O Clã dos Gatos
1 Ato I
Em algum lugar de uma simples cidade no Estado de São Paulo, Carapcuíba, da onde era possível ver o Morro do Jaraguá no horizonte, nuvens se fecham e em uma rua pequena na região urbana da cidade, em uma casa no alto de 1 pequeno morro, de 2 andares, com apenas uma garagem de metal com espetos em cima, dividida por uma coluna externa jaz. Lá dentro havia uma garagem dividida em duas partes, ambas haviam plantas em vasos e havia uma prateleira de madeira com mais vasos neles do lado de uma coluna interna, a porta de metal se abre e 1 corredor leva para 2 lados, 1 à direita havia uma porta e à esquerda haviam escadas com outra porta e uma parede de grades de metal, seguindo havia uma porta aos fundos com uma escada que levava para outro cômodo em outro andar logo á esquerda, em uma casinha ao ar livre neste andar de cima com telhado de tijolos. Atrás de tudo isso, haviam vários telhados, e de repente, pula 1 gato siamês de cor marrom pelo corpo, com faixa mais negra no meio da cara e cortando pela dorsal até a ponta da cauda, ele corre na direção desta casa pelos telhados.
?: Ah!
2 gatos siameses iguais a ele, só que mais gordos o perseguem logo atrás.
??: Brown!
Brown, logo a frente e sendo perseguido, vira o rosto.
Brown: Essa não, não tão perto!
??: Que é? Estamos perto de seu território?!
Brown: Vai acreditando.
Ele pula de 1 caminho de cimento para 1 paredão de cimento ao lado da casa, aonde dava em 1 barracão totalmente tomado pelo mato.
??: Capataz, chega bem perto!
Diz o mais gordo da frente, Capataz, logo atrás, pula para esse paredão e persegue, Brown se vira na beirada e o encara franzindo o rosto.
Brown: Vem, Capataz. Eu posso com você!
Capataz continua correndo e pula em cima de Brown, o lançando para trás em cima de Brown.
Capataz: Você é meu!
Brown cai para trás e chuta Capataz para trás, jogando ele na beirada, Capataz se segura.
Capataz: Ah!
??: Eu não mandei que o atacasse!
Brown se joga no meio do mato, em uma árvore e se esconde, Capataz se ergue e se junta ao outro.
??: Me segue!
Ele diz com raiva e pula no mato, Brown anda até a ponta de 1 galho. Capataz segue o outro e este fica com os bigodes arrepiados.
Capataz: Filho da mãe!
O outro se enfurece.
??: É óbvio que pode ouvir minha voz, Brown. Seus esforços para manter seu território escondido adiam o inevitável.
Ele vê eles no chão de cima.
Capataz: Você não tem amigos e nem 1 clã. Logo, 1 clã descobrirá sua casa...
??: ... esteja pronto para perder o que é mais importante para você, futuro gato de rua!
Capataz: Vamos embora antes que os gatos deste território nos descubram.
Brown: Até parece... 5 anos vivendo aqui e nada disso aconteceu.
Ele franze a testa.
Brown: Continuarei protegendo até o fim.
Brown ouve miados fortes vindos de uma direção.
Brownas de segurança, tenho que sair daqui.
Ele pula da árvore para o paredão e do paredão pula pelas grades com espeto no topo da garagem e entra na casa.
?: Oh, Likinha!
Uma voz roca de uma mulher idosa vem de uma direção.
Likinha: Quê?
Alguém mais jovem, também 1 soando 1 pouco velha, vem de trás de Brown.
?: Já deu comida para o gato?
Likinha: Não!
?: Vai lá e dá!
Alguém coloca ração em 1 dos 2 potes pra gato que tinham ali.
Brown: Ai, caramba! Mas que divino.
Ele vai e começa a comer.
?: Dá comida para o cachorro também.
Likinha: Tem que dar pra Pepita.
1 cachorro marrom, preso em uma construção de madeira ao redor dele no canto esquerdo da garagem, com vasos acima dele, solta 1 grunhido.
Likinha: Calma, Dineia, Calma.
?: Hmmm!!!
É posta ração para este cachorro e ele começa a comer. Ele põe a cabeça para fora da cerca de madeira, ofegante e franze a testa.
?: Eae, gato. Como estão indo as suas proesas heróicas hoje?
Brown: Se for falar algo que preste 1 dia, eu irei aplaudir.
Ele fala friamente.
?: Que tal uma pergunta que preste? Já salvou o dia?
