O Conto da Holy Serenity

16 A Caminho de Arquimidia - Parte 4


Notas iniciais
Aqui vai o novo cap.
Eu espero que fiquem um pouco... Ansiosos com esse capítulo. 83

Não estou com muita criatividade agora, então... Boa leitura. xD

Parte 4: A Partida

Os corredores, à medida que nos subíamos para onde estava o dirigível, se tornavam gradualmente mais vazios. Aparentemente os monstros não haviam conseguido chegar muito longe ainda... Era o que estávamos esperando.

Subir tantos lances de escadas de uma única vez foi realmente exaustivo, mas, enfim, chegamos ao ponto aonde o dirigível se encontrava estacionado. Parecia que a Mari já havia sido avisada que estávamos batendo em retirada, se bem que provavelmente daqui de cima era possível ver a situação geral do castelo... Ao olhar para baixo, confirmei meus pensamentos.

Afastei-me rapidamente assim que senti a fumaça dos jardins sendo queimados irritando meus olhos e queimando minha garganta. Tossi e senti uma mão me puxando pelo pulso. Ao olhar para trás, vi Grandark me olhando.

- Anda logo, Holy!

Todos já haviam entrado no dirigível e ele já se preparava para erguer o voo. A fumaça cinzenta e espessa já formava paredes ao redor da torre em que me encontrava, sendo afastado somente pelo movimento dos propulsores de velocidade que estavam pendurados ao lado do grande balão que erguia o dirigível.

- Ce-Certo!

Corremos na direção do dirigível que já se erguia há um metro do chão, me preparei para pular, vendo Edna e Dio na porta observando nossa aproximação, quando senti meu pulso ser puxado e Grandark me segurou pela cintura. Olhei-o surpresa, mas o olhar nem foi retribuído: ele olhava para cima.

As mãos que me envolveram logo me jogaram para cima, abaixei as mãos para segurar minha saia no ar enquanto voava livremente. Olhei para baixo, vendo o rosto do Zero me observando com um par de olhos esverdeados brilhantes, quando senti meu corpo perder o impulso e as mãos que agarraram minha roupa por trás, imediatamente me puxando.

Senti a segurança voltar para meus pés assim como o frio metálico que atravessava minha roupa. Ao olhar para trás, vi Edna me puxando para dentro do dirigível enquanto Dio se inclinava para fora, puxando alguém para dentro. Foi então que, quando o asmodiano recuou, vi que estava puxando Grandark para dentro da aeronave. Suspirei aliviada.

- Tudo bem, Holy? – Edna me perguntou enquanto me ajudava a levantar.

- Sim.

Dio fechou a porta enquanto Grandark se afastava, indo na direção de Mari que estava no mastro e de cada lado da tecnomaga estava o homem da mascara e Edel. Edna me guiou para perto das paredes, onde tinham alguns ganchos para podermos nos segurar e manter-nos em pé, o que estava relativamente difícil devido à velocidade. Eu não vi Azin à vista.

- Se segure, Holy, a viagem vai ser turbulenta. – Alertou a asmodiana.

Me segurei a tempo de sentir o chãos aos meus pés tremerem. Dio acabou indo ao chão, Edel deu alguns passos para trás, se desequilibrando enquanto o mascara de dragão abriu as pernas para manter seu ponto de equilíbrio e não cair. Mari se apoiou no mastro e Edna se segurou no gancho logo ao meu lado. Mas, Grandark, apesar de ter ficado parado por um instante, nem chegou a estremecer.

Quando a turbulência passou e o demônio de olhos verdes foi caminhar, foi possível ver dois buracos onde seus pés estavam anteriormente e se aproximou da Mari, tocando seu ombro.

- É melhor fazer essa lata de sardinhas andar antes que--...

- Reserve seu lugar e se segure! – Mari respondeu, estavam gritando graças ao barulho e a adrenalina.

Antes mesmo de fazermos perguntas, o dirigível começou a se inclinar para cima. Como eu estava logo ao lado da janela e ao olhar para fora, vi que as asas do dirigível estavam se inclinando de modo que o vento do lado de fora batesse de tal forma que facilitasse a subida abrupta. Edna e eu estávamos seguras, já que os ganchos eram diretamente ligados à parede externa dos quartos. No entanto, vi o mascarado caindo para trás à medida que erguíamos e deslizando na nossa direção e batendo na parede.

Escutei o barulho de alguém caindo logo a nossa direita e me lembrei de Dio, que já havia caído na hora que o dirigível estremeceu. Ao olhar na direção dele, vi que, para não ir deslizando sem parar, ele fincou suas garras no chão metálico.

