O Cowboy

5 Trabalho árduo


Notas iniciais
Olá meus amores. Como vão? Bom, sei que hoje não é dia de postagem, mas eu sei que ficaram curiosos pra saber como seria o primeiro dia de trabalho dela, eu também estou curiosa pra saber o que vocês vão achar, então eu espero que realmente gostem. Boa leitura!

O relógio despertou e eu não estava com um pingo de vontade de levantar, mas eu tinha que fazer isso, a final hoje eu precisava do meu netbook pra conversar com Jake. Levantei sem muita disposição e fui ao banheiro, tomei um bom banho, peguei um short e uma blusa velhos, calcei um chinelo, prendi o cabelo em um coque fraco e desci até a sala, onde não havia ninguém, beleza, como eu ia trabalhar se não havia ninguém ali pra me orientar?

Fui até a cozinha, comi um sanduíche com suco, escovei os dentes e depois fui até a varanda, onde o caipira já me esperava em seu jeans surrado, camisa quadriculada aberta revelando seu lindo peitoral e abdômen, botas de couro marrons e um chapéu no mesmo tom das botas. Cacete, que homem gostoso! Foco Bella, foco.

— E aí Abelhinha? Pronta pra um dia de trabalho?

— Eu não sou Abelhinha e já nasci pronta. – Eu disse em um tom esnobe.

— Você não tem botas não?

— Só de salto quinze, mas são Prada, então não vou estragá-las nessa lama toda.

— Botas sem salto, de caminhar mesmo. Aquelas de couro marrom ou até mesmo de borracha.

— Não, eu não tenho botas desse tipo.

— Alice tem algumas, peça emprestado.

— Não vou pedir nada a ela, ainda mais essas botas horrorosas.

— Você quem sabe, mas não aconselho andar por esse mato sem botas.

— Não pedi nenhum conselho seu. Vamos logo trabalhar e acabar com essa palhaçada de uma vez.

— Você quem sabe, no final do dia você me diz se dá pra trabalhar sem botas.

— Tranquilo.

Edward montou em um cavalo preto que possuía a pelagem mais brilhosa que meus cabelos e parou em minha frente.

— Vamos Abelhinha, suba aqui.

— Meu nome é Bella, e eu não sei andar nisso.

— Quem vai guiar o cavalo sou eu, você só vai subir aqui e se segurar firme, acha que é capaz de fazer isso?

— Eu não sei subir nesse bicho.

— É só colocar o pé no apoio.

— É muito alto, eu vou cair.

— Ah meu Deus. – Disse irritado e descendo do cavalo.

— Eu vou te ajudar.

Ele colocou as mãos em minha cintura e eu senti o arrepio passar por minha espinha, eu odiava esse cara, odiava mesmo, mas tinha que admitir que ele me causava sensações estranhas. Edward me levantou e eu passei a perna por cima do cavalo, me empurrou mais um pouco até que eu tivesse firmeza o suficiente para montar, em seguida quem subiu foi ele, timidamente segurei em sua cintura para não cair.

— Segura firme. – Disse ele. – Não precisa ficar com nenhum receio, porque o trovão é muito veloz.

— Trovão?

— Sim, meu cavalo. – Disse sorrindo.

— Oh sim, nesse caso... – Eu disse aproximando meu corpo do dele a ponto que suas costas ficassem coladas em mim e o abracei fortemente por trás sentindo em minhas mãos a pele firme de seu abdômen, apertei com força.

— Aproveita pra tirar uma lasquinha. – Disse sorrindo.

— Idiota. – Murmurei e ele sorriu ainda mais.

Edward guiou o cavalo e ele começou a correr, e muito! Eu já estava começando a ficar com medo. Fomos até um pequeno casebre de sapê e ele desceu do cavalo, o amarrando em uma coluna de madeira.

— Vem. – Ele disse.

Passei uma perna para o outro lado do cavalo e Edward segurou minha cintura me puxando para seu colo e em seguida me pondo no chão.

— O que estamos fazendo aqui?

— Buscando comida para os animais.

— E como vamos levar essa comida?

— O trovão vai levar.

