O Cowboy
6 Aprendendo a montar
Notas iniciais
Ao entrar em casa fui direto ao banheiro e tomei um banho demorado. Eu odiava admitir, mas o caipira tinha razão, meus pés estavam doendo e com calos, eu de fato tinha que conseguir uma bota ou caso contrário não aguentaria nem mais um dia. Depois do banho coloquei uma camisola qualquer, fui até o quarto de Alice que ficava ao lado do meu e bati à porta.
– Quem é? – Perguntou.
– Sou eu, a Bella.
– Entre.
Abri a porta e entrei, sem saber exatamente pra onde olhar.
– Eu vim falar com você.
– Pode falar. – Disse num tom tão acolhedor que me deu coragem para encará-la.
– Me desculpa, tá bom? Eu sei que eu sou muito grossa e não meço minhas palavras. Eu não devia ter dito aquilo, você pode fazer moda sim, se é esse o seu sonho então corra atrás, não permita que pessoas azedas e estúpidas como eu ofusquem o seu brilho.
– Ah Bella, eu sabia que você tinha um coração! – Disse vindo até mim e me abraçando, a princípio eu fiquei sem reação, mas depois eu retribuí. – É claro que eu te perdôo.
– Obrigada Alice. Sei que isso não tem absolutamente nada a ver com o momento, mas será que você podia me emprestar uma bota para eu poder trabalhar?
– Qual é o seu número?
– Trinta e sete.
– O meu também, eu te empresto sim. – Disse sorrindo.
– Obrigada.
– De nada. Edward tá arrancando seu coro?
– Nem me fale, ralei feito uma louca ontem e até machuquei o braço.
– É, eu vi hoje mais cedo, foi a vaca né?
– Huhum.
– Você tirou leite da vaca? – Perguntou se segurando pra não rir. – O Edward não existe mesmo.
– Pode rir, foi uma cena hilária mesmo.
– Imagino. Mas ele te ajudou?
– Sim, ele ficou atrás de mim e segurou a minha mão me mostrando o movimento que devia ser feito.
– Own, que romântico! – Disse Alice toda derretida.
– Alice, ele é nove anos mais velho do que eu, eu tenho namorado, somos de mundos completamente diferentes e eu só vou passar três meses aqui, não viaja!
– Mesmo com todas essas coisas contra, eu ainda sinto uma energia muito poderosa entre vocês.
– Você tá é louca.
– Tem certeza?
– Sim.
– Aconteceu mais alguma coisa depois disso?
– Ah, nada demais, nós terminamos de trabalhar e depois tomamos um bom banho de cachoeira.
– Sério?! – Perguntou impressionada.
– Sim, por que o espanto?
– É que todo dia depois do trabalho o Edward dá um mergulho na cachoeira, mas ele não gosta que ninguém vá com ele, sempre quer ir sozinho.
– Ah é? – Perguntei gostando da notícia mais do que deveria. – E foi ele quem me chamou, eu não me ofereci nem nada disso.
– Hum, depois diz que eu estou ficando louca.
– Pode parando, provavelmente foi porque ele viu que eu estava horrorosa e exausta de tanto trabalhar e ficou com pena.
– Se você quer acreditar nisso...
– Bom, agora eu tenho que ir, porque ainda vou falar com os meus amigos e o meu namorado.
– Espera aí que vou pegar a bota pra você.
– Tá legal.
Alice se levantou, abriu o guarda roupa impecavelmente arrumado e em seguida abriu uma enorme gaveta de correr, revelando várias botas.
– Escolha alguma pra você.
Escolhi uma de couro marrom, e Alice me entregou, agradeci, deixei as botas em meu quarto e fui até Carlisle pedir o computador, ele me entregou e disse que pegaria no meu quarto amanhã novamente, minha mãe me ligou e eu falei com ela e em seguida conversei com Jane sobre tudo que estava rolando, ela concordou comigo que tudo isso era extremamente errado e que meus pais não tinham o direito de fazer isso, mas fazer o que né? Essa era a minha vida, mas alegria mesmo foi quando falei com Rosalie, ela disse que seu irmão Jasper e ela queriam viajar pra algum lugar mais tranquilo do que aquela cidade grande, então eu sugeri que viessem para a fazenda de meu pai e ela adorou a ideia. Agora era só tocar no assunto com Carlisle. Jacob não ficou online em momento algum, isso me magoou, a final, ele sabia que eu estaria online durante à noite e à tarde. – Porque eu ainda não havia contado que estava trabalhando. – Por que não entrava para nós conversarmos? Depois de falar um pouco com todos fui dormir, a final o dia seria muito longo amanhã.