- Poderia parar de fazer essas coisas estúpidas de humanos?! – O asmodiano gritou à plenos pulmões.

Edel apareceu deslizando pelo chão, passando logo ao lado do Dio que imediatamente esticou o braço livre e a segurou, puxando-a para junto de si.

- Sugiro se segurar, Edel. – O asmodiano falou.

Eu acho que vi a capitã fazendo algum tipo de careta, mas logo em seguida Edel abraçou Dio e olhou pare cima.

Acompanhei o olhar dela e vi que Grandark ainda estava parado no mesmo lugar, no entanto, duas estacas escuras surgiram das suas costas e fincaram no chão e ele parecia estar segurando Mari para não acabar caindo.

Eu não conseguia ver nada ao nosso redor graças à cortina de fumaça espessa que nos rodeava. O dirigível começou a tremer novamente, no entanto, ao contrário da primeira, essa foi mais continua e presumi que fosse graças à mudança brusca de sentido que estávamos seguindo. Engoli seco.

Iria dar tudo realmente certo?

Para meu alivio, o Eclipse surgiu diante de nossos olhos novamente à medida que saíamos da cortina de fumaça, o céu vermelho-escuro surgiu à nossa frente. Logo em seguida e lentamente o dirigível retomou sua posição estável, parando de subir. O tremor parou também.

Suspirei aliviada e todos foram se levantando. Os espinhos que foram criados para apoiar o Grandark se recolheram para dentro do próprio corpo e ele soltou Mari, se afastando alguns passos.

- Você e essas ideias de maluca. Acho que é por isso que você é a nossa engenheira.

- Vou aceitar isso como um elogio, Grandark.

Grandark deu de ombros.

Quando todos que haviam caído se levantaram, com Dio ajudando a Edel para se levantar, a porta dos quartos se abriu brutamente e dali surgiu Azin, que parecia ofegante e olhando para todos nós com os olhos arregalados.

- Mas... O que... Aconteceu?!

- Wow, essa é uma faceta que eu nem suspeitava de você. – Grandark disse em um tom claro de sarcasmo.

Acabei dando um sorrisinho de canto. Meu corpo tremia de leve depois de tudo aquilo, ainda me sentia levemente assustada, mas suspirei aliviada.

- Estamos indo para Arquimídia? – Inquiri, enquanto me soltava do gancho de apoio.

- Sim. – Mari respondeu sem nem desviar o rosto. – Lá vamos encontrar Caxias.

- Caxias?

- Sim, ele é um elfo super nerd. – Grandark respondeu enquanto cruzava os braços.

-... Nerd?

-... Dava para alguém me responder, cacete? – Azin vociferou.

Ele havia acabado de falar uma palavra inapropriada? É isso mesmo? Olhei brava para ele e me aproximei.

- Não... Fale... Palavrão! É errado! – Puxei a orelha do Azin para baixo. – Entedeu?!

- Para de ser tão azeda, limãozinho!

- Eu não sou um limãozinho! – Puxei a orelha dele com ainda mais força.

- Para com isso, porra!

- Parem os dois! – Edna se aproximou, colocando as mãos na cintura. – É necessário isso?!

- Ele falou coisa que não pode! É errado isso!

- Mas que caralho, pare de ser uma chata, limãozinho!

- Para de falar coisas feias e eu não sou limãozinho!

Antes mesmo de eu poder continuar corrigindo-o, senti ser erguida pelas costas da minha roupa e minha mão se afastando do rosto do Azin. O guerreiro também foi levantado junto e, quando olhei para meu lado, vi que era Grandark quem estava nos erguendo.

- Parem de birra vocês dois, eu não tenho tempo para separar briguinhas.

- Eu não sou uma criança! – Vociferei, estendendo as mãos para apertar as bochechas do Grandark.

- Certo, e eu não era uma espada.

Quando fui responder, senti ser jogada para cima e meu corpo cair, foi então que notei que Grandark havia me jogado por cima do ombro dele novamente. Rosnei, começando a bater nas costas do homem que me segurava.

- Pare de fazer isso!

- Aham.

- Sério mesmo?!

-... Não.

-x-

A viagem continuou por umas boas horas. Conseguimos descansar e recuperar um pouco das nossas forças. O tempo parecia passar de uma maneira absurdamente lenta, como se fosse algum tipo de presságio para algo... Senti um frio na barriga ao pensar nisso.

