Notas iniciais
Espero que estejam gostando, agora a história se mostra ainda mais diferente do filme.

Henry não se atreveu a discutir com o homem. Tinha algumas noções de seus poderes.

Na manhã seguinte o Mestre lhe passou uma estranha missão. Ele deveria limpar todo um casebre sem uso que existia no final da fazenda.

Acordou cedo, pois uma roupa confortável e tomou seu café da manhã, desta vez sem esbarrar em ninguém ou derrubar nenhuma bandeja.

- Já terminou o café? – o Mestre perguntou ao chegar ao refeitório.

- Sim, pode me levar até a tal cabana?- Henry disse impaciente.

O mestre fez cara de raiva e seguiu pelo lado de fora. Henry, imaginando que o velho o levaria até o casebre seguiu-o.

- Pronto, chegamos. – O Mestre disse com uma voz de quem segurava uma diabólica risada — Fique a vontade.

Henry sentiu um arrepio percorrer seu corpo e entrou. O casebre cheirava a mofo velho. O menino sentiu seu nariz coçar insistentemente. Ouviu a porta se fechar e uma tranca passando.

- Espere! – Henry gritou correndo em direção a porta – O que você está fazendo?

- Ora, cale a boca seu vermezinho de meada!- o Mestre gritou ríspido – Você está me atrapalhando. Sempre metendo o nariz aonde não é chamado. Portanto acostume-se ao seu novo lar.

De nada adiantaria gritar ou desesperar-se. O menino se encostou-se à porta e foi deslizando até sentar-se no chão. Henry imaginava que não precisaria mais arrumar o casebre. Afinal, ali seria sua nova casa – o menino sorriu nervoso ao pensar nisso.

Resolveu deitar-se um pouco e aproveitar o tempo sozinho. Desde que chegara ali, não conseguira tirar um tempo a sós para organizar suas idéias.

Talvez sua ansiedade de aprender todos os mistérios da magia negra o fizesse esquecer quem largara no mundo lá de fora. O menino rolava pelo duro chão que havia sido forrado com um pano achado por um canto qualquer, tentando adormecer nem que fosse para ter um sonho bom que lhe fizesse esquecer um pouco onde vivia.

Acordou com a barriga roncando, as costas doendo e seus dentes trincavam com o frio. Nunca fora acostumado a muitas mordomias. Pelo contrario, aprendeu a dormir sentado e arranjar dinheiro durante a enorme guerra que se alastrara por toda a sociedade.

Ouviu o barulho da porta rangendo do lado de fora e sentiu-se arrepiado ao pensar que poderia ser o mestre.

- Ah, é você! – sorriu ao constatar que não era o Mestre, Petra entrava na velha casa carregando a costumeira bandeja de prata.

- Não pense que vim te visitar porque quis – a menina dizia carrancuda – aquele velho maldito me obrigou a lhe trazer comida.

- Se o odeia tanto, porque simplesmente não o desafia? – Henry perguntou se aproximando.

- Eu preciso estudar a magia – a menina respondia com o olhar tristonho e pensativo – Não tenho família alguma e preciso de um lugar pra dormir. Sem contar que a magia é maravilhosa.

- Gostaria de poder dizer o mesmo – o menino disse igualmente triste.

- Ah, o bebezinho não foi iniciado – a menina falava apertando as bochechas de Henry.

- Idiota – ele murmurou para que Petra não ouvisse – até onde eu sei você não foi iniciada há tanto tempo e não é muito mais velha.

- Posso não ser muito mais velha, mas te digo que já fui iniciada há um bom tempo – Petra deu de ombros.

- Então por que não me ensina? – os olhos de Henry brilhavam.

- Te ensinar? – a menina perguntou gargalhando novamente – Como se eu pudesse, e quisesse!

- Tá legal, eu me viro – o garoto respondeu contrariado – Dê-me a comida.

A menina lhe entregou a bandeja e saiu do casebre. Seu coração palpitava,ela não sabia ao certo porque.

“Vamos ver o que há nessa cabana” – Henry pensou se levantando e indo em direção a um cômodo próximo aonde o menino havia deixado sua comida.

Foi andando receoso, tomando cuidado aonde pisava.Era como se houvessem minas no local, prontas para explodirem e arrancar-lhe a cabeça. Empurrou a porta que lhe parecia bem velha, porém pesada.

No cômodo, Henry pode avistar varias pilhas de sacos de um pano marrom e velho. O lugar fedia a desova, cheiro este que lhe dava ainda mais medo. Atreveu-se a pegar um dos sacos abrindo-o. O cheiro tornou beirante o insuportável, dentro do saco havia algo como um cervo, morto. Sendo mais sincero havia um cervo estraçalhado.

Dentro do mesmo, alguns papéis, um deles tinha como nome: “Sacrifício aos Lordes da Morte”.

Seguido de algumas outras instruções. O menino se atreveu a abrir o outro saco que estava posicionado ao lado. Dentro dele havia alguns ossos ainda sujos de sangue e mais um papel: “Entrada á Ordem das Trevas” – do lado de fora um relâmpago estourou no céu fazendo o menino deixar os ossos caírem no chão em meio ao susto. Ao se abaixar para catar o que havia deixado cair, sentiu suas mãos se agarrarem de tal forma no sangue presente nos ossos que mais parecia uma cola forte. De repente, outro raio iluminou o quarto onde Henry se encontrava revelando a silhueta de um garoto trajando um capuz.

- Não devia tentar me passar para trás, bonequinha – a voz rouca e inconfundível do Mestre soou debaixo da pesada roupa.

- Do que você está falando? – Henry sentia seu corpo arrepiar-se. Sentia-se imponente com as mãos grudadas nos ossos.

- Olhe bem, meu rapaz! – o Mestre segurara seu queijo de forma forte – Se eu não te iniciei, foi porque não achei que estivesse preparado.

E como em um golpe, o Mestre sumiu, sem deixar rastro algum. As mãos de Henry se soltaram ainda mais rápido, deixando-o ainda mais apavorado. Resolveu terminar de andar pela cabana, que ainda obtinha mais um quarto. Uma luz avermelhada fugia por baixo das portas.

Henry abriu a porta cuidadosamente, espantando-se com o que vira.

Notas finais
Espero seus reviews.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.