Acordei exausta, a final eu não tinha apenas trabalhado no dia anterior, eu trabalhei e ainda por cima tentei cavalgar com Edward, era estranho, mas a vontade de vê-lo superava até mesmo todo esse meu cansaço, fui ao banheiro e me arrumei, com um short de crepe chiffon soltinho e uma blusa de malha com as botas e fui trabalhar com Edward. Na hora do almoço pedi para conversar com Carlisle em particular e ele nos levou a seu escritório.

– Diga.

– É que eu tenho uma amiga que está de férias com o irmão e queria passar algum tempo em um lugar mais no interior, pra interagir com a natureza e os animais, então eu dei a ideia de ela vir passar algum tempo aqui, o que você acha?

– Me parece uma boa ideia. – Disse Carlisle empolgado. – Mais dois adolescentes aqui vão empolgar um pouco essa fazenda.

– Sim, vai ser muito maneiro. – Eu disse sorrindo.

– Eles podem vir sim, vão ser recebidos com toda cordialidade, mas isso não quer dizer que a senhorita vai parar de trabalhar.

– Eu sei, tá tudo bem pra mim.

– Você está gostando do trabalho? – Perguntou com uma alegria evidente em seu tom de voz.

– É claro que não. – Respondi imediatamente.

– Tem certeza?

– Sim.

– Você me pareceu bem empolgada.

– Carlisle, não viaja tá?

– Não é vergonha alguma estar gostando do trabalho Bella.

– Bom, eu já vim te pedir o que eu queria, agora vou trabalhar.

– OK, bom trabalho pra você.

– Obrigada.

Fui até a árvore dos fundos onde Edward gostava de descansar e me deitei ao lado dele, não é que deitar naquele gramado à sombra daquela amendoeira era realmente bom? Acabei pegando no sono e fui acordada por Edward me chamando pra ir trabalhar, nós fomos e quando eram três e meia já tínhamos terminado, mergulhamos na cachoeira e fomos para casa, sete horas eu iria encontrá-lo e não sabia a hora que ia chegar, então pedi o netbook para Carlisle e ele me deu. Rosalie estava online, então avisei que ela e Jasper podiam vir quando quisessem. Ela disse que ia tirar as passagens para essa semana ainda, conversei com algumas outras amigas e nada de Jacob.

Quando eram sete horas entreguei o netbook a Carlisle, mas não disse que ia me encontrar com Edward para cavalgar, não queria platéia e além do mais ele podia ver alguma maldade, fui até meu quarto, me vesti, amarrei meus cabelos em um rabo de cavalo e fui até Edward no Haras.

– Olá Abelhinha. – Disse ele que já estava com Hércules celado para mim.

– Olá Caipira.

– Vamos andar a cavalo?

– Vamos.

Fui para o lado de Hércules e Edward já estava atrás de mim, subi em cima dele com certa insistência, assim como da outra vez, mas agora me segurei.

– Segura firme, como se isso dependesse da sua vida. – Disse Edward.

– Pode deixar.

Segurei as rédeas com força e Hércules começou a empinar, mas eu não ia cair, não hoje. Edward o soltou da cerca e ele começou a correr feito um louco enquanto pulava.

– Não deixe ele te controlar. – Disse Edward. – Controle-o Abelhinha, segure com força e puxe as rédeas, mostre quem manda aí.

Segurei as rédeas com firmeza e as puxei com toda a minha força, imediatamente o cavalo parou, fazendo com que eu quicasse em cima dele.

– Isso Abelhinha, agora bata no traseiro dele pra que ele ande.

– Com força?

– Não precisa, esse cavalo é nervoso, qualquer mínimo incomodo, ele anda.

– OK.

Bati no traseiro de Hércules e ele começou a andar pulando daquele jeito que quase me derrubava, mas eu já havia pegado intimidade com a sensação de estar a um passo de cair, agora eu não tinha mais medo. Continuei cavalgando por mais algum tempo e Edward ia me dando mais alguns toques de como fazer para não cair nem desequilibrar e nós ficamos treinando por muito tempo.

– Acho que já está bom por hoje. – Disse Edward.

– Também acho, você vai me deixar em casa de novo?

– Sim, por que não deixaria?

– Sei lá. – Eu disse sorrindo.

Edward e eu fomos até a porta da casa de meu pai, ao chegarmos vimos tudo apagado, eu estranhei, a final não havia motivo para já estarem dormindo tão cedo.

– Acho que eles já foram dormir Abelhinha. – Disse Edward.

– Mas já? Que horas são?

Edward olhou seu relógio de pulso e arregalou os olhos.

