O Conto da Holy Serenity

29 O Pesadelo da Holy - Parte 2


Notas iniciais
Eai gente x333 Desculpe a pequena demora, eu tava sem net D: Bem, aqui vai cap novo x333 Eu estava bem ansiosa para escrever esse na realidade~ E estou ainda mais ansiosa para escrever a próxima... Mas, claro, para prosseguir para a próxima parte, preciso escrever o do conto do zero zephyrum. ~3~ Oh well, boa leitura para todos o

Parte 2: Uma Conversa

Estava estarrecida, frente àquela pessoa que tinha o mesmo rosto corpo e que eu. Engoli seco. Algo naqueles olhos... Me dava medo. Não era o fato de não ter seu brilho, mas... Ela parecia ocultar uma escuridão estranha no fundo dos seus olhos. Algo que parecia me engolir cada vez mais.

– O que foi Holy? – Ela me perguntou, estendendo a mão para o bulhe disposto na mesa. – Sente-se, deve estar cansada. Vou servir um chá.

Apertei meus punhos, tentando me manter no meu lugar. No entanto, quando ela me olhou novamente, senti uma força me impelir, como se eu não pudesse controlar meu corpo, pude escutar vozes ecoando em minha mente.

“Sente-se, sente-se, sente-se.” A cada vez que aquelas palavras eram proferidas, minha força de vontade parecia ser drenada até então, sem conseguir me conter mais, sentei-me na cadeira livre.

A outra Holy sorriu, virando sua atenção para o bulhe enquanto despejava seu conteúdo na sua xícara. Apertava fortemente a saia do meu vestido enquanto observava o liquido rubro encher o recipiente. Ele parecia ser bem liquido, e não estava fumegando. Depois de encher sua xícara, ela estendeu o bulhe para a minha, enchendo-a.

Assim que terminou o trabalho e voltou ao seu lugar, ela pegou pacientemente o objeto que continha aquele líquido avermelhado, fechando os olhos enquanto aproximava-o do nariz, cheirando calmamente o aroma daquela bebida, exibindo um sorriso de prazer. Engoli seco. Apesar de... Sentir que ela parecia ser tão calma daquela maneira, alguma coisa, um instinto, me dizia que ela não era bom. Eu precisava sair dali...

Seria mais fácil fazer isso se eu pudesse controlar meu corpo.

A garota bebeu o conteúdo da xícara pacientemente, visivelmente apreciando o gosto daquela bebida. Olhei para baixo, fitando a cor rubra que estava disposta na minha frente. Eu precisava sair dali. Precisava encontrar todos os outros. Aliás, onde estavam eles?

– Provavelmente fazendo alguma coisa mais importante. – Estremeci ao ouvir aquelas palavras.

Ela estava lendo minha mente de novo? E como ela podia fazer aquilo?! A garota deu um risinho, colocando a xícara de volta ao pires, ajeitando o cabelo atrás da orelha e voltou seu olhar para mim. Aqueles... Olhos... Não conseguia desviar meu olhar dela dessa vez.

– Ainda não percebeu, bobinha? – Ela deu um risinho, apoiando o rosto com a mão. – Eu... Sou você. Tentar pensar, formular planos... É tudo inútil contra mim.

– O-O que?! – Engoli seco. – Nã-Não é verdade! Está mentindo!

– Oh, estou é? – A outra Holy deu outro riso, mas um pouco mais entusiasmado. – Será que estou? Bem... Pode provar que estou?

Assim que pude perceber, minha mão estava indo a caminho da xícara. Soergui as sobrancelhas, surpresa. Aquilo... Eu não estava fazendo aquilo, estava? Mas, não sentia que estava sendo forçada. Prossegui o movimento, pegando o objeto e o guiei para meus lábios, deixando o liquido rubro entrar na minha boca e senti seu gosto. Era... Doce, de alguma forma. E, mesmo estando meio morno, sentia meu corpo inteiro se esquentando ao sentir o gosto meio ferroso passando pela minha língua.

