Em algum lugar de uma simples cidade no Estado de São Paulo, Carapcuíba, da onde era possível ver o Morro do Jaraguá no horizonte, nuvens se fecham e em uma rua pequena na região urbana da cidade, em uma casa no alto de 1 pequeno morro, de 2 andares, com apenas uma garagem de metal com espetos em cima, dividida por uma coluna externa jaz. Lá dentro havia uma garagem dividida em duas partes, ambas haviam plantas em vasos e havia uma prateleira de madeira com mais vasos neles do lado de uma coluna interna, a porta de metal se abre e 1 corredor leva para 2 lados, 1 à direita havia uma porta e à esquerda haviam escadas com outra porta e uma parede de grades de metal, seguindo havia uma porta aos fundos com uma escada que levava para outro cômodo em outro andar logo á esquerda, em uma casinha ao ar livre neste andar de cima com telhado de tijolos. Atrás de tudo isso, haviam vários telhados, e de repente, pula 1 gato siamês de cor marrom pelo corpo, com faixa mais negra no meio da cara e cortando pela dorsal até a ponta da cauda, ele corre na direção desta casa pelos telhados.

?: Ah!

2 gatos siameses iguais a ele, só que mais gordos o perseguem logo atrás.

??: Brown!

Brown, logo a frente e sendo perseguido, vira o rosto.

Brown: Essa não, não tão perto!

??: Que é? Estamos perto de seu território?!

Brown: Vai acreditando.

Ele pula de 1 caminho de cimento para 1 paredão de cimento ao lado da casa, aonde dava em 1 barracão totalmente tomado pelo mato.

??: Capataz, chega bem perto!

Diz o mais gordo da frente, Capataz, logo atrás, pula para esse paredão e persegue, Brown se vira na beirada e o encara franzindo o rosto.

Brown: Vem, Capataz. Eu posso com você!

Capataz continua correndo e pula em cima de Brown, o lançando para trás em cima de Brown.

Capataz: Você é meu!

Brown cai para trás e chuta Capataz para trás, jogando ele na beirada, Capataz se segura.

Capataz: Ah!

??: Eu não mandei que o atacasse!

Brown se joga no meio do mato, em uma árvore e se esconde, Capataz se ergue e se junta ao outro.

??: Me segue!

Ele diz com raiva e pula no mato, Brown anda até a ponta de 1 galho. Capataz segue o outro e este fica com os bigodes arrepiados.

Capataz: Filho da mãe!

O outro se enfurece.

??: É óbvio que pode ouvir minha voz, Brown. Seus esforços para manter seu território escondido adiam o inevitável.

Ele vê eles no chão de cima.

Capataz: Você não tem amigos e nem 1 clã. Logo, 1 clã descobrirá sua casa...

??: ... esteja pronto para perder o que é mais importante para você, futuro gato de rua!

Capataz: Vamos embora antes que os gatos deste território nos descubram.

Brown: Até parece... 5 anos vivendo aqui e nada disso aconteceu.

Ele franze a testa.

Brown: Continuarei protegendo até o fim.

Brown ouve miados fortes vindos de uma direção.

Brownas de segurança, tenho que sair daqui.

Ele pula da árvore para o paredão e do paredão pula pelas grades com espeto no topo da garagem e entra na casa.

?: Oh, Likinha!

Uma voz roca de uma mulher idosa vem de uma direção.

Likinha: Quê?

Alguém mais jovem, também 1 soando 1 pouco velha, vem de trás de Brown.

?: Já deu comida para o gato?

Likinha: Não!

?: Vai lá e dá!

Alguém coloca ração em 1 dos 2 potes pra gato que tinham ali.

Brown: Ai, caramba! Mas que divino.

Ele vai e começa a comer.

?: Dá comida para o cachorro também.

Likinha: Tem que dar pra Pepita.

1 cachorro marrom, preso em uma construção de madeira ao redor dele no canto esquerdo da garagem, com vasos acima dele, solta 1 grunhido.

Likinha: Calma, Dineia, Calma.

?: Hmmm!!!

É posta ração para este cachorro e ele começa a comer. Ele põe a cabeça para fora da cerca de madeira, ofegante e franze a testa.

?: Eae, gato. Como estão indo as suas proesas heróicas hoje?

Brown: Se for falar algo que preste 1 dia, eu irei aplaudir.

Ele fala friamente.

?: Que tal uma pergunta que preste? Já salvou o dia?