Edward abriu a porta do casebre e nós entramos, lá tinha muito capim, milho e outras rações para alimentar todos os animais, ele colocou trovão amarrado a uma carroça e em seguida pegando uma bolsa com muitas jarras com tampa de rosca e um banquinho.

— Me ajuda a trazer a ração e colocar aqui na carroça.

— Tudo bem.

Nós entramos e fomos levando tudo e colocando lá, até que ele disse que estava bom. Nós sentamos em um pequeno banco que tinha nela e Edward foi guiando Trovão até as vacas.

— Nós vamos dar comida a elas também? Pensei que elas ficassem aqui pastando.

— E elas ficam, na verdade eu vim trocar a água e pegar o leite.

— Olha, eu não vou tocar na teta desses bichos. – Eu disse avisando.

— Todo dia de manhã eu tiro o leite de 30 vacas, acho que seria bem mais rápido se você me ajudasse.

— Mas eu não sei fazer isso.

— Ninguém nasce sabendo a fazer nada, eu vou te ensinar, fique tranquila.

— Ah não, eu não quero!

— Ah é? Vou ter que dizer ao meu cunhadinho que você não está sendo eficiente? Acho que alguém vai ficar sem computador por hoje. – Disse fazendo um biquinho fodidamente sexy.

— Ah, tá bom, vamos tentar.

Edward e eu descemos do cavalo e fomos até as vacas, Edward colocou comida perto do nariz da vaca e ela veio acompanhando, deixou a comida no coxo e ela começou a comer, então ele a amarrou na cerca, pegou uma garrafa, encheu d’água e lavou as tetas da vaca, depois pegou o banquinho e as bolsas com as jarras, colocou o banco ao lado da vaca e me entregou uma jarra já aberta.

— Senta aí.

— Ao menos tem um banco né? Porque só me faltava ter que ficar aqui ajoelhada.

— Eu comprei esse banco ontem lá no mercado, seu pai mandou eu comprar pra você não ficar tão desconfortável.

— Hum.

Me sentei no banco e olhei para ele esperando por suas instruções.

— Agora coloca a jarra bem de frente a uma das teta da vaca. – Fiz o que ele mandou. – Agora é só apertar essa teta até não ter mais leite, daí você aperta a outra, e a outra, quando tiver apertado todas é só ir pra próxima vaca, mas não aperte com força e cuidado com essas unhas grandes pra não machucá-la.

— Tá bom. Não deve ser tão difícil.

Coloquei as mãos na teta da vaca com muito nojo que eu de fato estava sentindo e apertei, mas nesse exato momento ela se mexeu e me bateu com o rabo que veio como um chicote.

— Ai. – gritei tirando as mãos de sua teta e acariciando meu braço ferido imediatamente, quando olhei para minha mão que segurava meu braço percebi que tinha um pouco de sangue. – Caipira, essa vaca louca me machucou, tá sangrando!

Edward foi até a torneira, pegou um pouco d’água, depois até a carroça e pegou um pedaço de pano, ao chegar perto de mim ele molhou o machucado e pressionou por aproximadamente um minuto na região, depois amarrou o pano em meu braço.

— Esse procedimento é correto?

— O médico que trata de pessoas da família é o Emmet, eu sou apenas o dos animais, com eles é assim que deve ser feito, acho que com a gente também deve dar certo.

— Ah, Edward, não quero mais fazer isso, eu estou com medo.

— Calma, no começo é assim mesmo, mas depois você acostuma. Vou te ajudar.

Edward abaixou atrás de mim acomodando seu corpo perfeitamente atrás do meu e apoiou o queixo em meu ombro.

— Segura a teta bem devagar. – Disse com sua voz mansa ao pé do meu ouvido me causando arrepios.

— OK. – Eu disse segurando levemente.

— Isso. – Disse colocando a mão em cima da minha. – Agora fecha a mão ao redor da teta, sentindo ela, bem levinho.

— Tá bom.

Fechei minhas mãos ao redor da teta carinhosamente, Edward movimentou minhas mãos de cima pra baixo.

— Desse jeito.

