O Crisântemo Proibido
4 Flor de Espinhos
Notas iniciais
Este coração
de tanto te desejar
vai-se quebrando
em milhares pedacinhos -
mas nem um só vou perder
Shikibu.
XXXXXXXXX
Já eram altas horas de uma fria noite de inverno e o movimento nas ruas de Yoshi-cho já havia diminuído. A maioria dos freqüentadores haviam ido embora ou estavam recolhidos nos estabelecimentos. Pouquíssimos se arriscavam a andar por aquelas ruas.
Uma dessas pessoas era um jovem samurai, onde os primeiros sinais do homem feito já se manifestavam. Esfregava as mãos uma na outra, a fim de aquecê-las. De vez em quando olhava para o alto de uma das janelas da Ohana no Kikku, que ainda permanecia acesa. Bufou mal humorado e resolveu seguir seu caminho.
A escuridão era um bom esconderijo, apesar do jovem não ter nenhum receio de andar sozinho por aquelas ruas . Ele levantou o rosto ao escutar um grito abafado, vindo de uma viela escura. Parou a fim de ter certeza de que não era sua imaginação a querer lhe pregar uma peça. Em seguida ouviu um barulho de um baque surdo, como se algo ou alguém estivesse sendo atirado ao chão. Um choro de criança ainda se esboçou, sendo sufocado logo depois.
O samurai então decidiu se aproximar, em alerta, com a mão no cabo de sua katana. Sorrateiramente, andou pela viela e parou ao ver os vultos de um homem e um menino.
- Pssiuu! Quieto moleque! Deixe de choramingar, isso vai terminar logo...- o homem deu uma risada maliciosa enquanto afrouxava a faixa do quimono.
O pobre menino se debatia inutilmente,amordaçado e com as mãos amarradas, enquanto o homem tentava levantar o quimono que este usava.
Sem perder mais um minuto, o jovem samurai atacou o homem, com um golpe ágil e preciso. O sangue jorrou forte pelo chão e pelas paredes, tendo o homem morrido sem nem ao menos saber o que o havia atingido.
- Hunf. Seu sangue nem sequer é digno do fio da minha espada, estuprador nojento... – Ele então pegou um lenço branco de dentro de seu quimono e limpou o sangue que permanecia na lâmina.
Voltou-se então para a criança que o observava com os olhos esbugalhados. Devia estar assustado por ver um homem ser morto na sua frente. O jovem samurai tratou de solta-lo de suas amarras.
Assim que se viu livre, o garoto mirou os grandes olhos castanhos para seu salvador. Começou então a soluçar e as lagrimas a caírem por seu rosto. Choramingou algo que o samurai identificou como sendo um obrigado.
- Esse homem aí já deve estar no quinto dos infernos, não precisa mais ficar chorando! Anda, não vai me dizer de onde você veio, moleque? Isso aqui não é lugar nem hora de ficar vadiando.
O menino bem que tentava, mas não conseguia conter o choro. Estava assustado, confuso e sozinho. O mais velho então se irritou e gritou com o outro:
- Pára de chorar!!! Acha que chorando vai resolver alguma coisa? Por isso que odeio pirralhos! Ainda mais chorões...
Amedontrado com a reação daquele samurai, o pobre garotinho não teve outro remédio a não ser calar a boca. Com a luz do luar, o samurai pode ver bem a fisionomia dele. Era até bonitinho, apesar das marcas do choro ainda frescas no rosto. E o mais interessante, ele tinha os cabelos acobreados, brilhantes.
O samurai então virou-se e tratou de seguir o seu caminho. Olhou novamente para o menino ruivo que se encontrava encolhido no chão sujo.
- Vaza pra tua casa moleque. Tua mãe deve estar preocupada.
Deu mais alguns passos e vociferou novamente ao sentir que menino se levantou.
- E nem pense em me seguir, ouviu, bem? Já disse que odeio pirralhos.
O menino ficou vendo o samurai se afastar ,sumindo de sua vista. Ele ficou a olhar para a entrada do beco, como se esperasse que o mais velho retornasse ate que algo brilhante no chão mais a sua frente chamou-lhe a atenção. Pegou o objeto preso a uma corrente e limpou a sujeira e os respingos de sangue. Era uma espécie de jóia. Ela tinha um formato totalmente desconhecido para ele. Era trabalhado com gravações e arabescos rebuscados. Em seu verso, um nome gravado com caracteres estranhos e desconhecidos. O objeto marcava o local onde o jovem espadachim estava antes de partir.
