Se passaram 9 dias desde que Cloudu receberá a permissão de se tornar um aventureiro. Seu aniversário havia ocorrido três dias atrás. Ocorreu uma festa de despedidas.Os presentes,quejá haviam sido comprados, foram trocados por uma mochila e uma saco de dormir.Ele e Cody haviam preparado as malas há dois dias atrás, e só aguardavama partida do navio. Cloudu estivera muito feliz nos últimos dias. Ele contava para os amigos, e todos lhe desejavam uma boa sorte, assim como os outros aldeões, pois Marcus e Túlio, heróis que tinham ido antes de Cloudu, ficaram muito famosos no exterior, o quê fazia com que a aldeia fosse visitada por um estrangeiro uma vez ou outra. O garoto olhou bem para o seu quarto, pois seria sua última noite lá.

-É...acho que vou sentir saudades daqui- disse ele, caminhando de um lado para o outro.

Realmente o lugar parecia bem diferente perante as circunstâncias atuais. Era como se fosse algo instável, algo que a qualquer momento podia sumir e nunca mais voltar. O olhar de Cloudu parou sobre a faca que seu tio lhe dera três anos atrás.

Três anos e três dias atrás:

-Cloudu! Feliz aniversário!-dissera Túlio, recebendo um abraço do sobrinho.

Acabará de sair do navio. Vinha pelo aniversário de Cloudu.Ele pegou sua mochila, desabotoou-a e de lá tirou uma pequena faca.

-Quero que fique com isso. Pode pegar, é o seu presente.-disse o tio, percebendo a hesitação de Cloudu- É uma faca de um antigo líder de Amatsu. Só pessoal autorizado pode usá-la. Felizmente, eu estou entre eles e pude vir com ela.

Cloudu deu um sorriso e saiu correndo com a faca, para mostrá-la aos amigos.

-E tome cuidado! Ela é uma arma!

No Presente

– Cloudu se lembrou desta última frase por puro acaso, mas era uma coisa que realmente viria á calhar. Aquela era uma arma. Sua arma. Ele a colocou cuidadosamente na mochila. Depois de alguns segundos, Jellopy entrou no quarto e pulou no garoto, lambendo-lhe o rosto. Cloudu não reclamou , pois este podia ser seu último dia com o cão.

Alguns minutos depois, Cloudu desceu as escadas e sentou em uma das mesas da taverna. Como estava de madrugada, não havia ninguém ali, exceto um homem que se aproximava.

-Sabia que estaria aqui- disse Cody sorrindo.- Seu pai sempre acordava cedo na véspera de uma viajem. Ele dizia que ver a aurora um dia antes de partir dava sorte.

Já que o menestrel ficará alguns dias na taverna, Cloudu havia feito uma pequena amizade com ele. Achava que Cody tinha um ótimo senso de humor, e também lhe contava histórias sobre seu pai, assim como algumas manias e desentendimentos.

-Cody, será que poderei ter aventuras tão incríveis como meu pai teve?-perguntou Cloudu, ansioso pelo dia que viria.

-Aposto- disse Cody, com um sorriso gentil- que serão bem parecidas. Isso se não forem melhores.

Algumas horas depois, Cloudu comeu um dos pães que estavam na cozinha, tomou um banho nos fundos da taverna, e se preparou para dar uma volta. Ele foi para o píer, pois acreditava que se olhasse com atenção, poderia ver sua nova terra. Mas, depois de algum tempo percebeu que só havia mar, não importa o quanto se esforçasse. Ele teria que esperar até amanhã.

No dia seguinte, bem cedo, o garoto e o menestrel estavam se despedindo de Karen e Jeremy.Cloudu parecia estar muito nervoso, enquanto lágrimas corriam lentamente pelo rosto. O mesmo acontecia com a mãe.

-Lembre-se Cloudu! Três refeições ao dia! Não se esqueça!- lembrava Karen, tentando não soluçar enquanto falava.

-Cloudu, traga-nos algo legal!- gritava um garotinho de óculos ao longe, enquanto os outros concordavam,com as faces úmidas.

Então os dois entraram no navio, que já estava prestes a zarpar. Cody deu uma boa olhada no rosto de Cloudu, e não gostou do que viu.

-Ah...Qual é! Você agora não é mais um aldeão, e sim um aventureiro!- disse Cody, fingindo desprezo- Não pode ficar andando por aí com essa aparência chorosa!

Cloudu enxugou as lágrimas com a manga da camisa, e então os dois começaram a rir. Cloudu não sabia bem por que estava fazendo isso, mas seja o que for, era melhor que chorar, pois agora não podia mostrar fraquezas, e ele não via motivos para tal coisa. Seu sonho estava se realizando!

-Bom, Rune-Midgard, aí vamos nós!-gritou Cloudu entusiasmado.

-Ah... Cloudu- interrompeu Cody, um tanto confuso- Você não vai para lá- O garoto olhou assustado. O que o menestrel queria dizer?