O Conto da Holy Serenity

17 Especial! Edna e Dio


Notas iniciais
E ai pessoal |3
Então, me ocorreu a ideia de fazer especiais dos outros personagens, contando as interações deles. ^^
Para aqueles que já jogaram o Fire Emblem, pode lembrar os Paralogues que acontecem pós-missões. c:
Espero que gostem e boa leitura!

Especial! Edna e Dio

Já se passaram algumas horas desde partimos de Ellia. Holy está bem agora. Afasto uma mecha esverdeada do seu rosto adormecido, parecendo até um pequeno anjo, e acabo dando um sorriso involuntário. Ela é tão... Inocente. Ela é uma criança que nem deveria estar aqui. Não, esse é o mundo errado para ela, ela não merece esse lugar.

Escuto batidas na porta, lentas e fracas, logo em seguida o trinco ressoou enquanto abria. Olhei por cima do ombro, vendo Dio adentrar no quarto. Ele esticou um pouco o pescoço para espiar Holy, e ao ver que estava adormecida, soltou um suspiro aliviado e terminou de entrar no quarto, fechando a porta atrás de si, tomando cuidado para que tanto seus passos ecoassem muito alto no chão metálico.

– Que bom que alguém aqui está conseguindo descansar. – O imperador disse enquanto se aproximava, encarando a pequena adormecida.

Voltei a olha-la, passando as costas do meu dedo indicador na sua bochecha. Macia.

– É injusto. – Eu murmurei. – Um peso tão grande numa garotinha... Não é certo.

– Guerras não são certas, mas acontecem. – Dio se aproximou, sentando-se na cama logo ao meu lado. – Morte não é bom, mas acontece.

– Eu sei disso tudo, mas...

O Imperador bufou, e eu suspirei. Eu sei o que aquilo significava. Diversas vezes discutimos graças a isso.

– O que você vê nessa menina, Edna? Ela é apenas uma humana, e o pior: ela é protegida daquele monstro que matou o Duel.

– Eu sei. – Eu disse, sem controlar minha agressividade. – Desculpe Dio, eu...

– Não, é melhor assim. Essa Edna que é a “conselheira” do Imperador Dio é chata. Eu prefiro a Edna que eu conheço, minha amiga.

A mão do asmodiano apertou meu ombro de leve e acabei direcionando meu olhar para ele. Seus olhos roxos exibiam seu caráter verdadeiro, um homem que não cresceu. Uma criança que se recusava a aceitar aquele mundo cruel. Era por isso que queria ajudar tanto Ernas, até mesmo arriscando criar uma guerra dentro de Elyos... Eu devo ser uma merda como conselheira, eu deveria estar dizendo que era errado tentar tomar partido de Ernas arriscando tanto... Voltei meu olhar para Holy, que continuava ressonando pacificamente, como se nada estivesse acontecendo.

– Ela... Lembra a mim mesma.

– O que?

– Holy... Ela me faz lembrar a mim mesma quando Duel morreu.

– Por quê?

Acabei dando um suspiro triste, sorrindo melancolicamente enquanto acariciava os cabelos esverdeados da paladina. Oh, Duel... Por mais que eu tente esquecer o que aconteceu naquele dia, não consigo esquece-me do seu corpo frio e ensanguentado no campo de batalha. Eu sinto sua falta. Todas essas centenas de anos, cada maldito dia, eu apenas consigo pensar no seu rosto. Droga, meus olhos estão começando a lacrimejar, não posso decair dessa forma na frente do Imperador. Respiro fundo, tentando engolir essa dor novamente para o fundo do meu coração.

– Ela também sente falta de alguém que perdeu, quer poder ficar do lado dessa pessoa... E, por pior que seja, essa pessoa é Zero Zephyrum, o verdadeiro dono do corpo que Grandark está possuindo.

Dio ficou em silêncio.

– No dia em que os conheci, Dio. Ela lutou em separar aquela luta mesmo sabendo que poderia custar sua vida, mesmo sabendo que poderia colocar-se no risco de virar o meu alvo por me atrapalhar. E... Nossa... Você deveria ter visto... Grandark saiu correndo para socorrê-la quando desmaiou de exaustão, virando completamente as costas para mim, para a nossa luta. Dio, o monstro que matou Duel se preocupou com essa garota.

– Realmente... Grandark não é mais o mesmo. Ele parece mais... Estupidamente humano.

Não pude conter um riso, o que me forçou a cobrir a boca para não acordar Holy. Recuei o corpo. Dio me olhou atordoado e retribui o olhar.

– O que é?!

