Notas iniciais
⁂ Novo capítulo, e como prometido, as coisas vão começar a ficar mais interessantes! ⁂ Quero relembrar que o drama IchiRuki é secundário. O que eu quero dizer com isto? Não vai ser desprezado ou deixado de lado, não, óbvio que não é isso. Porém, não quer dizer que apareça em todos os capítulos ou que tenha uma grande importância para a intriga principal. Por isso não estranhem eles ficarem sumidos, e do nada, aparecerem. Não esquecendo que tudo o que Rukia sofreu, e consequentemente Ichigo, foi para os afastar de Hueco Mundo. Orihime, como na obra original, não recebeu o apoio dos shinigamis pela simulação de traição. Porém, seus amigos ignoraram esse ponto e foram atrás dela. O sucedido com Rukia foi o que travou esse acontecimento normal. ⁂ Amores, agradeço cada favorito e comentário. Espero que gostem deste capítulo, uma pequena homenagem a todos vocês!

As raízes secas eram circuladas pelos milhares grãos de areia gelados. A noite interminável de Hueco Mundo nunca mudava, não existiam ciclos naturais para prosseguir com a vida, era apenas um deserto onde a morte perdurava.

Ulquiorra e Orihime regressaram a Las Noches. O quarto espada precisava de relatar os últimos acontecimentos a Aizen-sama. Contudo, um cenário diferente os recebeu. Um silêncio incomum assombrava os longos corredores alvos. Não se escutavam passos calmos e sistemáticos produzindo eco, nem sequer haviam as discussões primitivas entre os arrancares escandalosos. Aproximando-se do quarto onde a ruiva tinha ficado em cativeiro, foram encontrando os primeiros rastos de sangue negro. Orihime levou a mão instantaneamente à boca, engolindo o grito de horror, reconhecendo as duas arrancares decapitadas: Loly e Menoly. Aquelas que invadiam o quarto oferecido pelo shinigami traidor, para a violentarem e ofenderem.

Lágrimas corriam pelo seu rosto percebendo os olhos opacos abertos, e o corpo mais pálido que o mármore forte normal num hollow. Ulquiorra parou, analisando a situação, completamente indiferente à ausência de vida dos corpos ou do eventual sofrimento anterior. Orihime não travou sua caminhada, antes, apressou o seu ritmo sem aperceber-se, ultrapassando o espada. Quase corria, observando pesarosa todos os hollows que encontrava, brutalmente assassinados. Os corredores sempre num branco puro estavam pintados de sangue.

Os soluços rasgaram sua garganta enquanto os braços rodeavam seu corpo. Ela não queria algo assim. Apesar de inimigos, e de a maioria dos que estavam mortos terem-lhe feito algum tipo mal, ela não ficava feliz. Odiava guerras e conflitos, não queria que ninguém sofresse. Inoue acreditava que os hollows na sua maioria se tornavam amargurados pela dor da solidão, ela conhecia essa revolta e mágoa, inclusive ela, foi injusta com Sora-nii-san. Ele ofereceu-lhe um presente, mas ela rejeitou, considerando infantil… Ele morreu antes de ela poder agradecer e afirmar que o amava. Os hollows tinham coração, mas esqueciam como era usá-lo. Poderia ser uma loucura, mas ela compreendia-os. Através de Ulquiorra, ela passou a enxergar os da espécie inimiga de forma diferente.

Estancou abrutadamente, seus olhos nublados arregalaram-se, e seus lábios moviam-se inutilmente. As lágrimas secavam em seu rosto, grudando-o, sequer percebeu quando Ulquiorra colocou-se ao seu lado, observando o mesmo que ela.

