O Conto De Zero Zephyrum

19 Um Novo Amanhecer


Não sabia muito bem como iria fazer aquilo. Grandark havia lhe dito que havia um jeito de poder alcançá-la onde ela estava, mesmo tão distante, mesmo em um lugar que não parecia poder ir. Mas, a viu, mesmo que “estivesse” lá, a viu.

Grandark levou-os de volta para o Circo dos Pesadelos, ou pelo menos onde era para estar, agora que havia desaparecido. Engoliu seco, esperando que ainda tivesse um jeito. Segundo Grandark, aquele Circo proporcionou energia suficiente para criar um portal para uma outra dimensão, mesmo que ainda não soubessem como, mas, se fossem partir do mesmo principio que usaram para chegar em Ernas...

Talvez não fosse tão difícil.

– Você viu como aquele lugar era, certo? – Disse Grandark em sua mente, desde o incidente do outro dia, os dois haviam se tornado mais amigáveis, principalmente Grandark. – Concentre-se no que viu, e na energia dela, eu faço o restante do trabalho.

Zero acenou com a cabeça, fechando os olhos. Aqueles olhos esverdeados, o sorriso dela, seu jeito gentil. Pensou nela, naquele estado, tentando lutar contra seus sentimentos de revolta. Aquele mundo parecia ser muito melhor do que o que veio, mas, algo dentro de si lhe dizia que o Zero que habitava aquele corpo e que se encontrava dormente naquele momento, saberia de tudo que passou no seu verdadeiro mundo de origem. E talvez o outro Grandark tivesse tido sua maldade aplacada quando o núcleo foi ativado.

– Pare de ficar devaneando e concentre, idiota. – O tom era obviamente Grandark, mas a voz era sua própria.

Voltou a se concentrar na torre, naquela sala. O poder que possuía naquele corpo não seria capaz de deter o mal que afligia Holy, mas com esse corpo...

Conseguiria.

Fez um esforço para se focar dessa vez, sentindo enfim seus braços se movimentando com a espada gigante em poste. Um grito de esforço foi emitido da sua boca conforme cortava o ar e um rasgo negro interdimensional abria na sua frente. Grandark havia conseguido? Antes que pudesse perguntar, apenas sentiu seu corpo pulando dentro daquela fenda.

–x-

– Guardiana, ela pode abrir o caminho.

Escutei a voz familiar a medida que retomava a consciência.

– Ah, claro, mas primeiro ele tem que acordar, não é mesmo? – Um resmungo do asmodiano Dio.

– Não é legal falar tão alto assim. – A voz que saiu da minha boca era Grandark, abri os olhos e vi a situação na sala.

Holy estava nos braços de um rapaz de cabelos azulados, presos num rabo de cavalo. Ele me olhou surpreso, mas aliviado ao mesmo tempo.

Grandark avaliou meu corpo, vendo que, todas as mudanças que aconteceram não se manifestaram, chiou baixo. Apenas a consciência tinha conseguido passar, pude escutar a linha de pensamento dele sobre ter sido impedido para não criar um grande problema no espaço tempo, já que somos de dimensões diferentes, Zero daquela dimensão e eu não podíamos nos encontrar.

–... A diferença para Holy é que a Holy daqui está morta. – Murmurou Grandark.

– O que disse? – O elfo de cabelos loiros pareceu confuso a principio, mas logo Grandark acenou negativamente com a cabeça.

– Não importa. Ouvi algum de vocês falando sobre Guardiana abrir caminho?

– Sim. – Disse o rapaz de cabelos azulados, puxando pela memória do outro Zero, aquele deveria ser Ronan. – Holy está tomada pelo mal... Não conseguimos alcançar ela sem ter uma conexão tão forte... Mas, talvez você consiga, afinal, você é uma espada capaz de possuir seu portador e render sua alma...

– Apenas isso não seria o bastante contra o mal que a assombra. – Grandark respondeu, cruzando os braços.

– Sim, primeiro temos que abrir caminho, e é nesse ponto que Guardiana entraria em ação. Ela iria vencer as trevas para abrir caminho para que você pudesse passar.

– Vocês. – Corrigiu ele, dando um sorriso. – Zero está aqui também.

A surpresa foi clara, Zero se sentiu um pouco sem jeito no fundo da sua mente, e isso se refletiu brevemente na postura convencida de Grandark.

