Notas iniciais
Hey malta o/ Era para ter actualizado hoje a The Hell Verse e A História de Karin que são as que estão mais atrasadas mas infelizmente o meu pc está com uns problemas e não consegui abrir os ficheiros. Por isso decidi começar a escrever este. Só para avisar: este capítulo vai ter umas ligeiras "quebras de tempo" até porque acho que os leitores não iriam apreciar... Espero que gostem apesar de ser dramático eheh Boa leitura*

– Maldição… O que devo fazer?

Ichigo encontrava-se deitado em sua cama, com as pernas estendidas e os braços cruzados atrás da cabeça, reflectindo os últimos acontecimentos.

“Inoue Orihime será julgada como traidora!”

A voz grave do Comandante Yamamoto encheu seus ouvidos mais uma vez. O ruivo contorceu seu rosto numa careta. Não compreendia aquele velho e suas regras estúpidas. Que sentido fazia aquela condenação?

Depois de tudo o que ela fez pela Sociedade das Almas, era assim que a tratavam? Como um inimigo? Inoue abandonou seu reconfortante lar, treinou arduamente para participar numa catastrófica guerra para salvar uma shinigami inocente. Lutou ao lado deles contra os capitães traidores, defendeu o seu mundo de arrancares ao comando de Aizen… E o Gotei 13 não fazia rigorosamente nada para a salvar!?

Ela também ajudou a curar muitos de seus membros feridos junto do Quarto Esquadrão, ela esgotou sua reaitsu para reunir as forças dos shinigamis. Podiam ser um pouco mais gratos e simpatizantes com Orihime. Podiam dar o benefício da dúvida.

Mas aí ele se recriminou... O que ele também fazia deitado em sua cama? Porque já não a fora buscar? Por estar sozinho? Isso nunca foi um impedimento para si… Ele com Rukia nem hesitou. Então porque agora nem cogitara salvar sua nakama mesmo sem o apoio de ninguém? Erguendo-se, ele tomou uma decisão.

– Eu vou salvar Inoue.

– Não o podes fazer sozinho, idiota.

– Rukia? Não me importa o que dizes, irei…

– Eu vou contigo, Ichigo.

– O quê?

– Inoue também é minha amiga. Ela arriscou-se por mim na Soul Society, agora é a minha vez.

O ruivo sorriu emocionado. Rukia sempre lhe transmitia coragem, era como um porto seguro. Se sentiu bem ao saber que ela o acompanharia, mesmo contra as regras, eles estariam juntos. Seus olhares por um momento estavam conectados, não os desviando por um único milésimo de segundo. Contudo, Rukia despertou desse transe começando a ficar ligeiramente incomodada com o olhar avelã penetrante em si, constrangida tentou fugir da situação.

– Vamos ao Urahara’s Shop. Ele com certeza abrirá uma garganta para nós.

– Certo.

Após Ichigo abandonar seu corpo, juntos pela densa noite, começaram a saltar de casa em casa. Porém algo inesperado acontece. O Kurosaki abrande a sua velocidade e subitamente enxerga um vulto atravessar por ele rapidamente, na direcção de Rukia. Esta não reparou no distanciamento do ruivo e inesperadamente à sua frente depara-se com uma sombra, semelhante a um sorriso macabro. Soou uma gargalhada potente, que só a Kuchiki pareceu escutar.

O Kurosaki ao reaproximar-se com um mau pressentimento, identificou uma cabeleireira negra e no momento seguinte foi atirado contra o soalho, batendo drasticamente com a cabeça, começando a sangrar inexplicavelmente.

Abrindo ligeiramente seus olhos, o substituto de shinigami identificou um remoinho preto e branco à sua frente, fazendo-o sentir zonzo. Com a progressiva calmaria dos ventos descontrolados, ele finalmente pode sentir um poderoso poder espiritual. Um arrancar.

– Ichigo!

A shinigami deslocou-se até Ichigo ao reparar no estado crítico do mesmo.

– Nem penses nisso, bonequinha.

O inimigo agarrou a Kuchiki pelos cabelos, fazendo esta urrar de dor, aterrorizandoo ruivo que escutara perfeitamente seu grito agoniado. Ele tentara se levantar, mas mal moveu seu corpo um soco o fez tombar novamente, rompendo sua mandíbula.

