O Conto De Zero Zephyrum

8 Capítulo 7: Erros


Notas iniciais
Aqui vai, mais um capítulo para vocês gente c:
Demorei um pouco para conseguir pensar e descrever tudo. A partir desse capítulo vai começar uma nova "parte" dessa fanfic, mas eu estou sinceramente com um pouco de bloqueio para consegui pensar em como vou fazer isso. xD
De qualquer forma, espero que curtam o cap c:

– Zero atrás de você! – Holy gritou em plenos pulmões após ver seu martelo atingir o vazio, olhando para trás instintivamente.

Seus temores se confirmaram quando a Rainha Negra, uma fada do tamanho de um ser humano com a pele arroxeada e cabelos ruivos, surgiu logo atrás do seu parceiro. Zero pareceu surpreso também a princípio, correndo para frente a tempo de escapar de um espinho de gelo que a fada corrompida soltou ao estender a mão para frente.

Firmando o pé na frente para conter sua corrida abruptamente para então virar o resto do corpo na direção da sua oponente antes que ela se teletransportasse novamente, numa corrida rápida, Zero começou a sentir suas mãos acumulando energia para atacar novamente enquanto se aproximava, para então ao estar poucos centímetros de colidir contra ela estendeu ambas as mãos para frente, liberando aquela energia em forma de uma bola que ficou girando continuamente na barriga da Rainha Negra, que arregalou os olhos atordoada com aquele ataque.

Quando a esfera desapareceu, sem dar tempo para que ela escorregasse novamente, Zero puxou Grandark das suas costas, a arma imediatamente cresceu ao ponto de ficar maior que seu próprio portador. As placas de metal atingiram com força na sua oponente no primeiro movimento, quem olhasse pensaria que foi apenas o choque entre a arma e o oponente que causou esse dano, mas claro que não sabiam que nos vãos de cada placa tinham pequenos espinhos que se assemelhavam a dentes, cada corte da arma resultava em dezenas de cortes pequenos.

A Rainha Negra soltou um guincho dolorido enquanto era atingida, ao quinto golpe, a fada corrompida foi ao chão, erguendo a mão para cima como se esperasse que alguém a ajudasse. Claro que a ajuda nunca veio e sua figura começou a desaparecer.

Holy soltou um alivio suspirado enquanto se aproximava do seu parceiro, com um sorriso nos lábios.

– Você foi muito lento, Zero! – Ralhou a espada, olhando para seu portador.

– Desculpe... – O rapaz abaixou o olhar enquanto guardava novamente a espada nas costas. – Não vai acontecer de volta.

A paladina parou a um metro do seu companheiro, sentindo seu coração apertar de leve de vê-lo receber uma reprimenda tão injusta. Eles ganharam, oras! Imediatamente terminou de cobrir a distância que separava os dois, tocando no ombro do Zero, que virou o rosto para ela ao sentir o toque.

– Foi ótimo! – Holy disse com um grande sorriso nos lábios. – Você lutou muito bem, Zero.

O rapaz ficou a olhando por alguns segundos sem dizer nada, levando o dedo indicador para a bochecha e a coçou de leve dessa forma.

– Foi mesmo?

– Sim!

– Eu faria melhor. – Resmungou a espada nas costas do guerreiro.

– Se tivesse braços e pernas, talvez. – Disse Holy de um jeito que até chegou a parecer ironia, mas provavelmente estava irritada e deu vasão ao primeiro pensamento que veio a sua cabeça.

– Não preciso disso para ser o melhor.

A paladina recuou um pouco o rosto para encarar o olho da espada, que retribui o olhar com o mesmo desgosto. Nunca se deram bem desde o primeiro dia, na realidade, Grandark não se dava com ninguém que não fosse o Zero.

– Bem... Eu tenho que melhorar ainda. – Concluiu o seu parceiro, se afastando da garota, rumando para a saída das Ruínas de Prata.

Ao sentir sua mão caindo do ombro do Zero, Holy sentiu um estranho aperto no peito enquanto o via se afastar. A paladina simplesmente não entendia por que aquela visão a perturbava tanto. Seria por que seus companheiros morreram todos em batalha? Apenas sabia que sentia medo... Não queria ficar sozinha de novo. A garota apertou o punho junto ao peito, lutando contra aquele aperto e correu na direção do Zero, imediatamente forçando um sorriso em seus lábios. Não iria deixa-lo sozinho também, tampouco iria permitir que Grandark ficasse diminuindo-o tanto assim quando ele sequer merecia isso.

–x-

Novamente aquelas memórias...

Zero abriu os olhos, apenas a escuridão novamente. Mexeu os braços, já acostumado com o peso extra que se assomava em seu pulso, e sequer tinha forças para se levantar novamente. Quantas vezes havia sido frio daquela forma com Holy? Diversas, não precisava ver todas suas lembranças para saber disso...

Ela apenas queria ajuda-lo e sempre foi injusto com ela, tratando-a mal por causa do Grandark. Uma espada não deveria manipular seu manipulador. Seria ele realmente tão fraco assim?

Zero queria sinceramente lutar pela sua liberdade, mas a cada momento que passava naquela escuridão, sentia sua vida sendo drenada de pouco em pouco. Mas... Se não tentasse nunca teria a chance de corrigir os erros que cometeu com todos.

Com algum esforço, o rapaz ficou de pé novamente. Suas canelas ainda ardiam com o toque gelado do ferro sobre sua pele ferida, assim como seu pescoço e pulsos. Somente a ideia de lutar contra aquilo já o fazia sentia sua pele queimar, mas precisava tentar.

Forçando seu corpo para frente, imediatamente sentiu as correntes puxando-o de volta para seu lugar, a principio frios, mas sua carne exposta não perdoava o mínimo toque e força. Mesmo assim, lutando contra seu instinto de parar, Zero continuou a estender os braços para frente, tentando caminhar contra a força das correntes que pareciam querer arrancar seus membros fora. Seu pescoço também não era perdoado, quase não conseguia respirar daquela forma.

Tinha que tentar...

–x-

Uma noite bonita prevalecia no ambiente desértico de Áton, o céu estava cheio de estrelas e somente com a luz delas já era o bastante para enxergar as dunas de areia que se estendiam por milhares de quilômetros. Mas claro que para aquele passante a luz ou a falta dela não era um problema. Coberto por um manto para ocultar sua identidade e protege-lo dos ventos abraçadores do deserto, Grandark caminhava em direção do porto que Lothos havia construído para facilitar a passagem dos seus membros pelos continentes.

Ficou pensando sobre o que iria fazer. Sabia que sozinho não iria conseguir derrotar Duel, por mais que odiasse admitir, precisava da ajuda da Grand Chase, e eles haviam parado as expedições em busca de Arquimídia em busca de descanso. “Bobagem” é o que Grandark pensava sobre isso tudo. Sieghart sabia o trajeto e ele próprio podia sentir de longe aquela energia irritante do Duel. Mas, infelizmente, tinha que seguir no ritmo daqueles pirralhos inúteis.

Estava no topo de uma duna, olhando ao longe, vendo as luzes do pequeno porto, quando caiu de cara na areia. Sentiu algo puxando sua canela, mas ao olhar para baixo, constatou que não havia nada ali. Ao sentir a ardência em seus pulsos, imediatamente ligou quem era o culpado da sua queda, e ele certamente não estava contente por aquilo...

–x-

As correntes cediam pouco a pouco, liberando apenas milímetros, porém Zero podia jurar que esses milímetros eram as correntes se partindo. Estava difícil manter sua posição quando sentia estar lutando contra uma força muito maior do que ele. Quando levantou seu pé direito para tentar dar mais um passo, sentiu a corrente em seu pescoço puxar ainda mais forte para trás. Com um engasgo e sentindo uma dor aguda por sua traqueia estar sendo quase esmagada, o rapaz saiu voando para trás, caindo com força contra o chão.

Tossindo, Zero se sentou, tentando aliviar aquele aperto no pescoço da melhor forma que podia. Até que escutou os passos ao seu redor. Imediatamente levantou o olhar, olhando ao redor. Os passos pararam, deixando-o só na escuridão novamente. Ele estava ali. Podia sentir aquela pressão que ele deixava naquele ambiente, não precisava de passos ou do brilho dos olhos dele para saber que estava ali.

Estava concentrado, tentando escutar o mínimo de movimento. Nada. Nem mesmo escutava sua respiração direito. O som de um movimento rápido veio logo atrás dele, e antes que pudesse olhar o que era, sentiu tomar uma pancada atrás da cabeça, tão forte que seu corpo foi para frente. O seu rosto impactou com força contra o chão, fazendo-o soltar um gemido de dor. Sentiu cheiro de sangue, sentia sua cabeça girar com uma dor aguda graças ao golpe. Colocou as mãos no chão, se apoiando para levantar, mas antes que tivesse a oportunidade para tal, sua cabeça foi impelida contra o chão novamente. Zero sentiu a sola do sapato do Grandark acertando sua cabeça, pressionando-o contra o chão.

