O Conto da Holy Serenity
9 A Resistência - Parte 3
Notas iniciais
E isso me deu mais inspiração para escrever. eue
To muito ansiosa para a parte final dessa história, e nota: não me refiro a fanfic em si.
Btw, quando eu terminar Contos da Grand Chase, eu vou postar um trekinho que vou batizar de "Bônus", que vai ser onde vou colocar algumas informações sobre inspirações que usei para escrever e até menções de músicas durante a história. :3
Sem mais demora,boa leitura! o/
Parte 3: Ruínas de Prata
A viagem pelo mar foi realmente parada... Pegamos uma das poucas embarcações mercantis ainda inteiros no porto próximo onde a antiga morada de Gaicoz ficava. Foi realmente frustrante atravessar todo aquele caminho, vendo o quanto eu falhei com as deusas... Por que eu não estava aqui na hora que tudo aconteceu? Eu poderia ter feito algo... Mas... Agora, florestas inteiras estavam queimadas, vilas fantasmas, a humanidade estava minguando e os elfos também estavam quase desaparecendo. Me pergunto como Ryan consegue manter aquele sorriso nos lábios depois de que sua tão amada natureza foi destruída na frente dos seus olhos...
O cheiro do mar era conhecido por mim. Não tinha mais problemas com navios, já que já tinha navegado quando parti para Atón na missão divina de fechar os portais interdimensionais... Fechei os olhos, sentindo aquela brisa estranhamente quente batendo no meu rosto e tentando mentalizar a imensidão azul que eu havia me maravilhado uma vez. Sim... Um céu azul, com poucas nuvens, a água cristalina... Por que os monstros e o mal sempre querem destruir essa paz? Essa beleza do mundo? Eu sinto falta deles... Elesis, Lire, Arme, Ronan, Lass, Sieghart, Mari... Zero... E até mesmo sinto falta do Grandark. Abri meus olhos, minha fantasia se desfez completamente ao fitar aquele mar vermelho escuro tal como o céu. Suspirei desanimada.
O que havia acontecido? Até alguns dias atrás — agora que enfim sei que se passou quase uma semana contando com os dias que estamos na maré -, eu estava no parque de diversões com o Zero, Lire, Ronan, Arme, Lass e a Elesis... Minhas costas começaram a doer por estar inclinada sobre a borda da embarcação por tanto tempo e me estiquei, aproveitando para estender os braços para cima.
Escutei passos na madeira da embarcação e olhei para trás, vendo Edna, enjoada e com a mão na barriga, olhando para mim com um sorriso torto. Dei um risinho.
– É mais divertido depois que você se acostuma. – Comentei, tentando acalma-la.
– Hahahah... Engraçado... Eu lutei em guerras e estou perdendo para uma banheira, que maravilha... – Ela ajeitou a postura logo em seguida, respirando fundo.
Acabei sorrindo. A brisa do mar balançava meus cabelos, o que também fazia um pouco de cocegas no meu rosto. Olhei para frente. Edna se aproximou de mim, se apoiando na borda do navio da mesma forma que eu estava: estendendo os braços sobre ele e se inclinando de leve.
Ficamos num breve silêncio. Não sei no que ela pensava, mas, eu estava tentando aproveitar o som das ondas batendo no casco da embarcação.
– Ei... – Edna quebrou o silêncio. – Sobre aquilo... Que você estava falando sobre se lembrar das coisas, mas não como elas são agora... O que você quis dizer com aquilo?
– Ahm? – Demorei um pouco para me lembrar do que ela estava falando. – Ah... Aquilo...
Dei um pequeno sorriso de canto, sem jeito. Era a primeira vez que ficávamos sozinhas, Ryan nos acompanhou até o porto para verificar nossa segurança e nos ensinar o caminho. Três outras pessoas embarcaram conosco também, no entanto, estavam nos aposentos dentro do barco. Desencostei do barco e fiquei ereta, me abraçando logo em seguida.
– Sabe... É meio difícil explicar... – Senti que Edna estava com a atenção presa em mim, o que me deixava um pouco mais nervosa. – Antes de acordar nessa... Catástrofe, eu estava no circo com a Elesis, a Lire e a Arme.
Olhei de canto para Edna, pensei que veria uma expressão surpresa, no entanto ela parecia, de alguma forma, concentrada. Acenou para que eu continuasse.
– O Ronan, o Lass e o Zero também estavam com a gente no passeio... Era um circo que tinha recém-chegado em Vermécia e estava sendo bem divertido, até que, quando estávamos na roda gigante, fomos atacados. Lutamos e descobrimos que o Lass tinha ido para dentro da tenda principal e se afastado. Fomos atrás dele, mas quando nos deparamos com uma bifurcação, separamos em dois grupos para fazer a busca por ele. Mas, o meu grupo acabou encontrando um monstro... Um pesadelo... Essa criatura me sugou para dentro dela. Logo depois disso acordei com o Grandark me vigiando.