– Bastardo…

– Prazer Kurosaki Ichigo… Vim para te surrar.

Tentando elevar a cabeça para observar seu agressor, tudo o que viu foi uma imagem desfocada. Cabelos longos e negros, e um enorme sorriso malévolo era o que identificava. Sangue escorria do canto da boca do ruivo, que ao observar o céu nocturno, notou que as estrelas sob ele pareciam girar, desaparecendo em seguida.

O que diabos… aconteceu?

Submerso na confusão, permitiu-se entregar à plena escuridão.

– Rukia…

Murmurou antes de fechar os olhos completamente. Novamente o invasor esconde sua reaitsu para não ser detectado antes do tempo certo. Aumentou o seu sorriso, desviando seu olhar para a shinigami estendida. A parte divertida iria começar...

Rukia cuspia salpicos de sangue, esfregando seu queixo dorido. Ao procurá-lo com o olhar violáceo, ela encontrou Ichigo deitado a poucos metros longe dela, em um lago escuro de seu próprio sangue. Algo estava errado… Como um simples ataque o deixara naquele estado? Qual era o segredo para tal catástrofe?

– Ichigo…

A Kuchiki estende a mão, engatinhando, disposta a alcança-lo. No entanto, deparou-se com um par de pernas cobertas de hakama, bloqueando seu trajecto. Então, ela sentiu que estava sendo levantada facilmente por seu kimono negrume. E um rosto, horrivelmente torcido e meio escondido por uma cortina de cabelos escuros fora revelado.

– Quem és tu arrancar?

– Nunca te ensinaram… Que as meninas não devem sair tão tarde? Pode ser… Perigoso.

Novamente sorriu. Rukia engasgou-se com a própria saliva e tentou gritar, mas este inseriu dois dedos pela garganta da shinigami, para a manter em silêncio. Não sabia o que o inimigo pretendia, a última coisa que sentiu foi suas costas jogadas contra o doloroso pavimento enquanto o arrancar desembarcava sob seu corpo. Os olhos violáceos se arregalaram ao observar o ser nauseabundo lamber seus lábios avidamente.

– Meu nome é Nnoitra. Nunca te esqueças, bonequinha.

Orihime suspirou, descansando em sua cama. Soprou uma mecha de cabelo ruivo que tinha pousado em seu olho. Sentia-se insuportavelmente entediada desde que foi confinada àquele lugar.

Na verdade, não fora só isso: ela perdeu Tatsuki-chan, Ishida-kun, Sado-kun, Kuchiki-san e Kurosaki-kun, todos seus amigos de uma vez. Desejava-os os ver, estar com eles. Seu coração com um cordão rebuscava em sua mente lembranças agradáveis com eles, a torturando, a fazendo mergulhar naquele imenso abismo solitário.

– Vamos Orihime… Não podes ficar assim! Não fiques triste, isto é quase…

A ruiva começou a monologar consigo, preenchendo seus ouvidos com algum barulho para além do silêncio insuportável. Sorrindo amplamente tentava encontrar o lado positivo da situação. Observava em redor de seu quarto branco, completando sua frase.

– Isto é quase como uma estadia num hotel!

Sorrindo mais amplamente, ela começou a acenar positivamente com a cabeça, apreciando sua imaginação.

– Estou num hotel luxuoso com uma refinada decoração de linho branco, cujo motivo é o branco puro! Oh sim, e quão sortuda sou eu para disfrutar do meu próprio sofá branco!

Pulando, ela batia palmas animadamente. Mas novamente assumiu uma postura pensativa.

– Me pergunto se Aizen-sama tinha tudo pré-ordenado? Espero que ele não me deixe com a dívida toda para mim! Teria de arranjar cinco empregos e passava a minha vida a trabalhar para pagar tudo!

A ruiva começou a caminhar ao redor da sala, acreditando no teatro que a própria criara.

– Será que ele organizou tudo isto só para mim…?

A imagem de um caminhão de entrega em Hueco Mundo, e os homens com seus devidos uniformes a carregarem os móveis para fora do veículo a fez rir descontraidamente, enxugando as lágrimas de alegria.

– Mulher.

– Ah!

Com um tremendo susto, ela salta para trás deparando-se com Ulquiorra, que ergueu uma sobrancelha interrogativamente.

– O que você está fazendo? Só ouvia sua voz quando caminhei pelo corredor.

