O Conto De Zero Zephyrum
12 Grandark 4: Estou apenas me aquecendo...
Notas iniciais
Depois de um tempin sem atualizar, venho com um capítulo recém saído do forno! Espero que gostem da ação e da prévia do que vai acontecer. c:
Os lábios trocavam calor em um beijo desejoso. Por quanto tempo Lin sonhou como seria ter seu beijo retribuído pelo rapaz que estava em seus braços agora? Sequer conseguia lembrar. Mas, o que a deixava surpresa, era o jeito que era tocada: as mãos do Zero acariciavam suas costas com um calor que nunca suspeitaria que ele poderia exibir. Estava surpresa, mas acreditava que tudo aquilo não passava da ânsia do rapaz de querer unir-se a ela, assim como ela desejava. Sim, queria ficar cada vez mais junto dele, queria eliminar toda aquela distância entre os dois, eliminar o medo da Holy sequer conseguir “pegar” o que era dela por direito. Ela nunca teve o carinho daquele tipo, nunca alguém a amou naquela intensidade. Seu rosto queimava, mas não queria recuar.
As mãos do Zero deslizaram para sua barriga, acariciando-a, subindo lentamente com uma malicia que enfim deixara Lin assustada o suficiente para afastar o corpo do dele, abrindo os olhos surpresa.
– Ze-Zero, espere...
Suas palavras foram interrompidas pelos lábios do rapaz unindo-se novamente aos dela. Lin arregalou os olhos. Enfim o encanto em que se encontrava até agora se quebrava quando aquele beijo estava começando a sufoca-la. As mãos da garota subiram para os ombros do rapaz, tentando forçar a se afastar, mas a mão em que ainda se encontrava em suas costas subiu para sua nuca, mantendo sua cabeça no mesmo lugar. Um gosto acre e amargo inundou sua boca, deixando a sacerdotisa enjoada. Apesar de tentar expelir aquela coisa da sua boca, ela continuava a entrar, forçando-a a engolir o que quer que fosse.
A umidade fria começou a grudar no seu corpo, se dando conta que estava chovendo forte. Mas, por que demorou tanto para conseguir perceber isso? Após ter engolido aquela coisa, enfim Zero afastou o rosto, com um liquido negro escorrendo pelos seus lábios, que formavam um arco em um sorriso perverso. Lin olhou-o assustada, sentindo um arrepio passar pelo seu corpo.
Sua visão ficou turva, o corpo fraco. Tentou se segurar nos ombros do Zero, mas seu tato estava desaparecendo. A garota olhou-o atordoada e boquiaberta. Onde estava com a cabeça? Aquele não era o Zero...
– Gr-Grandar... – O corpo da Lin caiu para trás assim que ela perdeu a consciência.
Grandark deu um risinho, acariciando o rosto da moça desmaiada em seus braços.
– Bons sonhos, nós veremos em breve.
– Lin!
Uma voz masculina chamou atenção de Grandark, que virou seu rosto lentamente na direção da sua origem, vendo Azin parado na borda da floresta, arfando e o olhando surpreso. Sieghart e Jin estavam logo ao seu lado, olhando-o abismado, vendo apenas o corpo da Lin sendo segurado por um braço do Zero, enquanto ambos eram ensopados pela tempestade que caia. Ah, aquele cenário era perfeito para o despertar do seu verdadeiro desafio, mas aquilo iria demorar um pouco ainda... Talvez Grandark pudesse se contentar com aqueles três mesmo por enquanto.
– O que você fez com ela?! – A fúria foi palpável na voz do jovem Azin.
Aquilo era hilário. Grandark não conseguia conter aquele sorriso mais, mas não importava manter a máscara mais, podia deixar aquele Zero falso cair. Lin, como era ingênua, achar que o verdadeiro Zero iria agir da forma como ele havia agido com ela. Ela era quase tão ingênua quanto a própria Holy!
– Apenas estou ajudando uma pessoa... – O rapaz jogou Lin para o lado. – Mas, vai demorar um pouco...
Azin trincou os dentes ao ver o corpo da Lin sendo jogada, a lama manchando seus robes de sacerdotisa. Apertou os punhos, sentindo uma ira muito maior do que sentiu quando descobriu que Jin era o Iluminado.
