O Corvo-mestre
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Ainda estranhando tal reação, Henry se arrumou deslizando para debaixo das cobertas.
Talvez aquele lugar realmente não fosse para ele.
Novamente, pela manhã, o menino se aprontou para mais um dia de trabalho árduo e pesado.
Era hora do café, e o menino teria de ver todas aquelas meninas novamente. Não que houvesse se interessado por uma em especial, o menino simplesmente não se sentia bem vendo aquelas meninas com cara de mal tratadas.
Talvez tenham sido todos aqueles pensamentos do menino, talvez tenha sido a beleza da menina que saiu do refeitório, mas Henry só sabia que tinha simplesmente perdido o controle de seu pensamento. Sentiu o chão sumir de seus pés por alguns instantes levando sua cabeça de encontro ao mesmo, junto dele o tilintar de uma bandeja de prata no chão ao lado da bela moça.
- Ah, Meu Deus! Me desculpe – Henry levantava apressado para ajudar a menina a catar tudo que havia derrubado.
- Tudo bem – a Menina se apressava em se livrar de Henry – Só me deixe ir sem que o Mestre veja, ok?
- Por quê? – o menino achava aquilo extremamente estranho e perturbador – Deixe que eu me apresente. Meu nome é Henry.
A menina nada respondeu, e no momento em que o garoto tentou segui – lá, ela começou a correr em uma velocidade não muito alta, mas que já mostrava o quanto ela não o queria por perto. Henry bem queria ir atrás dela, mas não poderia ferir seu orgulho por causa de uma menina estranha de um lugar igualmente estranho.
Dirigiu-se as portas do refeitório onde meninas parecidas, porém nem tão belas quanto a que segurava a bandeja, lhe receberam.Todos já estavam saindo da grande mesa de madeira quando Henry sentou.Guarino olhava-o de forma estranha, como se tivesse vontade de esganá-lo com o olhar, e algo lhe dizia que ele conseguiria.
- Com licença – Henry simplesmente havia perdido a fome.
Ele não conseguia tirar de sua cabeça a vontade de falar novamente com aquela garota. Ele gostaria de ao menos saber seu nome, queria saber porquê ela não podia falar com ele.Não ele não estava se apaixonando ou algo assim. Simplesmente não entendia o porquê de ter contato proibido com a garota.
- Ei, bonequinha,vamos trabalhar – um dos garotos que Henry definitivamente não havia guardado o nome falou, cutucando-o ao sair do refeitório.
Henry nada respondeu. Aqueles garotos lhe enchiam a cabeça.
- Ei, menino venha cá – ele ouviu aquela voz rouca e aveludada falar ao dar seu primeiro passo.
- Fala.
- Me desculpe, acho que ouvi mal – o dono da voz rouca se mostrou ofendido.
- Fale Mestre – Henry responde com um virar de olhos.
- Hoje, você terá seus ritual de iniciação e sua primeira tarefa como Corvo-Seguidor – o Mestre dizia empolgado – Portanto, acabe suas tarefas cedo.
O menino se sentia ansioso. Embora não gostasse daquele lugar algo lhe deixava orgulhoso de ser iniciado. Naquele segundo dia de trabalho, tudo lhe parecia mais leve, inclusive seus pensamentos.
O Sol começava a se refugiar na linha do horizonte quando os velhos sinetos da fazenda tocaram lembrando-o de como sua barriga roncava, não havia sequer parado para almoçar desde que recebera a noticia de seu Mestre.
O menino tentava andar o mais depressa possível em direção ao refeitório. De repente uma tonteira tomou conta do corpo do rapaz, o chão sumira de seus pés levando suas costas de encontro ao barroso solo.
- Oh, Meu Deus – uma voz feminina e preocupada ecoou pelos ouvidos de Henry – Você está bem?
- Sim, estou. Pode me ajudar a levantar? – o menino não conseguia enxergar quem lhe ajudava, mas no momento isso não era de muita importância, ou talvez fosse.
A figura feminina lhe estendeu a mão o tirando do chão. As imagens começavam a ficar mais nítidas revelando que aquela menina era a mesma do almoço.
- Então, é você – Henry segurara seus braços ao ver que ela tentava sair – Por favor, ao menos me diga seu nome.
- Pode me chamar de chamar de Petra – a menina lhe estendera a mão novamente – Só não deixe seu Mestre saber que nos falamos.
- Por que vocês são tratadas assim? – o rapaz se aproximava demais da menina – E por que se deixam ser tratadas assim?
- Nós queremos aprender magia também. Mas o trato é que não nos metamos na vida de vocês homens e devemos servir vocês.
- E por que isso? Por que não aprendem junto conosco? – o rapaz parecia cada vez mais indignado.
- Não posso te contar muito, soube que ainda não foi iniciado – um corvo passou pela cabeça dos dois fazendo imenso barulho.
- Mas, me diga o que po – o menino não conseguiu terminar sua frase ao ver Petra se distanciando.
O menino chegou ao alojamento, limpou-se e vestiu uma túnica preta que haviam deixado sob sua cama. Após a janta, recebeu a informação de que o Mestre gostaria de conversar com ele em sua sala.
O menino caminhava ansioso na noite fria daquele tenebroso inverno alemão. Ao chegar à sala é recebido por um Mestre um tanto nervoso.
- O que queria com aquela menina hoje?
- Ela estava apenas me ajudando – Henry respondia sentindo uma coragem avassaladoramente estranha.
- Não quero você perto delas ouviu bem? – o Mestre disse virando-se para o menino que fora atirado na parede.
- Por quê? Porque são apenas meras serviçais? – O menino gritava.
- Cale-se! Você não tem direito de me confrontar desta maneira, seu moleque!
- OK, isso não me importa. E então, quando a Iniciação começa?
- Iniciação? Achas mesmo que esta pronto para isso? – o Mestre falava sorrindo de forma sarcástica – Ora, faça-me o favor e retire-se.
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