Quando percebi o que eu estava bebendo, o liquido já descia pela minha garganta e chegava em meu estomago. Imediatamente joguei a xícara para o lado, afastando-o de mim, assombrada. O objeto branco desapareceu na escuridão, e apenas pude escutar o som da porcelana quebrando. Quando voltei meu olhar para ela, a outra Holy continuava a sorrir.

– Aquilo...

– Sim, era. – Ela me respondeu antes mesmo que eu terminasse de falar. – Você conhece as lendas que existem ao sul, não é? Nas terras ainda não mapeadas de Ernas...

“Bem, é claro que sabe, não é? Você sempre foi uma boa aluna do Constantino, sempre prestou muita atenção nos seus ensinamentos. Mas, o que custa relembrar, não é mesmo?” Ela riu descontraidamente, passando o dedo nas bordas da xícara, olhando dentro deste. “Existe um povo que acredita que, ao derrotar um oponente em uma batalha digna, não existe nada melhor para honrar sua morte do que consumindo sua vida... Assim sendo a vida e sua força são passadas para o seu oponente...”.

Senti meu estomago, que até agora estava quente, se revirar. Sob meu olhar assombrado, ela voltou o olhar para mim, erguendo a xícara mais uma vez e terminando de beber. Porém, antes de terminar, ela afastou o objeto da boca e, com um sorriso estranho nos lábios, ela virou o restante no conteúdo na toalha branca, manchando-a com aquele liquido vermelho.

Cobri minha boca, tentando conter as reações do meu corpo.

– E, para que ele pudesse completar o ciclo da vida e abrandar a ira dos deuses, uma parte do seu corpo era entregue a natureza como uma oferenda. – A garota riu. – Como é absorver o poder do seu oponente, Holy? É delicioso, não é? Quente... Revigorante.

O rosto do Azin surgiu no meu rosto repentinamente. Seus ossos rasgando a pele e o sangue manchando meu martelo, os olhos saltando para fora com o impacto e a força que infligi. Cobri meus olhos enquanto tentei correr para trás, apenas para me lembrar que estava sentada na cadeira, e meu desespero causou minha queda. O som da madeira caindo soou logo ao meu lado e ergui meu olhar para o alto da mesa, vendo a outra Holy se levantando calmamente e andando na minha direção.

– Nã-Não... Eu não queria... Fazer aquilo. – Senti minha visão ficar turva mais uma vez, minha garganta apertando. – Ele... Eu não queria...

– Mata-lo? – Ela disse de maneira seca, parando na minha frente, com uma expressão séria. – Ele não iria parar, não? Era um traidor... Matou Zero e Grandark, e tantos outros soldados. Ele também mentiu para você. Era o que ele merecia, Holy.

Não pude mais conter as lágrimas escorrendo. Meu corpo inteiro tremia, fora do meu controle. Ela... Estava certa. Não, não podia...

– Azin era meu amigo! – Gritei, com minha voz embargada pela minha dor.

– Azin matou a pessoa que você se importava! – Ela respondeu, também gritando, no entanto segura do que falava.

Estremeci ao ouvir aquelas palavras. Minha respiração... Parecia falhar... Cobri meus ouvidos, e me ajeitei para que pudesse me encolher. Ao fechar os olhos, o rosto contorcido e destroçado de Azin surgia na minha frente, ainda com seu sangue brilhante, quente pingando no meu rosto.

– Matar... Não é certo. – Murmurei.

Vi os pés descalços dela se aproximando, parando na minha frente e então ela se abaixou. Suas mãos geladas tocaram meu rosto, me forçando a olhar para ela novamente. Ao contrário do que esperava, apesar de seus olhos ainda estarem sem brilho... Seu rosto parecia estar embargado em dor, pena.