O pequeno ruivo então guardou o objeto dentro de seu quimono e o apertou de encontro ao peito.
XXXXXXXXX
Grimmjow olhava fixamente para o crucifixo prateado que brilhava a luz da lanterna. Ele lembrou se que havia perdido a jóia depois de ter ajudado Ichigo a se livrar do estuprador. Não havia mais dúvida de que aquele moleque chorão era o lindo kagema a sua frente. O rapaz ruivo ousou esboçar um olhar de confiança e contentamento, pois agora sabia que o samurai o havia reconhecido. Então, Ichigo curvou-se diante dele, com o rosto amparado pelas mãos unidas.
- Arigatou gozaimasu... Naquela época , eu não soube nem como te agradecer adequadamente. Se estou aqui agora, vivo, devo ao senhor, Grimmjow dono. Serei eternamente grato.
- Oe! Pode se levantar.
Ichigo ergueu o corpo depressa, mas permaneceu sentado, sem saber ao certo como agir com o samurai. Grimmjow então se dirigiu para o futon e deitou-se. Pegou uma das taças de sake postas na bandeja laqueada. Estendeu a mesma para o rapaz, com a expressão impaciente.
- Não vai me servir?
O rapaz teve uma leve hesitação, mas se recompôs rápido e pegou uma delicada garrafa de porcelana e despejou a bebida na taça. Não olhou diretamente para o samurai, mas sabia que aquele azul tão brilhante estava mirando diretamente para ele. A sensação era estranha, e Ichigo sentia o rosto queimar novamente.
- Pegue uma taça pra você também. Odeio beber sozinho e com alguém só olhando. – falando isso, tomou quase toda a bebida num só gole.- Além do mais, temos que comemorar nosso reencontro, não?
Ichigo acabou fazendo o que o outro pediu, ainda um tanto receoso, já que não era acostumado a beber e podia se embriagar facilmente. Tomou alguns goles e sentia a bebida queimar por dentro.
- Então, como foi que te pegaram de volta? – Grimmjow perguntou isso estendendo novamente a taça vazia para Ichigo.
- Er... Bem, foi logo depois de sua partida, Grimmjow san. Acabei topando com um dos servos da casa de chá assim que atravessei a viela e eles me levaram de volta. Tomei uma surra daquelas assim que cheguei. Mas daquela vez, já não chorei mais... Aprendi que só chorando, eu não vou conseguir nada.
- Eh! Então você virou esse rebelde por minha causa? Me sinto até honrado!
O samurai deu uma gargalhada alta, poderosa, que reverberou por todo o aposento. A figura dele era mesmo impressionante, mas não chegava a intimidar o mais novo. Muito pelo contrário.
- Não sei porque está rindo. Não falei nada que fosse engraçado.
- Eh. É que eu tenho mesmo o dom de despertar o que tem de pior nas pessoas. Até mesmo em uma bonequinha como você. — O samurai tomou outro gole de sake, com um olhar insinuante para o kagema.
Ichigo franziu o cenho , e tomou um gole cheio do sake em sua taça tão depressa, que acabou tossindo e deixando escapar um pouco do liquido pelo canto da boca. Grimmjow ao perceber isso, deixou a taça que segurava no chão e se aproximou de Ichigo, em movimentos sinuosos como de um felino. Então, achegou-se do rosto do rapaz e com a língua limpou o resto de sake que escorria.
O ruivo arregalou os olhos e sentiu o corpo inteiro estremecer com aquele toque simples e ao mesmo tempo cheio de malícia. Em seguida, sentiu a mão grande do maior passar por sua cintura, enlaçando-o. Nervoso, direcionou o olhar para o mais velho, que lhe mostrava os dentes num sorriso escancarado de luxúria.
- Quer me agradecer de verdade, Ichigo? Essa noite vai ser sua oportunidade de fazer isso por mim.
Ichigo ainda abriu a boca para falar alguma coisa, mas os lábios de Grimmjow o fizeram se calar. A boca quente de Grimmjow roçava na de Ichigo, insistindo, forçando a entrada com a língua.