– Você agindo dessa forma é hilário. – Eu disse quando me acalmei, limpando o canto dos meus olhos. – “Estupidamente humano”, se aquele mesmo garotinho que vi tanto tempo atrás escutasse isso, ele é quem iria puxar sua orelha!

Observei enquanto expressão de Dio se transformava em incompreensão para uma careta de surpresa, suas sobrancelhas se soergueram, as orelhas pontudas se abaixaram e ficou boquiaberto, sem saber o que dizer enquanto o rosto do Imperador de Elyos começava a avermelhar. Não pude conter meu riso mais uma vez.

– Pa-Pare de rir de mim!

– Não tem como!

– Grrr... Certo então! – Dio se levantou subitamente, cruzando os braços e olhando para porta com uma cara emburrada.

– Ah não, pera ai. – Me levantei imediatamente, segurando-o pelo braço antes que saísse. – Pode ir parando com essa pose de “sou adulto”, conheço muito bem esse biquinho.­­

Dio me olhou meio surpreso, afastando o rosto quando notou meu dedo se aproximando para brincar com aquele biquinho emburrado fofinho que ele fazia quando ficava bravo. Acabei dando um risinho. Ele e Duel eram bem parecidos nesse aspecto.

– Eu não posso mais ser tratado assim! – Ele se afastou, desvencilhando da minha mão e suspirou, olhando para baixo. – Eu sou um Imperador agora, não posso me dar a esses luxos, é imp--...

– “É impróprio para sua pose como representante do reino” e blábláblá... – Respirei fundo depois de corta-lo, apertando de leve seu braço novamente, enquanto o olhava nos olhos, sorri. – Dio, você ainda é um adolescente. Você é o Imperador, mas deve viver um pouco também. Não deixe aqueles chatos dos seus professores ficarem ditando tudo o que você deve comer ou fazer.

O Imperador me olhou meio surpreso, mas acabou dando um sorriso pequeno. Fiquei contente. Fazia tempo que eu não via aquele Dio que se escondeu naquelas camadas grossas de deveres e responsabilidade. Sua postura relaxou um pouco, descruzando os braços e colocou as mãos nos bolsos. Melhor eu sair daqui um pouco, afinal de contas sou consciente o bastante para reconhecer quando um homem é charmoso.

– Isso ai. – Dei um risinho, batendo de leve na barriga dele com as costas das mãos, andando para frente. – Agora, se me dá licença, vou dar uma olhadinha naquelas belezuras que a Mari tem na parte de trás do dirigível.

Andei até a porta, e quando minha mão direita alcançou a maçaneta, senti meu pulso esquerdo ser segurado. Olhei para trás, encarando Dio que havia me segurado. Ele me olhava diretamente nos olhos e apertava os lábios. Soergui as sobrancelhas.

– Pra que essa cara?

– Edna... Nunca arrisque sua vida.

Aquilo sim foi uma surpresa. Afastei minha mão direita e me virei novamente para o asmodiano, me aproximando e segurei seu rosto com minhas mãos, olhando-o nos olhos. Tão jovem e cheio de vida. Era... Lindo ver que aquilo ainda existia. Aquele brilho... Sorri e fiquei na ponta dos pés para conseguir alcançar a testa dele, beijando-o brevemente ali antes de me afastar e acariciar sua bochecha com meu dedo.

– Não se preocupe. Descanse por agora.

Afastei-me logo em seguida saindo do quarto e respirei fundo, fechando os olhos enquanto tentava processar tudo aquilo. Droga, aquele cheiro dele era preocupantemente inebriante.

– Ei. – Senti um desgosto passar pelo meu corpo ao escutar aquela voz. – Não fez nada indecente na frente da Holy, certo?

Olhei de canto para Grandark, que estava recostado na parede direita, me encarando diretamente. Sorri. Só os deuses sabem o quanto ele me dá nos nervos.

– Bem, não fiz nada do que você faria.

– Ah tá, que bom. – O maldito voltou a olhar para fora pela janela como se nada tivesse acontecido.

Apertei meu punho.

Filho de uma puta.

– Mari, vou dar uma olhada nos helicópteros, ok? – Eu disse em voz alta para que Mari, no piloto, me escutasse.

– Certo. – Ela me olhou por cima do ombro. – Estão todos ali atrás.

Acenei com a cabeça e segui o corredor a minha direita.

Notas finais
E ai, o que acharam? D:
Estou pensando em escrever um especial no Conto do Zero também, qualquer coisa, me deem um feedback se devo ou não fazer mais vezes isso. c: