O Conto da Holy Serenity

30 O Pesadelo da Holy - Parte 3


Notas iniciais
Eai pessoal! Desculpa a demora, os últimos tempos tem sido super agitados para mim. xD Aliás, feliz ano novo HIPER atrasado! Não vou demorar muito, então vou pular logo para o que interessa! Boa leitura~

Parte 3: A luz que chama

Quando abri meus olhos, a luz me machucou. Cobri-os imediatamente, enquanto me sentava. Sentia-me meio tonta, minha cabeça doía levemente. Tudo aquilo... Aconteceu de verdade, não é mesmo? Iria trazer todas as pessoas que gostava e prezava para perto, deixa-los seguros... Senti que não estava sozinha, e quando olhei ao redor verifiquei que pensei estava certo. Edna, Dio, Grandiel, Mari, Edel e Ronan estavam todos voltados na minha frente, mas... Estavam meio distantes. Mas, estava faltando alguém ali. Olhei ao redor imediatamente, estava numa sala circular de pedras brancas, e vi escadas que levavam para um piso superior. Voltei meu olhar para aqueles rostos conhecidos e sorri.

– Eu estou bem, gente... – Me sentei, percebendo enfim que estava deitada em um sofá bem confortável o tempo inteiro. – Onde está o Grandark?

– Holy, você deveria descansar mais um pouco. – Aconselhou Edna, mantendo distância, com o rosto preocupado.

– Mas... Eu estou bem, de verdade.

Grandiel suspirou e se aproximou de mim lentamente, mas parou ainda com alguns centímetros de distância. Engoli seco. O que estava acontecendo?

– Holy... O Pesadelo ele... Está tomando conta de você.

– O-O que?

– Por favor, fique calma. – Grandiel emendou. – Eu posso preparar uma magia que pode retardar um pouco o progresso dele, mas preciso que se acalme.

Recuei um passo instintivamente, sentindo o sofá atrás de mim e olhei para baixo. Como eu podia ficar calma? Eu... Estava sendo corrompida! Senti meu coração apertar no meu peito enquanto minha dor de cabeça aumentava. Coloquei minhas mãos em minha cabeça. Era como se ela fosse explodir...

“Eles estão com medo de você.” Escutei uma voz em minha cabeça.

Olhei para frente, vendo todos se afastando e ficando com armas a postos. Mordi meu lábio inferior. Eu não quero machucar eles, mas... Por que eles estavam agindo daquela forma?

– Holy, fique calma... – Grandiel falou, mas agora estava um pouco mais distante de mim.

– Eu... Não quero machucar vocês... – Murmurei. – Por favor, eu só quero ficar junto de vocês.

– E vamos ficar, não se preocupe.

– Mas... As armas... Vocês estão com medo.

O elfo ajeitou sua postura e suspirou, olhando para meus companheiros por cima dos ombros. Pude notar a hesitação em seus olhos, mas eles abaixaram suas armas. Juntei minhas mãos junto ao meu corpo. Eu... Nunca seria aceita como... Uma deles, não é mesmo? Um sorriso infeliz despontou dos meus lábios.

“Então mostre que você os aceita.” Ouvi a voz em minha cabeça mais uma vez. “Traga-os para junto de você.”

A dor novamente se intensificou, muito mais forte do que da outra vez. Sentia... Uma força gigantesca tomando conta de mim. Meu corpo pareceu queimar logo em seguida, logo a força pareceu fugir das minhas pernas até então estar de joelhos no chão. Lágrimas de dor começaram a escapar dos meus olhos, aliviando brevemente a sensação de queimação por onde passavam. Olhei para frente, vendo todos meus companheiros sacando suas armas mais uma vez, mas minha visão começou a escurecer. Sentia meu corpo lentamente se mover contra minha vontade.

– Holy, pare! – Gritou Edna.

– De-Desculpe... – Respondi, estendendo a minha mão na direção deles. – Mas, vocês não entendem... Eu sou uma estranha para vocês...

