O Conto dos Dois Irmãos

16 Capítulo 15 - Edgard


Notas iniciais
Diferente do prometido, não 2, mas 3 (sim, TERES) capítulos em sequência. Agradecimento especial às duas pessoas, uma delas fantasma, q leem a fic. E às outras q tbm vieram por causa da outra fic q postei, se estiver lendo isso em um futuro próximo. Chega de papo, vamos ao capítulo:

Eles caminhavam com dificuldade pela trilha. O sangramento de Edgard havia diminuído bastante, mas ele começava a sentir mais fortemente os efeitos do veneno... Estava fraco e nauseado, suas pernas tremiam, sua visão estava turva e respirar doía. Ele tentava se manter em pé e caminhar, mas Edward estava praticamente o carregando...

– Aguenta firme Ed. Estamos chegando... — Falou o menor, tentando encorajar o mais velho...

Cada passo que davam era lento, mas mesmo assim não tomaram o cuidado de olhar onde pisavam. Com as mentes tão cheias de preocupação, mal notaram as fissuras no chão. O gelo a baixo deles cedeu repentinamente, lançando-os em uma lisa rampa de gelo. Edward gritou e acabou por soltar acidentalmente o mais velho, que estava atônito de mais para entender o que estava acontecendo.

Os dois escorregaram pelo que o menor julgou ser o leito congelado de um rio, que entrava nas rochas da montanha, por um túnel escavado pelas águas e desaguava em um leito ainda menor do outro lado, de onde se via...

– Ed... — O pequeno cutucou o maior, que gemia de dor com os olhos fortemente fechados. O sangramento havia voltado, junto com uma dor muito forte no ferimento que Arabela o havia feito. Mesmo assim, algo parecia diferente... Algo leve, como um som angelical tocando suavemente sua pele... Ele se forçou a abrir os olhos para o irmão e se impressionou com o que viu...

À frente dos dois, erguia-se a maior árvore que já haviam visto... Era um salgueiro tão alto quanto a torre do gigante. Em volta dele havia outros salgueiros iguais de tamanho relativamente grande para uma árvore, mas que mesmo assim pareciam meros arbustos comparados à grande árvore... O chão também era coberto de arbustos inteiramente floridos, e folhas caídas dos salgueiros. Como se tudo aquilo não bastasse para dar um aspecto mágico ao lugar, todas as folhas tinham um tom tão claro de rosa que parecia branco... Tudo ali aparentava emanar uma espécie de energia pulsante, uma aura rosada que deixava todo o entorno da Árvore da Vida confortavelmente aquecido. A magia do lugar era quase tangível...

Além dali, havia um penhasco que parecia despencar infinitamente. O céu parecia estar acima e abaixo do chão, exatamente como as lendas contavam, mas algo chamou a atenção de Edgard. A aurora boreal parecia duplicada, e as estrelas de baixo eram ligeiramente onduladas. "Um mar... Por isso pensavam que era o fim do mundo..." Ele não pode deixar de sorrir.

– Ed, vamos logo Disse o menor se levantando e ajudando o mais velho, que viu pontos pretos dançando em seus olhos, tamanha a dor que sentiu ao levantar.

Quanto mais perto chegavam da Árvore, mais certeza Edgard tinha de que não conseguiria subir. Edward teria de subir sozinho. Quando chegaram às raízes da árvore, as pernas do maior falharam e ele sentou-se no chão, encostado em uma pedra. Ele estava prestes a desmaiar por conta do veneno.

– Edward, escuta... — Disse, dolorosamente. — Você vai ter que subir a Árvore sozinho... — Ele entregou o cantil ao irmão. — O Curandeiro disse que a Seiva é produzida nos galhos mais altos... — Ele sentiu uma forte pontada no ferimento. — Ed, eu te amo, irmãozinho... — Sentiu um nó formando-se em sua garganta — Se eu...

– Não... — Interrompeu Edward, com a voz trêmula. — Você não vai se despedir de mim... — Ele olhou nos fundo dos olhos azuis do irmão. — Edgard, me prometa... Prometa que ainda vai estar aqui quando eu voltar...

– Ed, por favor... — Todo seu corpo tremia, ele suava, lutando para se manter acordado. Mesmo assim, sabia que o irmão precisava daquilo... Ele suspirou — Eu prometo. — Disse, pela primeira vez na vida sentindo o verdadeiro peso daquelas palavras. Ele faria de tudo para que não fosse uma promessa vazia.

– Volto logo — Disse o pequeno, o abraçando. Naquele momento, Edgard apreciou a sensação de estar vivo... Todo o tempo, desde seu nascimento, seu corpo trabalhava como uma máquina perfeita para mantê-lo vivo... E só agora, com tudo falhando por conta de um maldito veneno ele conseguia apreciar a beleza daquilo enquanto sentia o calor da pele do irmão mais novo.

– Te espero aqui — Sussurrou ele, fazendo piada com sua própria desgraça... Edward sorriu fracamente antes de desaparecer, subindo nas primeiras raízes da grande Árvore. O mais velho não pode deixar de notar o quanto Edward havia se tornado forte em meros dois dias.

Notas finais
Uhul, sim, chegamos à Árvore da Vida, senhoras e senhores. Agora, próximo capítulo. N ocorre mta coisa, mas é curtinho, necessário pra eu poder postar o MELHOR CAPÍTULO q já escrevi. O nome é um lixinho "Irmão", mas o capítulo tá legal.