O Conto De Zero Zephyrum

18 O Insurgente e o Errante


Notas iniciais
E ai gente, tudo bem? Como foi o ano novo? Festaram muito? 8B Pois então, vim aqui animá-los com um novo cap

As correntes que prendiam o corpo inerte de Zero estremeceram, o som do metal tilintando ecoou enquanto a luz que caia sobre o rapaz começou a piscar enquanto lentamente ia sendo deitado na poça do seu próprio sangue.

Os dois Grandarks se entreolharam, confusos. Até então que, o “intruso” estremeceu de medo com um pensamento ao notar que Zero não respirava.

– Não... – Ele murmurou antes de disparar na direção do rapaz. – Não, não!

Assim que o outro Grandark tocou o corpo do rapaz, sentiu sua pele fria e a luz que o iluminava desaparecer completamente, abandonando todo aquele mundo a penumbra. O homem contraiu os lábios de raiva dele próprio. Havia exagerado.

– Merda... – O intruso socou o chão enquanto sua outra mão segurava a cabeça do Zero. – Merda!

Uma risada soou atrás dele. O homem olhou novamente para o rosto inerte do rapaz que continuava sem respirar, sem conseguir acreditar naquilo. Não podia ser verdade... Zero não podia ter desistido, ainda precisava dele.

– Acorde Zero! – Grandark sacudiu o rapaz pelos ombros. – Acorde!

– Não adianta negar. – O homem que riu anteriormente se aproximou ao ponto de que o “intruso” escutava sua voz logo atrás de si. – Eu ganhei. Eu sempre ganho.

– Não... – Grandark sacudiu a cabeça negativamente, descendo a mão direita sobre o peito do Zero. – Você não vai vencer dessa vez.

Aquele que estava trás dele riu brevemente, mas logo sua risada desapareceu ao notar onde estava a mão do homem que segurava Zero. Um sorriso despontou dos lábios do Grandark enquanto fitava o rosto do rapaz ainda inerte.

– Você... Não iria...

– O núcleo demoníaco é o que deu vida a ele... Você restringiu seu poder, não foi? Para que Zero não tivesse vontade própria. – O homem deu um risinho, virando a cabeça para que pudesse olhar seu inimigo por cima do ombro. – É, você tem razão. Eu sempre ganho.

A mão que repousou sobre o peito do Zero, logo acima onde seria o coração de um ser humano normal, afundou suas unhas na pele até parecer segurar alguma coisa e gira-la. O som de um clique metálico ecoou.

O inimigo enfim concluiu seu movimento, apesar de ter mudado a trajetória para o pescoço do Grandark, rosnando de raiva.

– Você não pode fazer isso.

– É claro que posso. – O “intruso” deu um risinho desafiador. – Apenas preciso de você.

O captor percebeu o intuito do seu inimigo somente após que a mão esquerda dele veio na direção de seu braço, penetrando-o com um espinho profundo que se projetava pela palma de sua mão e segura-lo logo em seguida com a mão. Uma energia esverdeada começou a sair do ferimento causado, deslizando pelo braço do Grandark e ombros, até chegar do outro lado, sendo depositada no corpo do Zero pela outra mão.

– Pare com isso! Eu ordeno! – Gritou o inimigo, tentando se soltar, mas a energia que lhe era sugada o fazia ficar cada vez mais fraco.

– Parar? O mundo pode até se curvar a sua vontade, mas eu não. Eu vou fazer com que o núcleo faça Zero viver... Mais uma vez. E mais forte.

– Seu..!

–x-

Zero sentia estar flutuando. A dor desapareceu, o medo... Mas, ainda havia um sentimento que perdurava e o perturbava. Era fraco. Grandark o fez fugir no primeiro encontro que teve com Duel, assim como agora sabia que nunca mais iria ter a chance de enfrenta-lo. Nunca iria concluir seu objetivo, pelo qual foi criado.

“Então, vale a pena desaparecer?”

Uma pergunta ecoou livre em sua mente, fazendo-o abrir os olhos finalmente. Estava escuro. Estava sozinho. Então, quem foi que disse aquela frase? Sabia que era uma voz que conhecia muito bem.

“Lute! Você é mais forte do que isso!”

