O Cowboy

34 E tudo começa a se acertar.


Minha semana seguinte foi exaustivamente monótona, eu acordava cedo todos os dias, já que me acostumei a isso, minha mãe e Charlie ficavam em sua bolha de amor e afeto, tentando ao máximo não me deixar excluída, quando eu via que o que eles mais queriam era me deixar ali e ficarem um pouco sozinhos, não os culpo, afinal quem não gosta de namorar? A culpa não era deles se o meu namorado estava longe. Edward e eu conversávamos todas as noites quando ele terminava o serviço na fazenda nova na qual ele trabalhava, segundo ele ali era mais fácil de cuidar, porque além da fazenda ser bem menor, o dono não tinha muitos animais e plantas, além do fato dele ajudar Edward, sim, era um velhinho, mas botava a mão na massa e ajudava Edward com os afazeres mesmo sendo o dono de tudo e estar pagando para isso. Edward me perguntava sempre sobre como eu estava me sentindo e se eu sabia se estava grávida, eu disse que esperaria ao menos duas semanas para fazer o teste de farmácia, já que o sanguíneo eu teria que levar minha mãe junto e eu não queria isso, mas mesmo assim, eu tinha certeza que estava, era como um pressentimento. Não contei a minha mãe sobre essa coisa de gravidez, senão ela surtaria, não pela gravidez em si, mas por nós fazermos isso por livre e espontânea vontade, mas eu não me importava com o que diriam. Essa coisa de se engravidar quando se é nova tem mais a ver com o fato de geralmente a menina ficar na casa dos pais, jogando toda a responsabilidade para cima deles, também por geralmente os romances adolescentes não passarem de algo momentâneo, ambas as opções não eram o meu caso. Eu ia para a casa de Edward de qualquer forma daqui a oito meses, nosso filho não dependeria dos meus pais e também era óbvio o quanto o nosso sentimento não era apenas fogo de palha. Algumas pessoas vêem na idade um empecilho para se ter um filho, já eu vejo a maturidade e a responsabilidade, afinal, idade são apenas números, eu sou mais de vinte anos mais nova que minha mãe, mas milhões mais velha quando se trata de responsabilidade e estabilidade. Então posso afirmar com todas as letras para quem quiser ouvir, sou apta para criar um filho sim! E melhor do que muita mulher de trinta anos, formada e de boa profissão.

A outra semana passou igualmente arrastada, na verdade pareceu demorar ainda mais para passar, só que minhas esperanças estavam aumentando ainda mais, porque eu estava excessivamente cansada, meus seios pareciam levemente maiores e latejavam muito, como se estivessem lutando para mais espaço em minha pele, eu sentia vontade de fazer xixi o tempo inteiro, fora as câimbras e dificuldades respiratórias que eu não costumava ter já que sempre fui tão atlética e elástica, também me sentia enjoada ocasionalmente, mas não ao ponto de vomitar, todas essas coisas começarem a aparecer em duas semanas não eram normais para alguém que não estivesse grávida. Charlie ainda estava lá, o que eu estava achando estranho, já que ele gostava tanto de viajar, na verdade ele estava tentando convencer minha mãe à uma viagem para Machu Picchu. Ela estava recusando, mas eu sabia que era tudo uma encenação, e que ela estava louca para ir, só que eu estava atrapalhando. Nunca me senti como um encosto na vida da minha mãe, mas agora, ainda que ela não verbalizasse isso, eu sentia que estava sendo.

Na primeira semana eu me encontrei bastante com os meus amigos no shopping, na verdade todos os dias da semana, pegamos um cinema e nem preciso dizer que praticamente todos os meus amigos homens deram em cima de mim, agora que o Jake e eu não estávamos mais juntos e o meu atual namorado, apesar de morar em um estado vizinho ao meu, ainda estava muito longe. Só que é claro, eu não dei nenhuma chance a nenhum deles. Jane também comparecia aos nossos encontros, mas éramos um grupo gigantesco, então ela apenas ficava em uma ponta e eu em outra, ocasionalmente a vadia tentava puxar assunto, mas eu a ignorava totalmente. E as outras líderes conversavam empolgadamente comigo, como se eu fosse “A top”. Elas sempre faziam isso, mas agora isso soava tão esquisito e ridículo, parecia que estavam implorando pela minha atenção e isso definitivamente não era legal, elas precisavam se dar mais valor. Aquele mundo definitivamente não me pertencia, nem à Rose, nós não éramos Barbies perfeitas como essas meninas tentavam ser. Mas apesar dos pesares, até que era legal sair com eles, não como antes, porém era melhor do que ficar em casa segurando vela da minha mãe e do Charlie.

