Notas iniciais
⁂ Olá queridos leitores, quero agradecer o vosso carinho em acompanhar a minha fanfic! ⁂ Quero também desculpar-me por os capítulos estarem a ser curtos. Foquei-me em terminar uma fanfic este mês, mas esta semana vou focar para esta fanfic. Não só em postar este capítulo, como programar ao pormenor todos os capítulos até o final. Eu tenho várias ideias para esta história mas está na altura de fixar o que realmente quero para o desenrolar, portanto, para a próxima actualização, os capítulos poderão voltar a ser maiores e com mais detalhes para quantos faltam para o final, e com um desenrolar da acção maior. Apesar de a fic ser sobretudo shoujo, não irei desprezar os dois traços shonens nela. ⁂ Este capítulo será praticamente uma introdução quer para a temática romântica como pela acção. Vão perceber depois de lerem. Encarem este final como fim de primeira temporada. ⁂ Espero que gostem e obrigada por quem lê e tem o carinho de comentar! Beijinhos e Abraços.

Cinquenta e duas vezes. Número de tentativas frustradas.

Desde que a alvorada rompeu num novo dia, o quarto espada, como um fiel súbito tentava contactar seu superior. Porém, um fenómeno surreal estava interrompendo a ordem natural dos acontecimentos. Aizen-sama não respondia. Orihime assistia Ulquiorra mexer no aparelho, sem compreender ao todo sua inquietação. Ela ia perguntar se ele precisava de ajuda porém sua pergunta não foi escutada. Sendo abafada por um estrondo inesperado.

A explosão rompeu contra a ruiva. Ela abriu os olhos, receosa, notando que Ulquiorra cobria seu corpo, usando o seu. As íris nubladas lacrimejaram ao ver as vestes brancas queimadas e alguns ferimentos espalhados por seu corpo. Uma lágrima escorreu por seu rosto, e sussurrando, passou as mãos por seus machucados, sendo cobridos por um escudo laranja, enquanto uma das fadas de Shun Shun Rikka voava em torno do arrancar, curando-o.

Ulquiorra manteve sério, observando através do pó e da nuvem espessa que encontrava-se entre a habitação e o exterior. Ele o reconheceu. Por escassos dois segundos, ele viu a sua máscara. Era o mesmo shinigami que apareceu em Hueco Mundo.

Metade da casa perdeu-se entre os destroços. As chamas subiam pelas paredes devorando o pouco que sobrou do impacto. Alguns dos vizinhos humanos reuniam-se junto da entrada do prédio alarmados pela fatalidade, e desesperados contactavam as autoridades pelo sucedido.

Orihime ficou petrificada por ter o rosto de Ulquiorra tão próximo do seu, seu corpo estava demarcado junto do dele. Murmurou seu nome, perdida pela beleza dos seus traços e olhos. Verde. A cor que sempre a cativou pela sua afeição ao ambiente natural. Contudo, aquele verde em suas íris eram um tom mais intenso. Quiçá, jade. Semelhante a uma pedra preciosa, extremamente bela. Orihime ruborizou, com as bochechas quentes, ficou em choque mais pela súbita paixão do que pelo perigo.

Um braço passou por debaixo de seus joelhos, a erguendo contra o peito do Ulquiorra, trémula, abria os lábios e fechava-os na tentativa inútil de tentar dizer algo, porém só teve tempo de escutar sua voz baixa perto de seu ouvido.

— Segure-se. —Inoue ia perguntar o por quê, porém antes que o conseguisse, ele utilizou o sonido, ela apenas teve tempo de agarrar-se com força em seu pescoço, sentindo a brisa baralhar-se entre as vestes de ambos.

A adrenalina arrepiou seu corpo, parecia que estava numa diversão como a montanha-russa, a comparação engraçada para a mente da humana fez com que gargalhasse divertida, totalmente ignorante ao real perigo que provavelmente os estava perseguindo a toda a velocidade. Ulquiorra desviou seu olhar para ela, incrédulo, ficando ainda mais confuso por notar um largo sorriso em sua face. “Mulher estranha”, apontou mentalmente.

O arrancar apoiou os pés num telhado azul, de uma vivenda. Seus olhos estavam atentos a qualquer mínimo movimento, seus sentidos estavam sensíveis a qualquer alteração. A reaitsu não os deixou apenas de seguir, simplesmente desapareceu. Isso o incomodou. Se o inimigo fosse fraco para enfrentar um espada, o duelo era uma hipótese fracassada. Iria espreitar por uma oportunidade para sequestra-la, contudo, ele iniciou os ataques e sumiu como apareceu. Tal como em Hueco Mundo. Não o conseguia detectar. Ele não era um simples lixo como aparentava. Toda aquela situação era deveras incomum. Ele pousou Orihime cuidadosamente sobre as telhas, procurando alguma pressão espiritual, no entanto, seu foco foi roubado com ela o encarando e sorrindo ainda com os braços em seus ombros.

— O que está fazendo?

— Faz de novo. —O entusiasmo em seu tom era incompreensível. Pensou um pouco, e pode compreender que ela referia-se ao sonido. Continuava a observá-la, de facto, sem a perceber.

