Notas iniciais
Oii, meu talento pra fazer títulos continua nulo :P (Não me julguem u.u) Ah, o próximo capítulo ou postar 2 juntos. Isso mesmo, 2 em um dia só huhahaha. Primeiramente por que ficaria muito longo. Depois, pq talvez (apenas talvez por enquanto) eu tente mudar o estilo de narração. Enfim, boa fic :D

Edward teve apenas uma vaga noção da esfera de teias que Arabela criava em torno dele e do irmão desacordado. Sua cabeça latejava... Lembrava-se apenas de ver o irmão caindo inconsciente no chão e de uma pancada dolorosa em sua cabeça, mas julgava não ter desmaiado. Pelo menos, não por muito tempo, pois a aranha bruxa construía a jaula redonda de teias em uma velocidade sobrenatural, as mãos humanas e oito garras aracnídeas trabalhando em perfeita harmonia... Em menos tempo que o menor esperava já estavam sendo carregados pela aranha para cima, através de outro daqueles que Edward agora sabia que eram túneis escavados pela monstruosa mulher aranha.

Logo Arabela os havia levado para uma redoma de teias que parecia estranhamente sólida, como se fosse de vidro... Com a dor na cabeça diminuindo, o pequeno comoçou a notar algumas coisas. Primeiro: não estavam mais em baixo da terra, pois as estrelas brilhavam no céu acima da cúpula... Depois notou algo mais perturbador: abaixo do chão, protegidos por mais teias vitrificadas havia o que ele supôs serem ovos de mulher-aranha. Eram brancos, como se suas cascas também fossem de teia, se mexiam e brilhavam, como se algum tipo de magia emanasse dali. A visão deu calafrios em Edward, mas também o deixou mais em alerta.

Ele levantou-se com dificuldade. Arabela estava logo acima, prendendo a gaiola esférica de teias no teto da cúpula.

– Ed! — Ele sacudiu o irmão, que acordou desorientado pela pancada na cabeça.

– Mas o que?... Ai... — Disse ele, colocando a mão na têmpora.

– Arabela, bruxa-aranha, filhotes, não dá tempo! — Atropelou-se o menor, mas o mais velho compreendeu... Arabela os estava prendendo ao teto da redoma de vidro-teia para que ficassem ali e morressem pelas garras de suas filhas, mas ele tentaria a todo custo impedir... Ignorou a tontura e a dor e tentou se concentrar nas opções, e logo viu o que poderia fazer.

– Ed, olha, sei que a culpa disso foi minha, mas não importa... Me desculpe, ok? Agora me ajuda... — Disse ele, se levantando e começando a empurrar a gaiola de teias de um lado para o outro. O menor nunca havia culpado o coitado mesmo; ele apenas havia sido uma vítima dos encantos da Mulher Aranha, mas resolveu não discutir. Ao invés disso, começou a ajudá-lo, entendendo a intenção do irmão... As afiadas garras de Arabela conseguiam facilmente cortar sua teia, e eles precisavam se aproveitar disso se quisessem fugir. O plano deu certo na primeira tentativa, e a bola de teia na qual estavam envoltos caiu no chão com um baque surdo. Antes que pudessem se recuperar da queda Arabela pulou e abriu um buraco na lateral da gaiola esférica de teia.

– Não pensem que escaparão tão fácil! — Disse ela, com sua voz sibilante e amedrontadora. — É uma pena ter de matá-los agora... Adoraria que minhas filhas comessem carne fresca. — Disse, tentando puxar o mais novo para fora.

– Ah, não vai levar meu irmão assim! — Disse Edgard, interpondo-se entre a aranha e Edward. Ele conseguiu desenvencilhar o menor das garras de Arabela, mas acabou sendo puxado para fora.

– Tudo bem, mato você primeiro então — Disse ela, fazendo um gesto com as mãos humanas. Imediatamente, o buraco aberto na esfera de teia se fechou, e ela se tornou do mesmo material que a cúpula; uma repugnante espécie de vidro pegajoso.

– Ed! — Gritou o mais novo, tentando inutilmente quebrar a esfera enquanto via o irmão ser enforcado pela aranha.

– Ah, eu poderia matá-lo muito mais rapidamente, sim... Mas gosto de ver a vida deixando lentamente os corpos de minhas presas...

– Não! — Gritou Edward, impotente... Preso por aquela esfera vítrea não poderia fazer nada... Ou será que podia? Desesperado para tentar ajudar o irmão, teve uma ideia maluca. Começou a correr e conduzir sua esfera/gaiola dentro da redoma de teias de vidro. Quando chegou a uma velocidade razoável, lançou-se sobre a mulher aranha.

– Ah! — Gritou a bruxa. Foi tão rápido que nem mesmo Edgard notara, mas o menor havia atingido e cheio e esmagado duas patas da aranha.

– Obrigado... — Disse o maior, se levantando tonto e arfando.

– Minhas pernas! — Disse Arabela, incrédula — Ah, seu moleque... — Ela virou-se para o menor. Edgard sabia que ele não conseguiria se defender... Mesmo tonto, ele agarrou outra perna da aranha e a arrancou, fazendo um sangue viscoso e amarelo verter do corpo da aranha. Ela gritou e virou-se para ele com a boca literalmente espumando de raiva. Edward aproveitou a brecha e mais uma vez atacou Arabela, que rolou e parou com o repugnante e viscoso abdome de aranha virado para cima.

– Ahh... — Arabela gemeu dolorosamente.

– Ed, olha... — O menor mostrava algumas fissuras que começavam a surgir em sua prisão de teia. O mesmo acontecia na grande redoma de teias de vidro. Os ovos da aranha também pareciam estar murchando e perdendo o brilho.

– Se eu morrer, este lugar morre junto, sim... Mas não ousem pensar que vou desistir tão... — Edgard foi mais rápido. Antes que a Aranha conseguisse se virar, ele arrancou-lhe outra de suas patas, fazendo mais sangue amarelo escorrer... Ele olhou nos olhos negros da mulher aranha. Sentiu nojo por ter se deixado levar por uma criatura daquelas... Estava prestes a usar a própria garra da criatura para perfurar-lhe o coração e acabar de uma vez por todas com a linhagem daqueles seres demoníacos quando a bruxa esboçou um sorriso sádico... Ele levou tempo demais para entender.

– Edgard! — Gritou o mais novo, desesperado enquanto via a aranha perfurar seu irmão com uma das garras que a sobravam.

– Se eu vou você vai junto, meu bem... — Foram as últimas palavras de Arabela.

•••

Quilômetros ao sul dali, o pai dos irmãos tinha um sono agitado.

– Meu filho! — Gritou Edmund, acordando repentinamente.

– Acalme-se homem! — Disse o Curandeiro, fazendo-o deitar — Precisa repousar, eu já lhe disse! Os meninos voltarão logo, não se preocupe...

– Mas... — Não tinha forças para explicar ao Curandeiro, mas sabia que algo terrível havia acontecido com um deles, podia sentir... A única coisa que conseguiu fazer antes de perder novamente a consciência foi uma prece silenciosa à sua amada Lilibeth para que protegesse àqueles dois...

•••

O que Edgard sentiu não foi exatamente dor. Foi uma espécie de incômodo ardido, e então, um líquido viscoso, morno e gelado ao mesmo tempo ensopando suas roupas.Só então ele entendeu o que acontecera. Em um último esforço para obter sua vingança, Arabela o havia ferido mortalmente.

– Não... — Sussurrou ele, tonto enquanto via uma mancha de sangue crescer em suas roupas. Um líquido transparente gotejava da garra com a qual Arabela o havia perfurado. "Veneno..." Pensou ele, sentindo as pernas amolecerem. Ele caiu no chão como um boneco de pano.

Edward correu até o mais velho. Com a morte da aranha, os ovos haviam murchado e secado até virar pó, e a cúpula e a esfera de teias vitrificadas se estilhaçaram.

– Ed... — Disse o menor, segurando cuidadosamente a cabeça do mais velho. Estava muito quente.

– Veneno... — Disse o mais velho, com dificuldade. — Não consigo... — Ele grunhiu, sentindo o profundo ferimento em seu abdome. O mais novo sabia que o maior problema imediato era o sangramento. Se não o estancasse imediatamente, Edgard morreria.

– Calma. Vai doer um pouco — Disse o menor, trêmulo enquanto tirava o seu cachecol. Ele dobrou-o bem, correu para fora da redoma e colocou um pouco de neve antes de pousá-lo sobre o ferimento do irmão, que soltou um gemido.

Edward tirou então o cachecol do mais velho e amarrou-o com força no abdome do irmão. Nunca havia feito aquilo em um ferimento tão grande, mas julgava ser o certo a se fazer.

– Consegue levantar Ed? — Perguntou o mais novo, ainda assustado. Eles haviam entrado em um acordo silencioso. Deixar Edgard ali não era uma opção.

Todos os ossos do seu corpo pareciam ter virado magma: molengos e ardentes. Seus músculos pareciam chumbo e seu pulmão parecia estar cheio de neve, mas ele olhou com determinação para o irmão. Não iria desistir. Seu pai ainda precisava dele. Ao lado da redoma de vidro, notou uma trilha encoberta pela neve... Edgard pegou o pergaminho ignorando todas as dores e deu uma última olhada no mapa.

– Por ali... — Ele apontou o caminho com a cabeça. Edward ajudou-o a se levantar, e juntos mancaram pela trilha coberta de neve.

Notas finais
Eu sei, o final ficou um lixo completo, mas se eu não cortasse agora teria de emendar o próximo capítulo inteiro. Não se preocupem, Edgard vai ficar bem (Ou não. MUAHAHAHAHA) Espero q tenham gostado. Até a próxima ;)