Depois os movimentos foram ficando mais rápidos e o leite já esguichava, mordi o lábio enquanto sentia ele mover quase imperceptivelmente seus quadris contra minha bunda, me empinei um pouco e senti sua respiração pesada atrás de mim, droga, eu estava sentindo algo muito gostoso entre as pernas, e foi nesse segundo de descuido que apertei a maldita teta forte demais fazendo a vaca se rebelar e derrubar a jarra em mim e eu caí em cima de Edward o derrubando junto. Ele estava com os braços ao meu redor protetoramente, eu não queria sair dali, mas eu tinha, a final nós tínhamos mais coisas a fazer.

— Droga. Caí em cima do cocô da vaca. – Disse se levantando e tirando a camisa que estava suja. – Ainda bem que foi só a camisa.

— Pois é. – Eu disse admirando seu corpo maravilhoso.

Edward jogou a camisa atrás da carroça e voltou até mim.

— Vamos tentar novamente, essa vaca ainda tem bastante leite e você nem estava se saindo tão mal.

— OK, vamos.

Me sentei no banco novamente e Edward voltou a sua posição anterior. Posicionei a jarra e coloquei uma das mãos na teta da vaca, depois voltei a tirar o leite enquanto Edward me ajudava com o movimento da mão.

— Isso. – Disse com a voz pesada, ele parecia estar se esforçando para não fazer alguma coisa. – Muito bem.

Eu estava sentindo alguma coisa me cutucando, foi então que Edward saiu todo atrapalhado dizendo que ia dar água aos bezerros e que quando eu terminasse era pra esperá-lo ali e foi o que eu fiz, uns quinze minutos depois ele estava de volta.

— Conseguiu?

— O que?

— Dar água aos bezerros.

— Ah sim, consegui Abelhinha.

— Não sou Abelhinha, meu nome é Bella. B-E-L-A!

— Não adianta teimar, pra mim você é Abelhinha e ponto.

— Ah, tá bom, desisto!

— Agora você tem que passar o iodo na teta da vaca.

Edward Pegou outra vaca e me ajudou, depois colocou outra pra mim e uma pra ele e nós tiramos todo o leite de todas elas, colocamos todas as jarras já cheias na carroça, depois Edward passou iodo na teta de todas.

— Vamos trocar a água das vacas, bois e bezerros e depois vamos levar o leite pro pessoal tomar café da manhã. – Disse ele.

— Mas você já não deu a água aos bezerros?

— Er... Sim, mas eu dei uma olhada e eles já derramaram tudo.

— Tem certeza de que foi isso que foi fazer quando saiu de perto de mim? – Perguntei desconfiada.

— Eu já não disse que era isso? Pois então.

— Se você diz...

— Agora vamos logo, eles estão esperando o leite pra tomar o café da manhã.

— Vamos.

Nós enchemos os locais que eram necessários com água e depois fomos até a casa, entregamos o leite para a caipira e voltamos aos nossos afazeres.

- Agora vamos voltar lá nas vacas porque preciso cuidar da Mimosa.

— Mimosa?

— Sim, ela está prenha e o bezerro está atravessado, ela sente muita dor e nem consegue se levantar, por isso ela precisa de um cuidado especial.

— Ah sim, vamos lá então.

Edward e eu fomos até a vaca Mimosa, ele pegou uns remédios e começou a tratar dela, que mugia sem parar.

— Ai Edward, ela está sentindo dor. – Eu disse sensibilizada.

— Sim, ela está sentindo muita dor. Mas alguns desses remédios são apenas para acalmá-la.

Edward acariciava sua barriga e sorria.

— Eu sei que está sendo muito difícil pra você Mimosa, mas vai valer à pena, seu filhotinho vai nascer muito forte. – Disse ele gentilmente.

— Quando o filhote vai nascer? – Perguntei.

— Daqui a três semanas.

Depois de cuidar da Mimosa nós fomos ao galinheiro.

— Olha só. – Ele disse. – Você vai pegar esse milho que está aqui e distribuir para as galinhas enquanto eu pego os ovos.

— Por que eu não posso pegar os ovos?

— Porque eu sei quais estão galados ou não.

— Galados? – Perguntei confusa.

— Sim, os que já tem pintinho.

— Ah sim, nesse caso tudo bem.

Desci da carroça, peguei parte do milho e comecei a distribuir para as galinhas que corriam em desespero, eram mais de trezentas, devia ter muito ovo por ali, quando terminei fiquei sentada na beira da carroça esperando Edward terminar de pegar os ovos, demorou uns quarenta minutos, mas ele finalmente tinha terminado. Depois nós fomos aos cavalos, alimentamos e escovamos a todos os dezessete. Essa tarefa foi bem demorada. Continuamos pela fazenda tratando de todos os animais, que eram muitos, quando terminamos já era hora do almoço, onze e meia em ponto, era esse o horário, geralmente era a hora que eu acordava e tomava meu café da manhã, mas hoje não, hoje eu estava com uma fome de leão, fome de comida mesmo.

Edward e eu fomos até a casa de Carlisle e nos sentamos junto a todos na mesa, mas nós estávamos imundos enquanto todos tão bem limpos, eu estava pior do que Alice que eu tanto julguei ontem e ainda por cima comendo feito um animal de tanta fome. Vergonhoso!

— E aí filha? Está gostando do trabalho? – Carlisle perguntou.

— Nossa papai, é MA-RA-VI-LHO-SO! O senhor não faz ideia. – Eu disse irônica e ele sorriu.

— Eu amo esse seu senso de humor.

— Eu sei. – Eu disse sorrindo.

— Ela está fazendo tudo direitinho? – Perguntou meu pai a Edward.

— Sim Carlisle, ela é uma boa aprendiz. – Disse olhando para mim e sorrindo, idiota.

— O que foi isso no seu braço Bella? – Perguntou Emmet.

— A maldita vaca bateu o rabo no meu braço de rebeldia quando eu estava tirando o leite dela e o Edward fez esse curativo.

— O que você fez Edward? – Perguntou Emmet curioso.

— Eu lavei, segurei esse pedaço de pano em cima pra estancar o sangue e depois amarrei no ferimento pra não ficar exposto.

— Hum, acho que essa faculdade de veterinária está servindo de alguma coisa. – Disse sorrindo. – Fez direitinho, mas à noite tira o pano tá Bella? Pra respirar um pouco.

— OK. – Respondi.

— A faculdade do seu tio serve bastante Emmet. – Disse Esme. – Se não fosse por ele a Mimosa e o bezerro estariam mortos há muito tempo.

— É verdade. – Concordou Emmet.

— E muitos outros animais da fazenda também, porque muitos já foram atropelados e foi ele quem remediou cada um deles.

— É verdade. Eu gastaria uma grana preta de veterinário se não fosse por esse cara aqui. – Disse Carlisle batendo nas costas de Edward.

— E vocês meninas? – Perguntou a caipira para mim e Alice. – Vão fazer o que na faculdade?

— Engenharia civil. – Respondi e todos me olharam surpresos. – O que?

— É uma ótima profissão. – Disse Esme.

— Verdade, pensei que você ia querer fazer dança, já que é líder de torcida. – Disse Carlisle.

— Não sou tão superficial quanto pareço. – Disse dando um sorriso sarcástico.

— E você Alice? – Perguntou Carlisle.

— Eu quero fazer moda. – Disse Alice sorrindo e eu me engasguei com a comida e depois comecei a rir feito uma louca, todos ficaram me encarando sem entender nada.

— Me perdoem, é que, a Alice? Fazendo moda? – Gargalhei novamente. – Vai ser o que? Moda roça primavera/verão 2013? Me poupem né?

— Bella, respeite o desejo da Alice. – Disse Carlisle. – É um direito dela querer fazer moda.

— Mas Carlisle, eu estou fazendo um favor a ela, é melhor desistir logo, porque depois que entrar e ser humilhada pelas pessoas lá vai querer vir chorando pro colinho da mamãe caipira.

— Bella... – Disse Carlisle.