Em um dos dias nos quais fomos ao shopping. No primeiro sábado depois que Edward voltou para o Texas, nós estávamos andando sem destino certo pelo shopping, rindo e conversando, podíamos ver alguns dos alunos que estudavam com a gente ano passado, aqueles que nós costumávamos ignorar por serem nerds. E ao passarmos por uma menina tímida que sempre tirava notas bem altas nos exames, ela pareceu intimidada e começou a andar mais rápido, provavelmente para sair do nosso campo de visão, só que seus cadarços estavam desamarrados, fazendo com que ela saísse tropeçando e caindo com tudo no chão, feito uma banana esparramada, o óculos, os dois livros e o caderno que ela carregava caíram no chão, espalhando os milhares de papeis soltos do caderno, e então todos do meu grupo, sendo eu a única exceção, começaram a gargalhar, como se aquilo fosse a piada do ano, a menina olhou para baixo submissa como se fosse empregada deles ou algo assim, catando seus óculos desesperadamente, mas não conseguia ver, então Demetri, um dos jogadores de basquete da escola, amigo de Jake, pegou o óculos.

— Olha o que ela tá procurando gente. – Ele disse debochando e todos riram. – O óculos fundo de garrafa.

Então ela olhou para cima, forçando a vista para tentar vê-lo.

— Devolve pra ela Demetri. – Eu disse séria. – Não tem graça.

— Ah não. – Ele disse. – É muito engraçado. Pega aí Collin. – Ele disse arremessando para Collin que também tirou sarro, enquanto a menina não enxergava absolutamente nada.

— Parem com isso. – Eu disse furiosa indo até Collin e tomando o óculos da mão dele. – Seus idiotas. Qual é a graça de fazer isso com ela? E se fizessem com a irmã de vocês? Com a mãe de vocês? Iam gostar? Então parem seus babacas.

— Ah, vai resolver dar uma de moralista agora? – Disse Jane. – Porque até onde eu me lembro, você não deixava os nerds assistirem aos nossos ensaios mesmo sendo aberto ao público, não deixava que entrassem na sua festa, não permitia nem mesmo que eles lhe dirigissem a palavra. Deixa de ser hipócrita.

— Eu mudei. Não gosto mais disso. E além do mais, quem é você pra falar qualquer coisa sobre moral e hipocrisia? Já dormiu com todos esses caras que estão aqui, fora os nerds que você tanto dizia odiar.

— Ih... – O pessoal disse.

— Agora me dêem licença que eu vou ajudar a menina que vocês estão caçoando.

— Você não vem com a gente? – Perguntou Jéssica pasma. – Deixa ela aí Bella. Além de nerd é bolsista. Não se mistura com essa gente pobre não, vai que pega?

E então todos começaram a rir novamente.

— Ela pode ser pobre, mas é inteligente, vai fazer faculdade e ser brilhante na carreira que escolher seguir. Ao contrário de você que se o papai e a mamãe falirem vai ter que morar embaixo a ponte, porque é burra e pensa que dinheiro é eterno.

— Olha quem fala. – Disse revirando os olhos.

— A diferença é que eu assumo isso, né? Agora podem ir, eu vou ficar.

— Tem certeza? – Perguntou Embry.

— Sim.

Eles saíram meio que a contra gosto e eu abaixei na direção da menina e coloquei o óculos em seus olhos.

— Melhor agora? – Perguntei amavelmente.

— Ah sim, com certeza. – Respondeu sorrindo timidamente.

— Qual é o seu nome? – Perguntei.

— Angela... Angela Weber.

— Eu sou a Bella. – Eu disse estendendo a mão para ela.

— E... Eu sei! – Disse apertando minha mão. – Isabella Swan, a chefe das líderes do ano passado na escola, namorada de Jacob Black, capitão do time de basquete do ano passado e agora a mais nova estrela dos Lakers.

— Ex namorada. – Corrigi.

— Oh... Me perdoe, eu não sabia.

— Tudo bem. Eu estou com outra pessoa agora, e nunca estive tão bem.

— Que legal. – Disse sorrindo e pegando suas coisas.

— Eu te ajudo. – Eu disse pegando as folhas que tinham se espalhado. – Vem, eu te pago um Milk-shake.

— Não precisa.

— Eu insisto. Vamos.

— Não vou te incomodar?

