O Cowboy
2 Nova casa
Notas iniciais
Eu estava dentro do avião, não conseguia parar de pensar nem um minuto sequer em toda a vida que estava deixando para trás, tudo bem que eram apenas três meses, mas muitas coisas podiam acontecer nesse curto período de tempo. Eu temia por Jake, pela minha mãe naquele local perigoso, pela minha tia doente, por mim perto de pessoas que eu não gosto, mas o que eu podia fazer? A decisão já estava tomada, eu já estava no avião rumo ao Texas, agora era esperar e contar cada dia até que aquela tortura terminasse.
Quando cheguei ao aeroporto lá estava meu querido papai com um sorriso idiota no rosto segurando uma placa idiota que dizia “Isabella Swan”. Fui até ele rebolando e com o nariz empinado em meus óculos escuros e meu salto 15.
– Isabella! – Disse com um brilho que me parecia extremamente forçado no olhar. – Você está tão crescida!
– Me poupe desse seu discurso ridículo de papaizinho amoroso. E por favor, não me chame de Isabella, gosto de Bella. – Eu disse sem me importar em ser muito educada.
De repente seu semblante de “papai feliz por rever a filhinha amada após anos” deu lugar a um triste, ele podia não gostar de mim, mas definitivamente minhas palavras o pegaram de alguma forma.
– Bella, eu...
– Podemos ir para casa? Eu odeio esse aeroporto. O Texas é uma cidade imunda. Então vamos logo pra sua casa, já que é rico acredito que seja um lugar descente em meio a todo esse chiqueiro.
– Vamos. – Disse visivelmente triste.
O empregado de meu querido papai pegou todas as minhas malas, coitado, esse ralou! Fomos à Hill Country, lugarzinho onde ficava a fazenda gigantesca, na qual mesmo após cruzarmos os portões da propriedade continuamos trilhando um longo percurso com o carro em uma estrada de terra com muitas árvores em volta, o verde predominava em tudo ali, logo paramos em frente à enorme e luxuosa casa, eu não gostava do meu pai, mas tinha que admitir que ao menos sua residência era muito bonita, nós entramos e o empregado começou a descarregar o carro com a ajuda de outros dois, já que minhas malas eram muitas. Até que as coisas não estavam correndo tão ruins, até que ela apareceu, a caipira idiota que causou tudo isso.
– Isabella? – Perguntou ela com um sorriso estúpido no rosto. – Lembra de mim? Esme.
– Você acha mesmo que eu ia esquecer a cara da caipira que fez o meu pai abandonar a mim e a minha mãe? E só pra constar, me chame de Bella, apenas Bella.
– Bella, por favor, já se passaram oito anos, por que você simplesmente não supera? – Perguntou Carlisle.
– Porque você me abandonou. – Eu disse o acusando.
– Você disse que não queria me ver.
– Mesmo assim, você nem mesmo tentou ir falar comigo, estava pouco se lixando, a verdade é que desde que começou a namorar essazinha aí – Eu disse olhando para Esme com desdém. – esqueceu completamente da sua filha.
– Eu não vou ficar aqui discutindo com você, até mesmo porque eu sei que você já tem uma opinião formada sobre mim e não vai ser uma conversa de uma noite que vai fazê-la mudar de ideia, mas eu tenho três meses pra te provar que está errada e pra te mostrar que nós podemos sim ser como éramos antes de eu terminar com a sua mãe.
– Boa sorte. – Eu disse sem dar muita atenção a ele. – Onde fica o meu quarto?
– Esme, mostre o quarto à Bella. – Disse Carlisle.
– Não. – Eu disse imediatamente. – Qualquer um menos ela.
– Eu posso te mostrar a casa. – Disse uma caipira baixinha de cabelos espigados que devia ter aproximadamente a minha idade.
– OK. – Eu disse imediatamente, qualquer um era melhor do que Esme.
Nós subimos em passos lentos e a baixinha abriu a porta que revelou um quarto rosa lindamente decorado que tinha a minha cara, eu tinha adorado tudo ali, mas é claro que não ia deixar transparecer absolutamente nada para Carlisle e muito menos pra caipira.
– E aí? Gostou? – Perguntou a baixinha ao meu lado.
– É... Dá pro gasto. – Eu disse esnobando.
– Eu estava tão ansiosa pra que você chegasse. – Disse empolgada. – Sou Alice. – Ela estendeu a mão e eu apenas acenei com a cabeça ao ver que sua mão estava suja de terra. – Ah, mil perdões, eu estava ajudando o Edward com a plantação de milho.