...Dio? O homúnculo olhou para os lados, e ao fazê-lo, viu uma cena logo abaixo dele. Era Dio segurando Holy contra uma parede branca, pelo martelo. Mas... Algo não parecia certo com a garota. Uma névoa negra cobria seu corpo. Zero se inclinou na direção do que via, curioso pela cena inédita. E, o que viu, o deixou surpreso: viu ele mesmo deitado em um sofá, logo ao lado da paladina. A sua visão da cena pareceu se afastar, pois conseguiu ver Mari e... Outra asmodiana logo ao seu lado. Atrás das duas estava um elfo loiro trajando vestes azuladas, com a mão direita espalmada na direção de Dio e Holy, enquanto um livro flutuava na sua frente.

“Holy, resista!” Pediu a asmodiana, parecia muito preocupada.

“Por que..?” Murmurou Holy num tom choroso. “Eu só quero ficar com vocês, então por que estão me atacando?”

“Você não percebe, garotinha? Você está sendo manipulada pelo Pesadelo!” Dio parecia estar fazendo ainda mais força para mantê-la no lugar.

Holy balançou a cabeça, aparentemente horrorizada com o que o asmodiano disse.

“Não... Não! Eu quero acabar com a tristeza e a dor. Todos vão viver bem!”

“Segure-a mais um pouco, Dio! Falta pouco!” Gritou o elfo ao mesmo tempo em que um circulo mágico surgiu abaixo dele, brilhando em azul.

“Vocês não querem viver comigo..?” Murmurou Holy, com lágrimas sendo derramadas dos seus olhos.

O recinto mergulhou em um repentino silêncio diante daquelas palavras, o som das portas se abrindo soaram e então Edel e Ronan entraram no recinto, ofegantes.

“Conseguimos matar as criaturas!” Declarou Edel, virando o rosto atordoado para Holy.

Ronan suspirou ao ver a menina naquela situação, claramente preocupado e guardou Tirfing.

“O que vocês fizeram?” Choramingou a paladina, se remexendo e tentando empurrar Dio, mas foi forçada a ficar no lugar.

“Holy... Sei que é doloroso.” Disse Ronan, dando alguns passos na direção da menina. “Eu te entendo, e por isso mesmo eu digo que não é o caminho certo a se seguir. Você é uma boa garota.”

“Ronan...” Holy pareceu ficar mais calma com as palavras do arcano, a névoa ao seu redor, no entanto, se intensificou e um grito de dor ecoou da garganta da pequena garota.

“Anda logo com isso Grandiel, não consigo mais segura-la!” Gritou Dio, seus músculos estavam tensos.

O elfo gritou palavras numa língua desconhecida e um brilho azulado atingiu tanto o asmodiano quanto a paladina. Assim que luz diminuiu, a última coisa que Zero viu foi Dio se levantando atordoado e a garota no chão de olhos fechados, mas a névoa havia desaparecido.

Holy... Ela estava em perigo?

Mas, como poderia ajuda-la? Zero abaixou a cabeça, voltando a fechar os olhos. Era fraco. Nunca iria conseguir fazer algo.

“Você não pode desistir”

Novamente aquela mesma voz, mas dessa vez a reconheceu. O rapaz abriu os olhos e viu ele próprio, todavia havia algo diferente nele. O corpo do rapaz estava recoberto por uma luz esverdeada, e um brilho... Diferente se manifestava em seus olhos.

– Não adianta... – Murmurou ele. – Vou apenas perder mais uma vez, não vou conseguir ajuda-la...

Deitou a cabeça para o lado logo em seguida. Estava tão cansado...

“Então é assim que você vai fazer?” Indagou aquele outro Zero, claramente irritado. “Simplesmente desistir?”

– Eu sou fraco... Nunca vou conseguir fazer qualquer coisa. Eu falhei com Oz.

O silêncio se seguiu. Zero torceu para que aquele outro indesejável tivesse ido embora, relaxando mais uma vez o corpo e deixando ser tomado por aquela depressão agonizante. Sim, era um inútil. Falhou em destruir Eclipse, derrotar Duel. Iria falhar em qualquer outra coisa que tentasse.

“Não!” Aquela voz ecoou novamente. “Oz... Não iria querer isso!”

– E o que você sabe sobre o que ele iria querer? – Indagou Zero, abrindo novamente os olhos.