– Claro que você não podia deixar as coisas mais fáceis, não é? – Disse uma voz masculina semelhante ao que soava da espada, pisando com força na cabeça do Zero antes de continuar a falar. – Claro que você tinha que bancar o herói e tentar sair daqui.

– E-Eu...

A fala do Zero foi interrompida com um chute na sua bochecha, que o fez rolar, ficando de barriga para cima. O gosto de sangue encheu a sua boca, provavelmente cortara sua boca com aquele chute. Uma sombra se projetou sobre ele, fitando-o com aqueles olhos verdes brilhantes diretamente nos olhos.

– Eu disse que você podia falar, seu verme? – Ao ver o silêncio do Zero, um sorriso despontou nos lábios do agressor. – Muito bem, agora você pode falar.

– Me... Deixe... Ir...

– Te deixar ir, é? Uhmmmm...

Passos começaram a soar, caminhando ao redor da figura deitada e exaurida do rapaz.

– Bem, vamos pensar... Se eu te deixar ir, eu tenho o corpo inteiro para mim.

– Nã-Não!

Os passos pararam, Zero pôde ver um par de olhos verdes fitando-o pela sua direita.

– “Não”? Mas você não queria ir?

– Eu disse... Que queria que me libertasse... Para eu poder esmurrar essa sua cara..!

Um silêncio ensurdecer se formou após as palavras ousadas do homem que mais era refém do que um mandante. Zero engoliu seco, tentando não exibir sua insegurança para aquela entidade enlouquecida. Sabia que ao menor sinal de hesitação que demonstrasse, poderia sofrer outra reprimenda dolorosa. Foi então que uma risada quase maníaca soou de todas as direções, e foi facilmente reconhecido a voz do Grandark. O rapaz pressionou os lábios, se sentindo irritado.

– Você quer me esmurrar?! Nossa, que piada ótima, Zero!

Uma mão puxou Zero pelos cabelos, forçando-o a ficar de pé. Soltando gemidos de dor, o rapaz obedeceu, se levantando e olhou na direção da mão que o puxava, vendo que tinha realmente um braço puxando-o para cima, mas antes que pudesse ver o rosto dele, a mão desapareceu em um movimento rápido.

As correntes desapareceram, liberando os movimentos do Zero, que imediatamente olhou para seus pulsos, vendo que realmente estavam em carne viva. Engoliu seco.

Diversas luzes se acenderam, começando acima da cabeça do ex-prisioneiro e seguiram em linha reta, formando um corredor que lentamente revelava a figura daquele que o mantinha preso. Quando a última luz se acendeu, revelou um homem da estatura do Zero, que o olhava diretamente nos olhos. Para o assombro do rapaz, Grandark tinha um rosto praticamente igual ao seu, mas a diferença entre os dois não era notável apenas pelos cabelos verde-escuros arrepiados para cima com uma franja que caia pesadamente sobre o lado esquerdo do seu rosto e os olhos esverdeados brilhantes. Um sorriso sarcástico se projetava em seus lábios, um brilho maligno partia daqueles orbes esverdeados.

No geral, parecia ser um ser humano comum, se não fosse que suas orelhas na realidade eram um pedaço de metal pontudo que se projetava para trás e em suas coxas, fossem na realidade placas de metal semelhantes ao da espada que por muitos anos manejou. De tecido, havia somente uma calça preta com linhas verdes cobrindo suas pernas e cintura, e uma espécie de jaqueta preta de manga longa que também tinha linhas verdes descendo pelos ombros até a manga, a diferença era que, apesar de fechada, a jaqueta era curta e deixava a barriga definida do seu oponente à mostra. Os sapatos do Grandark eram de metal e uma tiara preta e azul com espinhos verdes definia a divisória entre a franja e o restante do seu cabelo. O olho direito era mais fácil de enxergar, mas o brilho do esquerdo conseguia passar pela massa de fios de cabelos que o cobria.

– Uma luta então.

Zero sabia desde o principio que Grandark não iria resistir ao chamado de uma luta, ele amava batalhar e se provar superior a todos. A gola alta da roupa do Grandark escondia parcialmente seu queixo, mas era possível ver um sorriso sarcástico despontando dos seus lábios.

– Vou pegar leve com você. – O homem apoiou as mãos sobre o cinto grosso que segurava sua roupa. – Vou lutar sem as mãos, ok?

– Tanto faz. – Disse Zero, disparando direto no seu oponente.

