sua parte do acordo, garoto fada! Ou nós voltaremos e pegaremos nossa magia de volta! – Alertou o rei dragão antes de se teletransportarem de volta para o céu noturno.
Crolse estava assustado e desnorteado.
— Alteza! Olhe! – Gritou o médico. Quando Crolse acompanhou seu olhar, exclamou de surpresa. A jovem princesa Anllye mexia seus bracinhos e perninhas, chorava e brilhava fortemente, como uma estrela no meio da escuridão.
***
Tempos atuais:
— E foi isso o que aconteceu. A magia de An se estabilizou. Depois, os dragões me pediram silêncio sobre o assunto, por isso nunca comentei com ninguém, principalmente com o papai. Mas confesso que errei, pai, o senhor tinha todo o direito de saber.
Os membros da família Gerurk choravam, em choque.
— Você devia ter me contado, Crolse. Realmente devia. – O rei enxugou as lágrimas e fungou algumas vezes. – Não deveria estar suportando isso sozinho. Você é meu filho, nós somos sua família! Estamos aqui para te ajudar a carregar seus fardos!
Crolse piscou surpreso. Não era a reação que esperava de seu pai. Anllye abraçou seu tórax com força, surpreendendo-o mais uma vez.
— Não me importa se são dragões, sereias ou orcs fedidos! Você salvou minha vida! Lembrarei disso para sempre! Eu amo você, Crolse! – Disse Anllye, sem soltá-lo. Os olhos do príncipe herdeiro derramaram lágrimas involuntárias. Crolse acariciou os cabelos da irmã e beijou o topo de sua cabeça.
— Obrigado, florzinha, eu também amo você. – Sussurrou. Crolse olhou para Zac, que não parecia nada feliz.
— Tudo isso é muito lindo, muito legal, mas saiba que, pra mim, você ainda é o otário que me abandonou na caverna. – Zac cruzou os braços. O garoto olhou de Crolse para Anllye. – Mas eu respeito os seus motivos.
— Obrigado Zac. – Suspirou o príncipe das fadas.
— Não me agradeça, eu ainda estou com muita raiva de você. E outra coisa, o que você vai fazer agora?
— O que quer dizer?
— Como assim o que eu quero dizer, idiota? O que vai fazer sobre toda essa situação? Você quebrou, mesmo que indiretamente, a droga de um acordo mágico!
— Ele tem razão, irmão! – Nini se pronunciou. Ela apontou para Zac. – As consequências serão graves, e os pais do fofinho ali com certeza vão querer um acerto de contas.
Zac ficou vermelho como um tomate. Fofinho...? Pensou.
— Eu posso me virar com eles. O problema mesmo é... – Crolse e todos os outros olharam para Anllye. A jovem princesa se encolheu, encabulada.
— Escuta aqui, Crolse, seu otário! Se você deixar meus pais encostarem um dedo na minha parceira de aventuras, eu acabo com você! – Rosnou Zac, apontando para o príncipe. Anllye se desvencilhou dos braços do irmão e levantou da cama com um pulo.
— Se você encostar um dedo no meu irmão, eu quebro seu dedo! Dragão estúpido!
— O quê? Você é burra, por acaso, cabeça oca? – Zac grita de volta. – Eu estou te defendendo, sua tonta!
— E eu estou defendendo ele, seu mané! – Anllye apontou para o irmão exausto sentado em sua cama.
— Já chega de brigas! Estou farto de gritaria por hoje! – Gritou o rei das fadas. – Crolse, a Anllye não pode ficar no palácio.
— O quê? Papai, eu não costumo te questionar, mas isso não parece plausível...
— O jovem dragãozinho pediu ao papai para levar a An em uma aventura! – Explicou Jaennia. – Sua magia de camuflagem tem um limite, mas se eles estiverem em constante movimento, será mais difícil para os dragões os encontrarem.
— É isso, finalmente alguém que pensa! – Zac concordou.
— Eu acho uma péssima ideia! – Disseram Crolse e Anllye em uníssono.
— Anllye não tem condições de se defender, dei a ela um voto de confiança e ouvi dizer que ela quase morreu na floresta hoje! Ela fica, eu protejo ela. – Sugeriu o príncipe herdeiro.