– Meia noite e quarenta.

– Uau, está tarde mesmo.

– Pois é.

– Droga, eu não queria acordá-los, porque Carlisle pensa que estou dormindo, se ele sabe que estava fora até agora não vai mais deixar a gente cavalgar à noite.

– Bom, se quiser pode dormir lá em casa.

– Você deixaria mesmo?

– Claro, por que não?

– Então eu aceito sim. – Respondi.

– Mas ninguém pode saber hein, senão vão brigar comigo. – Ele disse.

– Comigo também, pode deixar que não vai sair daqui.

– Ótimo.

Edward e eu fomos andando até sua casa, que era uns dois minutos andando mais pra cima da cachoeira, até que era uma casa bonitinha por fora, toda telhada, pintada de azul, com uma bela varandinha, nós entramos e me surpreendi ao ver tudo muito bem arrumadinho e cheiroso.

– Você tem uma empregada ou algo assim?

– Não, por quê?

– Sua casa é muito arrumada.

– Agora eu estou de férias na faculdade, mas daqui a três meses vou começar o último período, se você vier aqui de novo depois disso você vai pensar que é outra casa. – Disse sorrindo.

– Mas por quê?

– É que agora eu tenho tempo, mas quando estou estudando não dá mesmo, termino os serviços mais ou menos às cinco da tarde e pego na faculdade as seis, só chego as dez pra acordar as quatro do dia seguinte e fim de semana é cuidando da fazenda também, tudo sozinho, então eu não tenho tempo nem disposição pra arrumar a casa, agora quando estou de férias já é outra história. – Disse sorrindo.

– Mas você não sai e se diverte?

– Só às vezes, mas é muito difícil, não sou muito chegado a movimento, eu gosto dessa vida tranquila do campo, de interagir com os animais, com a natureza. Só saio mesmo quando sinto falta de companhia, pra... – Ele parecia sem graça em dizer.

– Fazer sexo.

– É, exatamente. – Disse sorrindo. – A final, sou homem né?

– Você trás essas mulheres pra cá?

– Às vezes sim, mas como é afastado da cidade geralmente vou pra casa delas ou pra algum motel.

– Você vai à cavalo?

– As vezes, mas geralmente vou de moto.

– Você tem uma moto?

– Tenho.

– E onde ela está?

– Nos fundos da casa. Quer ver?

– Sim.

– Vem comigo. – Disse Edward.

Depois da sala tinha um corredor que tinha duas portas uma de frente para a outra e no final a cozinha que tinha outra porta que ele abriu revelando a varanda dos fundos onde tinha uma máquina de lavar, um lavatório, uma moto velha preta e um cachorro, sim, um cachorro, um vira lata tricolor até bonitinho, que começou a latir assim que me viu, ele levantou para avançar em mim, mas além dele estar preso percebi que ele só tinha três pernas.

– Bela moto. – Eu disse debochando.

– É tudo que eu pude pagar.

– E esse cachorro?

– É o Apsirtos.

– Que nome é esse? – Perguntei sorrindo.

– É o nome do pai da Medicina veterinária.

– Uh, parece grande.

– E é. – Garantiu. – Ele criou uma escola de hipiatras e no final de tudo a obra dele revelou que o domínio sobre o conhecimento prevalecente na prática hipiátrica da época, fora todos os animais que ele salvou depois da guerra contra os povos Samartas do Danúbio, ele é o cara!

– Eu não entendi muita coisa, mas deve ser mesmo. – Eu disse sorrindo. – Agora me fala, onde conseguiu esse cachorro?

– Eu o encontrei na rua há dois anos atrás, ele tinha acabado de nascer e estava no meio da rua encarando a maior tempestade e isso sem saber andar, porque tinha acabado de nascer e não tinha uma das pernas, é um defeito de nascença mesmo, eu estava de ônibus no dia, na mesma hora eu soltei e peguei ele pra mim, desde então ele está aí, é meu amigão, né Apsirtos? – Disse acariciando a cabeça do cachorro e eu sorri.

– Tá muito calor né? – Eu disse meio que naturalmente, mas não soou da mesma forma para Edward que me olhou de um jeito estranho.

– É, Quer tomar um banho de cachoeira?

– Eu até aceito, mas vai ter que ser sem a minha roupa de cima, porque senão não vou ter o que vestir depois.

– Você toma banho assim todo dia mesmo. – Disse numa boa.

– Tudo bem então. – Eu disse tirando as botas e em seguida o short e a blusa, ficando apenas com a calcinha e o sutiã vermelhos de renda.

– Por que você usa essas roupas íntimas hein? As vezes eu posso jurar que é só pra me provocar.

