O Cowboy
3 Caipira idiota
Na festa tinha muito milho, cachorro quente, pamonha, entre outras coisas, tudo muito farto, fora a música country que tocava sem cessar, Alice e Emmet não conseguiram encontrar o tio deles, e eu só dava graças a Deus, porque mais um caipira por perto falando sem parar assim como eles faziam já era demais.
– Vamos embora? – Perguntou Alice depois de algum tempo. – Estou com muito sono.
– Eu queria ficar mais um pouco. – Disse Emmet.
– E você Bella? – Perguntou Alice.
– Eu já vim com vontade de ir.
– Então vamos logo Emmet.
– Ah, tá bom. Vamos.
Nós fomos para casa e lá estavam Carlisle e a caipira assistindo TV, abraçadinhos, nojo!
– Olá crianças. – Disse Esme. – Se divertiram?
– Muito mamãe. – Disse Alice sorridente.
– Sim, a festa estava maravilhosa, eu queria ficar, mas elas quiseram vir. – Falou Emmet.
– E você Bella? Gostou? – Perguntou tentando ser simpática e eu apenas subi para meu quarto a ignorando.
Tomei um banho rápido e depois peguei meu netbook que eu havia pego escondido quando estava arrumando as malas e liguei torcendo para que ali tivesse wi-fi e tinha, só que precisava de senha.
– Alice. – Gritei.
– Oi? – Ela perguntou de algum lugar da casa.
– Qual é a senha dessa bosta de wi-fi?
– Família feliz. – Respondeu.
– Ah, que lindo. – Eu disse debochada.
Digitei a senha estúpida e conectei a internet, entrei no skype e lá estava Jane, minha melhor amiga.
Eu: Janeeeeeeeeeeeee!
Jane: Bellaaaaaa! Que saudades!
Eu: Vamos falar por vídeo.
Jane: Minha web cam caiu hoje mais cedo e quebrou, vou comprar outra amanhã.
Eu: Ai amiga, estou penando aqui, esse lugar é horrível! Quero voltar pra casa =/
Jane: Tomara que toda essa lama daí não estrague suas unhas.
Eu: Nem fala, sério, depois dessa a minha mãe vai ficar em dívidas eternas comigo :@
Jane: Eu não queria estar no seu lugar amiga, rs.
Eu: Acho que nenhuma pessoa em sã consciência queria.
Jane: Mas e as pessoas daí? São legais?
Eu: São nada, a caipira tem dois filhos, acredita?
Jane: Deixa eu adivinhar, dois caipiras mirins.
Eu: Não exatamente, tem um garoto chamado Emmet que deve ser um pouco mais velho que a gente, ele faz medicina, é todo fortão e se veste bem, mas por outro lado tem a Alice, uma anãzinha de jardim mais caipira que a própria mãe, ela se veste mal, tem as unhas mal feitas, o cabelo desidratado, é a pessoa mais risonha que eu já conheci e ela ri horrorosamente mal, ela ronca!
Jane: Que nojo! Se eu fosse você passaria o dia inteiro trancada no quarto pra não se misturar com essas pessoas.
Bella: Pois é, eles ainda me obrigaram a ir a uma festa de uma tal de Tânia, que pelo que eu saquei é a “garota sensação” daqui, ela foi rainha do milho por cinco anos consecutivos e se acha a gostosona, mas é tão caipira quanto essas pessoas daqui, a festa foi terrível, as pessoas ficaram me secando e ela ficou em encarando com aquela cara de ódio, acho que já tenho uma inimiga. Hahahahaha.
Jane: “Rainha do milho”? Isso pode ser chamada de concorrente? kkkkkk Coitada.
Eu: Pois é, essas pessoas daqui só me fazem rir.
O telefone que estava na mesinha do criado mudo tocou e eu olhei indecisa entre atender ou não atender, então resolvi atender.
Eu: Estão ligando aqui. Daqui a pouco eu volto.
Jane: Tudo bem.
Atendi e era minha mãe que disse o quanto sentia minha falta, eu apenas reclamei falando sobre a roubada que ela havia me metido, depois do telefonema voltei ao skype e conversei mais um pouco com Jane, depois com Rosalie, e por último com Jake que por um acaso ficou online. Fui dormir tarde da noite e fui acordada por um galo estúpido que não parava de gritar, mas mesmo assim continuei na cama, cochilando ocasionalmente, até que finalmente criei coragem e me levantei, mais um dia estava por vir. Tomei um banho e desci.
– Boa tarde. – Disse Carlisle sorrindo.
– Que horas são? – Perguntei.
– Onze e meia.
– Hum.
– O almoço está pronto para ser servido senhor Carlisle. – Disse a empregada.
– Obrigado Emily. Vamos almoçar Bella?
– Mas eu acabei de acordar.