— Você não protegeu nem minha caverna, Crolse... – Zac revirou os olhos. – E eu salvei a vida dela na floresta.
— Claro, depois de queimar meu rosto com seu espirro assassino e quase causar um incêndio na floresta, o que nos trouxe até essa situação...
Zartaxes abriu a boca, mas não tinha como argumentar, então apenas abaixou a cabeça e ficou em silêncio, carrancudo.
— Olha, não vamos nos precipitar, ok? Eu sei que o palácio será o primeiro lugar em que vão procurar os dois, mas eu sei que podemos protegê-los. – O príncipe esfregou os olhos com o indicador e o polegar. – Se deixarmos esses dois soltos por aí, não poderemos fazer nada se os dragões os encontrarem.
— Os dragões não são piedosos, Crolse. Se descobrirem que estão aqui, talvez a família real possa se defender, mas boa parte das fadas no palácio morrerão. – Explicou Daemint.
Dessa vez, Crolse se calou.
— Sim, temos que pensar num jeito... Eles podem querer destruir tudo por causa da quebra do acordo, independente do dragãozinho e An estarem aqui ou não. – Jaennia especulou, pensativa. – Ah! Podemos dizer que o jovem dragãozinho enganou a princesa e a levou como refém! Talvez isso mude o foco deles e possamos criar um falso novo acordo.
— Por que eu sou o vilão da história? – Perguntou Zac indignado.
— Você prefere ser levado como refém pela princesa? – Perguntou Anllye, divertindo-se. Zac fez uma careta.
— Acho que prefiro ser o dragão que faz churrasquinho de fada linguaruda...
— Ei, vocês! Parem. – Crolse Interrompeu. – Nini, a ideia não é tão ruim, na verdade, se eles focarem em encontrá-los, deixarão o palácio em paz. Mas eles ainda estarão desprotegidos se forem longe.
— Ouvi de uns amigos que existe uma varinha mágica especial numa masmorra no Reino dos Humanos. – Todos viraram para Ghye, que estava parado na porta do quarto. O rei franziu o cenho.
— O que está acontecendo com vocês? É uma fase de rebeldia? Eu não te mandei ir para o quarto, Ghye? – Vociferou o rei. Ghye revirou os olhos.
— Qual é, pai, isso é importante, minha vida está em jogo também! Se ninguém tiver uma boa ideia e os dragões atacarem, acha mesmo que eu consigo lutar? – Questionou Ghye. Todos concordaram que Ghye não conseguiria lutar. – E se a baixinha morrer, eu fico sem meus bonequinhos.
Anllye revirou os olhos.
— Essa varinha que você falou, é a da lenda, não é? Ouvi falar sobre isso também, mas pensei que fosse mentira... – Disse Nini.
— Que lenda? – Anllye perguntou, curiosa.
— A lenda do primeiro rei das fadas. – Respondeu Crolse. – A lenda diz que ele criou uma varinha extremamente poderosa para ajudá-lo a proteger o reino e colocou todo o seu conhecimento nela. Conhecimento de quinhentos mil anos. Ele foi a fada mais poderosa que já andou por esse mundo.
Anllye conheceria a história se prestasse atenção e não dormisse nas aulas do primário.
— Qualquer criatura que usar a varinha vai ter todo o conhecimento sobre magia possível. – Continuou Ghye. – Pra uma tonta como você, vai ser perfeito, Anllye!
— Há! Gostei desse cara! – Zac riu e Ghye sorriu concordando. Anllye bateu o pé no chão, resmungando.
— Esse é um bom objetivo, eu tenho informações de fontes confiáveis sobre essa varinha, ela realmente está por lá, mas não vai ser fácil consegui-la. E outra coisa, e a viagem até lá? – Pergunta Crolse, sendo cauteloso.
— Não é uma viagem difícil, você pode escondê-los com sua magia de camuflagem, filho. Realmente, não será algo fácil pegar a varinha, mas é a melhor ideia que surgiu até agora... – Disse o rei das fadas, pensativo. Daemint olhou
para Zac e apoiou as mãos nos quadris. – Acho que conseguiu sua recompensa, jovem Zartaxes. A princesa Anllye vai à uma aventura com você.
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