– Então, talvez, a chance seja maior... – Ronan deixou Holy deitada no chão e estendeu sua mão esquerda sobre o peito dela, a gema na luva começou a emitir um brilho mais forte. – Vamos começar.

Zero acenou com a cabeça e se aproximei, ainda deixando que Grandark continuasse dominando o corpo, estendendo a mão e a encostando na barriga da pequena. Dio se movimentou logo atrás.

– Vou estar aqui caso algo dê errado.

– Nada vai dar errado. – Murmurou Grandark. – Por que nada que eu faço falha.

Convencido como sempre. Ronan estava visivelmente fazendo um grande esforço, não demorando a já estar suando.

– Agora, vá, não consigo segurar por mais tempo.

Grandark fechou os olhos e afundou os dedos na barriga da Holy, a garota emitiu um gemido de dor quando literalmente os dedos de Zero sumiram para dentro da barriga, por via de pequenos buracos negros. Rapidamente a sensação corporal desapareceu completamente.

Entrariam no domínio de Grandark... A mente.

–x-

Zero se viu cercado por uma escuridão hostil, que se esforçava ao máximo para mantê-lo longe. Conseguiu então, com esforço, ver Holy deitada no chão. A dor de vê-la naquele estado fez com que um frio afundasse na boca do seu estomago, estendeu a mão para ela, se esforçando ao máximo para alcançá-la. Ela nunca desistiu de salva-lo, mesmo quando não queria ser salvo.

Zero mordeu o lábio inferior.

“Vá!” Grandark gritou em minha cabeça. “Apenas você vai conseguir salva-la, pois você sabe como é estar desse jeito.”

– Holy! – Gritou o mais alto que pode, tentando vencer aquela escuridão.

A pequena o olhou surpresa, imediatamente as trevas pareceram ceder sobre o corpo invisível do Zero e ele caiu no chão, sorrindo.

– Como...? – Ela murmurou, enquanto a tinta enegrecida que estava avançando pelo corpo dela, recuava.

Assim que Zero começou a se aproximar, as trevas se agitaram.

– Não... – A voz que ecoou era muito semelhante ao de Holy. – Não, você, não pode!

Uma onda de trevas avançou na direção do Zero, Holy estendeu a mão para ele, desesperada, mas fraca demais para conseguir alcançá-lo. Foi então que um riso muito familiar ecoou.

“Pelo amo de mim. Uma merdinha como essa achando que pode fazer algo contra mim?”

Uma energia verde escura partiu de Zero e logo tomou uma forma física de um rapaz um pouco mais alto do que ele, de casaco curto com mangas longas e um cristal azulado nas costas, usando uma calça e botas combinando. O cabelo verde escuro balançou suavemente quando Grandark estendeu a mão para frente e uma espécie de barreira de energia se formou.

O impacto das trevas foi extremamente violento, mas o rapaz de cabelos verdes escuros nem mesmo estremeceu, mantendo um sorriso nos lábios. As trevas recuaram assustadas e ele olhou para Zero.

– Vamos lá, Zero, nós três vamos chutar a bunda dessa escuridão.

Holy estava completamente abismada, e provavelmente tão confusa quanto alguns dos meus leitores, mas estava tão contente quando Zero se aproximou e a ajudou a se levantar, agora sem nenhum traço ou sinal daquela tinta escura de antes. Lágrimas despontavam dos seus olhos, de alegria e alivio.

– Desculpe ter demorado tanto. – Zero falou, sorrindo de leve. – Vamos enfrentar isso tudo juntos, certo, parceira?

A garota sorriu alegremente, sentindo as lágrimas quentes descendo pelas suas bochechas enquanto ela acenava com a cabeça.

– Sim, vamos!

– Sim, sim, tudo lindo e comovente, agora dava para vir logo aqui? Precisamos decidir como vamos destruir essa bosta.

Zero ficou surpreso com o tom debochado do Grandark, mas Holy acabou dando um riso, aparentemente muito mais acostumada com aquele jeito do que aparentava. Por fim, Zero sorriu e os dois se aproximaram. A barreira de Grandark parecia estar sendo muito bem sucedida para manter as trevas afastadas e nem mesmo parecia estar preocupado em se esforçar.

