O Conto da Holy Serenity

10 A Resistência - Parte 4


Notas iniciais
E ai, gente, tudo bem? ^^

Eu tava pensando em fazer uma sequência de capítulos, no entanto... Faltou a inspiração para fazer a capa do capítulo 4. q

Ah sim, isso me faz lembrar também que quando terminar essa parte, vou começar a trabalhar e postar O Conto de Zero Zephyrum. n_n Espero que acompanhem também. 'u'

Bem, boa leitura!

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Parte 4: Adeus, Cavaleiro de Prata


A nossa frente as línguas de fogo consumiam aquela pira funerária, famintas e desesperadas para se tornarem em simples brasas. Eu havia acabado de recitar a oração para que Jin pudesse se encontrar com Deus e Edna havia dado inicio as chamas. Olhei para o meu lado, vendo Amy chorando copiosamente no ombro da asmodiana.


Depois que chegamos, descobrimos que Amy passou uma semana inteira com o corpo de Jin, que já estava em um estado deplorável... Fechei os olhos, sentindo meu estomago revirando ao sentir aquele cheiro de carne podre misturada com pele queimada. Edna disse que a diva precisaria de acompanhamento psicológico quando retornássemos para nossa sede... Eu não tenho nada contra, até apoio a ideia. Quando nos aproximamos quando havíamos a encontrado, Amy não parava de falar “Raposa azul” como se fosse um mantra que a estava aterrorizando e consumindo por dentro.

Voltei meu olhar para aquelas chamas vermelhas, sentindo meu coração apertar novamente ao lembrar que aquele mesmo fogo que consumia seu corpo, Jin, era o mesmo que você portava com muito orgulho em suas vestimentas... Cobri meus olhos novamente. Por que estava me sentindo tão triste? Quer dizer... Ele morreu cumprindo seu dever como cavaleiro de prata... Mas por que eu sentia tanta vontade de negar aquilo? De pedir para Deus que mudasse o tempo para que pudéssemos chegar mais cedo?

Por que eu estava pensando que aquilo era injusto? Fosse quem fosse que fez aquele ato maligno... Ele iria pagar. Apertei meu punho, respirando fundo e olhei para aquela pira funerária.

Eu vou fazer justiça, Jin. Eu prometo.


–x-



O caminho de volta foi silencioso, até mesmo Amy havia calado suas lágrimas. O ar estava pesado entre nós, cada uma presa em seu mundo próprio, ou simplesmente sem coragem de tentar falar algo. Até mesmo Edna estava séria... Acho que deve ser difícil para ela... Ela também perdeu a pessoa que amava...


Olhei para frente e vi as folhas de uma das árvores à nossa esquerda se remexendo. Parei e olhei para Edna. Numa troca de olhares que entendemos perfeitamente, seguimos pela estrada, aguardando pela emboscada que nos foi armada. Talvez apenas estivéssemos querendo pobres coitados para descontar nossa frustração... Não, não era certo pensar assim. Iriamos apenas punir aqueles que faziam atos malignos.

Quando chegamos embaixo da árvore que as folhas se mexeram, alguém ou algo pareceu pular em cima de mim. Dei um pequeno salto para trás, escapando por pouco da lâmina impiedosa que descia em direção à minha garganta. O garoto de cabelos prateados estava parado na frente da Amy, que ao notar o que acontecia, soltou um grito e começou a correr na direção das Ruínas de Prata de volta e apesar de Edna ter estendido o braço para detê-la, não conseguiu alcança-la a tempo.

Acompanhei a diva com o olhar e depois olhei para Edna, acenando para que fosse atrás da Amy e sem demoras a asmodiana partiu. Voltei meu olhar para o garoto a minha frente. Suas vestimentas lembravam ao de um ninja, o cabelo prateado estava caído sobre sua testa e sua boca coberta por um pano preto. Senti minhas pernas tremerem, arregalando os olhos.

Eu não precisava de mais nada para saber quem era o meu algoz. O garoto se levantou, ajeitando suas facas duplas e me olhou friamente. Quando fui tentar falar seu nome, escutei um estrondo atrás de mim. Uma espécie de explosão que pareceu ecoar por quilômetros e senti como se meus tímpanos fossem estourar. Olhei para trás instintivamente, vendo Amy caída no chão com os cabelos rosados manchados de sangue e Edna com as espadas desembainhadas, frente a elas estava um homem que usava vestes vermelhas e tinha olhos... Vermelhos? A pele dele também não parecia ser normal e parecia estar carregando algo em ambas as mãos...

Senti minha cabeça latejando no momento que olhei para aqueles objetos. Tudo ficou escuro por um momento, enquanto revia a cena que vi quando desmaiei após intervir na luta do Grandark e da Edna, no entanto, estava um pouco mais visível do que antes... O cano daquela mesma coisa que ele portava, eu me lembrei... Eu já a havia visto...

Antes que eu pudesse me lembrar de mais detalhes, escutei passos apressados na minha frente, mesmo que quase inaudíveis, e me lembrei do meu atacante. Eu tinha me esquecido completamente que eu também estava em um grave perigo! Quando me virei na direção do meu algoz, tentei erguer meu martelo para acerta-lo, no entanto, meu golpe era lento demais. Senti o desespero fazendo meu coração acelerar.

Eu iria morrer.

