O Coração do Espada
1 Ausência de Cor
Notas iniciais
Eu sei , eu sei, que estou praticamente sumida na minha outra fic UH e peço mil perdões por isso! Onegai me perdoem! Tenho tido alguns contratempos e tem sido praticamente impossível actualizar todas as fics... E bom eu já tinha este capítulo feito só que apenas pretendia postá-lo quando acabasse a outra, mas tendo em conta o meu ENORME atraso e de Novo Recomeço estar praticamente no fim decidi postar esta fic mais cedo mas aviso a todos os leitores que até acabar duas fics minhas, esta história será actualizada mensalmente, eheh ^^
Espero que gostem desde já ;D
Boa leitura*
As cores muitas das vezes representam sentimentos. O vermelho, por exemplo, simboliza o mais belo deles todos: o amor. O rosa por sua vez a delicadeza, toda a beleza e sensualidade feminina; já o castanho interpreta a maturidade, enquanto o laranja desempenha a espontaneidade. Ficar sem cor era como estar num mundo deserto de emoções. Era um autêntico abismo para uma ruiva que fora sequestrada recentemente pelo quarto espada. Uma mulher que sempre fora tão viva, de fortes emoções, como se seu coração vibrasse com as tonalidades alegres que a rodeavam.
Regularmente durante a noite eterna e tão peculiar de Las Noches, Orihime apenas se acomodava no longo sofá alabastrino no canto de seu quarto, encarando o tecto da mesma cor sob si. A ruiva fechou suas pálpebras, regularizando a respiração, e então abre-as novamente, tentando imaginar um céu azul no lugar do branco em cima dela. Percebeu que a cada dia que passava naquele local, estava se tornando cada vez mais difícil imaginar o céu azulado, tão longe de alcançar... As memórias pareciam que se distorciam quando queria relembrar o brilho do sol que iluminava toda a sua cidade com uma brisa fresca de Verão para refrescar o clima tórrido.
Às vezes, a humana sentava-se de frente para a sua janela solitária, observando as areias alvas. Árvores branqueadas, nuas e retorcidas como ossos. Ela estendeu a mão para o firmamento negro sem fim que pairava sobre as terras do Hueco Mundo. Admirava a imutável lua crescente pálida, e subitamente veio à sua mente a grama verde doce sob os seus pés, e o peculiar cheiro da terra, sem esquecer as insubstituíveis gargalhadas de crianças no parque. Ao longo do tempo, as suas imagens começaram a perder a cor, tornando-se cada vez mais como as areias brancas infinitas e o céu negro que ela via naquele momento. Uma nuvem acinzentada perturbava suas fantasias, como se aprisionasse sua mente junto com seu corpo naquele horripilante deserto.
“Sua mente e corpo pertencem a Aizen-sama.”
Orihime remexia no tecido de seu vestido, tentando substitui-lo pelas suas roupas coloridas de antigamente. Era compreendeu o objectivo de Aizen… Ele a torturava não com a demora de seus amigos em resgatá-la, nem tão pouco fisicamente, mas a destruía psicologicamente. Ele estava desmoronando seus sonhos e, com isso sua personalidade, a tornando amarga e distante.
A ruiva encontrava-se sentada no piso com poeira a rodeá-la, com uma mão a agarrar no tecido alvo do vestido, à medida que continuava a encarar a lua branca luminosa.
- É tudo tão incolor.
Ela sussurrou para si mesma, porém o som de sua própria voz a assustou. Ela não tinha ninguém para conversar e isso por sua vez fez com que esta deixasse de se pronunciar, esquecendo sua voz. Só agora percebera como sua garganta estava seca, ansiando por dilatar palavras. E uma vez que o som desapareceu sendo substituído pelo silêncio, a sua presença solitária se tornou mais opressiva. Na tentativa de se livrar do penoso ar do sigilo, ela completou seu pensamento anterior, como se falando sozinha se consolasse daquela sôfrega solidão.
- Tudo... Tudo é tão preto e branco.
Ela ansiava por cor. Qualquer uma que fosse.
Uma mecha de seu cabelo caiu sobre seu ombro, rolando pelo seu peito. Inoue olhou para sua madeixa ruiva, tão surpreendente pela cor exótica, parecendo uma ponta de salvação entre todo aquele mundo preto e branco. Seus olhos embriagados pela cor, tentavam se concentrar nela. A humana tentou manter-se sã, simplesmente olhando para uma cor que ela própria possuía.
Seus olhos logo se cansaram da sombra alaranjada. Estava começando a se tornar apenas uma outra máscara do vazio em seu quarto. Em sua cela. A pequena inspiração alaranjada não significava nada em meio a tanto branco. Branco, preto, branco, preto, branco, preto… Isso era tudo o que havia.
Ela estava ficando louca!
A porta do quarto abriu-se, e subitamente, o homem com os olhos mais tristes que ela já tinha visto adentrou por ela. Ele era seu protector e seu sequestrador em simultâneo. Ulquiorra podia ser extremamente frio, e ele raramente mostrou qualquer emoção, mas por baixo de tudo isso... Havia algo nele que ela simplesmente não conseguia decifrar, mas havia algo… Em seu peito, para além do buraco hollow, existia algo.
- Ulquiorra-kun!
A língua dela soltou o nome do espada de uma maneira agradável, uma palavra tão sensual quando falado contra o silêncio. Inoue descobriu que, por algum motivo, seus borbulhantes tons reapareciam nos momentos em que ele a vinha visitar.