– Já é hora do almoço.
– Eu almoço duas horas da tarde. Agora é hora do meu café da manhã.
– Tudo bem, faça como achar melhor então.
Fui até a cozinha e comi um sanduíche natural com suco de laranja, depois escovei os dentes, beleza, agora eu simplesmente não tinha o que fazer.
– Sabe andar a cavalo? – Perguntou Alice chegando ao meu lado.
– Não e nem quero aprender.
– O que você vai fazer então?
– Ah, sei lá, acho que vou passear um pouco pela cidade, quem sabe não tem alguma coisa que preste por aqui?
– Ah, eu conheço alguns lugares legais por aqui, quer que eu te leve?
– Não, eu quero ir sozinha.
– Mas Bella...
– Sozinha. – Repeti e Alice ficou calada.
– Dá pra me emprestar um carro? – Perguntei chegando ao lado de Carlisle.
– Você tem carteira de motorista?
– Sim, eu ganhei de presente da minha mãe de 16 anos.
– Tudo bem então, mas leve sua habilitação.
– OK.
Fui até meu quarto, peguei a habilitação e minha bolsa, peguei a picape de Carlisle e fui até a cidade, ao chegar no centro, estacionei e fiquei apenas andando por lá, observando as roupas, sapatos e acessórios, alguns de bom gosto, mas em geral tudo no estilo do lugar mesmo, foi então que resolvi ir ao mercado para comprar algumas coisas de uso pessoal, ao virar o corredor bati o carrinho no de outra pessoa que estava andando rápido, então meu carrinho voltou com tudo pra cima de mim e eu caí no chão.
O cara imediatamente veio até mim e me ajudou a levantar, foi quando nossos olhares se cruzaram que percebi de quem se tratava, o caipira bonitão da festa de ontem, que derrubou cerveja em mim.
– Você! – Dissemos juntos.
– É um idiota mesmo, não viu que eu estava passando? – Perguntei. – E pra que correr tanto em um mercado?
– É porque eu tinha visto um caixa vazio, queria chegar antes que outra pessoa viesse, mas agora já era. Eu não me lembro de ter visto essa garota grossa que está aqui na minha frente em algum outro lugar pela cidade. Ontem foi a primeira vez.
– Não sou daqui.
– Eu sei, a cidade é pequena, eu conheço todo mundo.
– Que bom pra você. Mas se me dá licença, tenho mais coisas a fazer.
– Grossa. – Ouvi o caipira murmurar, mas apenas o ignorei.
Comprei as coisas e em seguida fui para a casa de Carlisle, entreguei a chave do carro e guardei minhas coisas, almocei e passei parte da tarde sentada na varanda apenas observando o dia passar e torcendo para que ninguém me visse, quando já estava escuro eu entrei para tomar um banho e subir para meu quarto, mas quando estava subindo as escadas uma voz conhecida tomou conta do ambiente como música aos meus ouvidos.
– Esme, já terminei o serviço por hoje. – Quando olhei para ver de quem se tratava lá estava ele, o caipira.
– O que faz aqui caipira estúpido? – Perguntei descendo as escadas novamente.
– O que VOCÊ faz aqui patricinha nojenta? – Perguntou tão confuso quanto eu.
– O que está acontecendo aqui? – Carlisle perguntou nos encarando enquanto esperava uma resposta.
– Esse cara derramou cerveja em mim ontem na festa e quase me atropelou com o carrinho de compras hoje mais cedo.
– As duas vezes foram sem querer, mas você é tão ignorante que nem aceitou minhas desculpas. – Disse o cara se defendendo.
– Que seja, eu só quero saber o que você está fazendo aqui.
– Edward. – Disse Alice chegando na sala. – Deu o remédio à Mimosa?
– Dei sim. – Ele respondeu.
– Ah, então você que é o Edward? – Perguntei. – O irmão de 26 anos da caipira?
– Por que você não para de chamar as pessoas de caipira? Hein garota? Vira o disco. – Disse Edward irritado. – E sim, sou irmão da Esme e tenho 26 anos. Mas e você? Ainda não respondeu o que faz aqui.
– Ela é a minha filha Edward. – Disse Carlisle.
– O que?! – Perguntou Edward boquiaberto. – Aquela menininha fofa se tornou essa abelha raivosa?
– Não sou uma abelha raivosa. – Eu disse irritada.
– Tá aí, gostei do apelido, Abelhinha, é assim que vou chamá-la daqui pra frente.
– Bella! – Eu disse irritada. – Eu posso estar enganada, mas acho que me lembro vagamente de você.
Puxei na memória no dia que conheci Esme, foi antes de meu pai se separar de minha mãe, ele apresentou a caipira como uma amiga e ela tinha ido com um irmão adolescente que ficou brincando comigo, sim, era ele, o caipira idiota!
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