Quatro da manhã e lá estava eu de pé novamente, me arrumei e calcei as botas.
– Bom dia Abelhinha. – Disse Edward.
– Bom dia Caipira. – Respondi.
– Vejo que mudou de ideia em relação às botas.
– Pois é.
– O orgulho é grande, mas a dor nos pés é maior ainda, não é?
– Que tal você parar de se meter? – Perguntei com um sorriso irônico.
– A verdade dói né?
– Olha só seu caipira idiota, me deixa em paz, eu estou morrendo de sono e sem um pingo de vontade de fazer qualquer coisa que não seja estar na minha cama, então pare com essa coisa de ficar me provocando.
Edward desceu do Trovão e chegou bem perto de mim, ficando a centímetros do meu rosto.
– Ou o que? – Perguntou provocando.
– Ou... É... – Por que eu não conseguia parar de olhar pra boca dele? Aquela boca tão linda. Droga, eu queria beijá-lo, então simplesmente me afastei. – Vamos trabalhar.
– Vamos. – Disse com um sorriso vitorioso nos lábios. Idiota!
Fui para perto do cavalo e ele me levantou, rapidamente subi no cavalo e ele veio logo depois e nós fomos até o casebre.
– Você ainda quer aprender a andar a cavalo hoje? – Ele perguntou.
– Se eu ainda estiver viva depois de mais um dia de trabalho sim, eu quero.
– OK, sete horas eu te espero no Haras.
– Estarei lá.
Novamente nós fomos até as vacas, tiramos o leite e alimentamos todas, depois levamos todo o leite até a mansão. Alimentamos os outros animais e fomos almoçar, mas hoje Carlisle não estava em casa, segundo a Caipira ele tinha ido resolver algumas coisas em sua empresa e só chegaria à noite, depois do almoço nós descansamos um pouco e à tarde concluímos nosso trabalho por hoje, era engraçado, mas eu ralei muito mais hoje e estava menos cansada do que ontem, não que eu não estivesse cansada, mas era bem menos. Edward e eu fomos à cachoeira dar um mergulho e depois fui para casa, quando cheguei tomei um banho e fiquei contando os segundos até que desse sete horas, quando finalmente chegou a hora me “arrumei” , já que infelizmente eu tinha que calçar aquela maldita bota e amarrei o cabelo em um rabo de cavalo. Graças a Deus a fazenda era muito iluminada e eu fui até o Haras numa boa sem nem mesmo precisar de uma lanterna, Edward já estava lá de calça jeans, botas, chapéu, uma blusa branca justa ao seu corpo e a camisa quadriculada aberta, ele era tão sexy que me deixava louca.
– Olá Abelhinha.
– Olá Caipira.
– Vamos ao estábulo, você pode escolher o seu cavalo.
– Vamos.
Edward e eu fomos ao estábulo que ficava ao lado do Haras, eu olhava cada um dos cavalos atentamente, todos eram muito bonitos e bem tratados o estábulo era enorme e tinha as divisórias de madeira que separava um cavalo do outro, deixando um bom espaço para cada um deles, com bastante feno, comida e água limpa.
– Carlisle disse pra que eu te apresentasse a todos os cavalos para que você pudesse escolher algum que lhe agrade e então ele será seu. – Disse Edward. – Menos o Trovão é claro, esse já é meu.
- Eu gostei muito desse. – Eu disse apontando para um deles.
– Hércules. Ele é um campeão, mas é muito rebelde, tem certeza que quer montar nele?
– Sim, é ele que eu quero. – Eu disse confiante.
– Tudo bem, só tome cuidado pra não cair, ele é muito selvagem.
– OK. Cavalos tem raças ou algo assim?
– Sim, todos os cavalos daqui são de raça.
– O Hércules é o que?
– É um Paint palomino.
– E o Trovão?
– É um Cavalo Árabe preto. E aí? É esse mesmo que você quer?
– Sim.
Edward pegou uma das selas que estavam penduradas no estábulo e entrou no espaço de Hércules que pulava e relinchava para que Edward não o tocasse, percebi nesse momento que ele tinha razão, Hércules era um animal selvagem, mas era ele que eu queria e eu ia montá-lo, ou não me chamaria Isabella Swan.