– Você podia destruir isso tudo, não é? – Disse Zero.

– É, eu podia... Mas, estou cansado do meu último truque naquele corpo. – Grandark bocejou, ainda mantendo a mão para frente. – Já fui protagonista demais, então, aproveita sua chance de brilhar que ela não vai vir em breve.

A “espada” deu um riso convencido. As trevas recuavam cada vez mais, ainda mais quando uma luz azulada surgiu do alto, logo acima deles. Um guincho de dor foi escutado, junto com um som semelhante ao de água quando jogada em chapa quente.

Holy olhou para cima, agora capaz de reconhecer.

– Aquilo... Parece ser o Ronan.

Zero acenou positivamente com a cabeça.

– Sim, ele está nos ajudando.

– Calem a boca... – As trevas chiaram, agora, numa versão muito mais destorcida do que antes. – Por quê? Vocês nem mesmo se importavam com ela antes... O que raios mudou? Por que querem ajudá-la?

Houve um silêncio dos dois rapazes. Zero realmente não entendia por que queria tanto ajudar Holy, mas isso por que ainda era tão inocente quanto no dia que veio ao mundo... Mas, Grandark, ele sabia. Mesmo que revoltado, ele sabia o porquê queria tanto ajudá-la.

– Você se acha genial, não é mesmo? Acha que sabe tudo sobre ela, não é? Eu digo que apenas sabe sobre o pior dela. Mas, você não faz idéia sobre como é discutir com essa pirralha todos os dias por que ela fica te enchendo sobre ser correto e o quanto ela se importa com esse imbecil que chamo de portador. Ela é teimosa, irritante, e alegre demais para meu gosto... – Grandark suspirou, com um tom distante, sorria, mas seus olhos verdes e pupilas amareladas pareciam fitar muito além. – Entretanto... É justamente desse tipo de pessoa que precisamos.

– Grandark... – Holy ficou surpresa com aquelas palavras, mas sorria contente, logo assumiu uma postura determinada, a sua luz própria parecia ficar cada vez mais forte. – Eu ainda tenho muito que quero fazer... Ainda preciso voltar para casa, preciso ainda brigar muito mais e preciso ajudar ainda mais o Zero. Não posso deixá-lo sozinho, e nunca irei.

Holy ainda segurava a mão que a ajudou a se levantar, apertando a mão dele de leve e se virou para Zero, sorrindo, que parecia estar até um pouco corado. O coração dela batia forte. Zero sorriu de leve, apertando a mão dela em resposta.

– Obrigado.

– Ei, não se esqueça de mim aqui, caramba! – Grandark resmungou, irritado.

Holy deu um risinho, se aproximando da “espada” e puxando Zero consigo, mas que ele andou ao lado dela sem nenhum problema.

– É claro que você também, GD...

– Ganhei apelido? Que meigo. – Havia um tom divertido e irritado na fala do Grandark, mas ele sorria ainda sim. – É bom mesmo, por que nunca vou deixar vocês dois em paz.

Sem que percebessem, aquelas trevas, que antes pareciam tão poderosas e avassaladoras, agora pareciam estar completamente desaparecidas. A luz azul ficava cada vez mais forte, assim como a luz que aquele trio emitia. Grandark recuou e se juntou de volta para Zero, a barreira se desfez, mas as trevas não tinham mais forças para avançar.

Holy se virou para Zero e o abraçou fortemente, afundando o rosto no peito do rapaz e esfregando-o ali brevemente, contente por finalmente poder senti-lo de verdade. De poder estar ao lado dele mais uma vez.

O que antes era escuro se tornou branco. Foram completamente tomados por aquele sentimento aconchegante que ainda não tinham coragem de pronunciar, mas que adoravam apenas poder senti-lo.

Sabia que havia um pouco mais a frente, mas... Aquele era o marco do fim de toda a dor que passaram naquele tempo.

Notas finais
Ei pessoal, tudo bem? Desculpe ter desaparecido por tanto tempo... Muita coisa aconteceu. E eu sinceramente estou um tanto cansada de ficar escrevendo cenas de batalha :P Então, decidi deixar algo um pouco mais light, espero que não fiquem bolados com isso ;w;" Obrigado por todos que ainda tem essa fanfic no acompanhada e favoritada. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.