Estávamos reunidos novamente. Dio era quem estava pilotando enquanto Mari comia e descansava um pouco. Já estávamos sobrevoando as florestas de Karuel. Eu me pergunto onde estaria aquele tal de Caxias e me pergunto quem ele seria... Aparentemente, segundo o que me explicaram, Caxias Grandiel era um elfo extremamente sábio que ajudou, tanto na batalha contra Astaroth quanto na grande Guerra contra o Maligno. Também, parece que ele e o Astaroth eram amigos antes da destruição de Calnat nas guerras mágicas... Eu me pergunto que tipo de pessoa ele é realmente.

- Estamos chegando? – Inquiri, enquanto suspirava.

Me sentei no chão, apoiando as costas nas paredes dos ganchos. Mari havia acabado de terminal seu café e me olhou.

- Sim, Holy.

- Uhm... Que tipo de lugar é onde ele vive?

- É uma torre.

- Uma... Torre?

Olhei para frente, sem avistar nenhum sinal daquela dita torre que Mari havia citado e a fitei. Pela primeira vez, notei um tímido sorriso despontando dos seus lábios.

- A torre dele é uma construção especial que, ao invés de refletir a luz para podermos enxergar, ele absorve completamente todo o tipo de iluminação.

-... E o que isso tem haver?

- Nossos olhos para poder enxergar absorvem a luz que bate nos objetos e viaja para nossas retinas, que traduzem toda a imagem que a luz está emitindo transforma na imagem que vemos. No caso da torre, ela ao invés de refletir a luz, ela absorve completamente a luz, o que impede que ele seja enxergado por olhos comuns.

- Então... Como vamos saber se vamos bater nela ou não?

- A estrutura é mágica. – Dio começou a explicar, sem desviar os olhos da frente. – Quando a pessoa é treinada o suficiente, ela consegue reconhecer as ondas mágicas que a torre emite se ela já souber como são. No caso, eu, Edna, Grandark e Mari por já termos visitado a torre, reconhecemos como são suas ondas.

- Entendi... Isso é bem inteligente mesmo.

Eu estava verdadeiramente admirada. Aquilo era realmente uma grande perícia que nunca imaginei que poderia ser realizada. Olhei ao redor enquanto abraçava minhas pernas. Azin parecia pensativo, de braços cruzados encostado na parede à minha esquerda, Edna estava parada logo ao lado do Dio de braços cruzados. Edel e o homem mascarado também estavam olhando a viagem logo atrás do asmodiano, no entanto, eu tinha a mínima impressão que a capitã estava mais era vigiando o Máscara de Dragão. E por fim, Grandark estava parado no centro do ambiente de braços cruzados.

Mari se levantou e limpou as migalhas da sua roupa. Tudo parecia tão calmo que aquele meu medo se mostrou extremamente insignificante. Iriamos chegar na torre do Caxias e receberiamos todas as informações que precisávamos. Suspirei, fechando os olhos e apoiando o queixo nos meus joelhos. Em breve tudo iria acabar... Mas, por que sinto um... Aperto no peito de pensar que em breve eu iria me despedir de todos eles? Por que isso me deixava... Triste? Eu nem pertenço a esse mundo...

Foi então que, como se tivesse surgido dos abismos mais obscuros do meu coração, um urro poderoso e furioso fez todo o dirigível balançar. Arregalei os olhos e me levantei imediatamente. O que era aquilo?! Ao olhar ao redor, notei que todos pareciam estar assombrados, olhando para a direita. Acompanhei os seus olhares e senti meu coração parar de bater por um segundo.

Um dragão avermelhado gigantesco voava na nossa direção, estava um pouco longe ainda, mas eu podia ver perfeitamente um vulto em pé em cima de sua cabeça.

Aquilo... Não podia ser verdade.

- Be-Berkas... – Murmurei, estremecendo de medo.

Berkas, o dragão demônio. Quando os paladinos da luz foram mandados, acabamos descobrindo sua existência e tentamos derrota-lo. Foi nessa batalha que eu me separei do grupo. Eu tentei buscar ajuda para derrotar aquela criatura, mas... Quando voltei com a Grand Chase para o lar de Berkas... Todos já haviam sido mortos.

Lembra-me disso fez com que meu coração afundasse dentro do meu peito, apertando meus punhos. Por que aquilo tinha que acontecer? Por que eu sempre tinha que me despedir de quem eu me importava?

“Huhuhu... O que temos aqui?”

Estaquei, olhando ao redor. Aquela voz... Ela soou dentro da minha cabeça.

- Essa não... – Grandark rangeu os dentes, recuando um passo. – Não agora.

“Ora, ora... Eu reconheço vocês... Não são os ratinhos daquele druida incompetente?”

- Maligno... – Mari murmurou, apertando os punhos.

“Hahahahah... Que bom que não me esqueceram! Eu iria ficar tão... Magoado!”

Notas finais
Shit just got serious.