O Conto De Zero Zephyrum
11 Grandark 3: Me encontrem, me cacem.
Notas iniciais
Eu sei que ficou bem curtinho (se bem que todos os caps daqui são relativamente curtos mas né), eu espero que que gostem. x_x
Desejo uma boa leitura!

No alto de uma colina verdejante, Lin se deleitou com a visão esplendida da floresta que frequentava. Nunca havia pensado que tal maravilhoso cenário poderia existir em um lugar tão comum como aquele. Apesar do céu ter ficado nublado repentinamente, ainda era estonteante ver quilômetros de floresta cobrindo todo o caminho para a cidade de Canaban, que se erguia esplendorosa ao fundo. Um grupo de pássaros alçou voo, erguendo-se em direção ao céu, o silêncio naquele pequeno lugar era tamanho que o canto dos pássaros ecoava até onde estavam sem nenhuma dificuldade, apenas pelo eco. Abobada pelo cenário, chegou a esquecer que Zero a trouxe ali especialmente para conversar com ela. Falando nele, o rapaz estava logo atrás da Lin, de braços cruzados e sorrindo de forma distante.
- Esse lugar é incrível Zero! – Comentou a sacerdotisa, se virando para o rapaz. – Como sabia daqui?
- Ah... Eu gosto de vir aqui quando quero ficar sozinho. – Justificou-se, ainda sem sair da mesma posição. – Se descobre muitas coisas incríveis quando se é livre.
Liberdade. O rosto da sacerdotisa se apagou um pouco ao ouvir aquela palavra, olhando para baixo atordoada. Sempre fora educada para seguir estritamente o que deveria fazer em Gaon e pelas seguidoras de Agnécia, sem nunca ter tido a escolha de sequer se queria ser o que eles queriam que ela fosse, ou se poderia viver sua vida livremente. Zero se aproximou, notando a expressão da jovem sacerdotisa e tocou-lhe os ombros.
- Não gostou?
- Não é isso... – Lin ergueu o rosto, visivelmente se graça pela sua cena. – Eu adorei, realmente amei... Apenas...
- Apenas..?
- Todos sempre tiveram tantas expectativas sobre mim, e agora todos aqueles que eu sempre prezei estão mortos, e eu não pude fazer nada. – Lin suspirou, desconsolada. – Eu sou fraca.
Um arrepio passou pelo corpo do jovem rapaz ao ouvir aquela palavra, tendo de se controlar para não exibir um sorriso enorme em seus lábios. Não podia se dar ao luxo de deixar sua máscara cair depois de tanto esforço para atrair aquela garota para aquele lugar. Zero respirou fundo, tanto para recuperar o controle quanto para fazer Lin pensar que ele estava triste por ela também. Depois desse feito, o rapaz se aproximou da garota, abraçando-a carinhosamente, puxando seu corpo contra o seu enquanto pousava a mão no alto da sua cabeça, embaralhando os dedos nos fios brancos da sacerdotisa.
- Lin, eu sinto muito... – Sussurrou o rapaz no ouvido da garota.
Lin engoliu seco, arregalando os olhos, sentindo o rosto queimar de leve. Estava tão próxima da sua paixão como nunca esteve antes. Sem hesitar, ela retribuiu o abraço, fechando os olhos e encostando a cabeça no ombro daquele rapaz, sem conseguir conter um pequeno sorriso bobo. Sim... Pelo menos ele era dela. Não iria perdê-lo como perdeu tudo que amava.
- Se quiser, podemos, juntos, deixa-la mais forte. – Ele tornou a sussurrar em seu ouvido, acariciando seus cabelos. – Ficar com a Grand Chase não está te deixando mais forte, está?
A sacerdotisa se surpreendeu ao ouvir aquelas palavras, afastando o rosto do ombro daquele rapaz para olha-lo pela máscara.
- O que quer dizer?
- Qu-Quer dizer... – Zero engoliu seco, atordoado. – Você quer ficar mais forte, não é?
Lin soergueu uma única sobrancelha, sem entender exatamente aonde ele queria chegar naquilo tudo. Claro, havia adorado a ideia de ficar junto de seu amado, de poder ficar forte junto com ele. Mas... Ele não estava errado, ela realmente queria ter mais poder, queria se vingar de todos os culpados da destruição de Gaon.
- Eu quero ficar mais forte. – Respondeu Lin, engolindo seco.