Inutilmente coloquei as mãos frente ao meu rosto para me defender, fechando os olhos e recuando a cabeça. O som de metais se chocando soou, meu corpo inteiro estava preparado para ser cortado, mas ao não sentir nada, abri os olhos e vi os cabelos cinzas a minha frente. Involuntariamente sorri.

– Zero! – Disse sem nem pensar direito.

O meu protetor moveu Grandark para cima, saindo do seu modo de defesa e lançando uma energia poderosa com seu movimento. Meu atacante nem tempo teve para recuar direito após colidir contra a espada gigante, tomando aquele golpe em cheio. Seu corpo voou no ar como se fosse um boneco de pano e caiu no chão num baque seco, soltando um grunhido dolorido.

– Lass! – Uma voz masculina soou preocupada atrás de mim.

Olhei para trás, vendo que aquele homem de olhos vermelhos estava aturdido de ver a situação do seu companheiro, olhando de volta para Edna de maneira determinada. Uma sequência daquela mesma explosão soou. No entanto, para minha extrema surpresa, vi a asmodiana movimentando suas lâminas com tamanha precisão e velocidade que o som de metais se chocando ecoou, e o que quer que ele estivesse atacando, voltou contra ele em seu ombro e braço.

Aturdido e rosnando de raiva, ele parou de fazer aquelas explosões e recuou as armas, para então mordiscar o lábio inferior e soltar um assovio absurdamente alto, fugindo para os arbustos logo em seguida.

– Ei, parado ai!

Escutei a voz do Zero a minha frente e voltei meu olhar para aquela direção, vendo o vulto azul do Lass fugindo na mesma direção que aquele rapaz vermelho. Apesar da tentativa de segui-los, meu protetor não continuou a perseguição, parando na margem da estrada enquanto bufava irritado.

Suspirei aliviada que aquilo tivesse terminado sem ninguém fe--... Espere, a Amy!

Olhei para Edna que trazia Amy nos braços. Sua cabeça estava sangrando e parecia estar desacordada. Senti meu estomago revirar novamente em pensar que ela poderia também ter morrido... No entanto, para meu alivio, Edna disse:

– O tiro que aquele Horus deu pegou de raspão. – Deu um pequeno sorriso em seguida para mim. – Ela apenas desmaiou de medo.

Dei um sorriso de canto, olhando Amy. Ela parecia bem mais em paz agora... Senti uma mão apertando meu ombro e olhei para trás, vendo os olhos verdes brilhantes e furiosos me encarando. Engoli seco.

– Zero é? Seria uma pena se não fosse o Zero... – Grandark apertou meu ombro um pouco mais, enquanto sorria de maneira psicótica. – Uma grande pena MESMO!

– Ai, ai, ai, ai... De-Desculpe Grandark! Fo-Foi reflexo!

Comecei a tentar tirar a mão dele do meu ombro, mas era praticamente impossível, a força do demônio verde era muito maior do que eu imaginava. Meus olhos começaram a arder e lacrimejar, pedi desculpas diversas vezes, mas a cada vez que eu pedia, aquele sorriso psicótico de alguma forma parecia estar se tornando um sorriso de prazer. Senti o desespero começando a crescer e quando fui pedir desculpas mais uma vez, o rosto de Grandark foi coberto pelo punho de Edna.

O demônio de olhos verdes soltou meu ombro, cambaleou para trás e caiu no chão, com os dedos da asmodiana gravados no seu rosto. Pisquei os olhos, em choque. Olhei para Edna, e juro que podia ver que uma fumacinha parecia estar saindo do seu punho. Seu rosto estava coberto com uma sombra de pura ira.

– Sua... Va... Argh... – Grandark e levantou atordoado, com a mão no rosto. – Por que fez isso?!

– Por que você nos abandonou! – Edna gritou de volta, realmente furiosa.

– Ai meu..! Mas eu estou aqui não estou?!

– Tá, você está. – A Asmodiana pareceu ficar um pouco sem saber o que falar.

– Então..! Pra que você me deu aquele soco então?!

– Err... Por que você estava machucando a Holy, oras!

– Aaaaah, claro. Eu ia morder a Holy e arrancar pedaços dela!

– E-Espere, você ia fazer isso?! – Edna ficou boquiaberta.

– Mas é claro que não sua retardada!

– Pa-Parem de brigar! – Intervi finalmente, sentindo ainda meus olhos lacrimejando ainda mais e olhei os dois, tendo que levantar a cabeça já que ambos eram mais altos do que eu. – Po-Por favor...

Edna e Grandark ficaram me olhando durante alguns segundos pasmos, eu acho que ambos acabaram corando de leve e desviaram o olhar um para o outro. Senti que eles pareciam estar concordando com alguma coisa pelo olhar.

– Certo, paz. – Disse Edna enquanto estendia a mão.

– ... Temporária. – Concluiu Grandark, virando de costas e seguindo o caminho para a embarcação.

Edna apertou o punho, ficando com raiva novamente, no entanto me aproximei da minha amiga e toquei seu ombro, olhando para Amy que estava sendo segurada com apenas um braço da asmodiana. Edna suspirou e aliviou a expressão, pegando a diva no colo novamente para podermos seguir nossa viagem.

Notas finais
Espero que estejam gostando. ^^

Até a próxima. o/