— Claro que não, sou eu quem está oferecendo.

— Tudo bem, vamos então. – Disse sorrindo.

Nós fomos a uma das lanchonetes do shopping e comemos, conversamos bastante e a partir disto desenvolvemos uma amizade. Eu contei a ela tudo sobre Edward e eu, e ela ficou apaixonada pela nossa história de amor. Angela era uma fofa e eu fui uma verdadeira idiota por julgar tanto os nerds, conversar com ela era bem mais legal do que ter que ficar aturando as líderes puxando o meu saco, falando sobre futilidades, e também os idiotas do basquete e do futebol americano se achando os gostosões, eu queria voltar para o ensino médio para começar a andar com a galera certa. Ela me inspirou tanta confiança, que contei até sobre o meu desejo de engravidar, ela achou que ainda era cedo e que a gente poderia ter mais tempo para nós dois, mas eu não pensava exatamente desta forma, claro que esse lance de que tudo no seu tempo é o ideal para a maioria das pessoas, mas não para mim, eu era assim, apressada e exagerada, eu gostava de viver tudo que eu tinha pra viver o quanto antes, para que nada na minha vida fosse uma espera eterna, ou talvez nem viesse a acontecer, caso Deus resolvesse me levar mais cedo, por mais que ninguém construa uma vida pensando nisso, não significa que não vá acontecer.

Agora ao invés de ir para o shopping me encontrar com aqueles idiotas que eu costumava chamar de amigos, eu ia para a casa de Angela, que ficava a dois quarteirões da minha, e apesar de bem humilde, era aconchegante e quentinha, ela tinha uma irmã dois anos mais nova que também era muito legal, os pais delas trabalhavam o dia todo e só chegavam às sete da noite, então a gente ficava o dia todo comendo chocolate, dançando, cantando, assistindo filme, jogando. E a semana foi infinitamente melhor do que a passada com o pessoal. No fim de semana nós iríamos à farmácia comprar o exame de gravidez, mas na quinta feira enquanto nós dançávamos na sala, eu passei mal e elas me levaram até em casa, minha mãe me examinou, mas não achou nada demais, só que preferiu me levar ao hospital onde trabalhava para eu fazer os exames, e eu não sabia direito como pedir para ela incluir o de gravidez.

— Eu vou falar com a Emily e pedir para ela marcar os seus exames. – Disse minha mãe assim que entramos no hospital.

— Mãe... – Eu disse sem saber direito como dizer aquilo.

— Oi?

— Eu quero fazer o Beta HCG. – De repente minha mãe arregalou os olhos espantada.

— Eu não acredito. – Disse calmamente, mas visivelmente se controlando para se manter desta forma. – De novo Bella? Por que não se precaveram?

— Porque eu não quis. – Eu disse direta.

— Então você escolheu isso? – Perguntou com os olhos ainda mais arregalados.

— Sim.

— Vamos ver o resultado deste exame primeiro. Depois nós conversamos, independente do resultado. – Minha mãe disse caminhando a passos largos na minha frente. Ela estava nervosa.

Ela marcou apenas o exame de gravidez com Emily, a recepcionista. Depois nós ficamos esperando no banco para que eu fosse atendida, os médicos e enfermeiras que passavam nos cumprimentavam simpaticamente e diziam para minha mãe que estavam com saudades e apesar dela não estar no melhor de seus humores, tratou todos muito bem. E então finalmente chegou a minha vez, eu estava nervosa demais, era todo um futuro dependendo deste resultado. Depois da coleta de sangue, minha mãe e eu ficamos esperando uma hora pelo resultado, conversando sobre assuntos aleatórios ocasionalmente. Ela não parecia estar com raiva de mim, mas também não parecia feliz com a situação. Foi então que a enfermeira entregou um papel lacrado, nas mãos da minha mãe, dizendo ser o resultado do exame. Minha mãe rasgou lacre rapidamente e abriu o papel, eu estava de frente para ela e não tinha coragem de me mover para espiar. Só que pela sua expressão surpresa eu já sabia qual era o resultado.

— Positivo. – Ela disse, eu não sabia ao certo se ela parecia feliz ou triste, talvez apenas surpresa. – Você está grávida.

Abri um grande sorriso e a abracei forte, enquanto as lágrimas de emoção desciam por minha bochecha, minha mãe cedeu aos poucos e retribuiu meu abraço, talvez toda a minha felicidade a comovesse também, afinal, o lema da minha mãe sempre foi “Contanto que não haja prostituição e drogas, eu quero que tenha tudo que te faça feliz”.

