O Conto De Zero Zephyrum
9 Grandark 1: Quem vai ser o primeiro?
Notas iniciais
Sei que vai estar um tanto enrolado no começo, mas... Vocês vão entender o por que de estar enrolado. c:
Btw, espero que gostem! ;D
O dia estava calmo, amanhecera sem nenhuma nuvem no céu, um dia limpo e perfeito, quase sem nenhum vento. Lin estava caminhando pelas ruas, usando sua roupa costumeira. Ela olhou para o céu, suspirando. Ainda era muito cedo, então pensava que talvez pudesse ir relaxar e meditar na cascata... Lá era um lugar verdadeiramente calmo e a fazia lembrar-se de casa... Sentia falta de lá... O sorriso em seus lábios desapareceu conforme se lembrava dos horrores que vira. Apertou o punho. Havia jurado se vingar, e não iria voltar atrás da sua promessa.
Balançou a cabeça, afastando aqueles pensamentos nefastos. Não... Era errado aquilo. E também, não podia deixar que aquele Mal tomasse conta de si mais uma vez. O olhar da sacerdotisa caiu sobre os azulejos, enquanto voltava a andar. Tudo o que conhecia havia sido destruído um dia, e sabia que nunca poderia voltar atrás. Nunca poderia controlar seu próprio destino... Aquilo era injusto... Se não tivesse nascido em Gaon, todos ainda estariam bem, vivos... Nada daquilo teria acontecido.
Lutando contra seus pensamentos tumultuosos, Lin seguiu para a cascata. Lá, pelo menos, conseguia encontrar paz.
-x-
Horas haviam se passado, sem sequer uma pausa para o almoço, a sacerdotisa se encontrava em uma profunda meditação, tentando entender o que era aquele tumulto que se manifestava no interior da sua alma. Sentia a deusa Agnécia, mas... Havia algo mais, uma força que desconhecia existir dentro de si. O que seria aquilo?
Se lembrava vagamente de uma voz, no dia do seu aniversário – o dia do Eclipse -, lhe dizendo para seguir sua sede de vingança, buscar poder... Sim, queria aquilo, realmente era o seu desejo mais profundo. Mas, vingança e poder são duas combinações obscuras, não podia ceder para aquele lado.
Naquele estado profundo de meditação, Lin podia sentir todas as auras ao seu redor, desde os pequenos roedores até as aves que voavam mais baixo, próximo aos galhos das árvores, pousando suavemente para cuidar de seus ninhos. Ela e a natureza eram um. Todas as auras estavam pacificas, até sentir uma perturbação se aproximando. Um aura verde escura, que portava intensões malignas. A harmonia fora quebrada com o surgimento daquela energia estranha, os animais se aquiesceram, procurando refugio, o vento também se calara, algo dentro dela dizia que deveria tomar cuidado.
Mas, não era aquele silêncio repentino que a perturbava, mas sim que não conseguia definir a origem daquela energia obscura. Que tipo de criatura era aquela? Lin engoliu seco, deslizando vagarosamente a mão para sua perna, sentindo o toque delicado da madeira do seu leque. Estava preparada, que aquele inimigo viesse, iria enfrenta-lo.
Mas, tão repentina aquela energia surgiu, como desapareceu lentamente, apesar de sua tentativa de tentar “seguir” a origem daquela aura verde escura, não conseguiu encontrar sua verdadeira direção: ela simplesmente vinha por todos os lados. A energia desaparecera completamente, mas os animais ainda não saíram de seus esconderijos.
Passos novamente, pisando nas folhas, as esmagando, mas de uma maneira estranha sequer conseguia sentir a aura do que se aproximava. Seria um monstro? Não... Até mesmo monstros tem sua energia própria. O que quer que fosse, parecia sequer existir.
Uma brisa acariciou as folhas mais altas nas árvores, deslizando suavemente os cabelos brancos da Lin pelo seu rosto. Uma respiração, e estava perto. Na árvore logo atrás de si.
