O Conto de Um Aventureiro
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Cloudu ficou chocado. Um estrangeiro, quê conhecia o seu pai? Será que ele também era um aventureiro? E por quê usava aquelas roupas? O homem, percebendo o espanto de Cloudu, falou:
-Oh, me desculpe! Como pude ser tão rude? Meu nome é Cody Joker- disse ele, enquanto fazia uma exagerada reverência- Eu fui companheiro de Marcus na minha adolescência. Deve estar se perguntando por que uso estas roupas- percebeu Cody, enquanto via Cloudu encarando suas roupas- vocês desta ilha não devem estar acostumados á este tipo de coisa. Eu sou um menestrel de Rune-Midgard e é um prazer conhece-lo. Agora, se não se importa...
Antes que Cloudu pudesse falar algo, o menestrel Cody Joker adentrou a taverna. Seja o que fosse,Cloudu decidiu conversar com ele depois, pois se Cody fosse realmente amigo de seu pai, ele alugaria um quarto na taverna. Cloudu foi até os fundos para pegar o seu cão, Jellopy, e foi brincar com os amigos.
Depois dos garotos se encontrarem na pequena praça da aldeia, Cloudu ouviu algumas crianças conversarem:
-Vocês viram aquele cara esquisitão que chegou na vila?-Outro garoto respondeu- Sim! Pelo que parece ele é daquela tal de Rune-Midgard que o Cloudu vive falando- ao citarem seu nome, Cloudu se aproximou.
-Sim! Ele é de lá mesmo. Esta hospedado lá em casa.- disse Cloudu um tanto orgulhoso de ter uma pessoa tão polêmica em seu lar.
Depois de alguns segundos, Cloudu havia se tornado o centro das atenções. Ele comentou sobre as roupas do homem e disse que ele era um menestrel, também disse seu nome, assim como a amizade com o seu pai.
-Cloudu! Você não está nem um pouco ansioso para perguntar as aventuras que ele viveu?- disse uma garota, um tanto exasperada.
-É... ele pode te dar algumas dicas- falou a menina tímida.
-Podemos ir lá também? Sei lá, eu estou curioso para saber o significado de “menestrel”-pediu o gordinho.
Cloudu considerou as opiniões, e decidiu voltar. Apertou com força a coleira de Jellopy e começou á correr em direção de casa, com as outras crianças ao seu encalço.
Quando chegaram, puderam ver pela janela o menestrel Cody. Porém ele segurava um alaúde agora.
-Então pessoal! Querem que eu toque uma música?-perguntou Cody. Cloudu se esforçou para ver com quem ele estava falando através da janela e ficou sem ar quando percebeu que quase toda a vila estava pedindo que o menestrel tocasse a tal música-Então vamos lá!
Cody posicionou o alaúde. Mesmo sem perceber, Cloudu estava ansioso, assim como as outras crianças. E então começou. O menestrel apertou as cordas na parte mais fina do alaúde, e em seguida passou um pedacinho de madeira nas cordas, porém na parte central. A primeira nota foi o suficiente. Cloudu sentia como se estivesse sonhando, tamanha era a beleza do som. E ela não veio sozinha! Logo depois Cody reposicionou os dedos na extremidade e repetiu o gesto anterior com a parte central. Cloudu sentiu que havia flutuado por um tempo, e assim se seguiu. As notas começaram á vir mais rápido, e o garoto se sentia mais leve e relaxado á cada instante. Ele realmente estava subindo e descendo, e quando olhou para os outros, estavam fazendo uns movimentos estranhos. Estavam batendo os pés no chão como se estivessem tentando esmagar um mar de roedores. Alguns casais davam as mãos e continuavam a sapatear. Cloudu achou tudo muito engraçado até perceber que estava fazendo o mesmo.
-Isso! Todos dançando!-disse Cody.
Então era isso! Eles estavam dançando! Era assim que as pessoas de Rune-Midgard se divertiam! Cloudu ficou tão feliz que nem percebeu que as notas iam morrendo, até que depois de alguns segundos, Cody parou. Houveram palmas, muitas palmas, enquanto o menestrel fazia pequenas reverências.
-Esta balada se chama Maçãs de Idun. Ela acalma a mente e também os músculos, e alguns aventureiros dizem que até curam feridas.-disse ele, sorrindo- Bom amigos, até mais tarde!
Cody terminou de beber seu copo de cerveja , se despediu e foi passear pela aldeia. Cloudu ficou maravilhado com sua música, e queria escutá-la de novo pelo menos uma outra vez antes dele ir embora. Cloudu conversou um pouco com os amigos, comentando sobre o show.
Um pouco antes da hora de dormir, Cloudu estava arrumando os quartos com a mãe. Ele sabia que uma hora ou outra ele devia perguntar, então decidiu que isso seria agora, pois Cody lhe contara mais cedo o horário e o dia em que o barco iria zarpar para Rune-Midgard.
-Ah...mamãe?-Ela olhou para ele- Sabe, falta muito pouco para o meu aniversário, e eu estava pensando...
Cloudu havia esperado muito por este momento, então devia escolher muito bem suas palavras, pois se errasse em alguma parte, sabia que era possível nunca receber sua permissão. Cloudu também soube que se um menor não tivesse autorização, não poderia viajar, por isso, fugir de casa não era uma opção, além de ser um ato muito egoísta.
-No que vai ganhar de presente?- perguntou ela, sorrindo- Não se preocupe, eu e o vovô já providenciamos.
Cloudu se surpreendeu um pouco, pois era uma coisa totalmente diferente. Riu um pouco, meio nervoso, mas sabia que a conversa até agora estava agradável, por isso aproveitou essa chance e começou:
-Não é isso... –Cloudu começou a imaginar opções de como revelaria seu profundo desejo- É que eu...-o garoto escolheu uma frase, meio boba e muito repetida por ele, mas sabia que ela expressava todos os seus sentimentos.
A mãe de Cloudu olhou preocupada para ele, porém a sua frase vitoriosa já estava na ponta da língua. Agora o garoto estava confiante de que tudo ia dar certo, e então ele encarou a mãe, com um sorriso , e finalmente gritou:
-Eu quero ser um aventureiro!!!
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