– Hum, você é empregada daqui?
– Não, sou filha da Esme.
– Ah, então a caipira tem uma filha. – Eu disse impressionada.
– Não fale assim da minha mãe e ela tem dois filhos, eu e o meu irmão Emmet. – Disse com o cenho franzido.
– Se não gostou não precisa ficar pra ouvir, estou dizendo exatamente o que penso sobre ela, se quiser posso falar ainda mais.
– Hei, baixa a guarda cara, assim você não vai conseguir se divertir nunca.
– E quem disse que quero me divertir aqui nesse fim de mundo?
– Aqui pode não ser tão movimentado quanto no lugar onde você mora, mas te garanto que temos muitas formas de nos divertir. – Disse simpática. – Quer sair hoje?
– Não, obrigada. – Eu disse sorrindo irônica.
– Mas Bella, vai ser legal, hoje tem uma festinha na vizinhança, é aniversário da Tânia Denali.
– Como se eu quisesse saber quem é essa pessoa.
– É a rainha do milho há cinco anos consecutivos, esse ano eu vou poder competir, não que eu ache que vá ganhar, mas...
– Você não vai ganhar. – Garanti.
– Nossa. – Disse com o olhar triste. – Não precisava ser tão sincera né?
– Que seja, não vou à festa alguma, muito menos com você, mal te conheço.
– Pare de besteira, vai ser muito legal! – Disse sem perder o humor, meu Deus! Essa garota não cansava? Eu estava sendo fria e grossa, mas ela não largava do meu pé!
– Não, eu acabei de chegar e além do mais, eu já disse que não quero sair por aí nessas ruas cheias de vaqueiros loucos, vou acabar sendo molestada.
– Molestada? – Perguntou e depois gargalhou exageradamente, até roncou enquanto ria, essa garota precisava de uma reforma geral pra ontem. – A gente vai com o meu irmão Emmet, de Jipe. E provavelmente vamos encontrar o Edward lá também.
– Quem é Edward? Seu namorado?
– Ai, eca! – Disse sorrindo. – É meu tio.
– Irmão da caipira?
– Irmão da minha mãe. – Disse com os olhos arregalados.
– É, dá no mesmo. O que um velho vai fazer em uma festa para jovens?
– Ele não é velho, tem 26 anos.
– Hum.
– Mas e aí? – Perguntou empolgada. – Nós vamos ou não?
– Ô miniatura de anã, não enche. – Eu disse irritada.
– Por favor Bella, por favorzinho.
– Bella. – Gritou Carlisle do primeiro andar. – Venha jantar conosco, Esme fez um bolinho pra você!
– Eu vou com você. – Eu disse à Alice fazendo com que ela abrisse um sorriso de orelha a orelha.
– Eba! – Disse dando pulinhos de alegria. – Vou ter companhia de uma amiga pra ir à festa! Você vai passar três meses aqui né? Já sei! A gente pode fazer o cabelo uma da outra e a maquiagem, aí de manhã a gente pode ir tirar leite quentinho da vaca, ai, vai ser tão legal!
– Hei, não viaja. – Eu disse imediatamente. – Nunca, em hipótese alguma, jamais vou deixar você tocar no meu cabelo e nem me maquiar, quanto a tirar o leite da vaca acho que nem preciso dizer que não vai rolar né?
– Por que é tão mal humorada?
– Não sou mal humorada. – Respondi. – Só tenho toda uma vida lá onde eu moro, vida na qual eu tenho que abandonar por três meses pra ficar aqui no fim do mundo, com o homem que abandonou a mim e a minha mãe pra cair nos braços de uma caipira idiota.
– Hoje ainda é o primeiro dia da sua estadia, posso apostar como quando sair daqui vai estar com uma mente completamente diferente do que está agora.
– Se você acha... – Eu disse duvidando. – Que horas vai ser essa maldita festa?
– Daqui há uma hora.
– UMA HORA?!
– Sim, por que todo esse espanto? – Perguntou confusa.
– Como vamos nos arrumar a tempo?
– Mas é só colocar uma roupa qualquer Bella.
– De jeito nenhum! Eu não uso “Uma roupa qualquer” nem pra ficar em casa. Vá tomar um banho, daqui à uma hora te encontro na sala.
– Tudo bem. – Disse a miniatura de anã saindo do quarto.