Sua mão apertou o leque e saiu daquele estado de meditação, se levantando rapidamente e abrindo sua alma. O vento se acumulou naquele tecido fino encantado, sendo disparado em um pequeno turbilhão de ar que levantou as folhas do chão até atingir a árvore, impactando e passando sua força para trás. Alguns pássaros cantaram, partindo imediatamente ao sentir o tremor nas suas casas e o som de alguém caindo soou.
Lin imediatamente se apressou para ver quem ou o que era, mas para sua surpresa, quem viu era Zero — muito diferente do que vira da última vez, mas era ele. Soergueu as sobrancelhas.
- Zero? O que está fazendo aqui?
O rapaz suspirou, tirando as folhas secas do cabelo enquanto direcionava o olhar para a garota a sua frente. De uma maneira impressionante, ele sorriu de uma forma meio sem graça.
- O-Oi, Lin... Eu escutei da Elesis que você gosta de vir aqui.
- Da Elesis? – A sacerdotisa soergueu a sobrancelha, estendendo a mão para ajuda-lo a se levantar. – Vem cá.
- Sim, eu perguntei onde você estava... – O rapaz segurou a mão dela, ficando de pé logo de frente da sacerdotisa, sorrindo de forma ainda inocente. – Eu queria conversar com você.
Lin sentiu o rosto enrubescer automaticamente, olhando-o surpresa.
- Conversar... O que?
O som de uma corrida desenfreada soou pela direita dos dois, e rapidamente um borrão azul pulou dos arbustos. Zero se colocou na minha frente imediatamente, assumindo uma postura ofensiva, mas imediatamente relaxou ao ver quem era.
- Lin! Tudo bem?! – Azin se levantou, uma folha estava presa no cabelo do guerreiro.
O recém-chegado estava ofegante, olhando-nos numa clara confusão. Lin sorriu meio sem jeito.
- Sim, está.
- Eu senti uma energia estranha vindo na sua direção. – Azin olhou ao redor, se aproximando e estendendo a mão. – Parece que foi embora, mas deveríamos sair daqui antes que volte!
Zero se colocou entre a dupla, com uma feição séria, cruzou os braços.
- Quem pôde dizer que não era você?
- O-O que?! – Azin recuou, claramente ofendido, mas imediatamente se recompôs, dando um sorriso cínico. – Por que eu iria querer injuriar a Lin? Ela é minha companheira.
- Quem sabe..? Por que deveríamos confiar em você? – O tom do Zero estava surpreendentemente acusador. – Até onde eu saiba, ouvi que seu objetivo é superar o Jin em todos os sentidos, não é?
- O que? – Lin olhou surpresa para Zero, e depois Azin, claramente confusa. – Como assim?
O guerreiro recuou um passo, sendo pego de surpresa também. Não era para ninguém saber daquilo... A não ser que Zero estivesse espionando-o enquanto treinava. Uma sombra cobriu o rosto do Azin, enquanto virava de costas.
- Façam o que quiser.
- E-Espere, Azin! – Lin estendeu a mão em vão, o guerreiro não olhou para trás.
Zero suspirou, descruzando os braços e se virou para a sacerdotisa novamente. Sua expressão severa fora substituída por uma cara melancólica. O rapaz abaixou um pouco o rosto, como se envergonhado pelo o que fizera.
- Desculpe Lin... Mas, eu acho que ele pode ser perigoso.
- Tu... Tudo bem. – Lin limpou a garganta, ainda pasma com toda aquela cena. – Você disse que queria conversar, certo?
Aquele sorriso sinceramente inocente retornou aos lábios do Zero, ele se adiantou logo para o lado da sacerdotisa, segurando sua mão. A garota sentiu seu rosto aquecer novamente quando sentiu o calor do toque do rapaz. Sem protestar, deixou-se levar.
-x-
O quartel general da Grand Chase estava quieto. Elesis estava treinando no campo como sempre junto com o Jin. No salão de entrada, Lothos parecia discutir alguma coisa com Ronan, algo relacionado sobre a tática que deveriam usar quando encontrassem Astaroth novamente, enquanto Sieghart se encontrava relaxando no sofá da sala de espera, aparentemente dormindo.