Com uma criança amuada, Orihime cruzou os braços debaixo do peito o elevando, fazendo beicinho.

– Não há nada para se fazer! Além disso não ouviste falar em bater antes de entrar?

A sobrancelha fina do Ulquiorra subiu tão alto que estava em perigo de desaparecer sob o seu cabelo preto, porém ele não se atreveu a dizer nada. Tinha receio do próximo disparate que pudesse sair dos lábios carnudos.

– Entre.

O espada ordenou por cima de seu ombro, e o mesmo servo veio com a bandeja da comida. O moreno se virou para a encarar, com seus olhos verdes inexpressivos.

– Seu café da manhã, mulher.

Manhã…?

A princesa de Las Noches encarou a janela de seu quarto, com a absurda crença de encontrar um mísero raio solar, mas só a lua reinava no céu. Soprou um pouco de ar pelas narinas, descruzando seus braços, caminhou até a sua refeição. Ela passou por Ulquiorra sem o olhar, magoada pelo seu desprezo anterior, começado a arrancar pedaços de pão, mastigando-os irritada.

Verdade seja dita: ela estava com bastante fome depois de deixar de jantar, mas se esta era a única maneira que ela pudesse resistir, então ela iria resistir!

Depois de se alimentar com uma quantidade minúscula de pão e nem sequer tocar na sopa suspeitosa, Orihime repetiu sua fala.

– Estou cheia.

Uma mão apareceu diante dela, colocando um copo de água em cima da mesa. Era do Ulquiorra. Ela não pôde deixar de notar sua pele pálida mas brilhante, como um artista que ele…

– Não está com sede?

Sua inesperada pergunta com uma leve pincelada de preocupação a retirou de seus devaneios.

Suspirando, ela não teve como negar a água. Na realidade, estava sedenta. Pegando no copo, esvaziou-o, agradavelmente surpreendida com o frio gelado que corria em sua garganta. Em seguida. ela largou o objecto de vidro novamente.

– Obrigada.

Inoue murmurou baixinho, temendo que alguém escutasse seu agradecimento ao seu sequestrador. Temia que sua mente a culpasse ainda mais… Assistiu ao espada, em silêncio, recolher os materiais.

– Finalmente, vou conhecer a mascote do Ulquiorra.

A voz fez com que Inoue se encolhesse amedrontada. Se virando lentamente, depara-se com um espada altíssimo, encostado no batente da porta aberta. Podia ser só impressão sua, mas viu a mesma mão de Ulquiorra enrugar como se tivesse ficado tenso com a visita inesperada.

– Nnoitra. Você voltou.

– E muito feliz, oh se estou…

O quarto espada fez algum barulho na parte de trás de sua garganta com esse comentário, algo entre reconhecimento e desgosto. Orihime entreolhava-os como tentando decifrar ao que os arrancares se referiam.

– Não deverias estar aqui Nnoitra.

Ulquiorra falou rapidamente, enquanto o quinto revirou os olhos.

– Ah, vais dizer a Aizen-sama sobre mim?

Ele redireccionou-se para o pequeno servo arrancar que balançou a cabeça repetidamente, saindo da divisão. Sem se conter, o moreno suspirou minimamente desta vez. Nnoitra no entanto não parecia satisfeito por ter arrancado um gesto do quarto espada, em vez disso estava mais focado na garota humana à sua frente, sua mente começou a trabalhar fazendo este sorrir.

– Senhorita mascote, sou o quinto espada… Prazer em conhece-la. É muito tentadora, sabia?

A ruiva como efeito instantâneo esqueceu-se de como respirar, quando observou o outro espada se aproximar dela. Tinha medo. Ela conseguia conviver com Ulquiorra mas este a intimidava, não conseguia enxergá-lo sem começar a tremer.

– Nnoitra. Estás a desobedecer às ordens de Aizen-sama por vir aqui. Sai imediatamente.

Este fez uma careta com a ordem desagradável, encarando Ulquiorra bloquear seu caminho, posicionando-se na frente da ruiva, que instintivamente agarrou nas vestes deste.

– Certo, certo.

Ele virou as costas irritado, mas antes de atravessar a porta para seguir seu caminho ele riu, enxergando-a sob o ombro. Inoue estremeceu com os olhos negros que a percorriam de cima a baixo encolhendo-se ainda mais nas costas de Ulquiorra.