Eles nunca me escutavam, não iriam entender meu desejo... Mas, nada precisa ser dolorido, não é mesmo? Tentei sorrir.

– Eu só quero ficar junto de vocês... Por favor, venham comigo... Vamos para um lugar bom, sem dor, sem morte...

– Queremos ficar junto de você. – Respondeu Grandiel, ainda na mesma posição. – Por isso queremos te ajudar.

– Vocês não querem me ajudar... Estão com medo. – Suspirei e fechei meus olhos. – Tudo bem... Eu vou trazer vocês junto de mim outra hora.

Senti minha cabeça ficar cada vez mais leve, a dor desapareceu, mas agora não conseguia mais controlar meu corpo. Sim... Eu queria ver ele. Zero e Grandark... Eles sempre estiveram ao meu lado, e eu tenho que cumprir minha promessa de continuar do lado dele. Levantei meu olhar para Grandiel, sorrindo de leve.

– Onde está o Grandark?

O silêncio se seguiu na sala. Suspirei e abaixei meu olhar. Eles não iriam me falar, é claro... Bem, só havia um caminho para seguir...

Mas, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, minha visão escureceu. Senti desmaiar.

–x-

Quando abri meus olhos, estava deitada em um dos puffs daquele quarto peculiar. Minha cabeça ainda doía, mas muito menos do que anteriormente. Azin estava deitado logo ao meu lado, dormindo tranquilamente. Sorri involuntariamente, contente por não estar sozinha. Mas, ainda não estava certo... Zero estava sozinho.

Precisava encontra-lo.

Levantei-me, sentindo um estranho cansaço, as luzes se acenderam, iluminando o ambiente mais uma vez enquanto eu caminhava em direção da mesa que eu havia tomado chá com aquela garota... Mas que garota mesmo? Tentei lembrar do rosto dela imediatamente, mas minha mente continuava em branco. Suspirei, mas sorri ao vez que havia um sanduíche na mesa, sozinho. Quando cheguei mais perto, pude observar um bilhete logo ao logo. Sem demora, peguei-o e comecei a ler.

“Tive que dar uma saída! Espero que goste do seu lanche.” Estava escrito a mão.

Deve ter sido aquela garota que não consigo lembrar seu nome... E rosto. Aliás, como ela saiu daqui? Olhei ao redor, verificando que não havia portas ou janelas. Isso... É estranho. Mas, não vejo por que não aceitar a comida, estava realmente faminta. Quando foi a última vez que comi mesmo..?

Uma vaga memória sobre um céu avermelhado passou pela minha mente. As pessoas que vi há pouco estavam ao meu redor, mas seus rostos pareciam borrados... Apesar disso, ainda conseguia reconhece-los. O único rosto que ainda estava bem claro era o do Zero. Sorri contente por isso, me sentando e não demorei a comer. Senti um sabor realmente delicioso, estava ótimo, ou provavelmente fosse a fome dando um tempero a mais a minha refeição...

Não demorei a devorar todo o sanduíche, me espreguiçando logo em seguida. Dei um risinho involuntário. Senti falta desses momentos... De paz. Sem luta alguma, desde que parti da minha terra natal, enfrentei muitas dificuldades, vi meus amigos caírem em batalha quando encontramos Berkas... Balancei a cabeça, afastando essas memórias tristes. Zero iria chegar logo, não quero que ele fique preocupado com minha feição triste.

Olhei para o prato cheio de farelos a minha frente. Talvez fosse melhor limpar isso logo, receber as pessoas numa bagunça não é algo disciplinar. Levantei-me e quando estendi a mão para pegar o objeto, escutei passos logo atrás de mim. Imediatamente olhei para ver quem era e me deparando com Azin de pé e me olhando surpreso. Sorri para ele.

– Dormiu bem?

– Você... Onde eu estou?

