Notas iniciais
Novo capítulo! Considerem uma prenda de V-Day atrasada, eheheh. ⁂ O tamanho do capítulo não me agrada de todo... mas já está decente. Eu vou ter 4 provas de avaliação na próxima semana e previ que se não postasse hoje não postava mais este capítulo (pelo menos no mês em que prometi tentar de tudo actualizar). Por isso achei melhor encurtar este capítulo e aprimorar o próximo. ⁂ Relembrando que só volto a postar daqui 3/4 meses. Porque preciso de actualizar as outras histórias. ⁂ Para quem acompanha e tem interesse saber a próxima história a ser actualizada é "Renúncia" (HitsuKarin). ⁂ Eu estou a escrever uma oneshot UlquiHime de Universo Alternativo. Eu já tinha começado ela antes de dar esta sumida e nem sequer me lembrava dela. Quando actualizar as histórias penso postá-la logo. E tem uma temática muito semelhante a esta fanfic por é sobre a importância das cores no contexto da cegueira. Eu planeei uma oneshot gigante mas tendo em conta que tem muitas semelhanças com esta não vou alargar-me tanto como iria fazer inicialmente, preferido desenvolver esta história. ⁂ Obrigada amores pelos comentários de apoio e elogios, boa leitura!

O céu cintilava em sua imersão azulada. Observá-lo era uma harmonia. Ou quase.

Rapidamente, poderia-se tornar-se monótono. O azul do céu não mudava, apenas continuava lá, constantemente, sem alteração ou qualquer graduação. A serenidade transformava-se numa inquietação sonolenta. Era como não sair do mesmo lugar mesmo que os olhos sempre estivessem em movimento, procurando algo de novo.

Orihime aprendeu que as cores eram bipolares. Não importa qual seja a sua tonalidade… Quando só existia essa cor as boas sensações eram substituídas pelo seu inverso. As cores, no fundo, são apenas cores. Embora imprescindíveis para a sanidade, todas as emoções a elas associadas eram um reflexo de quem as observava, e das circunstâncias envoltas dessa mesma observação.

Com essa conclusão, a princesa de Las Noches pode concluir algo ainda mais incrível: a noite eterna de Hueco Mundo não era assim tão má como aparentara inicialmente.

O problema não eram as cores daquele mundo mas o facto de elas nunca mudarem. E isso não é o que acontece em todos os mundos? Há um conjunto limitado de cores, o céu nunca passa de um azul, um cinzento ou aquele conjunto tricolor -amarelo, laranja e vermelho. Se ela sempre observava o céu, mesmo com estas transformações, um dia iria cansar e esse espectáculo deixaria de ser belo.

Presa em seu quarto, restava-lhe observar pela janela, o único contacto para o mundo exterior. A Lua e a noite enjoavam-na. Porém, se ela estivesse prisioneira num cómodo na Sociedade das Almas ou em seu próprio mundo, observando sistematicamente o céu não acabaria também por fartar-se dele? Iria ser monótono independentemente do lugar. No entanto, desde que descobrira os novos sentimentos pelo quarto espada, encontrara algo para além de olhar pela janela… Desde que iniciaram a sua viagem juntos pouco encarara o céu, aquele ambiente nocturno até lhe soava a romântico. Agora, ela preferia olhar o moreno de olhos jades à sua frente, e contrariamente ao céu azul, esta era uma visão impossível de cansar… Porque ela enxergava-o com os olhos do coração. E esse sentimento sempre muda, sempre aumenta… se transforma em algo que nem ela conseguiria explicar mesmo que quisesse.

— Concentre-se, onna. —A recriminação fez com que Orihime recuperasse do seu torpor e se envergonhasse. Acenando com a cabeça como se desculpando. Ulquiorra parecia ter suspirado com a sua distracção.

De novo, ela juntou as mãos, flexionando as pernas, cantando a magia. O escudo desaparecera em segundos com o golpe de Ulquiorra. Não houvera nenhum avanço em três dias, não compreendia aquele interesse súbito de Ulquiorra em treiná-la. Cogitou que fosse para conseguir proteger-se daquele shinigami com máscara hollow. Mas era um esforço inútil, ela reconhecia. Encolheu os ombros rindo nervosa e constrangida em sua direcção. Ele estava tendo muita paciência com ela, e era-lhe grata por isso. Porque ao menos ele confiava nas suas capacidades… mesmo que não fossem muitas.

— E que tal se parássemos por hoje, Ulquiorra-kun?

— Está desistindo, onna? —Foi como um soco no estômago. Ulquiorra sempre tão directo; era encantador, alucinante e cruel...— Porque desiste de treinar os seus poderes tão facilmente e nunca desistiu de defender os seus amigos, mesmo contra oponentes mais fortes, não compreendo os perigos dessa atitude?