As esmeraldas não mostravam nenhum brilho diferente. Não havia tristeza, alegria ou surpresa, apenas enxergava seu superior Aizen Sousuke e seus dois fiéis aliados -Gin e Tousen- mortos. Fechou os olhos, com as mãos nos bolsos, tinha previsto algo de semelhante quando inutilmente o tentava contactar, os arrancares pendurados por katanas nas paredes e espalhados pelo piso na entrada, confirmaram sua suspeita. De algo ele estava certo, fosse quem fosse o responsável, teria de ser alguém extremamente poderoso e perigoso, para derrubar desta forma Aizen e todo o seu exército.

As íris de tom jade desviaram-se para a humana em choque. O motivo daquele ataque era óbvio: queriam a mulher. Mas, por quê?

Quase cometeu o descuido de revirar os olhos. Ele não tinha nada com isso, ela não lhe interessava em nada, Orihime Inoue era apenas ordens superiores. Sua expressão fria não demonstrava o que pensava, porém, imperceptível estreitou os olhos, percebendo um pequeno detalhe. No espectáculo de corpos, ele não encontrou Grimmjow e Nnoitra. Sobreviveram? Na verdade, isso não lhe interessava. Fora apenas uma observação de seu olhar sempre perspicaz.

Rodou os calcanhares, numa elegância peculiar e comum em seu andar, retornando o trajecto anterior no sentido inverso, deixando a ruiva petrificada no salão principal.

— Ulquiorra-kun, espere.—Quase suspirou irritado consigo ao perceber que interrompeu imediatamente sua deslocação ao escutá-la, ele não conseguia controlar seu corpo perto daquela humana, e isso o deixava severamente frustrado.

— O que quer?—Ele não a observava, sequer se virou para a direcção de Inoue. Contudo, percebeu o olhar genuinamente confuso cravado em suas costas, com seu tom calmo, explicou.—Aizen está morto, mulher. Eu não tenho motivo para obedecer a suas ordens. Você pode voltar para seus amigos, não me importo mais com o que faça.

Orihime sorriu com a reconquista de sua liberdade, porém desanimada. Acompanhou os seus passos visualmente, se afastando. Ulquiorra ia embora? Ela nunca mais iria poder vê-lo? Seu peito apertou, sufocando-a com essa hipótese, sentindo de novo os olhos arderem.

— Posso… eu quero acompanhar você, Ulquiorra-kun.—Seu gaguejar inicialmente pela timidez, fora substituído por uma ousadia e atrevimento que ela não costumava possuir antes de conhecer Ulquiorra.

Sempre tivera dificuldade em falar sobre seus sentimentos amorosos tão abertamente, a vergonha e a insegurança impediam-na. Mas com o quarto espada, era estranhamente fácil e simples. Ela conseguia ser tão natural ao seu lado.

Foi muito breve, mas notou um leve descontrole de reaitsu vindo de Ulquiorra com seu pedido. Ele permaneceu quieto no mesmo lugar, e por um instante, ela sentiu a necessidade de aproximar-se e esclarecer a confusão que ela sabia que ele estaria sentido naquele momento.

Ulquiorra estava claramente surpreso, no entanto, quando a encarou não demonstrou-o. Seus olhares se chocaram com adrenalina, e ele procurou minuciosamente por algum traço que denunciasse medo ou arrependimento. Apertou o lábio, irritado. Ele sabia que ela estava sendo sincera, determinada. Sua expressão era semelhante àquela que usava quando defendia seus nakadamas. Seu peito queimou com aquela sensação ridícula e ilusória, estava cada vez mais chateado com aquele borbulhar de emoções. Ele não via nada daquilo, portanto não podiam existir, nada escapava à sua visão apurada. Mantendo o olhar fixo na humana, demonstrou seu mau humor no tom fatal.

— Pare com isso mulher.

Orihime piscou o olhar, sem qualquer sinal de perplexidade ou confusão pelas palavras ásperas. Ela compreendeu ao que ele referia-se, e quase sorriu serenamente, livre de qualquer receio. Por que ela não o temia? O corpo de Ulquiorra tremia, sua cabeça latejava tentando encontrar alguma explicação lógica e razoável. Aqueles truques da ruiva, estavam a enlouquecê-lo. Sua presença era sufocante.