A figura ficou quieta mais uma vez, mas dessa vez notou claramente que o outro apertava os punhos. O que ele estava pensando?

“Eu... Não sei nada. Sim, é verdade, mas, eu vou aprender. Holy não iria querer isso também, ainda temos que provar que somos fortes, que podemos derrotar Duel.”

– Perdemos para o Gradark. Que chances temos contra Duel?

“Que chances teremos se desistirmos?”

Zero suspirou, desanimado.

– Vamos apenas descansar... Estou cansado. Eu falhei.

“... Eu não vou deixar isso acontecer.”

– E o que você vai fazer?

Um sorriso despontou do canto dos lábios do outro Zero, que levantou as mãos e as fitou. Uma estranha sensação preencheu o rapaz. Era contagiante, apertava sua garganta, lembrava dor, mas... Era bom. Uma lágrima despontou do canto do seu olho, foi limpa-la quando percebeu que aquele outro Zero estava passando a mão no rosto. Uma feição destemida cobria o rosto dele.

“Eu vou lutar.”

–x-

Um dos Grandarks, que tinha o braço perfurado, agora estava de joelhos no chão, ofegando, enquanto observava sua força vital ser sugada e transferida para o Zero. Sua percepção sensorial estava ficando cada vez mais fraca, não tinha mais forças para lutar contra o invasor. Maldição... Aquele imbecil era esperto... Podia sentir que, ao mesmo tempo que parte da sua energia era sugada, o outro Grandark lhe estava dando sua própria força vital e, apesar de ter estranhado a principio, agora compreendia. Estava tentando “amansa-lo” com sua própria energia, pois aquele outro era “bom”. Claro que, outras coisas vinham com aquele gesto. Sentimentos, sensações, até mesmo pequenos pedaços de memórias.

– Como pode saber se isso vai funcionar? – Indagou, lutando contra o próprio cansaço.

– Por que vai. – Respondeu o outro, sem nem desviar o olhar do Zero, que agora estava mais corado. – Ele já está respirando.

– Tsc... – Grandark deu um riso baixo. – Vejo que você andou tempo demais com aquela baixinha.

Agora sim, a atenção era sua. O olhar curioso e surpreso da sua contraparte voltou-se para ele. Um céu escuro avermelhado aparecia em sua memória, ruínas de um lugar que parecia ter sido Serdin. Estava andando quando viu uma cor mais viva do que normalmente deveria ter por aquele lugar abandonado. Foi assim que aquele molenga encontrou Holy?

– Entendo agora... – Disse, mais para si mesmo do que para o outro. – Você... Está realmente muito mole. Se pretende salvar alguém daquele lugar, vai precisar ser mais durão.

– O que está dizendo?

Ambos os Grandarks trocaram olhares, um confuso e o outro estranhamente determinado, como se soubesse de alguma coisa.

– Filiar-se ao bem sob a fachada do mal. A Holy não pode ficar com vocês, você sabe disso. Ela pertence a essa dimensão.

Lentamente a penumbra começou a ser iluminada, lentamente revelando o tom branco que foi tão ocultado com tanto esforço. O “intruso” parecia estar com uma expressão surpresa, mas logo foi ocupada por um olhar enigmático para uma pessoa que não o conhecesse: claro que isso não era o caso para aquele que estava a sua frente. Não dá para enganar a si mesmo.

– Não faz essa cara. Acha mesmo que o vilão do seu mundo não iria tentar aproveitar o potencial da Holy?

– O que você quer dizer?

Zero começou a abrir os olhos, ainda atordoado. Seus ferimentos estavam curados e o sangue, tanto do seu corpo quanto do chão, desapareciam a medida que a luz se aproximava de onde se encontravam. Virou sua cabeça para o lado, vendo dois Grandarks, mas... Não sentiu nenhuma hostilidade... Como podia isso?

Grandark deu um risinho.

– Você vai saber.

A luz ofuscou a visão do Zero por um momento mas, sentindo lentamente ter conta do próprio corpo e mente, a visão dos dois começou a desaparecer. Quando achou estar sozinho finalmente, uma voz muito conhecida ecoou pela sua mente.

“Não ache que acabou.” Disse Grandark em sua mente. “Você ainda tem uma coisa a fazer, o motivo pelo qual vim aqui.”