— Mulher, você deve sofrer de algum distúrbio que não lhe permite racionalizar sobre o perigo. Um inimigo atacou-nos. —Ela acenou compreendendo, porém não desmanchou a tranquilidade em sua feição, sequer perdeu o sorriso.

— Não preciso ter medo Ulquiorra-kun. Você me protegeu, é a minha esperança. —Rapidamente, a ruiva ruborizou tapando a boca num gesto inútil e instintivo, ao notar que expressara alto seus pensamentos.

Tinha-se deixado levar pela beleza da cor de seus olhos peculiares… verde… simbolizava a esperança… como uma prece, nasceu a crença de que ele -um dia- acreditaria num coração.

Tímida, agachou a cabeça, escondendo seu rosto num esforço infantil de esconder seu constrangimento. O tom róseo subia pelo seu pescoço ao enxergar uma certa incredibilidade expressa nos seus traços, apesar dessa reacção captada do moreno, ter sido muito precária. Afinal, ela também tinha sido apanhada pelas cores.

Numa colectânea de tons alaranjados, amarelos e vermelhos o sol pousava para longe dos humanos, quando Ulquiorra carregava Orihime até o seu apartamento em Karakura para passarem lá a noite. Entregou-lhe uma bracelete semelhante àquela que lhe ofereceu antes de despedir-se de seu mundo e amigos, para esconder seu poder espiritual. Ele não falara mais com Orihime desde seu comentário. Aquela mulher era perigosa. Nunca encontrou ninguém que beirasse tanto os dois extremos entre inocência e loucura como a ruiva. Sua alegria, sua expressividade era-lhe assustadora.

Suspirou, cansado. Aqueles diálogos sobre sentimentos estavam a conduzi-lo a um abismo. Queria simplesmente matá-la e acabar com tudo aquilo. Desviou o olhar, assistindo-a dormir, respirando tranquilamente em seu sono profundo. Fechou os olhos, não gostou da imagem em sua mente dela morta, sua mão negava-se a dirigir até a bainha de Murciélago se fosse para a machucar. Aquilo o irritava, ele perdeu o controlo de suas próprias acções e vontades. Que poder era aquele?

Bruscamente, dirigiu-se a outro cómodo do apartamento da humana para não perturbar seu descanso necessário, para ligar o diapositivo que o conectaria a Hueco Mundo, entregue-lhe por Aizen Sousuke. Porém, o aparelho apenas apitava sem receber resposta, um som irritante e monótono fazia eco pela sala. Inspirou desnecessariamente, algo estava acontecendo. Aizen não ficava tanto tempo sem dar ordens.

Para além disso, outras dúvidas o atormentavam. Quem seria aquele homem mascarado? Tinha conseguido segui-los até ali? Era ele que estava quebrando seu contacto com Aizen-sama? Ou tinha Hueco Mundo sido também atacado? Forçosamente, ele tinha que voltar e descobrir, pelo menos, algumas respostas.

— Ulquiorra-kun, não vai dormir? —A voz sonolenta da ruiva o atraiu, virando-se para a sua direcção, com ela o encarando.

Não respondeu, mantendo a reflexão em sua cabeça. O que ele deveria fazer? Levar uma humana para um possível campo de guerra era uma estupidez. A ruiva seria apenas um peso morto, um estorvo se precisasse lutar. Contudo, deixá-la sozinha era entregá-la ao shinigami que os seguia. Ou ela podia fugir e pedir ajuda aos seus amigos, e com isso falharia as ordens que recebeu. E possivelmente o plano daquele adversário, era fazer com que ele a afastasse para a conseguirem levar. Afinal, por que outra razão o inimigo os seguia, revelava sua presença os atacando e depois simplesmente desaparecia? Sua expressão enrijeceu, aumentando a confusão de Orihime que o olhava quieto com as mãos nos bolsos. Em passadas silenciosas, aproximou-se sorrateiro e calmo, como um predador com os olhos cravados na presa, extremamente sério.

A mão de Orihime moveu-se em instinto para seu peito, entre os seios, tentando acalmar inutilmente o acelerar dos batimentos cardíacos, perante a presença intimidante de Ulquiorra. Tentou dizer algo, mas tinha perdido a voz, apenas gaguejando sons imperceptíveis, o observando corada.

— Não se afaste de mim, em qualquer circunstância, mulher. É uma ordem. —“Uma ordem” ela repetiu mentalmente enquanto acenava, ruborizada.

As pernas de Inoue amoleceram, sentindo os joelhos deixarem de conseguir suportar todo o peso de seu corpo, perante a extrema aproximação do rosto do quarto espada, inclinado para si. Suas respirações se misturavam de tão próximos que os lábios se encontravam. As esmeraldas a encaravam directamente, penetrantes, em nenhum segundo, elas desviaram-se de seus olhos.

Ulquiorra não era nem de perto o príncipe encantado que idealizava-se nos contos de fadas, ainda assim, conseguia -sem dúvida-, ser extremamente sedutor.

Notas finais
Estou com um novo projecto Ulquihime, é universo alternativo, #HECATOMBE. Avisos: Pretendo actualizar esta semana #RAZAOPARAVIVER.