Quando Edward finalmente conseguiu selar Hércules nós fomos ao Haras. Edward o amarrou na cerca e olhou para mim.
– Antes de qualquer coisa você deve aprender a subir no cavalo.
– Mas é muito alto.
– A Alice é mais baixa do que você e sobe em cavalos até maiores do que esse.
– Tá bom, eu vou tentar.
– Coloque o pé aqui. – Disse Edward indicando o local, eu o obedeci e olhei para ele esperando mais instruções. – Agora coloque as mãos em cima do cavalo, se apóie com toda a força e puxe seu corpo para cima, quando estiver no alto, passe a perna que está livre para o outro lado e pronto, você montou no cavalo.
– Tudo bem.
Fiz o que ele mandou, mas no momento em que me apoiei em Hércules e já estava no ar, pronta para montá-lo ele relinchou e empinou fazendo com que eu caísse pra trás imediatamente, em cima de Edward que me segurou firme.
– Calma, você estava se saindo bem. – Ele disse ao pé do meu ouvido fazendo com que me arrepiasse. – Tente novamente.
Fui novamente, mas Hércules não era fácil e me fez cair de novo, sorte que Edward estava atrás de mim o tempo inteiro para me segurar.
– O segredo pra domar qualquer animal é o auto controle, confie em si mesma, eles sentem quando estamos inseguros ou com medo e aproveitam pra controlar a situação, foco Abelhinha.
– Eu posso fazer isso. – Eu disse mais pra mim mesma do que pra ele.
Respirei fundo e tentei controlar as minhas emoções, imaginando que aquilo não era nada e não ia me machucar, então tomei coragem e fui, mas novamente ele me derrubou.
– Vai de novo. – Disse Edward.
Fui de novo, e de novo, mais umas seis vezes, foi então que mesmo com ele se rebelando eu segurei firme e não permiti que ele me vencesse, e foi assim que consegui montar em Hércules.
– Consegui Caipira, eu consegui!
– Bella, se segura. – Edward avisou.
Antes mesmo que eu pudesse pensar em tomar as rédeas, Hércules empinou e eu caí de costas no chão, ainda bem que ali no Haras não tinha nenhuma pedra nem nada, era apenas o chão de terra impecavelmente firme e uniforme, então eu não havia batido em nada, mas a dor estava grande, eu mal conseguia me mexer.
– Bella! – Disse Edward correndo até mim e se abaixando em minha direção. – Venha, vamos sair de trás dele, é perigoso.
Edward me pegou no colo e me deitou um pouco afastada do cavalo, com a cabeça em seu colo.
– Ai. – Resmunguei.
– Onde está doendo Abelhinha? – Perguntou carinhosamente.
– Tudo. – Respondi com a voz trêmula.
Edward acariciou meu rosto e eu fiquei olhando para ele que também olhava para mim, nós estávamos tão próximos que se rolasse um beijo ali mesmo eu acho que não seria capaz de impedir.
– Vai ficar tudo bem. – Ele disse enquanto se abaixava.
Cacete, ele ia me beijar, ele ia me beijar, ele ia me beijar, se acalme Bella! Mas diferente do que eu esperava que fosse Edward beijou minha testa, um beijo demorado e intenso, eu podia sentir o carinho passando por seus lábios, e isso era surpreendente, porque ele era um cara xucro e grosso.
– É melhor nós continuarmos amanhã. – Ele disse.
– Tudo bem, amanhã as sete a gente se encontra no mesmo lugar.
– Exato.
Edward me ajudou a levantar e nós fomos até o estábulo levar Hércules, eu acariciei seu pelo macio enquanto Edward tirava sua sela, em seguida ele me levou até a porta da mansão.
– Bom, acho que está entregue. – Ele disse e eu sorri.
– É... Acho que sim. – Por que eu não estava com um pingo de vontade de entrar?
– Fale com Emmet sobre essa sua queda, talvez ele saiba lidar com isso.
– Tudo bem.
– Boa noite Abelhinha. – Disse se aproximando de mim.
– Boa noite Caipira. – Respondi.
Edward beijou minha bochecha e em seguida saiu. Toquei o local onde ele havia beijado e sorri. Até que o caipira era um cara legal.
Fale com o autor