— Não Carl, tá tudo bem. – Disse Alice com os olhos cheios de lágrimas. – Eu sou uma caipira mesmo, não sei onde estava com a cabeça quando pensei que podia ser alguém no mundo da moda. Com licença.

Ela levantou e saiu da sala de jantar, Esme imediatamente foi atrás dela.

— Eu não vou dar nenhum tipo de esporro em você até mesmo porque sei que não vai adiantar, mas espero que esteja convivendo bem com a sua própria consciência. – Disse Carlisle se levantando e saindo da mesa.

— Pegou pesado mesmo Bells. – Disse Emmet numa boa.

Olhei para Edward que estava ao meu lado, ele parecia decepcionado ou algo assim, mas de qualquer forma não gostei do que vi em seu rosto, eu me senti mal por vê-lo tão irritado comigo. Mas que inferno! Eu devia estar pouco me fodendo pro que esses caipiras idiotas diziam ou pensavam.

Edward pegou seu prato e saiu da mesa.

— Acho que agora somos apenas nós dois. – Eu disse a Emmet.

— Pois é.

— Por que você também não foi?

— Apesar desse seu jeito ignorante e birrento de ser, eu sei muito bem que você é uma ótima pessoa Bells, só anda meio perdida e decepcionada com as todos ao seu redor, não vejo motivo pra me afastar de você, muito pelo contrário, pessoas assim revoltadas e frias, são as que mais precisam de afeto, pena que eu e a Alice somos os únicos que vemos isso.

— A Alice também pensa assim?

— Sim, ela te adora, posso apostar como daqui a pouco já está correndo atrás de você. Tenho certeza que ela teria resistido numa boa a qualquer ignorância que você fizesse, mas o lance é que você tocou na ferida sabe? Moda é o sonho dela.

— Eu não sabia. – Eu disse já arrependida de ter dito tudo aquilo.

— Eu sei.

— O que eu faço agora?

— Que tal falar com ela?

— Tudo bem, mas vou depois do trabalho, pra dar tempo dela se acalmar um pouco.

— Perfeito. – Disse Emmet sorrindo.

Quando terminei de almoçar fui até Edward que estava deitado com o chapéu no rosto no gramado embaixo de uma grande árvore nos fundos da mansão.

— Hei. – Eu disse o chutando levemente e ele tirou o chapéu do rosto para me olhar.

— O que?

— Vamos?

— Vamos. – Disse se levantando.

Fomos até a carroça em silêncio por boa parte do caminho, eu não estava mais aguentando.

— Vai ficar me ignorando agora é? – Perguntei.

— Você é a garota mais bonita que eu já vi, mas essa sua personalidade estraga absolutamente tudo.

— Ah Edward, por favor, você não sabe de nem a metade dos meus problemas. – Eu disse irritada.

— E quais são os seus problemas?

— Eu era uma pessoa completamente feliz, até o meu pai fazer uma maldita viagem de negócios pra esse brejo e conhecer uma caipira idiota, popularmente conhecida como Esme, que em duas semanas conseguiu destruir um casamento de 12 anos, sem pensar duas vezes ele se separou da minha mãe e comprou essa fazenda, quando terminou de construir a mansão, se casou com a caipira e esqueceu que tinha uma filha de nove anos pra criar. Agora estou sendo obrigada a passar três malditos meses perto de pessoas que não me suportam e ainda por cima ter que fingir que está tudo bem.

— Ah é? Acha mesmo que a SUA vida é problemática? Minha mãe morreu quando eu tinha quatorze anos, e o meu pai teve um derrame por causa disso, ficou em uma cama sem poder andar, minha irmã morava em outra cidade e o meu irmão mais velho em outro país, o meu pai não queria de forma alguma deixar o lugar onde vivia, então quem cuidou dele durante oito anos fui eu, quando ele morreu, eu pude começar a minha faculdade aqui perto, minha irmã me ofereceu um emprego e um lar, por isso estou aqui. Agora me diz, quais são os seus problemas mesmo?

— A questão não é você e sim eu, cada um lida com os problemas de uma forma, essa é a minha.