Zero sorriu de leve, carinhosamente, levando sua mão direita para o rosto da jovem sacerdotisa a sua frente, acariciando sua pele macia.
- Então... Vai ser mais rápido se sairmos da Grand Chase.
- Porquê?
- Por que aqui temos que nos limitar a cumprir regras, horários, devemos explicações a Lothos... Tudo isso limita o seu potencial, Lin. Você precisa se libertar dessas cordas.
A sacerdotisa sentiu seu coração apertar ao ouvir aquelas palavras. Sim, era tudo verdade. Sempre a limitaram em muitas questões, nunca pôde ser quem realmente queria ser, seu destino era único: ser a reencarnação da deusa Agnécia. E se não quisesse ser apenas a reencarnação da deusa Agnécia? E se quisesse ser apenas a Lin? O olhar da sacerdotisa foi para baixo, sentindo seu coração apertando no peito. Por que todos sempre ficavam cobrando coisas que era obrigada a cumprir? Zero estava certo: tudo seria mais fácil sem essas limitações.
Zero suspirou, movendo a mão suavemente para que ela erguesse o rosto e o fitasse novamente. Nos olhos da Lin era claro toda sua confusão, medo. Tudo aquilo ele poderia preencher, poderia ser tudo que ela desejava ter um dia e nunca o teve. Apenas uma frase e poderia abandonar aquele passado indesejado e viver a aventura que sempre desejou.
- Zero, eu...
- Shhh... – Zero pousou o dedo nos lábios da sacerdotisa, sorrindo carinhosamente. – Não precisa responder agora, pense...
Lin sentiu que iria desabar se não tivesse sido segurada pelo rapaz. Ele disse que realmente poderia pensar no assunto, não estava forçando a tomar uma decisão... Isso a fazia apenas ter mais vontade de confiar naquele rapaz que estava na sua frente. Um sorriso sincero despontou nas pontas dos lábios da sacerdotisa, acariciando rosto do Zero com sua mão direita.
- Obrigada, Zero.
-x-
Borrões passavam correndo pela floresta, atravessando numa pressa gigantesca. Gotas finas começavam a cair do céu, anunciando a tempestade que se aproximava. Azin estava concentrado, trincando os dentes. Cada segundo desperdiçado naquela busca era menos um segundo que eles poderiam conseguir salvar Lin. Precisava tira-la de perto do Zero.
- Aonde você viu ela da última vez? – Sieghart se aproximou do rapaz, correndo na mesma velocidade.
Ao olhar para o lado, Azin viu Jin logo ao lado do imortal. Sua expressão se tornou severa. O que aquele imbecil estava fazendo no seu grupo? Suspirou. Não tinha tempo para pensar sobre aquilo.
- Nas cascatas.
- Talvez possamos rastrear a energia dela e do Zero a partir dali. – Jin sugeriu.
Azin pressionou os lábios, queria se recusar a seguir aquele conselho estupido, mas sabia que era a melhor chance de encontra-la mais rapidamente. Acenou com a cabeça, fechando os olhos. Era difícil conseguir rastrear as auras em movimento, mas não podiam perder tempo.
Graças a essa percepção de auras que conseguiu desviar das árvores enquanto corria, sentindo sua energia vital se aproximando e então desviava. Pôde sentir uma energia azul clara partindo das cascatas, seguindo ao norte, mas... Não conseguiu sentir mais nenhuma aura além daquela. Tinha certeza de que Zero estava com ela...
Só se não fosse o Zero. Engoliu seco, abrindo os olhos e olhou para seus companheiros.
- Eles foram para o norte!
Se lembrou de quando encontrou seu mestre. Azin Tairin estava perto da morte, e graças aos seus cuidados, salvou a vida daquele que viria a se tornar seu modelo de pai. Sim, o mestre dele e do Jin foi como um pai para ambos, alguém que ambos admiravam da mesma forma. Mas, diferente do monge, Azin viu seu pai e mestre morrer na sua frente, defendendo-o. Na sua teimosia, ele se recusou a fugir conforme seu mestre lhe mandou e ficou para enfrentar os agressores que vieram perturbar sua paz. Azin Tairin morreu protegendo-o, lutando.
Não iria deixar que aquilo acontecesse de novo.
O guerreiro se apressou ainda mais, sentindo as gotas de chuva se tornando cada vez mais pesadas.
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