O rubro carmim ia sendo apagado aos poucos dos lábios cheios de Ichigo. Sentiu quando Grimmjow invadiu o interior de sua boca, com muita avidez. O abraço do samurai também se tornou mais urgente, com o braço robusto se enlaçando mais forte de encontro a cintura do kagema. Ichigo ouvia o farfalhar da seda de seu quimono sendo roçada de encontro ao kosode que seu patrono usava. A mão livre de Grimmjow se pôs debaixo dos longos cabelos acobreados, ficando pousada sobre sua nuca.
O ruivo demorou a corresponder, de tão estarrecido que estava com aquele primeiro contato carnal que o samurai lhe proporcionava. O coração pulsava depressa, a respiração estava pesada, ofegante, e ele também sentia uma energia quente e prazerosa se irradiar em seu baixo ventre. Tudo o que menor fez foi se deixar conduzir por aquele beijo tão intenso, apoiando as mãos nos ombros possantes de seu patrono.
Quando estava a ponto de ficar sem ar, Grimmjow cessou o beijo. Deparou-se com Ichigo absorto, ofegante, e riu. Os dedos do samurai brincavam com os fios de cabelo do ruivo, deixando-o com a pele da nuca eriçada pelo carinho.
Novamente Grimmjow aproximou o rosto do kagema e mordiscou-lhe o lábio inferior, para em seguida se afundar naquela boca tépida. O samurai aumentava ainda mais a intensidade do beijo, instigando Ichigo a fazer o mesmo, pelos provocantes movimentos de sua língua atrevida a roçar na de seu inexperiente parceiro.
Cada vez mais enlevado por aquelas sensações novas, Ichigo enlaçou os braços pelas costas largas de Grimmjow, apertando e sentindo a força daquele corpo. O mais velho deslizou a mão que se encontrava na nuca do outro para a curva de seu pescoço, descendo então para a linha do ombro, afastando a aba do quimono junto com as combinações, fazendo com que as camadas de seda caíssem suavemente, revelando a pele nua e eriçada pela excitação.
Grimmjow então largou a boca de Ichigo e passou a língua pela curva do pescoço, descendo ate o ombro. Depois disso, alternava beijos e mordidas naquela pele macia. Ichigo acabou deixando escapar um gemidinho. A novidade fazia com que as sensações fossem ainda mais intensas. Em compensação, o nervosismo e a insegurança cresceram dentro dele, como uma pequena erva daninha que aparece para macular a beleza de um jardim perfumado e exótico.
A força das carícias do mais velho aumentava, e a mão grande e calejada deslizou e enfiou-se por entres as camadas do quimono, procurando pela intimidade do rapaz ruivo, ávido por tocá-la. Ichigo assustou-se com o gesto, e viu-se assaltado novamente pelos beijos de Grimmjow, que parecia ficar mais agressivo a medida que se excitava mais. O ruivo então tentou se desvencilhar daquele abraço, empurrando, batendo, se afastando dos lábios famintos do samurai. Grimmjow entretanto insistia, apertando Ichigo ainda mais contra si, esmagando-o e sufocando-o com aquela força avassaladora de tesão.
Grimmjow sentiu uma dor aguda e perfurante no braço e soltou Ichigo bruscamente. Olhou para o braço e viu um dos enfeites de cabelo que o rapaz usava cravado em sua carne. O ruivo se afastava se arrastando ainda sentado, ofegante e o com o quimono desalinhado, deixando uma das pernas a mostra, quase pelo meio da coxa.
Num acesso de raiva, Grimmjow tirou o enfeite e o jogou para longe, sem se importar com o sangue que começou a manchar a roupa. Com os olhos azuis faiscando de ira, esbravejou:
- Enlouqueceu de vez?!
- Não permiti que você me tocasse... Que tocasse o meu... Você me desrespeitou!!!
- Permissão?! E agora preciso da sua permissão, é isso?! Eu paguei por uma mizuage, não por uma conversinha! Você sabe que tem cumprir sua parte no contrato!
As narinas de Ichigo aumentaram com a lufada de ar furiosa que saiu por elas. Mesmo depois de tudo, o samurai só estava pensando na maldita mizuage. O ruivo julgou que seu patrono era igual a todos os freqüentadores daquela casa, só esperando serem atendidos em seus desejos egoístas de luxúria. Os olhos de Grimmjow se estreitaram e por fim ele falou ao rapazinho:
- Dessa vez você mexeu com a pessoa errada, moranguinho. Eu sempre consigo o que quero. E com você não vai ser diferente.