Ele levanta uma sombrancelha e começa a dar risada, erguendo o pescoço pro alto e fechando os olhos enquanto dá risada, com uma das patas segurando no lado de fora da cerca e a outra levantada pro teto, Brown balança a cabeça negativamente.

Brown: Você é surreal e nem percebe.

?: Mas é claro que percebo.

Brown se aproxima da cerca.

?: Vai lá se coçar, vai.

Brown: Vai encontrar 1 jeito de sair daí, vai!

Ele rosna para Brown e começa a latir.

Dineia: Tem alguém na porta?

Likinha: Não, é só o cachorro!

Ela passa e Brown só vê as pernas dela, Likinha era negra e de pernas finas e magras.

Dineia: Volta aqui, Likinha!

Brown: Ai, donos...

Ele gira os olhos.

?: Nem fale, a Likinha está sempre para baixo e para cima.

Diz ele esticando o pescoço para fora, ele estava de coleira preta e com uma corrente de metal presa em algum lugar dentro da cerca.

Brown: É por isso que esse lugar é 1 tédio. Nada de interessante acontece.

??: Isso me lembra de 1 felino solitário e bandoleiro com gosto por aventuras.

Diz uma cadela ao fundo, seguindo o corredor, ela era branca com pelo no rosto e dorsal 1 pouco mais acinzentado, de olhos azuis, ela olha para cima.

Brown: Fazer o que? Me acorrentar igual vocês? Eu vou viver a vida. Sou só eu de explorador aqui.

???: Eu seria se essas donas não fossem tão desconfiadas.

Diz uma cadela ao fundo, mais próxima da porta pra garagem do que a outra, de cor de pelo negro e de estatura média.

Brown: Nunca é descartável. Sabe, Pepita, chegaram a me perseguir até o barracão aqui do lado.

Pepita: Mas você os despistou, né?

Brown: Sim, eles queriam só descobrir o território.

Pepita: Pode contar comigo para ajudar.

?: Mas como você ajudaria acorrentada?

Pepita: Só precisaria me desacorrentar...

Brown: Não, não! De jeito nenhum. Você esta acorrentada por 1 motivo: não te deixar correndo a solta pela casa.

Ele aponta.

Brown: Por isso eu fico solto e você não.

Pepita encara ele com raiva.

Pepita: É sério? Mas que grosseria, Brown.

Brown: É fato. Nenhuma das donas confia em vocês soltos.

Likinha: Eita, nóz! Os cachorro latindo para o gato!

Dineia: Senta!

Ela pisa perto dele com raiva e Brown sai correndo, Dineia também é negra e usava roupa simples de cozinha, esmurra na prateleira olhando para o cachorro na cerca.

Dineia: Calem a boca, todos!

Likinha: Entra, vai!

Brown entra na casa e corre pra de baixo da mesa.

???: Coitado do gato, Dineia!

Diz alguém com uma voz masculina e grossa enquanto anda de calça cinza e sapato negro perto da mesa.

Dineia: Ah, toda hora!

Brown se senta e depois deita.

Dineia: Likinha, vai lá e trás a coisa.

Likinha: Tá.

Em algum lugar de Carapcuíba, em 1 beco com várias lats de lixo, os 2 gatos siameses andam por lá.

Capataz: Chegamos perto, eu pra sentir.

?: Precisamos fazer rondas e descobrir onde ele se esconde.

??: Auto!

Diz 1 gato na escuridão, eles olham e veem os olho de vários gatos refletindo a luz.

?: Capataz, quer fazer a gentileza de mostrar quem que manda?

Capataz corre na direção da escuridão e apanha, soltando 1 baita miado de dor.

?: Capataz! Quem vocês pensam que são!?

Ele grita com eles, até que uma gata siamês magra sai da escuridão.

?: V-Você... só pode ser a...

???: Visanne, sim. Este é limite do nosso território.

?: Não é, este é nosso território! Vazem e solta ele!

Visanne: Não... cheque as nossas marcações! Esses domínios pertencem à nós.

Ela franze a cara.

Visanne: A Calada Da Noite convoca vocês 2 pra ser parte do clã.

Ele olha para a parede e vê 3 marcas de garras.

?: Não pode ser. E-Eu sedo o nosso território para vocês.

??: O quê?

Visanne: Seja bem-vindo, soltem-no. Agora nos diga, o que tem de bom nesse canto de Carapêcuíba? Nos contem o que sabe sobre a vizinhança.

Ele olha para o lado.