O Conto de Um Aventureiro
4 Capítulo 3
A mãe de Cloudu, chocada com o pedido do filho, deixou cair o espanador que estava usando. Porém se recompôs, até rápido demais, e fez uma careta de indignação. Cloudu, ao vê-la assim, perdeu toda a intensa e flamejante chama da esperança, que se transformou em uma pequena faísca e então veio a se apagar. Cloudu não pode conter as lágrimas e os soluços incansáveis. A mãe não pode deixar de sentir pena dele. Ela era severa quanto ao comportamento do filho, e também havia perdido seu marido no caminho que Cloudu queria trilhar, mas não suportava ver suas lágrimas, pois sempre se lembrava do dia em que o pobre garoto recebeu a notícia da morte de seu pai. Se ela deixasse-o preso naquela ilha, aquela cena iria se repetir até o fim de suas vidas. Ela ficou muito indecisa: se deixasse o filho ir, iria perder outro ente querido, mas se o prendesse na vila, ele nunca mais voltaria á ser feliz. Então disse:
-Ei! Eu ainda não disse nada- falou ela- Mas não fique muito confiante! Eu ainda vou conversar com seu avô sobre isso.
Ela deixou o quarto. As lágrimas que eram de tristeza mudaram para lágrimas de alegria, assim como a chama da esperança ia crescendo e crescendo até se tornar o sol. Porém Cloudu conteve o choro. Ele não tinha certeza absoluta de que iria receber sua permissão, então simplesmente terminou o serviço nos quartos e depois, tentou dormir. Porém ele sabia que passaria essa noite em claro.
Enquanto isso, a mãe de Cloudu pedia um momento do sogro para que pudessem debater sobre a futura vida do garoto:
-Senhor Jeremy...-começou ela.
-Por favor só Jeremy- interrompeu o idoso, com uma expressão brincalhona- Você nunca aprende...
-Certo , Jeremy- ela se corrigiu- Você sabe bem que o Cloudu sempre quis ser um aventureiro, como o Marcus e o Túlio( o tio de Cloudu). E todos sabemos que o aniversário dele esta chegando, e não há outra coisa em que ele esteja pensando além de Rune-Midgard. Eu sei que devo dizer não , mas...- ela parou um pouco- Eu acho que se eu não permitir, ele nunca mais me verá do mesmo jeito...
Jeremy, percebendo como a nora estava muito confusa, começou:
-Karen, eu realmente me senti do mesmo jeito quando o Marcus decidiu sair com o Túlio. Afinal, ele estava deixando um filho de 4 meses e sua esposa para trás. Porém, eu pensei melhor e vi que tudo em que ele esteve pensando o tempo todo era em você e no pequeno Cloudu, pois se observar melhor, nós não iríamos durar nem mais alguns meses. A taverna estava se afogando em dividas, e o Marcus não queria ver vocês dois morando na rua. Por isso eu sei que tudo que ele fez era por um objetivo maior. Também acho que o Cloudu pense assim. Seus objetivos podem não ser tão heróicos quanto os do pai, mas mesmo assim ele está tentando realizar seu sonho, e ele quer seguir os passos do pai e do tio. Por mim, o Cloudu tem permissão de sair pelo mundo.
-Mas... ele pode não durar um dia lá! Ele é só uma criança!-argumentou Karen.
-Ah... quanto á isso, não se preocupe.-disse uma voz vinda da escadaria- Eu não vou deixar ninguém tocar num fio de cabelo dele até ter o treinamento completo- agora podiam ver quem era. Cody, com os cabelos desgrenhados e em um roupão, mas muito sério- Afinal, ele é o filho de meu amigo, Marcus.
No dia seguinte, Cloudu, ainda tentando dormir, percebe que alguém esta abrindo a porta:
-Jellopy! Agora não! Não vê que estou tentan...
Não era Jellopy. Era Cody, já vestido em seus trajes bufantes.
-Não me diga que você passou a noite em claro- disse o menestrel, sorrindo- Você é um garoto bem estranho...
Cloudu estava se perguntando o que o menestrel vira fazer em seu quarto aquela hora da manhã.
-Então está bem... Eu não digo(referindo-se ao comentário de Cody)... mas só se prometer me deixar dormir...- brincou Cloudu.
-Ei! Pelo menos ouça o que tenho a dizer!- reclamou Cody, fingindo estar zangado-Afinal eu trago boas novas!
Cloudu ficou interessado e perdeu todo o sono. Um sorriso felino se formou na face do menestrel quando percebeu que tinha a atenção do garoto. Em seguida, ele pôs as mãos nos bolsos, parecia estar procurando algo.
-Onde está essa coisa...Hmm... me dê um instante-e então ele sorriu satisfatoriamente- Aháh!
Ele tirou dos bolsos dois papeis. Uma folha e algo que parecia uma ficha. Ele pôs um em cada mão e disse:
-Esta é a passagem para Rune-Midgard. Faltam 10 dias para o navio zarpar...- disse ele, mostrando a pequena ficha para Cloudu.
Ele entregou a ficha para o garoto e estendeu o outro papel. Parecia conter duas assinaturas. Um sorriso que ia de orelha á orelha se formou na face do rapazinho quando reconheceu as assinaturas da mãe e do avô. E Então Cody finalmente terminou:
-E... você e eu estaremos neste navio.
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