– Holy... – Mesmo com meus ouvidos tampados, pude escutar sua voz, e estremeci ao perceber que era por que eu a escutava dentro da minha cabeça. – Era o certo a se fazer... E, veja bem: ele vive dentro de você agora! Mesmo que ele não tenha mais seu corpo, sua alma ainda vai viver dentro de você.

Ela enxugou minhas lágrimas. O mundo ao meu redor ganhou cores, saindo daquela escuridão. Observei que linhas das mais variadas cores brilhavam acima das nossas cabeças, verde, azul, roxo, rosa... Os azulejos no chão eram num esquema parecida ao de xadrez, tendo os tons branco e roxo escuro. Flores verdes e amarelas desabrocharam, mostrando que existiam paredes ao nosso redor. O caminho parecia ser único, até o fim de um corredor, onde existiam diversas almofadas, uma gigantesca, do tamanho de uma cama, enquanto outros menores – apesar de diversos tamanhos – o rodeavam.

Com a ajuda dela, me levantei. A garota segurava meu braço e, percebi agora, que tínhamos a mesma altura. Olhei para trás: o caminho desaparecia na escuridão, as flores não desabrocharam muito atrás de mim. Era... Assustador.

– Ei, Holy... – A outra Holy chamou minha atenção, quando a olhei vi que estava sorrindo e apontando para as almofadas. — Quem é que está ali?

Olhei para onde ela apontava, vendo que havia realmente uma pessoa ali. Um garoto. Usava uma roupa meio estranha, semelhante ao estilo que a Lin usava. Seus cabelos eram num tom branco-arroxeado, curtos e lisos. Ele parecia dormir. Arregalei os olhos, e sem nem mesmo conter-me, corri em sua direção.

À medida que me aproximava, notei que era realmente quem eu pensava. Não parei de correr até chegar às almofadas, onde imediatamente me joguei por cima delas e toquei o rosto do rapaz. Estava quente... Sorri. Ele também respirava.

– Azin!

O rapaz se remexeu de leve e, depois de um suspiro sonolento, ele abriu seus olhos vermelhos. Azin me fitou confuso a principio e depois bufou, se sentando devagar na almofada com um jeito todo sonolento.

– Ei, Holy! Você demorou bastante, até acabei pegando no sono... – Então ele se virou para mim, sorrindo de um jeito bem menos assustador. – Que bom que chegou!

– Eu não acredito, você... – Senti meus olhos enchendo de lágrimas novamente.

– Ei, ei... Psssh... – Suas mãos enxugaram as lágrimas antes que caíssem. – Não chore, ok?

– Heh... – A voz da outra Holy chamou minha atenção, tinha me esquecido dela por um momento. – Já sei o que vai te animar, Holy! Que tal trazermos o Zero aqui? Ou até mesmo o Grandark e a Edna?!

– Ahhh... Fala sério, o Grandark? – Azin resmungou, bufando. – Aquele cara é chato demais!

Sorri meio sem jeito, ajeitando-me na almofada enquanto olhava para o Azin. Era... Bom vê-lo daquele jeito novamente. Na realidade, era bom vê-lo de qualquer maneira: inteiro e vivo. Suspirei contente.

– Ah... Grandark não é tão mal assim. – Sorri meio sem jeito, olhando para o lado. – Ele é bem legal até...

– Então, está decidido! – Falou a outra Holy, contente e pegando minhas mãos. – Vamos busca-lo!

Estava... Ainda chocada por aquilo tudo. No entanto, me sentia tão bem ali... Era aconchegante, e, segundo o que ela dizia, em breve eu teria todas as pessoas que eu gostava ali comigo. Não pude conter um sorriso e apertar a mão dela de volta.

– Sim!

Sinto que estou esquecendo de algo... Olho ao redor e noto uma mancha vermelha em uma das paredes, com pedaços de uma xícara branca no chão. O que era aquilo?

Tenho certeza que não estava ali antes...

Notas finais
Heheh... Espero que estejam gostando. 83