Ichigo então tirou outro enfeite de seu cabelo e apontou para o samurai, ameaçadoramente quando percebeu que o samurai se aproximara. Sorriu provocativo e falou:
- Você mesmo falou que desperta o que tem de pior nas pessoas. Pois bem, se me quer, então venha me pegar. Agora não sou mais aquele menininho boboca...
Grimmjow arreganhou os dentes num sorriso sardônico diante da provocação. Talvez um pouco mais de emoção deixaria sua noite ainda melhor. Tirou rápido o haori e o kosode e jogou de qualquer jeito no chão, deixando a forte musculatura a mostra do olhar admirado do kagema.
O samurai movimentou-se rápido na direção do rapaz, que revidou com um golpe do enfeite. Grimmjow se desviou habilmente do objeto pontiagudo e manteve a guarda. Ele ainda mantinha o seu sorriso cínico, divertindo-se a custa da expressão furiosa do mais jovem. Até que o ruivinho tinha certo talento para duelos. Novamente moveu-se, e dessa vez conseguiu segurar o braço de Ichigo, desarmando-o. De outro golpe, derrubou o rapazinho no futon, e o imobilizou pondo-se em cima dele com o peso de seu corpo e segurando-lhe os pulsos com apenas uma das mãos, com a mesma facilidade de quem segura um graveto. Ichigo tentava se soltar, debatendo-se inutilmente, enquanto ouvia o seu patrono rindo com uma ponta de crueldade. Um a um, os kanzashi do ruivo foram sendo retirados pelo samurai.
- Esses enfeites te deixam uma graça, mas eu prezo muito por minha integridade física.
-Seu...
- E se você tentar outra gracinha,quebro seu pescoço.
Ichigo sentiu uma fisgada na virilha quando o quadril de Grimmjow se esfregou devagar junto ao dele. Mordeu o lábio inferior, querendo mascarar o prazer que sentia. Grimmjow mexeu-se novamente, dessa vez mais incisivo que da primeira. O pobre rapaz não pode mais se conter e deixou que um lamento de prazer escapasse de seus lábios.
- Está gostando disso, não?
-Não!!! hun!
Grimmjow lambeu sensualmente a orelha do mais novo, fazendo com que este prendesse a respiração para conter o próprio deleite.
-Admita que quer isso tanto quanto eu... Você quer se mostrar tão cheio de brio,mas no fundo não vale nada...
Ichigo gritou em protesto e se mexeu furioso ao ouvir aquilo, mas Grimmjow ergueu o corpo e pôs o joelho em cima da pernas à mostra do mais novo, imobilizando-o. O samurai então procurou pelo obi do kagema. Sem muita dificuldade, Grimmjow desatou a faixa de seda bordada e em seguida o cordão que prendia o quimono por baixo dela. As camadas coloridas se abriram e desceram pelo corpo de Ichigo como uma caricia. Logo depois, era a combinação a ser aberta e deslizar. O ruivo enrubesceu violentamente ao ver que estava com a nudez totalmente a mostra para o samurai, cujos olhos ganharam um brilho especial e libidinoso ao ver a beleza adolescente daquele corpo.
O samurai deu um riso de triunfo. Abaixou o rosto procurando os lábios do ruivo, mas este virou o rosto, ainda resistindo. O maior parou por um breve instante, mas em seguida abocanhou devagar o lóbulo da orelha do ruivo e o puxou.
Ainda sob o jugo de seu patrono, a única coisa que Ichigo podia fazer era sentir sua pele sendo acariciada com a fúria de uma excitação arrebatada. O corpo do rapaz tremia e sua pele se arrepiava. Os mamilos reagiram quase de imediato ao estímulo, se enrijecendo. O maior traidor de Ichigo era ele mesmo. Estava impotente diante das investidas de Grimmjow. Sua respiração começava novamente a se descompassar e seu baixo ventre a latejar em uma onda abrasadora de calor e desejo.
