Notas iniciais
Ei ei, minna! Obrigada a todos os favoritos e comentários do capítulo anterior *--* Kyah, fiquei feliz! Eheh. Bom sobre este capítulo… Eu já comentei isto com alguns leitores, portanto para alguns não será uma novidade. Este capítulo é digamos especial, no momento em que o Ulquiorra adormece no sofá… Lembram-se até do especial que fala passado do Ulquiorra? É inspirado nisso mas ao mesmo tempo é uma referência à minha inspiração para esta fic. Eu já andava a planear iniciar uma história UlquiHime à algum tempo mas só há dois meses é que tive a ideia quando sonhei com o enredo desta fic. Sim, nem eu quero acreditar que sonhei com fanfics UH, acho que ando a ficar fanática por este casal kkkkkk Bom basicamente é isto e espero que gostem ;) Boa leitura*

Um ser cuja vida era insignificante vagueava pelos ténues grãos de areia, brilhantes como uns míseros cristais gélidos, que arranhavam e arrepiavam seus calcanhares. Talvez aqueles pedaços minúsculos, quase invisíveis a seus olhos, fossem de facto a maior demonstração de sua existência.

Vida resumia-se às sensações captadas pela visão. Ele via a densa areia que tinha efeito sobre seu corpo, então ele era um ser vivo. Uma lógica aparentemente simples e infalível. O que não se vê, não existe. O que se sente e os olhos não captam é delírio do indivíduo.

Ele peregrinava pelo deserto, como se caminhasse pelo trilho do destino. Seus pés direccionavam-no, incertos, sobre seu fado. Provavelmente um deus o guiava em seu subconsciente, comandando seus passos, e ele não tivesse consciência disso...

Sua existência era oca como o buraco em seu peito. Tudo era preto e branco.

O arrancar era um escravo daquele deserto. Um espaço amplo porém uma prisão que o acorrentava à solidão, como se fossem companheiros. A ligeira brisa que por vezes ocorria o conduzia para um determinado lugar desconhecido, ele nunca se deslocava por vontade própria. Não sabia para onde se dirigia, simplesmente ia.

Parando sua caminhada, o arrancar se agachou no solo, demonstrando ainda ter vontade própria. Com uma mão segurou alguns fios de areia, mas estes imediatamente escorregaram por seus dedos. Era assim que o ser resumia sua vida: que deslizava em suas mãos, e ele impotente não podia fazer nada para impedir esse processo supostamente natural.

Aquele deserto não tinha fim, como um buraco negro que nunca se enxerga um desfecho. Por vezes ele só queria chegar ao confim daquela imensidão no entanto parecia que nunca saía do mesmo lugar. Porém, para onde ele queria deslocar-se? Porque precisava de um lugar para ir? Porque não se limitava a ficar quieto num local?

E principalmente... Porque havia um imenso vazio em seu peito?

– Ulquiorra-kun!

Imediatamente, o arrancar se redirecciona para o lado oposto para onde caminhava. Nem se lembrava de seu nome… Provavelmente se não fosse aquela mulher que o exclamara, ele ter-se-ia caído no esquecimento.

Não compreendeu o motivo para ela correr feliz em sua direcção nem porque a voz dela preenchera o vazio de seu peito. Ele abaixou o olhar para seu peito pensando encontra-lo preenchido contudo o seu buraco permanecia idêntico, então porque sentia-se completo?

Ela apressou-se até ele e estendeu sua mão, uma vez que por algum motivo desconhecido, ele começou a desintegrar-se. Mesmo não percebendo o que fazia, ele retribuiu o gesto da mulher.

Suas mãos se enlaçaram timidamente. E ao encarar seus dedos entrelaçados nos da ruiva peculiar e deparar-se com seu contagiante sorriso, o arrancar recordou-se da areia que outrora fluía por seus dedos sem que o pudesse evitar. Porque não acontecia o mesmo com a mão daquela mulher? Porque ele a conseguia agarrar? Seria seus destinos que estavam entrelaçados…? Ele não sabia mas certamente algo em comum eles teriam para que ele a conseguisse tocar, a segurar e não deixar desaparecer como aconteceu com a areia.

