O Coração do Espada
7 Atracção
Notas iniciais
Algo ilógico acontecia.
As vibrações daquele mundo a aproximaram surrealmente do corpo de mármore potente à sua frente. Algo fazia seu corpo a acercar-se demasiado do espada. Ou seria a sua própria vontade que tomou o controlo, a atraiçoando?
As pisadas firmes do espada no piso, enrijeceram sua pele. Por um momento Orihime vidrou-se no olhar profundo, sentindo a respiração fresca bater contra sua face calorosa, entreabrindo os lábios com antecipação. Um gesto espontâneo, que nem a própria reparara que o fizera.
Desconsiderando a posição dela naquele lugar e as acções condenáveis de Ulquiorra contra si, Orihime aproxima seu tronco contra o peito do espada, destruindo os pequenos centímetros que ainda os separava.
Os movimentos inesperadas dela, o surpreenderam. Mas maior fora sua curiosidade. Apesar de ele não mover um único músculo para se aproximar, também não se afastara, não repudiava o seu possível toque. Antes parecia que de alguma forma o agradava.
Uma característica da raça humana era a sua imprevisibilidade. Eles não seguiam as leis da razão e lógica, em vez disso entregavam-se aos sentimentos. Será isso algo de se louvar ou condenar? Como aqueles seres tão frágeis conseguem caminhar em trilhos tão incertos com o coração a guiá-los? Que os prende a pessoas, possibilitando aos enganos e traições? A fraqueza dos humanos é os sentimentos, porque os deixam vulneráveis perante os inimigos, porque sacrificam sua vida por outro. Ulquiorra Schiffer não compreendia a alegria de viver, se um dia eventualmente iriam morrer. O apego dos humanos à vida os fariam repudiar o destino e a fatalidade do padecer. Iriam recusar o inevitável.
Qual o sentido de viver feliz se um dia terá-se de abandonar essa alegria para receber a morte? A mente travessa irá recordar o seu portador desses momentos para escapares da morte. Uma caçada em que no final sempre enfim finalmente capturado, por muito rápido que sejas na fuga.
A loucura pairava na mente de Inoue, que perdera a completa noção do perigo. Só queria apaziguar o tormento dentro de si, só queria sentir. Erguendo seus pés, até ficarem de pontas, ela deposita suas mãos na altura do peito deste, fechando seus pequenos dedos em volta da veste pura. Procurando seu sustento. Fechando gradualmente os olhos, se entregando à sensação calorosa arrebatadora, ela consegue que os lábios de ambos se encontrem por um milésimo de segundo.
Não sentira sua textura, não tivera tempo para tanto. Embora, o suficiente para perceber que Ulquiorra não era completamente frieza. Podia não ser quente como as chamas, no entanto era um frio agradável, ameno como um dia quente de chuva.
O quarto espada sempre se manteve imóvel, não saindo de seu lugar durante todo o percurso desta, nem quando sentiu de relance os lábios dela terem encontrado os seus. De olhos abertos, sempre assistiu suas reacções, intrigado, e só quando ela fechara completamente as pálpebras, numa visão vulnerável e tentadora, compreendeu que aquela situação fora longe demais, voltando a raciocinar, antes de ser contaminado com a enfermidade da mulher que ele vigiava.
Violentamente, ele afasta-se com o sonido, quebrando a ligação que criaram naquele momento. Orihime não parecia surpresa, talvez até o estivesse mas não por ele se ter afastado e sim por ele ter demorado tanto tempo para isso. Obviamente não queria ser repelida, porém era algo que ela sabia que teria de suceder. Ulquiorra não a rejeitava a si, mas aos sentimentos.
Seu peito estava incomodado. O frio e o vazio que ela sentia a perturbava, uma vez que acabara de experimentar o calor do espada, a dor agora aumentara. Sentia a falta daquele que por instantes a preencheu.
Apesar da mente do arrancar estar confusa, ele não fez nada que o revelasse. Ele prosseguia com sua postura recta, normal, como se nada tivesse-se realizado naquele divisão limitada. Talvez de facto não tivesse acontecido, e tudo tinha sido delírio da mente da cabeça da ruiva peculiar.
Ulquiorra temia aquele olhar cinza brilhante, esperançoso de algum gesto da sua parte. Aproximando-se rapidamente, ele agarra os dois pulsos dela os suspendendo no alto, a encostando na parede. Com uma mão pegou no pão e ia obrigá-la a comer, enfiando pela sua garganta abaixo se necessário. Orihime prevendo seus próximos movimentos, desgostosa com o facto de ele ter mudado drasticamente de atitude, percebe o quão ridícula foi. Para além de repudiada, ela foi infiel aos seus amigos, traíra suas amizades, sentindo-se atraída pelo inimigo.
– Eu posso comer sozinha.
Observando as lágrimas começaram a descer pelo rosto da princesa de Las Noches, Ulquiorra solta seus pulsos, dando-lhe uma nova oportunidade de esta provar sua lealdade a Aizen-sama. Sentindo seus pulsos novamente livres, ela atravessa o corpo de Ulquiorra, sentando-se na cadeira começando a mastigar os alimentos silenciosa.
O espada vira o rosto, olhando-a sob o seu ombro. Algo em seu peito encolheu ao vê-la naquele estado. A fúria estava a domá-lo, odiava o desconhecido. E por um momento temeu estar a sentir o que os humanos, insanos, diziam sentir. Aliviado, retirou a bandeja agora vazia quando a ruiva terminara sua feição autonomamente. Ia retirar-se imediatamente, mas a voz fina o abraçou, impedindo-o d eprosseguir seu trajecto.
– Seres que não estão vivos é suposto serem quentes?
Ele estancou com essa pergunta, não sabia o que responder, porque ele também não conhecia a resposta para essa incógnita. Cogitou abandonar os aposentos sem dizer nada, afinal não era sua obrigação responder-lhe. Mas fez-o. Não fora capaz de sair sem dizer algo, a ignorando completamente. Com certeza, aquele quarto fora possuído por energias estranhas. Sempre que colocava um pé por ele, algo acontecia o modificando.
– Não digas tontarias mulher. Seres mortos são vazio.
A longa cabeleireira ruiva dançava elegantemente, com a pequena brisa que ocasionalmente entrava pelas brechas da pequena janela, nas costas de Orihime. Ela encarou o espada sair, fechando a porta, repensando diversas vezes na afirmação deste. Fechou os olhos, unindo as mãos numa prece. Reabriu os olhos, não chorando mais mas ainda tendo um rasto de lágrimas visíveis pelo rosto.
– Não acredito nisso…
As esferas esmeraldas vieram à sua mente, e novamente seu corpo tremeu. Afinal não era só na sua presença que ela sentia-se deslumbrada; até mesmo ausente, em suas especulações mentais, ela estava atraída pelo quarto espada.
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