O Conto De Zero Zephyrum
7 Capítulo 6: Sozinho?
Notas iniciais
Depois de um longo tempo, finalmente ai vai uma att da "capa" da nova parte da fanfic. Eu espero que gostem.
Btw, aviso: apartir de agora o modo de narração da fic vai mudar para se adequar ao modo que vou precisar utilizar para descrever as situações, uma vez que o Zero agora está preso, o modo de primeira pessoa é um pouco inviável.
Espero que gostem e uma boa leitura! :D

O sol brilhava fortemente naquele dia de poucas nuvens. Holy cantarolava alegremente, arrastando o martelo enquanto andavam pela trilha em direção as Ruínas de Prata. A floresta estava cheia de vida, e era realmente antiga, as árvores erguiam seus galhos acima da cabeça da dupla que seguia, projetando uma sombra confortável sobre a dupla. Um vento balançava docilmente as mexas cinzentas de Zero, e a franja esverdeada de Holy.
Mas, uma coisa incomodava Zero sobre Holy. Ela sempre parecia tão cheia de energia... Era estranho até. E bem, como estavam viajando juntos...
– Ei, Holy.
A garota parou de cantarolar, se virando para ele imediatamente.
– O que foi, Zero?
– Por que... Você está sempre tão contente?
– Porque não ficar? Veja! – Holy abriu os braços, olhando ao redor. – O sol está brilhando, os passarinhos estão cantando... Tudo está sempre tão lindo, por que não ficar feliz?
– Bem... Por que isso é normal.
Holy olhou surpresa para o garoto, mas então deu um sorriso bobo, se aproximando dele e parou frente a frente de Zero, olhando-o nos olhos, ou pelo menos era onde ela imaginava estar olhando, uma vez que ele estava de máscara.
– Zero, você sabe o que são os milagres?
Um aceno negativo foi a resposta que Holy recebeu, mas ela simplesmente continuou sorrindo.
– Um milagre é quando algo muito maravilhoso acontece por intermédio de Deus ou das Deusas. Como um homem que nunca enxergou poder ver, ou um homem que nunca conseguiu andar, de repente conseguir se levantar e sair correndo.
– Mas, essas coisas são impossíveis.
– Exatamente por isso são milagres! – A resposta da Holy era cheio de entusiasmo.
Ela olhou ao redor, até ver uma pequena joaninha em uma folha de árvore e chamou Zero com a mão para acompanha-la. Ao se aproximarem do pequeno inseto, a paladina indicou para que seu companheiro olhasse.
– Veja, uma criaturinha como ela seria quase impossível de sobreviver em um mundo onde existem milhares de predadores tão maiores quanto ela, como nós. Com apenas um dedo podemos esmaga-la, mas mesmo assim os ancestrais dela sobreviveram por todos os perigos que passaram para que ela pudesse estar aqui hoje.
– E o que isso tem haver com milagres? – Zero indagou, sem entender.
– É o milagre da vida. – Holy estendeu a mão para a folha, pegando a joaninha no dedo, mas logo em seguida o inseto saiu voando. – Tem crianças que nascem mortas, enquanto outras vivem tempo o suficiente para envelhecerem. Sem esses pequenos milagres que são ignorados, não estaríamos vivos.
– E... O que isso tem haver com você viver alegre?
Holy se virou para Zero, respirando fundo. Ela sabia que não seria fácil explicar aquilo para ele, apesar que sempre era difícil responder aquelas perguntas complicadas que ele fazia.
– Milagres são coisas maravilhosas, e como sem eles não poderíamos viver, faz de tudo ao nosso redor serem pequenos milagres. É por isso que estou sempre alegre.
– Por que coisas maravilhosas vivem acontecendo?
A paladina acenou positivamente com a cabeça.
A dupla continuou sua viagem, mas quando estavam prestes a chegar às Ruínas de Prata, tendo conhecimento que assim que entrassem estariam em batalha, fizeram uma pausa na beira de estrada para comerem, já que provavelmente já era hora do almoço. E o que foi o almoço? Barras de cereal e rações de viagem, como bebida, água. Logo depois de comerem, fizeram uma breve pausa, um silêncio tomou conta do ambiente, mas, não era um silêncio ruim. Na verdade, era até um clima gostoso, onde ambos estão apenas aproveitando o ambiente.
Pelo canto do olho, Zero nota que aquela mesma joaninha voltou, estava passando em uma poça ali. Ela se ajeitou em uma folha, guardando as asas e começou a rodear a folha, até uma língua gigante se esticar e agarra-la, imediatamente a mesma língua se recolheu para dentro da boca de um sapo pequeno. Ao ver aquilo, o andarilho por simples impulso pegou Grandark das costas e avançou para cima do sapo. Holy tomou um susto quando a espada gigante impactou com toda a força contra o pobre animal.
– Pra que isso?!
– Ele... Atacou a joaninha.
Demorou alguns segundos para a paladina entender o que ele quis dizer, tempo o suficiente para ele recolher a arma e verificar se a joaninha se erguia dos restos mortais do sapo. Nada. Zero ficou quieto abaixado em frente ao sapo esmagado. Holy não conseguiu conter um pequeno sorriso, afinal de contas, ela sabia que não foi por maldade que ele fez aquilo.
– Ela completou o trabalho dela, e o sapo também só estava fazendo o trabalho dele...
– Oh...