Apreciou longamente seus carismáticos olhos cinza. Talvez ele sempre tivesse caminhado rumo até aquela mulher intrigante, eventualmente sem saber ele acabasse de encontrar o que sempre procurou no imenso e denso Hueco Mundo. Quiçá no infinito ele tenha ocasionalmente descoberto a única coisa que realmente importava.

E tendo assim, a primeira certeza de que encontrara o que buscava, sua máscara de morcego começou a dissolver-se. Seu corpo continuou a fragmentar-se porém num ritmo bastante lento como se assim ele pudesse memorizar cada detalhe daquele momento.

Hipoteticamente, a ruiva poderia ser a resposta para todas as suas perguntas. Mesmo ele nem sabendo o que encontrou, nem o que procurava, ele sentiu que sua caminhada solitária havia cessado. Inesperadamente, ela sorriu, tinha a certeza que mais nenhum ser seria tão belo quanto aquele diante de seus olhos esmeralda.

– Ulquiorra-kun, desperta.

Não entendeu o que ela queria dizer, mas parecia chamá-lo. E assim o tempo se esgotou, Ulquiorra dissipou-se completamente junto com o vento divino que sempre o orientara pelo deserto. Porém em nenhum momento o moreno soltou sua mão da ruiva, assim como ela nunca deixou-o de sentir suas mãos entrelaçadas. Mesmo a mulher já não o vendo, podia ainda sentir um ínfimo de calor dele em sua palma. Um requisito da sua presença ali com ela.

Não importa as adversidades, quando o romântico Fado une duas pessoas, ninguém os poderia separar. Nem mesmo a morte de um poderia separar os sentimentos que conectavam aquelas duas almas, porque elas já estavam predestinadas antes mesmo de se conhecerem. O destino já brincara com eles, e como um cupido os entrelaçou num laço vermelho pela longa eternidade.

Lentamente, Ulquiorra abriu os olhos, zonzo. Estava aéreo, confuso, não percebia o que tinha acontecido nos últimos minutos. Foi doloroso abrir os olhos de repente, por isso repetiu esse gesto mas calmamente observando um peculiar nublado ruivo. Ele reconhecia aquela cor mas não se lembrava de onde concretamente. Uma tontura se abateu do espada que ia erguer o tronco mas rapidamente desiste de o fazer tentando primeiro normalizar sua visão.

Não compreendia a razão mas sentia um ligeiro ardor em seus olhos e uma irritante comichão em suas pálpebras. E incrivelmente sentia sua mente adormecida, como se tivesse percorrido uma enorme viagem e só agora regressara.

Nunca lhe tinha acontecido nada igual e estranhamente nem era desagradável de todo. Só diferente do que estava acostumado.

O quarto espada não percebeu que pela primeira vez adormeceu e todos aqueles sintomas eram um reflexo de um sono longo, de horas provavelmente. Não compreendeu que seus olhos viam nublado porque se habituava há pouca claridade da lua que adentrava pela janela mínima. Não notou que sua mente abandonava o mundo dos sonhos para retomar à dura verdade: ele era o vigilante daquela princesa do deserto.

Levou uma mão à altura da testa, criando uma sombra protegendo seus olhos, começando a distinguir mais claramente os traços do rosto de Orihime e timidamente comentou, sem controlar as palavras que saíram, ainda embriagado pelas sensações do toque de mãos que acontecera somente em seu inconsciente.

– Talvez nem tudo seja preto e branco…

O arrancar incorruptível de Aizen incrivelmente não tinha certezas do mundo que o rodeava. A razão, a verdade, para ele era o que seus olhos se limitavam a enxergar, nada mais. O universo que sempre o rodeou era sem cor, logo não existia. No entanto, aquele ruivo exótico também era visível a seus olhos vorazes: então, laranja também existia?

Afinal, até que nem parecia uma má ideia de vez enquanto dormir na companhia da sua prisioneira especial.

Notas finais
Yeah, agradeço a quem leu este capítulo e por quem acompanha as minhas fics! Posso dizer que apesar de escrever IR, HK, GN, NH/SS, entre outros shipps, eu NUNCA vou deixar de escrever sobre UH. Posso ter um monte de fics mas pelo menos uma tem que ser UH. Por isso posso dizer que a Novo Recomeço está no final e comecei a escrever esta e quando esta estiver perto do fim, irei começar outra UH (provavelmente Universo Alternativo eheh). ^^ Obrigada mais uma vez a todos os leitores fiéis.