A lenta agonia do ruivo estava apenas no inicio. O samurai abriu caminho com a mão para o sexo do kagema, que arqueou as costas num êxtase quase incontrolável. A boca entreaberta do rapaz deixou transparecer um murmúrio de satisfação, enquanto o mais velho passou a brincar com seu pênis que começava a enrijecer.
Os dedos grandes sabiam como mexer na intimidade do garoto. Em pouco tempo ficaram melados pelo líquido morno que começava a escapar por entre eles. Ichigo mantinha-se com os olhos fechados a maior parte do tempo, mas das poucas vezes em que se atrevia a abri-los, sempre cruzava com aquele azul claro e metálico daquele olhar que se assemelhava mais a dois espelhos. Em seguida fechava o castanho de seus olhos depressa, com o rosto em brasa. Grimmjow aumentou então o ritmo com a mão cada vez mais úmida pelo liquido que escorria do falo de Ichigo.
Ichigo estava ao mesmo tempo constrangido e excitado por ser tocado tão escancaradamente. Quase desfaleceu quando sentiu o dedo polegar rodear devagar a cabeça do falo pulsante. Teve vontade de gritar, mas se conteve a tempo. Em compensação, não conseguiu refrear o próprio gozo, que jorrou fortemente de sua intimidade para a mão do samurai.
- Tão rápido Ichigo?... – Grimmjow ria baixo e cinicamente.
Ichigo trincou os dentes de raiva diante da provocação, mas não pode reagir, pois ainda se recuperava de tamanho arroubo de sensações deliciosas e intensas. Grimmjow se divertia com a falta de experiência de Ichigo.
O ruivo sentiu a pressão sobre seus pulsos sumir e o sangue voltar a circular por suas mãos. Seu coração voltou a bater mais rápido quando a boca do samurai saboreava os vestígios ainda quentes da essência do kagema que respingaram em seu corpo . A língua percorreu o umbigo, subiu pela barriga até o peito. Passeou então para um dos mamilos ainda eretos e o rodeou com um movimento da língua, arrancando um gemido quase inaudível.
O volume entre as pernas de Grimmjow aumentava cada vez mais, tornando o hakama algo muito incômodo de usar. Desatou o nó que prendia a vestimenta e se fez logo livre dela, atirando o hakama pelo chão do cômodo. A ereção grande, pulsante despontava no fundoshi e a expressão tensa que Ichigo fez ao ver aquilo encheram o samurai de vaidade libidinosa.
Exibindo-se, Grimmjow afrouxou o fundoshi, se aproximou do ruivo e o agarrou pela cintura com força, o erguendo em seguida para que ficasse frente a frente com ele. O rapaz sentiu a ereção enorme roçar contra a sua sexualidade e gemeu involuntariamente.
O brilho coruscante daqueles olhos azuis pareciam ter poder hipnotizante em Ichigo. O rapazinho não conseguia desviar-se daquele olhar incisivo de fera. Ele não impediu que Grimmjow tirasse o quimono que ainda lhe resguardavam os ombros e os braços.
O ruivo foi erguido de maneira que se sentasse no colo do parceiro, de pernas abertas e com a sua sexualidade encostando junto ao fundoshi do outro.
- Ahn! – gemer era a única coisa que o rapaz conseguia fazer àquele momento.
Grimmjow fez com que Ichigo envolvesse os braços ao redor de seu pescoço e mexeu o quadril de encontro ao dele. O ruivo sentiu as mãos grandes do samurai lhe apertarem as nádegas com força, empurrando contra o seu ventre.
Mais uma vez, Grimmjow manobrava o corpo de Ichigo, mais precisamente, as nádegas, apertando, mexendo com força. Inconscientemente, o ruivo cedia e se movia-se ao sabor de sua vontade e das brutas caricias, roçando seu baixo ventre no do seu amante. O tecido do fundoshi se encontrava úmido pelo liquido que escapava de suas virilidades. Ambos alternavam gemidos e sussurros pela libido exaltada. Trocavam beijos molhados, famintos.
Ichigo retesou o corpo em desconforto ao sentir o golpe de um dos dedos úmidos de saliva de seu amante junto a entrada entre suas nádegas. Grimmjow o apertou contra seu corpo num gesto brusco, para impedir que o rapaz tentasse escapar. O mais velho tateava o interior do outro. Ichigo gemeu quase sufocado ao ter seu ponto mais sensível tocado. Ele foi varrido por uma onda incontrolável de prazer. Cada músculo de seu corpo retesou diante daquela sensação enlouquecedora.