Aquela pergunta me surpreendeu. Deixei o prato de volta na mesa e me virei completamente em sua direção, colocando as mãos atrás do meu corpo. O guerreiro parecia realmente confuso...

– Bem... Sinceramente, nem eu sei dizer ao certo.

O rapaz me encarou brevemente até um estranho brilho de fúria passar pelos seus olhos. Sem dizer nada, Azin avançou sobre mim, colocando as mãos sobre meu pescoço e me inclinou contra mesa. Senti o prato pressionando contra minhas costas, mas isso não era tão dolorido quanto as mãos do guerreiro apertando meu pescoço. Levei as mãos para os pulsos dele, tentando puxa-lo e fazê-lo soltar meu pescoço.

– Pa-Pare, está me machucando Azin! – Murmurei quando consegui respirar um pouco, arregalando meus olhos.

– Sua maldita... Você... – Vi a ira brilhar nos olhos do meu amigo, enquanto um sorriso estranho surgiu dos seus lábios. – Você me matou!

Arregalei meus olhos, até mesmo soltando brevemente os pulsos daquele que me atacava. Uma cena pareceu piscar na minha frente. Meu martelo acertando em cheio a cabeça do Azin, o sangue espirrando para os lados e até mesmo na minha direção. Meu Deus... Eu fiz mesmo aquilo. Quando senti minha cabeça ficando leve, voltei a realidade e tentei respirar com muita dificuldade, voltando a tentar afastar aquelas mãos do meu pescoço.

– Azin! Pare! – Implorei.

– Parar?! Eu vou é fazer você pagar pelo o que fez!

– Por favor... Pare...

Não conseguia mais falar direito. Minha garganta estava doendo muito e eu não conseguia respirar. Fechei meus olhos fortemente, tentando juntar alguma força oculta dentro de mim naquela hora de dor absurda, em vão. Senti minha saliva escorrendo para fora da boca e se misturando as minhas lágrimas. Abri meus olhos, fitando os olhos furiosos daquele que tentava me matar.

– Pa... Re...

Rapidamente tudo começou a escurecer. Meu corpo já não respondia mais meus movimentos.

Eu... Morri?

–x-

Senti meu corpo mais uma vez. Respirei profundamente, andando para trás atordoada. Abri meus olhos, sentindo aquela mesma luz forte contra meus olhos. Para minha surpresa vi Dio avançando em minha direção furiosamente com sua garra e instintivamente ergui o que quer que estivesse em minhas mãos para deter seu avanço, notando então o cabo do meu martelo. O asmodiano me colocou contra uma parede sem o mínimo de dificuldade, segurando-me pelo cabo do martelo. Fiz força para tentar manter o controle, ofegante e ainda atordoada pelo o que acabou de acontecer.

– Lute! Você é mais forte do que isso!

Olhei ao redor, apenas tentando fazer força para mantê-lo ali. Vi, logo ao meu lado, Zero deitado num sofá, parecendo dormir pacificamente. Isso me fez aliviar a pressão brevemente, e sentir o cabo aproximando do meu pescoço me lembrou da situação em que me encontrava. Ofeguei, vendo por cima do ombro do Dio que Grandiel, Mari e Edna estavam logo atrás dele, a postos com armas em mãos. Mari parecia estar mais fria, enquanto Edna continuava com uma feição preocupada. Grandiel, por outro lado, estava sério, com a mão estendida na minha direção.

– Holy, resista! – Pediu Edna.

Resistir? Ao o que? Pressionei meus lábios, sentindo estar profundamente magoada, não somente pelo o que Azin havia feito comigo agora pouco, mas com toda aquela situação.

– Por que..? – Murmurei, lutando contra o choro. – Eu só quero ficar com vocês, então por que estão me atacando?

– Você não percebe, garotinha? Você está sendo manipulada pelo Pesadelo!

Arregalei meus olhos e tentei força-lo para longe de mim, sentindo a força do asmodiano agindo mais uma vez. Balancei minha cabeça negativamente. Não, não podia ser verdade.