Elesis riu do Jin quando seu chute acertou o ar quando a justiceira pulou para trás, escapando do golpe.
- Vamos, bote mais esforço nisso, seu fracote!
O monge sentiu um choque cruzar seu corpo, uma raiva instantânea tomou conta dele ao ouvir a provocação. Fracote?
- Eu vou te mostrar quem é o fraco aqui. – Dito isso, o ruivo disparou.
Azin se aproximou silenciosamente da construção, seu olhar estava baixo, uma sombra dominava completamente seu semblante.
Elesis pulou mais uma vez, dessa vez para sua esquerda, rindo com gosto mais uma vez.
- Vamos, vamos! É tudo que você tem?
Um vento forte repentino balançou as árvores, assim como o cabelo longo da justiceira, que de costas para o vento, fez com que seu rabo de cavalo longo caísse logo na sua cara, impedindo sua visão. Jin deu um sorriso convencido, vendo a oportunidade, imediatamente avançou, acertando um gancho de direita diretamente no rosto da Elesis, que como despreparada para o golpe, cambaleou para o lado, atordoada.
- Toma essa! – Comemorou o monge, ajeitando seu robe.
- Ah, puta que pariu, isso não valeu!!! – A justiceira esfregou o rosto, sentindo não somente a sua bochecha doer, mas como seu orgulho.
- Acertei, não adianta negar. – O ruivo mostrou a língua para sua oponente, com um riso quase infantil.
- Seu... Pivete... Maldito!
Ronan suspirou, escutando o barulho dos dois brigando, como sempre, viu que teria que intervir, como sempre. O inquisidor direcionou o olhar para a comandante Lothos, que simplesmente acenou com a cabeça, confirmando que ele poderia tomar partido para romper aquela briga antes que acabassem com seus guerreiros no hospital, como aconteceu da última vez.
Sem dizer mais nenhuma palavra, o rapaz nobre de cabelos azuis se encaminhou para o campo de treinamento, a tempo de ver Elesis aplicando uma chave de braço no Jin ainda de pé, ao mesmo tempo em que mordia a mão do infeliz monge.
- Pinico! Pinico! – Gritava o ruivo, atordoado.
- Elesis, sai de cima do rapaz. – Ronan suspirou, abaixando os ombros.
Era horrível ver aquela garota que carregava um título tão pesado em seus ombros fazendo um ato tão impróprio. O vento forte bateu novamente, e uma sombra gigantesca se projetou sobre a terra. Ao olhar para cima, Ronan constatou que o clima estava dando uma virada gigantesca, nuvens começaram a surgir aos montes e uma já bloqueara o sol.
- Vamos entrar antes que chova!
Elesis parou de morder a mão de Jin, liberando o braço do rapaz, para então sair de cima dele. Jin olhou enojado para sua mão suja de baba e olhou torto para a justiceira, que saia caminhando na frente.
- Fica esperto. – A ruiva disse, entrando no prédio.
Ronan girou os olhos, já acostumado e até um pouco cheio daquela infantilidade toda. Mas, talvez fosse boa numa parte, pelo menos eles continuavam descontraídos.
Ao chegarem no salão de entrada da sede novamente, se depararam com Azin parado no meio da sala. Ronan soergueu a sobrancelha, se aproximando rapidamente.
- Ei, que cara é essa?
Sieghart abriu um olho ao escutar o povo se acumulando por ali, curioso sobre o que estava acontecendo. Azin suspirou e olhou para o grupo de uma maneira tão séria quanto nunca antes esteve.
- Zero... Ele voltou.
- Tá, e dai? – Elesis cruzou os braços.
- Ele está estranhando... Não é ele mesmo.
O sol fora coberto completamente por uma nuvem espessa, transformando aquele dia ensolarado relaxante imediatamente em um dia nublado. Um trovão ressoou distante.
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