Ainda em êxtase, foi assaltado novamente por outro golpe, mais incisivo que o anterior. O rapaz se agarrou com força ao corpo viril de seu amante, no intuito de não cair desfalecido ali mesmo. Os dedos iam e vinham, rodeavam e massageavam o justo orifício. Da boca entreaberta do jovem , escapavam gemidos curtos e engrolados.
Grimmjow também estava no limite. Mal conseguia seguir com a preliminar. E num arroubou impetuoso, atirou Ichigo no futon, livrou-se do fundoshi e afastou as pernas do ruivo. Trouxe o mais novo para junto de si pelos quadris. Podia sentir a carne trêmula do mais jovem em suas mãos. A respiração de Ichigo estava curta e rápida. O samurai ainda parou por uma mera fração de tempo para olhar para o rapazinho. Os seus olhos tinham um brilho especial, diferente. Não era mais o mesmo brilho de inocência dos olhos daquele garotinho do beco mal iluminado.
O mais novo ainda quis balbuciar algo, mas não teve tempo para isso. Em um segundo, a expressão de Ichigo se converteu em dolorosa agonia. O rapaz trincou os dentes, querendo suportar a dor lancinante de ser penetrado pela vara do outro. Grimmjow rosnou algo que parecia ser um palavrão. Resfolegando, projetou-se de novo contra a entrada estreita, afastando ainda mais as pernas do garoto, segurando pelas coxas.
Apertando o futon ao ponto de rasgá-lo, Ichigo já não conseguia suportar a dor. O samurai era grande demais, forte demais. Era uma tarefa inglória tentar não gritar com a invasão impetuosa e selvagem a rasgar seu corpo por dentro . Achava que não conseguiria acomodar Grimmjow totalmente. Engolindo o orgulho diante do quase desespero, falou com voz falha para o patrono:
-...P-pare!
- ...Aguente! Isso vai passar logo!- Grimmjow retesou a boca num esgar, enquanto seu olhar azul faiscava como de uma fera concentrada em abater sua vitima.
Ichigo virou o rosto e nem se importou mais em gritar com mais um avanço de Grimmjow:
- Você vai me matar!!!
- Quieto!!! Você vai sobreviver... garanto. – dizendo isso, Grimmjow prendeu Ichigo com mais força e deu um última investida de encontro a ele.
Grimmjow gemeu ruidosamente quando se sentiu totalmente dentro de Ichigo. A cavidade quente se contraia, apertando calorosamente o falo do samurai. Foi a muito custo que ele conseguiu se controlar para não gozar dentro do ruivo naquele instante. Grimmjow abaixou um pouco o corpo e procurou pelos lábios de Ichigo. O beijo veio devagar, lascivo e faminto, salgado pela única lágrima que rolou do rosto do mais jovem.
O samurai mexeu o quadril devagar, mas com firmeza. O som mavioso e lamentoso da voz de Ichigo complementava o movimento estertorante de seu corpo ao avanço de Grimmjow. O deleite começava a se sobressair em meio a dor.
- Humm... Está melhor... Agora, não?... – o samurai balbuciou essas palavras tropegamente, dando mais uma estocada possante contra a cavidade do menor.
Ichigo apenas balançou afirmativamente a cabeça. O samurai então sentiu o toque trêmulo das mãos do kagema subir em seus braços.
Grimmjow passou a menear-se devagar, deslizando a carne rígida e pulsante do membro em movimentos compassados e incisivos para dentro do corpo de Ichigo, que passou a acompanhar o mesmo ritmo ondeante de seu parceiro ao mesmo tempo que procurou estimular a própria sexualidade com uma das mãos, guiado pelo instinto e pela busca de aumentar aquela sensação.
A intensidade das estocadas ficou cada vez maior,cada vez mais selvagem e intensa. O suor recobria os corpos de ambos. As mãos grandes de Grimmjow apertavam agora os quadris de Ichigo com força, enquanto continuava em sua cavalgada. Gemidos , gritos e urros se misturavam e ecoavam pelo recinto.