Edna ficou em silêncio e olhou para o mar por alguns momentos, mas logo desviou o olhar. Dei um sorriso de canto. Acho que ela devia estar enjoada e estava bancando a durona. A asmodiana passou a mão na boca, olhando para baixo pensativa.
– Você se lembra delas vivas? E você conheceu o Ronan mesmo? Isso é realmente estranho...
Suspirei. Ela não acreditava em mim. Quer dizer, se eu fosse ela, nem eu estaria acreditando numa história maluca como aquela. Talvez desse ainda tempo de concertar e falar que foi algum sonho besta...
– Já ouviu falar de dimensões alternativas? – Me surpreendi com as palavras dela.
– Não...
– Bem... – Edna deu um sorriso de canto, me olhando de cima. – Dimensões alternativas são realidades alternativas as que nós vivemos. Por exemplo, se uma coisa acontece nessa dimensão, sempre existe a possibilidade dela nunca ter acontecido, e isso é basicamente a teoria da dimensão alternativa: um lugar, praticamente igual ao nosso, mas onde aquele tal evento que deveria ter acontecido, não aconteceu.
Pisquei os olhos, meio surpresa. Aquilo tudo parecia realmente complicado para mim. Dei um sorriso torto. Edna deu um riso, se virando para mim.
– Certo, vou tentar explicar melhor: imagine uma torta, certo? Imagine que essa torta seja de morango, mas em algum outro lugar essa torta poderia ter sido feita de maçã.
– Oh... Acho que estou começando a entender.
A asmodiana deu um risinho de canto. Acho que ela devia achar engraçado o jeito que ela usava para explicar as coisas para mim. Se bem que uma torta de morango cairia bem agora... Afastei o pensamento, voltando minha atenção.
– Mas, como você sabe disso? – Perguntei, curiosa.
– Não é muito diferente de Elyos e Ernas. – Ela deu um riso novamente com a minha cara de confusa. – Elyos e Ernas são mundos que vivem em dimensões diferentes, então para atravessar o véu que separa esses dois mundos é necessário criar os portais interdimensionais.
– Aaaaaaaaaah... – O som da compreensão saiu da minha boca, enquanto me lembrava dessas informações direito. – Entendi!
– Boa garota. – A asmodiana passou a mão na minha cabeça. – Pode ser que você seja de uma dimensão aonde o Eclipse não aconteceu, entendeu?
– Acho que sim...
Olhei para o mar de volta, pensando na nossa conversa. Será que havia um jeito de volta para a minha dimensão? Eu sei que é humanamente impossível normalmente criar portais interdimensionais, então as chances de conseguir voltar são realmente... Baixas. Fechei os olhos brevemente. Talvez eu pudesse aproveitar o tempo que estava ali para conseguir ajuda-los...
Escutei um barulho estranho logo ao meu lado e quando abri os olhos vi Edna vomitando no mar. Um riso saiu da minha boca sem querer, enquanto batia de leve nas costas da asmodiana, contente de tê-la ao meu lado.
–x-
Após algumas horas da nossa conversa, desembarcamos perto das Ruínas de Prata, ao que parecia ser os restos de uma antiga vigorosa floresta. Posso até ser meio inocente, mas eu tenho até certo orgulho dos meus conhecimentos geográficos, apesar de eu ter me perdido em Atón, mas isso é uma história completamente diferente. Eu não conhecia Atón, nunca tinha ido lá e diversos paladinos também se perderam do grupo principal!
Toquei de leve o tronco chamuscado, olhando para seu corpo destruído pelos meteoros.
– Floresta Antiga... — Murmurei.
– Exato. – Edna veio logo atrás de mim, dando um sorriso de leve.
Sorri de volta, me afastando e olhei para onde as pessoas desembarcavam. Os outros três tripulantes estavam encapuzados, mas seguiram caminhos opostos ao que seguíamos, sendo que um deles se separou dos outros dois. Apesar de que nunca vi realmente os três juntos dentro do navio... Dei de ombros, começando a andar pela trilha.
– As Ruínas de Prata devem estar a trinta minutos de caminhada. – Comentou Edna.
– É...
Aquele silêncio era realmente estranho, sendo quebrado somente pelo som do meu martelo sendo arrastado pelo chão. Honestamente, eu deveria ter pensado numa arma melhor além do martelo gigante... Apesar de que hoje não o trocaria por nada.
“Viveis suas vidas, pequenas crianças
O ancião fala com o cuidado que o tempo
Lhe ensinou.”
Olhei para Edna, surpresa de ouvi-la cantando do nada. A música parecia ser um pouco estranha, mas era melhor do que aquele silêncio que estávamos anteriormente.
