-Seu tio não lhe contou? Todo aventureiro precisa passar pela ilha Novice antes de ir para Rune-Midgard.-disse Cody, um pouco surpreso por Cloudu ainda não saber disso.

Cloudu pensou no assunto. Se já havia esperado tanto, um pouco mais não faria mal algum. E se parasse para pensar, perceberia que era um novo lugar á se conhecer, afinal, ele passará sua vida inteira confinado na sua pequena terra natal. Logo após, Cody disse:

-Todos nós já passamos por lá, incluindo Marcus. É um lugar bom! Você vai curtir os seis meses de estadia...

Seis meses!?! Isso era um absurdo! Como passaria este tempo todo lá? Se já estava nervoso de ter de ficar um dia, quanto mais 6 meses! Ele puxou os cabelos até um ponto em que seria confundido com um louco. O amigo olhou para ele, um pouco constrangido.

-Se acalme, por favor! Lá é o lugar onde você receberá o básico de sobrevivência.- disse o menestrel, tentando animá-lo — Além do mais, terão outras crianças, seus primeiros companheiros. Em Rune-Midgard, tudo se baseia no trabalho em grupo. Sem isso, nenhuma guerra ou grande caçada jamais teria sido vencida.

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8 horas de viajem depois, eles já podiam ver um ponto de terra ao horizente. O capitão gritou as ordens aos marinheiros. Cloudu, com seus pertences em mãos, perguntou ao menestrel:

-Você...vai vir também?

-Não... É um lugar restrito para aprendizes- explicou Cody- Eu estarei indo para Alberta, depois da sua parada. Quando chegarmos na ilha, eu te direi onde nós nos encontraremos.

O navio parou em um píer, cheio de outras embarcações. Ele levava á um pequeno pedaço de terra, onde uma mulher esperava. Cloudu recebeu trajes do capitão, que eram formados por uma camisa de algodão verde, uma calça de aparência confortável, além de um peitoral de ferro e um par luvas. O homem também lhe cedeu a cabine, para que pudesse se arrumar.

-Ah, este traje me traz lembranças... boas e ruins- comentou Cody,novamente tentando levantar o ânimo do garoto.

Depois de pronto, o menestrel pediu sua atenção:

-Ouça, quero que me encontre na catedral de Prontera. –Ele olhou para Cody, meio cabisbaixo- Sem perguntas? Então, até breve!

-Nem tão breve...- sussurrou Cloudu, mal-humorado.

Ele desceu do barco sem olhar para trás. Percebeu que haviam muitos usando a mesma roupa que ele, então deduziu que era uma espécie de uniforme. Porém, o que as garotas usavam consistia em uma camisa sem mangas e shorts. Algumas das crianças já estavam falando com a moça do outro lado do píer.

-Bem vindos, aprendizes! Estamos na ilha Novice, mas todos a chamam de Ilha dos aprendizes. Por favor se dirijam a nossa base- disse ela, apontando para uma construção enorme, do outro lado de uma ponte minúscula. Cloudu jamais vira algo como aquilo. Talvez valesse a pena passar esse tempo todo lá. Ele se dirigiu para o castelo, mas também prestando atenção nos outros aprendizes. Seus cortes de cabelo realmente eram interessantes, alguns ousados e outros belíssimos, e também tingidos de várias cores diferentes. Aqueles seriam seus novos amigos? Ele começou a mudar de idéia sobre a ilha.Talvez fossem seis meses muito divertidos.

Eles passaram pelos guardas, e adentraram o prédio. Chegaram á um corredor no qual estava um homem, sentado em frente á uma escrivaninha.

-Por favor,criem uma fila e assinem seus nomes aqui-ele pediu, apontando para um papel sobre a mesinha- Precisamos nos manter organizados...

Cloudu entrou na fila e esperou por sua vez. Ele pode ver que alguns aprendizes já estavam se conhecendo, e alguns já pareciam ser amigos. Ele sentiu uma vontade imensa de falar com os outros, mas não conseguia. Os seus amigos da ilha já eram conhecidos desde que ele era criança, e também não estava acostumado com pessoas de fora. Depois de terem assinado seus nomes, eles prosseguiram pela abertura atrás da escrivaninha, e puderam ver três pessoas. Estes lhe explicaram sobre itens consumíveis, como poções e comida, assim como armaduras e armas de combate, e é claro, sobre magia. Depois da conversa, as crianças se dirigiram ao andar superior, onde estavam seus quartos.

Um guarda lhe entregou uma chave , com um pedaço de madeira acoplado, no qual estava entalhado o número 29:

-Cada quarto tem duas camas- explicou o guarda- Ou seja, se tiver outra pessoa lá dentro, não se preocupem.

Depois de ter subido as escadas, Cloudu estava num corredor com várias portas, cada uma com um número pintado. Ele procurou por uma que tivesse o número de sua chave.

-Que bom! Ficamos no mesmo quarto!-gritavam duas amigas, se abraçando, em frente ao quarto número 15.

-Não ficarei com este plebeu!-reclamou um menino esnobe, enquanto apontava para um garoto de aparência encardida, quarto 19.

Cloudu continuou andando, até o final do corredor, até avistar as portas 29 e 30, que estavam uma em frente á outra. Na porta do quarto 30, havia uma menina de óculos que reclamava, irritada:

-Mas que ultraje! Essa fechadura está com defeito! Por quê raios sou tão azarada?

Cloudu a ignorou e abriu a porta do próprio quarto. Parecia ser um espaço agradável, com uma boa iluminação, e camas de aparência confortável, porém, a colcha de uma delas parecia ter sido tirada ás pressas. Cloudu á procurou até avistá-la, mas alguém ou algo estava coberto por ela.