Ele levanta uma sombrancelha e começa a dar risada, erguendo o pescoço pro alto e fechando os olhos enquanto dá risada, com uma das patas segurando no lado de fora da cerca e a outra levantada pro teto, Brown balança a cabeça negativamente.
Brown: Você é surreal e nem percebe.
?: Mas é claro que percebo.
Brown se aproxima da cerca.
?: Vai lá se coçar, vai.
Brown: Vai encontrar 1 jeito de sair daí, vai!
Ele rosna para Brown e começa a latir.
Dineia: Tem alguém na porta?
Likinha: Não, é só o cachorro!
Ela passa e Brown só vê as pernas dela, Likinha era negra e de pernas finas e magras.
Dineia: Volta aqui, Likinha!
Brown: Ai, donos...
Ele gira os olhos.
?: Nem fale, a Likinha está sempre para baixo e para cima.
Diz ele esticando o pescoço para fora, ele estava de coleira preta e com uma corrente de metal presa em algum lugar dentro da cerca.
Brown: É por isso que esse lugar é 1 tédio. Nada de interessante acontece.
??: Isso me lembra de 1 felino solitário e bandoleiro com gosto por aventuras.
Diz uma cadela ao fundo, seguindo o corredor, ela era branca com pelo no rosto e dorsal 1 pouco mais acinzentado, de olhos azuis, ela olha para cima.
Brown: Fazer o que? Me acorrentar igual vocês? Eu vou viver a vida. Sou só eu de explorador aqui.
???: Eu seria se essas donas não fossem tão desconfiadas.
Diz uma cadela ao fundo, mais próxima da porta pra garagem do que a outra, de cor de pelo negro e de estatura média.
Brown: Nunca é descartável. Sabe, Pepita, chegaram a me perseguir até o barracão aqui do lado.
Pepita: Mas você os despistou, né?
Brown: Sim, eles queriam só descobrir o território.
Pepita: Pode contar comigo para ajudar.
?: Mas como você ajudaria acorrentada?
Pepita: Só precisaria me desacorrentar...
Brown: Não, não! De jeito nenhum. Você esta acorrentada por 1 motivo: não te deixar correndo a solta pela casa.
Ele aponta.
Brown: Por isso eu fico solto e você não.
Pepita encara ele com raiva.
Pepita: É sério? Mas que grosseria, Brown.
Brown: É fato. Nenhuma das donas confia em vocês soltos.
Likinha: Eita, nóz! Os cachorro latindo para o gato!
Dineia: Senta!
Ela pisa perto dele com raiva e Brown sai correndo, Dineia também é negra e usava roupa simples de cozinha, esmurra na prateleira olhando para o cachorro na cerca.
Dineia: Calem a boca, todos!
Likinha: Entra, vai!
Brown entra na casa e corre pra de baixo da mesa.
???: Coitado do gato, Dineia!
Diz alguém com uma voz masculina e grossa enquanto anda de calça cinza e sapato negro perto da mesa.
Dineia: Ah, toda hora!
Brown se senta e depois deita.
Dineia: Likinha, vai lá e trás a coisa.
Likinha: Tá.
Em algum lugar de Carapcuíba, em 1 beco com várias lats de lixo, os 2 gatos siameses andam por lá.
Capataz: Chegamos perto, eu pra sentir.
?: Precisamos fazer rondas e descobrir onde ele se esconde.
??: Auto!
Diz 1 gato na escuridão, eles olham e veem os olho de vários gatos refletindo a luz.
?: Capataz, quer fazer a gentileza de mostrar quem que manda?
Capataz corre na direção da escuridão e apanha, soltando 1 baita miado de dor.
?: Capataz! Quem vocês pensam que são!?
Ele grita com eles, até que uma gata siamês magra sai da escuridão.
?: V-Você... só pode ser a...
???: Visanne, sim. Este é limite do nosso território.
?: Não é, este é nosso território! Vazem e solta ele!
Visanne: Não... cheque as nossas marcações! Esses domínios pertencem à nós.
Ela franze a cara.
Visanne: A Calada Da Noite convoca vocês 2 pra ser parte do clã.
Ele olha para a parede e vê 3 marcas de garras.
?: Não pode ser. E-Eu sedo o nosso território para vocês.
??: O quê?
Visanne: Seja bem-vindo, soltem-no. Agora nos diga, o que tem de bom nesse canto de Carapêcuíba? Nos contem o que sabe sobre a vizinhança.
Ele olha para o lado.
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