Corri até o banheiro, tomei um banho rápido e depois fiquei naquela duvida mortal de qual roupa usar, até que finalmente me decidi, me arrumei o mais rápido possível e depois desci até a sala onde Alice já esperava impaciente em uma calça jeans surrada, uma camisa xadrez amarrada na cintura, botas e uma maquiagem mal feita. Ela não estava das melhores, mas pela hora não ia dar pra ajeitar nada, ainda bem que não estava na Califórnia, porque que vergonha eu ia passar em andar com uma garota jeca desse jeito, mas fazer o que? Era isso ou comer o bolo da caipira.
– Vamos? – Perguntou.
– Vamos. – Respondi. – Mas cadê o seu irmão com o jipe?
– Está nos esperando lá do lado de fora.
– Então vamos.
– “Vamos” aonde? – Perguntou Carlisle chegando na sala.
– Não te falei sobre a festa da Tânia Denali, Carl? – Carl? Meu pai mudou mesmo!
– Oh sim, sua mãe tinha deixado você ir.
– Exatamente. – Afirmou a baixinha. – É pra lá que nós vamos.
– Acontece que a dona Bella não me pediu.
– E precisa? – Perguntei. – A gente vai de carro com o irmão dela, que perigo isso pode oferecer? Sinceramente? É mais perigoso eu ficar aqui comendo o bolo da sua querida esposa.
– Tudo bem Bella, vá à festa, espero que se divirta. – Disse Carlisle ignorando minha alfinetada.
– Obrigada. Vamos miniatura. – Eu disse à Alice e nós saímos da casa.
Não precisamos andar muito até chegar ao jipe do irmão dela.
– Olá Isabella...
– Bella. – Eu disse imediatamente. Por que todo mundo naquele lugar tinha que me chamar de Isabella?
– Muito prazer Bella. – Disse Ele começando novamente após ser interrompido. – Meu nome é Emmet, sou filho da Esme, espero que possamos ser bons amigos.
Eu tinha que confessar que esse cara tinha um charme, ele era bem alto e musculoso, do tipo que dá uns três de qualquer homem normal e não andava todo largado como os caipiras daqui, ele tinha estilo, parecia um dos caras da Califórnia.
– Você mora aqui? – Perguntei.
– Sim. Por quê?
– Porque é muito diferente das pessoas desse lugar.
– É que ele passou pra medicina, agora tá assim, todo mudadinho. – Disse Alice visivelmente incomodada.
– Alice não gosta do fato de eu ter começado a me vestir melhor agora, é que todo mundo na minha faculdade se veste assim, eu só me adaptei.
– Mas o Edward faz faculdade e nem por isso teve que mudar.
– O Edward faz veterinária, eu faço medicina, pra quem cuida de bicho ele está muito bem. – Disse Emmet sorrindo e Alice acabou o acompanhando na risada.
– Faz sentido. – Disse ela.
– Vamos à festa? – Perguntei.
– Vamos. – Disseram empolgados.
Entramos no Jipe e fomos para a tal festa da Rainha do milho, ao chegarmos todos olharam para mim, tanto homens quanto mulheres, talvez fosse porque eu estava muito bonita, ou porque eu estava diferente de todos, eu achava que era pelos dois motivos.
A tal de Tânia que estava completando vinte e três anos também me encarava como se eu fosse algo de matar, estava claro que ela não gostava de mim, eu estava percebendo que já tinha uma concorrente pela região, ao menos na Califórnia as minhas concorrentes chegavam perto de ser como eu, agora essa, definitivamente passava muito longe, era bonita, mas não tinha aquele algo mais.
Eu estava andando pela maldita multidão de caipiras pra encontrar Emmet e Alice que por algum motivo se perderam de mim, foi então que um idiota tropeçou e deixou sua cerveja cair em mim.
– Me perdoe moça, foi sem querer. – Disse o cara, eu ainda não tinha o visto, mas sua voz era aveludada e máscula ao mesmo tempo, mas isso não foi o suficiente para esquecer da cerveja na minha roupa.
– Não vê por onde anda não idiota? Me sujou toda, caipira distraído. – Eu disse finalmente o olhando e uau, ele conseguia ser ainda mais bonito do que sua voz, meu coração pulsou forte.
– Deixa de ser grossa menina, eu falei numa boa com você. – Disse irritado.
– O problema é seu, minha roupa era nova e você a estragou.
– Eu já disse que foi sem querer, mas se esse é o problema eu pago uma roupa nova pra você.
– Eu não quero nada de você, além do mais tenho certeza que não poderia pagar mesmo.
– Patricinha nojenta.
– Caipira estúpido.
O cara lindo e idiota saiu irritado porta a fora e então finalmente encontrei Alice e Emmet que estavam procurando aquele parente deles, o tal de Edward.
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