– Seu... Maldito... Eu vou mata-lo!
Um riso gutural saiu da garganta de Zero enquanto um trovão estremeceu a terra, iluminando o ambiente numa luz rápida. Frente aos olhos do trio, o corpo do rapaz começou a ser coberto por escamas negras, deixando apenas as luzes esverdeadas liberadas. Os cabelos cinzentos do rapaz foram tingidos de negro conforme aquela corrupção subia pelo seu corpo. Aquela energia verde escura... Ela apareceu novamente, e Azin sentiu que era tão esmagadora quanto achou que fosse.
Grandark sorriu para o grupo logo abaixo dele, chamando-os com a mão enquanto desembainhava a espada das suas costas, que se tonara assustadoramente gigantesca, maior do que antes e completamente enegrecida, suas placas de metal estavam maiores e separadas entre si, movimentando-se como num pulsar.
– Venham e tentem.
Azin e Jin assumiram sua postura de batalha ofensiva, o monge sendo guiado por sua vontade de lutar pela vida de sua amiga, enquanto o guerreiro sentia uma raiva profunda se erguendo do fundo da sua alma ao ver Lin jogada no chão como se fosse um simples boneco de pano, sendo encharcada pela chuva. Não iria deixar que fosse abandonada daquela forma tão vil por uma pessoa que ele próprio sabia que ela amava.
Sieghart suspirou.
– Normalmente eu uso somente minha espada... Mas... Você não é o Zero, certo?
A dupla ao seu lado pareceu surpresa com as palavras do imortal. Ele não era o Zero? Bem... Aquilo não seria tão surpreendente se fosse verdade, mas ainda assim... Era quase absurdo falar que aquele rapaz na frente deles não era o Zero Zephyrum.
Em resposta, a figura corrompida e enegrecida do jovem rapaz corrompido sorriu, se virando para o imortal.
– Eu sou Grandark!
– Então vou usar minha Soluna.
Dizendo isso com um sorriso, Sieghart sacou das suas costas uma espada verdadeiramente gigante, maior do que seu próprio portador, tendo nas costas da lâmina uma espécie de empunhadura, que também parecia ser uma linha que demarcava uma espécie de junção entre duas lâminas. Apoiando Soluna no seu ombro, se virou para Jin e Azin, que se preparavam para a luta.
– Três contra um? É, acho que vocês tem uma chance.
Sieghart sorriu, mal conseguindo conter sua empolgação com a eminente batalha. Jin pegou de suas costas um bastão longo, segurando-o com ambas as mãos, mantendo as pernas afastadas. Azin olhou de canto para seus companheiros, sentindo a água fria da permeando se corpo. Aquela era a hora de se provar superior ao Jin, e ironicamente iria trabalhar com ele. Sorriu de canto, sentindo ainda uma onda de raiva por ter visto o corpo da Lin caído daquele jeito descuidado na lama.
O sol já desaparecia no horizonte, embriagando aquelas nuvens cinzentas em um tom alaranjado. Oponentes se encararam, tentando ler o pensamento um do outro. Gotas frias caiam sobre seus rostos, o tempo pareceu passar mais devagar, como se até mesmo a chuva tivesse sido encantada por aquele cenário. O peito dos guerreiros subia e descia lentamente, suas respirações ruidosas enquanto a batalha pela vida da Lin se aproximava. Aquela era a hora de decidir quem era realmente o mais forte dentre eles, por mais que Jin não queira se provar superior, ele sabia que não podia pegar leve.
Sem mais nenhum aviso, o monge escarlate rompeu a chuva numa corrida rápida em direção do seu oponente. Grandark sorriu empolgado quando finalmente deram o primeiro passo, se preparando para o impacto. O bastão do Jin brilhou em uma energia dourada flamejante a medida que sua corrida ficava cada vez mais embalada, até chegar próximo do seu alvo, cortando a chuva, fazendo vapor subir das gotas que tocavam a arma.