Aquela pergunta sarou por completo a amargura da primeira parte da questão, compreendendo, enfim, a real inquisição de Ulquiorra. Ele não a estava a humilhar ou troçar de sua fraqueza humana, estava a encorajá-la.

Embora tivesse ficado aliviada com isso, sorrindo e descontraindo os ombros, ao mesmo tempo não sabia o que responder. Como explicaria algo que nem ela compreendia? Ulquiorra analisava minuciosamente cada reacção expressiva de Orihime, entendendo algumas das coisas que apareciam em sua mente. Ele sabia muito bem porque ela não era forte, porque não treinava… Orihime Inoue não confiava em seu poder. Por isso desistia e não se empenhava verdadeiramente em seu treinamento.

— Aizen viu algo em seu poder, mulher. E eu concordo com ele, você tem um poder peculiar que nunca tinha visto antes. Procure desenvolve-lo se quiser defender a si própria.

Orihime esquecera-se de respirar… Ulquiorra estava elogiando-a!? Isso era um grande elogio! Um grande avanço! Seu coração batia tão forte que machucava, ainda assim seu sorriso era radiante, uma renovação crescia dentro de si. Se até o espada mais fiel de Aizen, e que detestava humanos, acreditava em si é porque ela poderia conseguir!

O apoio e motivação fizeram com que brotasse a determinação que nem ela percebia que tinha. Sorriu, e avançou contra o corpo do espada, enterrando a cabeça em seu peito.

Arigato, Ulquiorra-kun! Eu vou conseguir...— “com a tua ajuda”, completou em pensamentos.

O corpo do espada parecia ter virado uma pedra. Estático, não reconhecia o calor que lhe subia pelo peito. Quase não conseguiu controlar o tremor ocasionado pelo arrepio causado por aquela mulher ao tocá-lo com tanta intimidade. Deveria afastá-la, sumir no sonido até deixar de sentir sua reaitsu… mas a dor, só de ponderar essa hipótese, era alucinante.

Ele a encarava quando ela ergueu os seus olhos para observá-lo. Notou a coloração rósea em sua face e por instantes desejou tocá-la. Com uma certa ousadia, ergueu a mão para tocar na sua face, contudo, travou o movimento antes de a alcançar. Analisava cada consequência resultante desse acto enquanto a observa, constatando o olhar desta embriagado de expectativa. Estava confuso… Aquilo não fazia sentido. Nada fazia… Ele deveria ser capaz de observar aquelas coisas que o consumiam naquele instante. Ia recolocar a mão no bolso da calça quando Orihime segurou seus dedos conduzindo-os até ao destino que ele inicialmente almejou.

Estava quente, muito quente. Ela não desviava o olhar e ele, movido por uma curiosidade nova, remexeu os dedos delicadamente sobre o rosto rosado com receio de a machucar.

Suas feições eram suaves e tão frágeis… Não percebeu quando seus dedos analisavam a nuca, nariz, queixo… fazendo o percurso até os lábios. Contornou o lábio inferior com o polegar, escutando o aumento dos batimentos cardíacos da ruiva. Ela entreabriu os lábios, suspirando. Não compreendo como, Ulquiorra quis tocar naqueles lábios com os seus.

Tão rápido como teve essa ideia afastou-se velozmente, quebrando todo o contacto com a mulher. Estava em delírio. A sua pose calma e ereta permanecia intocável, mas dentro de si fervia… como se estivesse prestes a fazer algo proibido. Contra todas as suas convicções.

Orihime não sabia o que pensar. Ulquiorra estava confuso, ela compreendia… Todavia não conseguia ignorar os seus próprios sentimentos. Como acalmar o seu coração depois disso? Ele ia mesmo beijá-la?!

— Ulquiorra! Já sentia saudades tuas! Ainda com a humana-mascote? —A voz estridente rompera pelo deserto, embora tivesse assustado Orihime não lhe soou a ofensiva.

— Grimmjow. O que você quer? —O tom seco não diminuíra o sorriso do sexto espada, que tinha uma cicatriz em seu peito. O cabelo ligeiramente maior e bagunçado.

— Esse é jeito de tratar os amigos, Ulquiorra? A humana não lhe ensinou a tratar melhor os outros? Está aproveitando a morte de Aizen para estar com a humana, quarto?

O tom jocoso e estridente não estava irritando Orihime, porém, ela notou leves alterações na mudança de humor do quarto espada. Quase sorriu, achando piada àquela situação. Não parecia que fora mantida em cativeiro por aqueles dois homens.

Ulquiorra fechou os olhos, possivelmente pronto a ignorar o sexto espada, indicando outro rumo fazendo Orihime segui-lo, porém Grimmjow transportara-se para a sua frente, sorrindo.

— Eu decidi juntar-me a você e à princesinha, Ulquiorra. —Os olhos da pantera desviaram para Orihime que o observava surpreendida.

Nesse momento ela percebeu que havia uma tonalidade de azul muito mais peculiar, e feroz, do que a do céu em dias de sol.