“Guerras viram, entes partiram
O tempo passa e o mundo vive nessa dor
Mas não tema meu amor,
Pois as crianças lutaram.
Contra o calor, contra o tempo
Contra a vida e até mesmo contra a morte
Essa é a peça que o mundo criou
Um espetáculo para apenas dois espectadores.
Deus derrame suas lágrimas sobre a terra
Traga de volta as deusas de Ernas
E a luz de Agnécia.
A morte ri-se, deleitando a tragédia.
A Luz se foi.
A escuridão tomou seu coração.
Lutem, crianças
Encontrem esperança mesmo nesses últimos dias.”
O ritmo da música era triste, diversas vezes Edna fazia um agudo um pouco mais alto e longo. Olhei-a curiosa.
– De quem é essa música?
– Não se sabe. – Edna disse, com um sorriso de canto. – Ela surgiu logo após o fim da última guerra, ela é conhecida tanto por habitantes de Elyos quanto de Ernas.
– Entendi...
Fiquei pensativa com aquela música, mas ao mesmo tempo gostei dela, apesar de ser triste. O silêncio voltou na nossa viagem, mas muito menos incomodo do que antes.
–x-
Pude avistar as Ruínas de Prata ao virar uma curva da trilha, soltando um suspiro aliviado. Logo nossa missão estaria acabada, era só encontrar os dois membros da Resistência e poderíamos voltar, já que o nosso barco estava ainda acostado esperando pelo nosso retorno. Cobrimos o espaço restante em poucos minutos, e enfim pude ter uma vista das ruínas.
Eu já conhecia aquele lugar, mas, aquele cenário... Engoli seco, sentindo um embrulho no meu estomago. As ruínas estavam mais destruídas do que eu me lembrava e ainda havia... Rastros de sangue seco pelo chão. Olhei para Edna e notei que seu rosto estava muito sério e ela se aproximou um pouco, parando enquanto parecia analisar. Parei logo ao seu lado e decidi analisar também aquele sangue seco.
Ele estava explodindo para o lado que estávamos seguindo, mas, como não se espalhava para o lado que viemos, parecia muito mais que algo foi acertado com um golpe muito poderoso de frente. Engoli seco, sentindo uma onda de medo. E se fosse alguém? Aquela quantidade que estava no chão já era uma quantia significativa...
– É pouco provável que o que quer que tenha sido atingido tenha sobrevivido por muito tempo... – Edna comentou meus pensamentos em voz baixa.
Engoli seco. Aquilo era aterrorizante... Naquele silêncio de tensão, escutamos algo... Olhei para Edna e ela retribuiu meu olhar, continuamos em silêncio até escutarmos de volta o barulho. Silenciosamente, a asmodiana sacou as espadas e gesticulou para que eu seguisse atrás dela. Confirmei com a cabeça e seguimos.
Após alguns segundos de caminhada e cruzar um prédio, notamos que aquele mesmo sangue seco parecia formar um caminho, o mesmo que estávamos fazendo, e que também estava se tornando mais fresco a medida que prosseguíamos. Trocamos olhares novamente e espiamos o caminho mais a frente.
Sentada no chão, estava uma garota de cabelo cor de rosa, preso em um único lado. No chão ao seu lado parecia ter uma espécie de cajado, apesar de parecer ter um suporte no seu fim. Imediatamente reconheci que era Amy e dei um sorriso aliviado. Provavelmente ela era um dos membros da resistência que estavam desaparecidos. Me preparei para aproximar, mas Edna me segurou e apontou na direção da Amy.
Olhando mais atentamente, pude notar um par de pernas deitados na frente da Amy, os pés estavam descalços, mas envoltos por bandagens, e parecia que usava uma calça preta com símbolos de fogo na barra da calça. O rastro de sangue terminava naquele ponto. Cobri a boca, abismada e sentindo lágrimas surgindo nos meus olhos.
Eu sei... Que perdi muitos companheiros nas batalhas em Atón... E que também tinha perdido todas as pessoas que eu conhecia ao mudar de dimensão de alguma forma... Mas, aquela era a primeira vez que eu via uma dessas pessoas queridas morta na minha frente.
Senti minha garganta apertar, minhas pernas pareciam perder as forças. Eu me lembrava dele. Apesar de ser extremamente impulsivo e bobo pela Amy, ele vivia me ajudando e me animando, até mesmo brigava com o Zero por que achava que ele era um problema. Acabei sentando no chão, sentindo as lágrimas de choque descendo pelas minhas bochechas enquanto me lembrava do sorriso alegre e cheio de energia do Jin, e das suas últimas palavras antes de ir para o Circo.
“Ei, tome cuidado!”
Me inclinei para frente e fechei os olhos, sentindo meu coração apertando no peito.
Por que, Deus?
Notas finais
Mas, não se deixem levar pelo o que parece ser...
De qualquer forma, espero que tenham gostado e que acompanhem. x3
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