P.O.V. EDWARD

Duas semanas nunca me pareceram tão longas, eu estava morrendo de saudades, trabalhava bastante e depois ficava conversando com ela por telefone. Eu estava preocupado com essa coisa de gravidez, afinal, havia uma grande possibilidade dela estar e sinceramente? Eu queria que estivesse, eu não tinha uma boa condição financeira nem nada disso, mas também não estava esperando Tyler quando ele veio, e mesmo assim consegui pagar a faculdade, sustentar o monstro que o pôs no mundo e a ele, ainda por cima dava pra passear no fim de semana, apenas com o meu salário, sem nenhum centavo de ajuda de ninguém. Esme insistia para que eu aceitasse uma grana, mas eu não quis e nem precisei, nós vivíamos bem com o que eu ganhava e era até menos do que eu ganho hoje, então com certeza vou poder sustentar Bella e o nosso filho, caso ele estivesse a caminho. Seria maravilhoso ter uma família com ela e esse era apenas o começo.

Meu novo patrão, o senhor Felix, ou apenas Felix, como ele gostava de ser chamado, era um velhinho bem esperto e ativo, ele estava me ajudando com tudo na fazenda, mesmo eu dizendo que não precisava de ajuda. Contei para ele sobre Bella e eu, e a possibilidade da gravidez, ele apoiou veemente, disse que se nos amamos de verdade, não há porque esperar para começar uma família. E que ele gostaria muito de ter uma criança correndo pela fazenda e dando vida ao lugar, já que o filho dele já era crescido e não podia ter filhos. Alice, Emmet, Jasper e Rose vieram me visitar à noite durante todo o fim de semana. Minha casa agora era maior e dava para todos ficarem confortavelmente, nós jogamos poker e ficamos conversando até tarde enquanto bebíamos algumas cervejas, na verdade Emmet e eu bebíamos, Alice, Jasper e Rose ficavam apenas no refrigerante, mas mesmo assim, foi bem agradável para todos. Esme também veio me visitar e disse que Carlisle também queria vir, só que achava que ainda era cedo e que era melhor esperar a poeira abaixar, pediu apenas para que ela me avisasse que me desejava tudo de bom no novo emprego.

Quinta feira da segunda semana, eu liguei para Bella e nada dela atender, achei estranho, afinal o nosso combinado era sempre nos falarmos a partir daquele horário, eu tentei várias vezes, mas nada. Eu estava começando a ficar preocupado, mas de repente meu celular tocou, e era ela.

— Oi amor. – Eu disse num tom preocupado. – Por que não me atendeu no horário de costume? Aconteceu alguma coisa.

— Sim. – Ela disse.

— O que? – Perguntei apressado, torcendo para que não fosse nada de ruim.

— Eu estou grávida. – A felicidade era evidente pela sua voz, ainda que estivesse pelo telefone. Toda a minha preocupação de repente evaporou e entrei no mesmo estado de espírito que ela.

— Jura? – Perguntei feliz.

— Sim. E caramba, eu estou tão, mas tão contente. Você não tem noção.

— Tenho sim, porque também estou. Eu te amo.

— Eu também te amo, muito.

— Quando você vai vir morar comigo então?

— Minha mãe vai falar com o Carlisle, porque enquanto eu for menor de idade, preciso da autorização dos dois, mas creio que ele não vá impedir. Muito pelo contrário, agora ele vai querer mais é que a gente fique junto mesmo, pra eu não ser uma mãe solteira, mas no máximo até semana que vem já vai estar tudo resolvido e eu vou estar indo para o Texas, ficar ao seu lado. – Garantiu e agora eu estava tranquilo, tendo a plena consciência de que esse seria o começo da nossa vida juntos.

Notas finais
Oi gente, repararam as minhas notas iniciais? Vazias né? Pois é, não tinha recomendação pra agradecer nesse cap :'( kkkkkkkk Nem faço drama né? Psé, não tinha nada demais quanto ao cap passado, nem os reviews né? Quer dizer, mais ou menos, eles cresceram bastante em relação à antes da dura que eu dei, mas mta gente ainda só comentou quando eu tinha algo em troca, mas tudo bem, não vou mais encher o saco de vcs com isso, eu já estou mega feliz por quem está aqui, e com as que começaram a comentar agora tbm. Amo todas vcs ♥ Bom, é isso. Próximo cap vamos ao reencontro Beward *-* Beijinhos meus amores e até ;)