A necessidade de apoia-lo e anima-lo se tornou quase urgente. Tinha medo que ele ficasse depressivo ou pra baixo demais, Holy queria sempre poder animar Zero. Por isso ela andou até ele e bateu de leve em seu ombro com a mão aberta, chamando-o para se levantar. Assim que ele o fez, ela começou a falar novamente.
– Olhe... Vamos fazer uma promessa?
– Uma promessa?
– Sim, uma coisa que vamos dizer aqui e agora para seguirmos pelo resto das nossas vidas.
– Tá, ok.
– Ótimo! – Holy deu um sorriso empolgado e ergueu a mão direita, erguendo apenas o mindinho para Zero. – Se qualquer dia um de nós ficarmos em perigo, nós sempre vamos estar um do lado do outro para podermos nos ajudar antes que seja tarde demais.
O andarilho olhou para o mindinho levantado para ele e depois para a paladina, obviamente sem entender o que ela queria.
– Por que?
– Porque você queria ajudar a joaninha, mas foi tarde demais. Então vamos sempre vamos estar juntos para que não aconteça com agente o mesmo que aconteceu com a joaninha.
– Uhm... Certo.
Holy continuou com o mindinho levantado e um sorriso bobo. Lentamente, e entendendo o que devia fazer, Zero levantou sua mão direita e levantou seu mindinho, aproximando do da Holy. Sem mais nenhuma cerimônia, a paladina juntou os mindinhos e deu um risinho.
– Pronto, está prometido!
–x-
Aquelas memórias calorosas pareciam muito distantes agora. Zero abria os olhos lentamente, a escuridão ainda o rodeava completamente. A dor fora tamanha que acabou desmaiando. As correntes estavam afrouxadas, mas sabia que estavam longe de estarem soltas. Seu corpo estava com ferimentos graves no pescoço, pulsos e canelas, quase como se tivesse sido queimado com ferro quente. Suas roupas já estavam empapadas de sangue, assim como o cabelo. Aquela lembrança parecia ter voltado para atormenta-lo ainda mais.
Não havia cumprido a promessa. Tinha deixado ela em perigo, não conseguiu salva-la. E o pior, abandonou-a tão facilmente na cama do hospital. E agora ali estava ele, se perguntando se Holy sequer estava respirando. Estava cansado, enojado consigo mesmo. Estava realmente se odiando naquele momento por ter feito tantas coisas egoístas e ruins por causa do Grandark. Abandonado a Grand Chase, Holy, mesmo depois da promessa dos dois; ter magoado a Lin sem sequer lutar contra aquilo. Havia feito tudo errado, será que alguma coisa importava mais naquele momento?
Algo escorreu pelo seu rosto, e ele tinha certeza que não era sangue dessa vez. Aquela gota passou pela bochecha até chegar aos seus lábios. O gosto salgado misturado com sangue encheu seu paladar sedento.
Aquilo era uma lágrima? O que significava aquilo afinal?
Por que seu coração estava tão apertado no seu peito, como se estivesse sendo esmagado por uma mão invisível? Até mesmo sua garganta parecia estar se contraindo de uma forma quase dolorosa. Estava cansado... Queria dormir... Queria desaparecer naquela escuridão total, não queria mais nada.
Apenas dormir até a escuridão consumi-lo...
–x-
A luz solar penetrava por entre as persianas surradas e sujas. Um corpo que estava dormindo na cama semicoberto por um lençol, lentamente abria os olhos, despertando de um profundo sono. O rapaz se sentou, esticando os braços para cima, os ossos do seu corpo se estralaram de uma forma até prazerosa, como em, realmente, muitos anos ele não sentia. Ao olhar ao redor, já não via como normalmente se via: a máscara havia recoberto completamente seus olhos. Então, seu modo de enxergar agora era quase como se constantemente estivesse emitindo ondas mágicas pelo corpo, que rebatiam nos objetos ao seu redor e voltavam para ele, descrevendo o ambiente ao seu redor.
Um sorriso animado surgiu em seus lábios conforme esticava as mãos para frente, mexendo os dedos devagar. Estava finalmente em um corpo só dele. Dane-se Zero, era apenas um boneco, uma hora ou outra iria se livrar dele de qualquer forma. Aquela Holy realmente era um problema, mas foi uma grande sorte que o Pesadelo acabou engolindo-a. Ah, quem se importa com aquela baixinha agora?
Em um pulo Grandark ficou de pé no seu corpo novo, mexendo os braços, como se testasse a adaptação dele. Músculos rijos e bem treinados; podia sentir perfeitamente seu poder tinindo por debaixo da pele. Estava ansioso para testar seu poder no primeiro desafortunado que aparecesse na sua frente. Mas, o que poderia fazer antes? A barriga acabou roncando alto, e imediatamente o novo portador do corpo de Zero Zephyrum já tinha uma ideia do que fazer.
Se empanturrar.
Grandark rapidamente se arrumou, com apenas um movimento do corpo, as escamas que agora estavam compondo sua nova vestimenta recobriram seus músculos, formando uma cama de roupa, que logo foi ficando mais “aprimorada” à medida que se completavam os detalhes. Nossa, como amava todo aquele poder. Melhor ainda, como amava ter um corpo novamente. Quantas centenas de anos faziam desde a última vez? Sequer se lembrava, apenas sabia que estava super ansioso para poder tomar conta dessa nova oportunidade.
As coisas iriam mudar dali pra frente. Iriam ficar muito mais...
Divertidas.
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