O arrancar a olhou, parecendo que ele nem sequer tinha piscado. Nunca ninguém conseguiu enxergar qualquer traço de emoção sobre seu rosto pálido, porque era uma mudança tão repentina em sua expressão, que era quase imperceptível, como um piscar de olhos. No entanto, Orihime estava a conhecê-lo, com o crescer dos "dias" ela aprendeu a decifrar mensagens pelo corpo em meio da prática mudez do espada. Ele lhe falava de um jeito que não se lembrava de ouvir de qualquer outra pessoa. A sua menor mudança corporal correspondia a uma palavra forte. Ulquiorra pedia-lhe ajuda, mesmo que ele não tivesse consciência disso. Orihime não conseguia explicar a razão para estar a conhecer tão bem o seu inimigo, porque se importava com isso..
- Oh, sinto muito. Eu esqueci, não gostas de um título humano adicionado ao teu nome.
Ela sorriu levemente, um sorriso minúsculo, tão pequeno que nenhum de seus amigos jamais teria percebido que era um sorriso. Porém, Ulquiorra viu-o.
- Eu acho que me trouxeste o almoço, certo?
Ele curvou a cabeça, quebrando o contacto visual com a humana. Em sua mão transportava um prato, em cima do qual havia uma tigela cheia de algum tipo de pudim. Ela sabia que não teria um sabor muito agradável, mas era tudo o que tinha, então ela tentou fazer o melhor proveito dele.
- Coma tudo, mulher, e faça-o em tempo hábil.
A ruiva não compreendia como alguém que estava tão preso no sentido da visão, não apreciava a variedade das cores, como não enxergava através destas os sentimentos que expressavam.
Optou por não discutir o comentário do seu supervisor. Como alguém deveria responder a isso, afinal? Então, em vez disso, ela apenas deu um discreto sorriso. Permaneceu sentada, comendo e de vez enquanto desviando seu olhar para o súbito do shinigami traidor. Seus olhos se encontraram com os dele, um contacto visual apenas isso.
Brilhantes, seus penetrantes olhos esmeralda. Ulquiorra era o representante de todos os tons de cor no seu mundo, como se criasse um arco-íris. Contudo faltava uma cor, e ela não sabia qual.
Suas marcas de lágrimas, também eram da cor mais linda que ele poderia trazer-lhe à mente. Sua tonalidade, rodeada pelo branco e preto de Las Noches, era a sombra mais surpreendente de verde que ela jamais poderia ter-se lembrado. Finalmente, Orihime encontrou sua cor.
Ela adorava as suas visitas. Toda vez que ele entrava em seu quarto, ele trazia essa cor com ele. A única cor no mundo, da sua prisão. E seria hipocrisia da parte dela não admitir que adorou isso.
- Obrigada.
Ele sabia que ela não agradecia a comida. Algo demasiado óbvio de perceber para o perspicaz quarto espada, conhecido por ser o servo mais fiel de Aizen Sousuke.
Pela primeira vez trouxe o prato e não verificou se ela comeu tudo, só queria sair dali o mais rápido possível, como se fugisse. Escapava do borbulhar em seu peito, da comichão em seu estômago ao encará-la...
- Jade.
Inesperadamente, ele fez uma pausa em seu trajecto, olhando por cima do ombro encarando-a. Uma faísca de curiosidade luminava seus olhos. Escondeu-o bem, mas para ela era óbvio que ele queria saber o que ela estava querendo dizer.
- É o mais próximo que eu encontrei para adivinhar a cor dos teus olhos. Eu sei que não é exato, jade é um pouco mais leve na maior parte do tempo, mas... É a única coisa que eu posso pensar para descrever a tua cor.
Ele piscou uma vez. Ele piscou duas vezes. E, de repente, virou-se bruscamente para se sentar no único sofá no local.
- Coma, mulher.
Ao ouvir as curiosas palavras da ruiva ele percebeu que a comida estava praticamente intocável. Redireccionou-se para ela, voltando a deixar a comida em sua frente. Deslocou-se até o sofá, inclinando-se para trás até se deitar completamente.
- E não me perturbes. Não gosto de barulho.
Um enorme sorriso foi desenhado no rosto de Orihime, transmitindo toda a felicidade que sentia naquele momento, só pelo facto de poder ter a sua companhia. Ela já estava satisfeita só por o ter ao seu lado por um pouco mais de tempo. Talvez, só talvez, Hueco Mundo não fosse tão preto e branco assim...
- Certo!
A felicidade borbulhava no peito da ruiva. Ele confiava nela! Ele estava intrigado sobre ela, sobre os humanos. E, de alguma forma, parecia que ele poderia estar oferecendo uma pequena promessa de companheirismo, mesmo que fosse apenas durante alguns minutos.
Ela estava um pouco alarmada com esse sentimento que crescia gradualmente, e uma voz no fundo de sua mente gritava que ela não podia trair Kurosaki-kun, mas... Ela sentia que não fazia nada de errado.
A humana não sabia que sentimento era esse, se carência ou carinho, mas algo estava lá. Mesmo não o podendo tocar sabia e tinha plena certeza de sua existência. E mesmo assustada, Orihime estava determinada a descobrir exactamente do que se tratava.
Apenas para manter os olhos jade a observá-la do mar infinito de preto e branco.
Inoue sempre creu que Ichigo fosse seu príncipe encantado, que a resgataria do vilão, mas pensando bem não era o verde a cor da esperança? A cor que a salvaria da escuridão.
Notas finais
Muitos beijinhos e até o próximo capítulo!
Jya née o/
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