Ichigo era empurrado contra o futon a cada investida de seu amante. Suas unhas se cravaram no braço musculoso na agonia sufocante e desesperada do ápice que se aproximava. Por instantes, achou que realmente seria morto pelo samurai, mas não por sua espada e sim pelo membro que o preenchia voluptuosamente. A sensação era quase enlouquecedora de tão de boa que o jovem pensou estar a ponto de desfalecer.
Grimmjow sentiu que já estava se aproximando de seu limite. Erguendo um pouco os quadris do kagema, retirou-se quase por completo de dentro dele e lançou-se novamente, numa estocada derradeira, acertando em cheio a próstata do mais jovem.
Ichigo teve o corpo assolado pelo tremor sem controle que o ápice lhe causara. O quadril moveu-se num espasmo, derramando o sêmen junto ao ventre de Grimmjow. O kagema sentiu também uma farta e quente golfada dentro de si e ouviu a voz do samurai num ruído gutural diante do êxtase.
O pesado corpo de Grimmjow tombou por cima do de Ichigo, exaurido. Ambos sentiam suas respirações descompassadas e as batidas do coração aceleradas diminuírem o ritmo. Ichigo mal raciocinava, apenas sentia. Passados mais alguns instantes, o samurai se retirou de dentro do kagema.
Grimmjow então ficou sentado em cima do futon e passou a mão do rosto para os cabelos, retirando os vestígios de suor. Voltou-se então para o rapaz ao seu lado e notou o fio vívido de sangue correndo pela coxa dele e indo se cair no tecido avermelhado, formando uma mancha escura no tecido.
O mais velho mordeu o lábio inferior. Na sua ânsia de possuí-lo, esqueceu-se completamente de que Ichigo era inocente ainda.Bem que poderia ter sido mais gentil com o garoto. Aquilo deveria estar doendo horrores, apesar do ruivo não dar mostras. Que orgulho idiota o dele...
O samurai então viu o ruivo se levantar, com certa dificuldade. Ichigo voltou o olhar para seu patrono e falou:
- O seu braço ainda está sangrando. É melhor cuidar disso. – era de se admirar a aparente segurança de Ichigo e a sua obstinação em não deixar transparecer a dor que sentia pelo corpo.
-Hunf, não precisa importar com isso... Não foi nada grave. – Grimmjow respondeu passando os dedos por cima do ferimento, limpando o sangue.
- Mas pode ficar pior – Ichigo ainda franziu o cenho, contrariado com o pouco caso do mais velho.
-Já disse que não foi nada! Vá descansar. Você está precisando mais do que eu... – falou olhando para a perna manchada de sangue do ruivo.
Ichigo crispou os lábios em desagrado, se afastou e reclinou-se no futon, de costas para o samurai. Grimmjow trouxe a coberta do futon e cobriu Ichigo. Pensou ainda em lhe afagar os cabelos ruivos que se espalhavam pelo tecido rubro, mas acabou desistindo. Ainda não se sentia muito bem, mas não queria dar o braço a torcer, nem mesmo para sua consciência. Ele era homem, afinal de contas. Não conseguiu se controlar, só isso! Não implicava dizer que quisesse algum mal para Ichigo...
Pegou uma das garrafas de sake e se preparou para despejar numa taça e viu de relance o crucifixo prateado no tatame.
- Aqui... Fique com isso. – Grimmjow ofereceu o crucifixo pendente na corrente para o ruivo que estava deitado.
Ichigo relutou, mas Grimmjow pôs o objeto na mão do rapaz e a fechou entre as suas. Antes que ele falasse alguma coisa, Grimmjow se adiantou:
-Jaegerjaquez.
-Como?
- É o nome que está gravado nesse crucifixo. Acredito que você sempre quis saber o que significava. Pode ficar com ele pra você.
- Não,ele pertence a ...
- Eu já falei que pode ficar com ele!- respondeu Grimmjow, levemente irritado. E em seguida, mais calmo: — Além do que, acho que isso deve significar mais coisas boas pra você do que pra mim.
O rapaz aceitou o presente, agradeceu e deitou-se novamente. Grimmjow então vestiu o kosode, abriu a janela do aposento e foi beber o sake. Parou com a taça nos lábios quando ouviu Ichigo falar:
- É um nome bonito, Danna san. Diferente, mas bonito.
Grimmjow não respondeu e tomou a bebida de um gole, olhando para o céu estrelado.
CONTINUA
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