— Não importa a maneira como você lida com os seus problemas, ainda que a sua vida fosse a pior desse mundo, não te dá o direito de querer estragar o sonho das pessoas.

— Eu não sabia que era o sonho dela!

— Ainda que não fosse, você atacou uma pessoa que não te fez nada, isso é errado.

— Eu sei que errei, vou até pedir desculpas, mas o lance não foi com você, então pare de tomar as dores dos outros.

— Ela faz parte da minha família, eu não gosto de quem mal trata a minha família.

— Então vai ficar de bico comigo?

— Não, mas eu estou chateado agora, dá pra respeitar isso?

— Dá né? – Eu disse emburrada.

Nem tudo estava ruim, ele havia dito que eu era a garota mais bonita que ele já tinha visto e isso mexeu comigo, e como mexeu! Eu sabia que não tinha nenhum direito de me sentir assim em relação a ele, mas esse maldito caipira me tirava do prumo. É claro que eu jamais deixaria transparecer isso.

Nós fomos até o campo e Edward me deu uma dessas vassouras de quintal, nós tiramos todas as folhas e fizemos isso em mais alguns locais e regamos as milhares de plantas que tinha por ali. Foi então que guardamos as comidas que sobraram e todas as coisas que usamos para ajeitar a fazenda, e o serviço estava concluído, era apenas quatro da tarde!

— Você aqui me adiantou uma hora. – Disse sorrindo.

— Tá vendo? Não sou uma completa inútil.

— Pois é. Vou à cachoeira tomar um banho, quer vir?

— Pode ser, estou me sentindo imunda.

— Então vamos.

Edward tirou a carroça do cavalo e deixou no casebre, depois segurou na minha cintura para me ajudar a subir, em seguida subiu. Abracei seu corpo delicioso e encostei o rosto em suas costas, sentindo sua pele quente contra a minha, acabei relaxando um pouco a mão que desceu por seu abdômen e tocou em sua calça de leve, senti o corpo de Edward estremecer levemente.

— Desculpa. – Eu disse rápido. – Foi sem querer.

— Tudo bem.

Ao chegarmos Edward desceu, amarrou o cavalo em uma árvore e em seguida me pegou no colo e me pôs no chão.

— Ai, graças a Deus. – Eu disse tirando o chinelo, a blusa e o short, ficando apenas de calcinha e sutiã.

Edward me olhou de cima a baixo, não apenas olhou, mas me secou mesmo, como eu estava gostando disso! Claro que eu não tinha feito de propósito, a final nunca liguei muito pra esse lance de roupas, eu era uma sem vergonha de natureza, me espantava o fato de ser virgem ainda.

— Você vai tomar banho assim?

— Vou, qual é o problema?

— Você está de roupa íntima.

— E daí?

— Eu estou aqui.

— São só roupas, quando você vai à praia vê muitas mulheres de biquínis, então não acho que esteja indecente. – Eu disse me virando e indo até a cachoeira.

Foi então que me lembrei que minha calcinha e sutiã eram um conjunto, branco com fitinhas pretas, o sutiã era até comportado, já a calcinha... Era fio dental com um laço preto bem atrás, Edward provavelmente estava olhando para minha bunda agora, quando olhei para trás o vi com a boca aberta, literalmente.

Abaixei um pouco empinando a bunda pra mergulhar de cabeça, quando cheguei à superfície Edward já estava na água.

— Vem aqui. – Eu disse jogando água nele.

Edward veio até mim e segurou minha cintura me levantando um pouco e depois me jogou na água.

— Vou te ensinar a andar à cavalo. – Ele disse quando voltei à superfície.

— Eu já tentei uma vez, mas caí e quebrei o braço, então eu tenho pavor, você vai ter que ser muito paciente. – Alertei.

— A paciência é uma virtude para poucos e graças a Deus eu sou um desses poucos. Amanhã à noite a gente começa, Tá bom pra você?

— Sim. Vai ser legal.

— Ótimo. – Disse sorrindo.

Nós voltamos para casa e agora eu tinha que falar com a Alice, só não fazia ideia de como.

Notas finais
E aí? O que acharam? Comentem!