— Eu a trouxe para longe de seus amigos, não faz qualquer sentido o disparate que está dizendo mulher. Eu sou seu inimigo.—Prontamente Inoue interrompeu o continuar de seu raciocínio, relembrando as palavras anteriores pronunciadas pelo moreno.

— Aizen está morto. Não temos que ser mais inimigos, não é preciso continuarmos a lutar.—Enrugou a testa com a sua contestação, a ingenuidade daquela humana chegava a ser cómica.

— Não seja ridícula. Humanos são lixo…

— Eu vou acompanhá-lo.—De novo, ela o interrompeu, claramente decidida. Notoriamente, o Schiffer ficou tenso, irritando-se com a teimosia da ruiva, porém ela não se intimidou com o olhar furioso esmeralda. Ele não lhe faria mal algum, mesmo que ameaçasse. Confiava em Ulquiorra.— Eu vou segui-lo mesmo que não queira, Ulquiorra-kun. Posso não ser forte como um espada mas… terá de matar-me para eu parar.

Ele arqueou a sobrancelha levemente surpreso, notando esta sorrir para si. Aquilo era fácil demais para alguém como ele, a diferença entre os dois não permitia sequer um combate de um minuto. Por que ela mantinha-se tão convicta que ele não a machucaria? Por que ela se submetia àquela situação? Qual era o objectivo da mulher com tudo isso? Por que ela não temia aquilo que ele poderia fazer facilmente contra ela?

Com um aflorar rosado em suas bochechas, Orihime aproximou-se de Ulquiorra, rindo nervosa, adivinhando seus pensamentos.

— Sabe, sentimentos não tem explicação Ulquiorra-kun. Eu não entendo muito também, nunca senti nada tão forte assim, é estranho e diferente… mas eu acredito, que estou apaixonada por você.

As palavras fluíram entre seus lábios, curvados num sorriso discreto. Orihime não mentiu. Seu amor platónico por Ichigo foi intenso e importante, o Kurosaki-kun era um ídolo para admirar-se. Um herói honrado e corajoso. Demorou a perceber que isso não era amor, não aquele que sonhara. Era orgulho, amizade, laços fraternais. Um sentimento que ajudou-a a superar a dor de perder essas emoções com seu irmão mais velho quando ele padecera. No entanto, o sentimento que nutriu gradualmente com as visitas nocturnas do espada era algo muito maior. Era amor, estava certa disso. Orihime sentia como se conseguisse tocar nessa conexão com o espada. Ulquiorra não era um herói, era um homem sofrido que precisa de ser amado e amar. As falhas que ele demonstrava apenas a instigava a aproximar-se mais e a preenchê-lo, seus defeitos faziam com que ela se sentisse útil por pertencer na sua vida.

Ulquiorra não se moveu, permanecendo em silêncio. Surpresa, revolta… algures em seus pensamentos, reconheceu o medo. Medo do que aquelas simples palavras lhe provocaram. O peito encheu-se de orgulho, e nas profundezas de sua alma algo sussurrou que a humana era a sua onna. Sentiu que, o oco em seu peito tinha sido preenchido.

Amor era uma ilusão criada pelos humanos, justificando sua existência inútil. Uma razão incoerente para criarem relações em base de interesses. Ele não sentia nada, ele tinha perdido essa parte humana, a sequela que tornava-o fraco.

Orihime tocou em sua mão, entrelaçando os dedos, arrepiando-o com esse simples gesto. Num milésimo de segundo, embriagado por toda aquela loucura, quis sentir o mesmo que ela. Desejou corresponder a essa insanidade. Mas não era capaz, ele não tinha um coração para amar. Ele era um hollow, e sempre o seria.

Notas finais
#AVISO Eu não consegui actualizar no mês passado Razão Para Viver, este mês quero postar o capítulo. Estou a prever a actualização para a próxima semana.