– Não... Não! Eu quero acabar com a tristeza e a dor. Todos vão viver bem!

– Segure-a mais um pouco, Dio! Falta pouco! – Escutei Grandiel gritando, pouco depois um brilho pareceu surgir logo abaixo dele.

Mas o que estava acontecendo? Por que estavam fazendo aquilo? Eu... Não quero machuca-los, então por quê? Será... Que eles não gostavam de mim? Mas, eu só queria o melhor de todos... Senti lágrimas molhando meu rosto mais uma vez.

– Vocês não querem viver comigo..? – Murmurei mais uma vez.

Todos ficaram em silêncio, até o som das portas se abrindo irromper o momento. Edel entrou às pressas acompanhada de um cavaleiro de cabelos azulados, estava ofegante, mesmo que seu semblante continuasse da mesma forma inabalavelmente séria. Me surpreendi ao ver que aquele que entrou junto com Edel era Ronan, e ele me pareceu igualmente surpreso.

– Conseguimos matar os monstros! – Exclamou Edel, e pude notar que mesmo tentando manter a face séria, ficou ainda mais surpresa ao ver minha situação.

O cavaleiro arcano suspirou, guardando a sua espada – Tirfing -, e então se virou para mim, com o rosto convertido numa estranha seriedade serena... Pressionei meus lábios, sentindo minha garganta apertar. Por que estavam todos se voltando contra mim? Eu só quero poder ficar com eles, leva-los para um mundo livre de dores... Tentei empurrar Dio, para me libertar.

– O que vocês fizeram?

– Holy... Sei que é doloroso. – Ronan se aproximou alguns passos, me olhando diretamente nos olhos. — Eu te entendo, e por isso mesmo eu digo que não é o caminho certo a se seguir.

Vi um sorriso aconchegante surgir dos seus lábios conforme as lágrimas começavam a lentamente escorrer pelos meus olhos. Eu...

– Você é uma boa garota. – Emendou ele, ainda numa pose relaxada.

– Ronan... – Murmurei, ainda atordoada.

Como... Eu pude esquecer disso tudo? O que eu fiz... O que eu estou fazendo, é errado. Zero, eu sinto muito por ter te decepcionado, por ter errado tanto quando prometi te proteger... Eu te coloquei em perigo...

Não vou deixar essas trevas me dominarem. Tão pouco colocar a vida de vocês em risco.

Uma dor aguda começou em meu peito, rapidamente tomando meu corpo por inteiro. Sem conseguir controlar sequer meus impulsos direito, minha visão começou a obscurecer enquanto uma força implacável começou a tomar conta do meu corpo. Olhei para frente, tentando ver Ronan mais uma vez, mas minha visão estava ficando completamente obscurecida...

– Ande logo com isso Grandiel, não consigo mais segura-la! – Escutei Dio gritando no que parecia ser numa distância gigantesca.

Não consigo respirar, como se alguém segurasse meu pescoço e meu coração parece estar sendo esmagado dentro do meu peito... Apertei os olhos...

Não... Não pode ser minha hora de morrer! Não agora!

Tentei gritar com todas as minhas forças, mas não consegui sequer ouvir a minha própria voz. Abri meus olhos e me deparei com uma luz azulada gigantesca que impactou contra meu corpo. Imediatamente meu coração parou de doer lentamente e consegui enfim respirar. Senti minha cabeça ficando lentamente pesada conforme uma luz... Esverdeada... Aconchegante... Lentamente se aproximava...

Eu... Conheço essa energia... Estendi minha mão, mas meu corpo caiu.

Escuridão.

Notas finais
Pessoal, só vou avisar que provavelmente devo demorar um pouquiiiiinho mais para postar, pois essa semana vão começar as aulas da faculdade. >w< Ah, sobre a demora, eu ando com um pequeno bloqueio de criatividade, então mil desculpas.