O sorriso quase arrogante permanecia nos lábios do Grandark conforme se aproximava dele, sem tirar as mãos do cinto como havia dito. Claro que Zero se sentia incomodado com o convencimento do seu oponente, mas sabia também que ele era daquele jeito. Quem diria se aquilo era um blefe ou não?

Zero ergueu o punho direito para acertar o rosto do Grandark, que continuava parado no mesmo lugar. O sorriso aumentou ainda mais. O rapaz hesitou. Algo estava errado.

No meio do caminho, Grandark levantou a perna esquerda num movimento tão rápido que nem mesmo Zero conseguiu vê-lo fazer isso. Seu braço direito foi chutado, fazendo com que perdesse todo o embalo e equilíbrio. Mas, antes mesmo de cair, Zero pôde ver o borrão que Grandark havia virado, girando e erguendo a perna direita, acertando-o com uma força muito maior do que imaginara.

Como se fosse um simples boneco de pano, o corpo do Zero voou dois metros com aquele golpe, caindo no chão com um baque seco e duro. Com todo o seu esforço, tentou engolir aquele gemido de dor que queria sair da sua garganta, se levantando atordoado. A perna do Grandark era dura como aço! Sentiu isso naquele golpe absurdamente forte. Ao tentar respirar, sentiu uma pontada de dor na sua costela, que o fez cair novamente no chão, atordoado e com a mão no local da dor. Escutou o som dos passos metálicos se aproximando dele.

– O que foi Zero? Tropeçou? – Caçoou, parando a um metro do rapaz que tentava se levantar. – Nem começamos direito, não me diga que já cansou.

Com esforço, Zero se levantou, ainda com a mão nas suas costelas. Não conseguia respirar direito de dor, sequer ficar de pé direito, estava curvado. Grandark suspirou, girando os olhos, num claro descontentamento.

– Fraco, demais. – Um sorriso sarcástico despontou dos lábios do homem, se inclinando para encarar Zero nos olhos. – Admita, sem mim, você não passa de um inútil, Zero.

– E-Eu...

Grandark se aproximou rapidamente do rapaz ferido, chutando exatamente no local aonde aquela dor aguda da sua costela provinha, sem dar sequer tempo para Zero afastar a mão. Finalmente um grito de dor saiu da garganta do rapaz, sem suportar ter seus dedos pisados junto com o ferimento em sua costela. O chute também serviu para o rapaz cair para trás, atordoado. Agora ele nem sabia o que doía mais: se era sua cabeça ou suas costelas.

O homem com que lutava o rodeou, suspirando decepcionado.

– Eu até o eliminaria aqui, Zero... Mas ainda preciso de você vivo, sabe? Sem você... Esse corpo morre. – Grandark deu de ombros, olhando para o lado. – E sabe como é né... Eu quero testar a minha força contra inimigos mais fortes do que você.

Zero sentiu o que restava de amor próprio dentro dele morrer com aquelas palavras. Sentiu os olhos marejarem, virando o rosto para o Grandark. Somente agora notara que sua máscara havia quebrado um pouco.

– Eu... Não sou... Fraco...

– Ah, sim, você é. Pateticamente fraco. – Um sorriso sarcástico despontou novamente dos lábios daquele sádico homem. – Bem, não tente nada perigoso para sua saúde, certo?

O peso frio do metal cobriu novamente os pulsos, canelas e pescoço do Zero. A face do pobre rapaz estava dominada de uma expressão que parecia beira ao terror. Ele não queria aquilo, mas sequer conseguia acertar um único golpe no Grandark, que se afastava agora acenando com a mão, desaparecendo logo em seguida.

Zero voltou para aquela escuridão fria e sombria. Sua costela ainda doía, assim como todo o seu corpo. Estava vencido, e sabia que não iria conseguir derrotar Grandark. Não naquele estado.

Queria desaparecer de volta...

–x-

Quando Grandark abriu os olhos novamente, o dia já estava amanhecendo no horizonte. Praguejou ao se levantar, tendo que limpar toda aquela areia da sua roupa. Aquela visita ao seu caro “protegido” foi nada frutífera. Foi mais inútil do que achou que seria. Deu de ombros, sorrindo de leve. Bem, que importava agora? Pelo menos sabia que aquele corpo era seu mesmo.

Seguiu ao porto, pensando quem iria enfrentar primeiro...

Notas finais
E é isso q
Espero que tenham curtido a leitura (apesar que acho que a maior parte de vocês podem sentir raiva ainda maior desse Grandark q)
Até a próxima o/