Nem eu sabia porque andava fazendo isso, talvez o motivo fosse esse mesmo, mas isso era algo que eu jamais diria em voz alta.

– Eu só ando com roupas boas, até mesmo aquelas que ninguém pode ver. – Garanti. – Agora por que você não tira a sua também hein Cowboy?

– Hum, o Caipira foi promovido a Cowboy? – Perguntou sorrindo. – Acho que estou bem.

– Uma vez Caipira, sempre Caipira, mas é claro que você também é um Cowboy.

– Vamos logo, antes que fique ainda mais tarde.

– Vamos. – Respondi.

Edward tirou toda sua roupa, ficando apenas de boxer. Nós descemos até a cachoeira e entramos, mesmo estando de noite a água estava uma delícia, ali tinham alguns postes de luz improvisados, mas que eram muito bonitos, deixando apenas uma luz fraca. Mergulhei até Edward e parei bem perto dele.

– Eu me sinto em dívida com você. – Eu disse.

– Por quê? – Perguntou confuso.

– Porque você está me ensinando a montar e eu aqui sendo sempre tão grossa e ríspida. Eu fico me perguntando se tem alguma coisa que eu possa fazer por você. – Sério mesmo que eu estava dizendo isso? Edward ia achar que eu era uma vadiazinha qualquer.

– Pra mim já basta você ser menos sincera e ignorante com a minha família, assim, comigo eu nem ligo, sei me cuidar muito bem, mas não sabe o quanto parte o meu coração quando começa a ofender minha irmã e a minha sobrinha.

– Edward, eu não gosto da sua irmã, respeite isso.

– Você tem todo o direito de não gostar da minha irmã, mesmo não tendo nenhum motivo, eu só não admito que fique falando coisas para magoá-la.

– E desde quando ela se importa com o que eu digo ou deixo de dizer? A única coisa que importa pra ela é o meu pai e mesmo assim porque ele é rico.

– Nunca mais repita isso. – Disse Edward irritado. – Minha família nunca teve muito dinheiro e eu sei disso, mas todos nós somos muito íntegros.

– Diga por você, porque ao menos eu não coloco minha mão no fogo por ninguém.

– Porque você é assim, desconfiada, não dá uma chance pras pessoas te mostrarem o que elas são e nem mostra pra elas quem você é, só se importa em colocar essa máscara pra fingir que é forte, mas ambos sabemos que não é bem assim.

– É que eu me sinto tão mal. – Eu disse com os olhos lacrimejando. – Eu só queria ter uma família normal, assim como as minhas amigas.

– Ah Abelhinha. – Disse me abraçando. – Nem tudo na vida é do jeito que a gente quer, você preferia ter uma família normal e que fosse só de fachada? Queria que o casamento dos seus pais fosse em cima de traição e mentiras?

– Não.

– Pois então, seus pais são seres humanos e todos estão propensos a mudar, a se apaixonar de novo e de novo, quando não estamos mais felizes, temos que deixar pra lá e correr atrás do que traga a felicidade, é assim que as coisas funcionam.

– Mas e o amor? Meu pai esqueceu isso, esqueceu do amor que sentia pela minha mãe e por mim, se é que já existiu algum amor, largou tudo por uma mulher que ele mal conhecia. Eu não consigo perdoar.

– Seu pai se separou da sua mãe, o relacionamento deles não deu certo, mas você é filha dele, a única filha, esse amor é incondicional.

– Mas a última vez que o vi antes de vir pra cá foi quando eu tinha nove anos, você acha que um pai que realmente ama uma filha vai abandoná-la durante todo esse tempo? Me perdoe, mas eu não acredito.

– Por que não tenta conversar com ele? Tenho certeza que Carlisle te ama demais, ele sempre fala de você, não seja má, tente ser um pouco mais madura e entendê-lo.

– Só fica comigo, vamos deixar isso pra lá. – Eu disse me aninhando ainda mais em seus braços fortes.

Nós ficamos mais algum tempo ali, apenas abraçados, mas depois saímos e fomos direto para a casa dele.

– Onde é o banheiro? – Perguntei.

– Na porta da direita do corredor.

– Posso tomar um banho?

– Claro, vou pegar uma toalha pra você.

– Obrigada.

Peguei minha roupa seca, entrei no banheiro e esperei, rapidamente Edward me entregou uma toalha amarela, tão macia quanto algodão, passei o rosto nela com os olhos fechados, depois fui até o Box e tomei um banho rápido, em seguida me sequei com a toalha e vesti apenas a minha roupa de cima, quando saí Edward estava todo molhado e de boxer na varanda. Fui até onde ele estava e pendurei minha calcinha e meu sutiã no varal.