Em um movimento rápido horizontal, Jin tentou acertar a barriga do seu oponente pela direita, mas, apesar do Grandark não ter se protegido, se surpreendeu quando seu bastão estremeceu como se tivesse batido em algo duro, não numa carne mole. Sem querer dar tempo para uma reação, Jin imediatamente recuou o bastão, girando no seu mesmo eixo, cortando novamente a cortina de água que os cobria com aquela arma incandescente enquanto a movia de baixo para cima, dando um pulo para impulsionar a descida que faria com seu bastão, mirando acertar na cabeça de Grandark.
Seu golpe novamente acertou seu alvo, mas, da mesma forma que antes, estremeceu como se tivesse batido em algum tipo de metal extremamente resistente. Desconcertado e surpreso, Jin recuou seu bastão, saltando para trás enquanto tentava entender o que acontecia. Seu oponente sorria de modo presunçoso, segurando a arma viva gigante com apenas uma mão.
O monge cerrou os dentes. Aquele maldito havia feito coisas ruins... Nunca havia acreditado que Zero poderia ser um reforço muito bom no time, acostumado com maus presságios, sempre temeu que um dia ele fosse causar trabalho para o grupo. Holy estava em coma por culpa dele! Apertando o bastão em suas mãos, Jin partiu para o ataque mais uma vez.
Dessa vez, moveu seu bastão diretamente para certar a cabeça do seu oponente, todavia, diferente dos dois primeiros ataques, desse Grandark recuou, desviando-se para a direita. Jin cerrou os dentes, girando sua arma em volta do seu corpo, um movimento fluente, deixando um rastro daquela energia dourada flamejante para trás conforme tentava acertar seu oponente com a ponta do bastão no fim desse movimento, no então ele recuou para trás, inclinando a barriga, deixando o golpe varar apenas as gotas de água.
Sem parar aquele movimento fluente que havia começando, o monge escarlate moveu o bastão para atingir Grandark em seus pés, numa tentativa de desequilibra-lo e fazê-lo cair, no entanto, mais uma vez seu oponente se mostrou sagaz, pulando antes mesmo que fosse atingido, escapando do golpe.
Jin sorriu de canto, movendo o bastão em um arco ascendente, raspando sua ponta no chão enquanto formava uma linha continua conforme subia. Grandark arregalou os olhos por debaixo da máscara, vendo que a arma descia diretamente em sua direção após alcançar seu ápice. Enfim um golpe o acertara de maneira um pouco mais dolorida, atingindo seu ombro direito com toda a força, lançando-o para o chão. O monge escarlate acompanhou com os olhos seu oponente indo ao chão e encharcando-se de lama, afastando dois passos logo após isso.
O errante se levantou devagar, sorrindo nervoso.
– Não vai acontecer de novo, moleque...
Foi então que, tarde demais, Grandark notou uma energia azulada cortando a chuva na sua direção, vindo de cima, arregalou os olhos por debaixo da máscara ao ver Azin descendo na sua direção com a perna esticada e uma energia envolvendo-a conforme descia.
– Chute Martelo!
O golpe do guerreiro atingiu em cheio o peito de Grandark, sentindo que realmente parecia usar uma carapaça dura e espessa de metal. Mas, mesmo com aquela proteção absurda, o vilão foi ao chão novamente, arrastando pela lama conforme a força aplicada pelo golpe diminuía. Azin ficou de pé no chão e olhou para Jin ao seu lado. O inimigo do seu inimigo era seu amigo... Era até irritante como Jin o fazia lembrar o seu mestre em aparência. Rivais se entre olharam, num acordo não verbal de paz temporária. Depois podiam cuidar das suas diferenças... No momento, tinham que se focar em uma única coisa: derrotar Grandark.
– Hahahah... – O errante se levantava, estralando o pescoço. – Muito bom, novatos... Mas, não deveriam se meter em briga de adultos... Acho que vou ter que dar uma lição em vocês então.
Sem mais palavras, Grandark empunhou sua espada que carregava o mesmo nome, avançando contra os dois rapazes que se prepararam para o impacto. No entanto, o som de metal colidindo soou quando a arma negra começou a descer na direção dos seus oponentes, faminta pelo seu sangue.
Sieghart se movera extremamente rápido, impedindo o golpe com sua soluna, manipulando-a com apenas uma mão. Nos lábios do imortal havia um sorriso convencido, encarando Grandark diretamente.
– Não no meu turno.
Aquela seria realmente uma longa batalha...
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