– Talvez nós nos voltemos a encontrar durante algum tempo, senhorita mascote.

Com isso ele desapareceu completamente, mas seu aviso não abandonara a mente da humana. Tremia como se ele ainda estivesse ali a perturbá-la com seu olhar faminto. Ela só podia imaginar o que aconteceria se encontrasse aquele monstro, outra vez…

– Mulher. Se ele vier aqui de novo… Não se esqueça de me avisar.

Ela tentou falar, porém a frase morreu em sua garganta. Queria implorar por sua companhia… Para que ele não a deixasse naquele momento mas não disse nada, limitou-se a sentir a veste dele sumindo entre seus dedos.

Respirando fundo, ela arranjou forças para eliminar seus medos e repetiu o procedimento de ontem. Ao descer da cadeira, ela estremeceu ligeiramente. Sentia-se enjoada, talvez por fraqueza. Talvez um descanso em sua cama seria bom…

A última coisa que ela se lembrou, curiosamente, foi... Kuchiki-san.

Algo torturava sua cabeça, martelando-o. Resmungava de dor, enquanto forçava suas pálpebras a abrirem tendo contacto com uma luz fraca.

– Olha só quem acordou. Bem-vindo de volta Kurosaki-san.

– Urahara? O que aconteceu?

Confuso, depositou uma mão até seu couro cabeludo percebendo que estava enfaixado. Tentou erguer-se mas o impediram.

– Não se mexa Kurosaki-san, não está em condições de se levantar.

– Eu não me lembro do que aconteceu, eu… A Rukia!?

– Nós vos encontramos tarde… O inimigo escondeu a reiatsu e não tínhamos como…

– Isso não importa! A Rukia!?

– Ela…

– A Rukia está bem? Onde ela está?

– Acalme-se Kurosaki.

– Urahara me diz onde está Rukia!

– Ela está viva… Mas não está nada bem.

– Como?

– Nós suspeitamos que ela possa ter sido… Estuprada.

Ichigo o encara sem acreditar, não podia ser verdade. Nada daquilo fazia sentido. Porque ele ficou inconsciente com um golpe? Porque abusariam de Rukia?

– Não é verdade…

– Lamento Kurosaki-san… Yoruichi está com ela e…

– Rukia! Rukia! Rukia!

– Não se pode mexer Kurosaki-san!

– Me deixem ver a Rukia! Eu preciso de a ver!

Ichigo gritava descontroladamente, debatendo-se contra Tessai que não permitia que o substituto de shinigami saísse do seu lugar. Lágrimas sôfregas fluíam pela sua face enquanto seu coração se coloria de negro… Ele só desejava matar aquele que ousou tocar na sua pequena shinigami. Ele faria o individuo desejar nunca ter nascido.

Jinta encontrava-se a um canto escondido melindroso com a reacção do ruivo, enquanto o lojista já previa aquele dramático cenário. Limitou-se a agachar sua cabeça, observando seu subordinado socar Ichigo para este adormecer novamente, esperando acalmá-lo assim. Mas ele sabia, que nem no sono mais profundo, Kurosaki iria encontrar paz.

Tenho pena do arrancar que se atreveu a mexer com o coração de Kurosaki-san...

Ulquiorra sentia um incómodo em seu peito, arrependia-se de ter deixado a mulher sozinha. Devia ter ficado com ela algum tempo, pelo menos até ela se acalmar. Ele recriminava-se por afligir-se tanto com ela, sua função era mante-la viva, não preocupar-se.

Ele sabia perfeitamente o que ocorrera no Mundo Real com Nnoitra, seu sorriso o deixava nítido. O mesmo sorriso que direccionou para Orihime. Por um momento estremeceu ao imaginar se ele fizesse o mesmo com a ruiva. Não entendeu o motivo. Mas se o quinto ou outro arrancar qualquer ousasse tocar na mulher com um único dedo, ele o mataria sem hesitar.

Nnoitra teria de ser cauteloso… Para além de necessitar de escapar da ira perturbada do substituto de shinigami, teria de esquivar-se da cólera do quarto espada.

Notas finais
Pelo menos desta vez actualizei no início do mês -rindo sem graça- Agradeço os favoritos e todos os comentários :) Beijinhos, Até o próximo o/