– Posso ir ao banheiro? – Perguntou.

– Sim, eu já terminei.

– Vou tomar meu banho rapidinho, fique à vontade.

– Tudo bem, obrigada.

– De nada. – Disse Edward entrando.

Cacete, cacete, cacete, cacete! O que eu estava sentindo por ele? Edward estava realmente mexendo comigo de uma forma que nem eu mesma sabia explicar, e esse sentimento me incomodava, cada vez que ele encostava em mim o mínimo que fosse eu sentia uma necessidade louca de mais contato. Eu tinha que segurar esse fogo todo de alguma forma, porque bem ou mal eu tinha um namorado e além do mais olha pro Edward, um caipira solitário, nove anos mais velho, que não se compromete com mulher alguma e que não sente absolutamente nada por mim a não ser pena por eu ser uma garota tão amarga. Em que merda eu estava me metendo?

– Um dólar por seus pensamentos. – Disse Edward chegando ao meu lado.

– Estava pensando um pouco nos meus sentimentos.

– Em relação ao que?

– Ao meu namorado.

– Namorado? – Por que ele parecia incomodado com isso? Devia ser impressão minha. – Você tem um namorado?

– Sim.

– E você gosta dele?

– É... Gosto. – Eu disse pensativa.

– Por que essa resposta não me convenceu muito?

– Eu não sei, eu achava que gostava muito do Jacob, a gente já namora há quase dois anos, ele foi o meu primeiro namorado, o único cara que eu já beijei e sempre pensei que fosse muito apaixonada por ele, mas agora eu ando tão confusa e não tem nem uma semana que eu cheguei, isso não é certo.

– Mas o que anda te deixando tão confusa?

– Um cara aí.

– E você anda gostando dele?

– Mais do que deveria. – Confessei.

– Eu te perguntaria quem é, mas acho que seria muita cara de pau da minha parte não é?

– Não seria, mas eu não responderia.

– OK, eu mereci essa. – Disse sorrindo – Está com fome?

– Bastante.

– Vou preparar algo pra gente comer.

Disse Edward indo até a cozinha e eu fui atrás dele que agora mexia na geladeira procurando algo pra preparar.

– Quer jantar ou lanchar?

– Com a fome que eu estou, só uma janta mesmo. – Eu disse sorrindo.

– OK. Quer frango ou carne?

– Frango.

– Arroz ou macarrão?

– Macarrão.

– Ah, vou fazer um macarrão com frango e queijo que a minha mãe me ensinou enquanto ainda era viva, é minha especialidade.

– Hum. Gostei da ideia.

Edward foi na varanda, pegou lenha e acendeu o fogão, comidinha na lenha era uma delicia, ainda mais na panela de barro como ele estava fazendo. Ao terminar Edward e eu jantamos, a comida realmente era deliciosa.

– Vamos dormir agora? – Ele perguntou. – Porque amanhã tem mais trabalho.

– Vamos sim. – Respondi.

– Lá no meu quarto tem uma cama de casal, você dorme lá bem à vontade e eu fico aqui no sofá.

– De jeito nenhum. – Respondi imediatamente. – Se a cama é de casal nós vamos dormir juntos.

– Ah Abelhinha, eu não sei se é uma boa.

– Por quê? A gente só vai dormir, mais nada, qual é a maldade nisso?

– Não é só pela maldade, é que um homem e uma mulher que não tem nenhuma relação amorosa não devem dormir na mesma cama.

– Pare com isso, vamos dormir logo que amanhã acordamos cedo.

– Abelhinha...

– Por favor. – Pedi. – Nós já tomamos banho de cachoeira em trajes íntimos, isso não é nada.

– Tá bom, mas novamente eu te peço, não comente com ninguém.

– Pode deixar. – Eu disse sorrindo.

Edward e eu fomos para o quarto dele e nos deitamos em sua cama macia, algum tempo depois, quando ele já dormia, inconscientemente ele me envolveu com seu braço, e foi assim que adormeci, de conchinha com o cowboy.

Notas finais
E aí? O que acharam? Não esqueçam de comentar e se quiserem recomendar também. Eu criei um blog pra postar as fotos de tudo que eu quiser mostrar a vcs nas minhas fics, tudo vai ser postado de acordo com o capítulo.Quem quiser entrar e votar na enquete será muito bem vindo. O endereço é:
http://mariacarolinefanfics.blogspot.com.br/
P.S.: Quem quiser que eu divulgue a fic que escreve por lá é só pedir e eu faço com o maior prazer :)