Notas iniciais
Hey! Bom, está é a minha primeira fanfic. Já aviso que não seguirei os eventos da série e muito menos a ordem. Esta é uma história longa que terá três ships principais (que vocês vão descobrindo aos poucos haha). Boa leitura!

Faltam apenas quinze minutos para o treino e o corredor está a visualização literal do shopping numa Black Friday: um completo caos. Atravesso o corredor o mais rápido que consigo e abro meu armário para guardar meus livros. Olho em volta à procura de Sam, meu namorado, mas não o encontro.

Sam é jogador do time da escola, um dos quarterbacks para ser mais precisa. Isso significa que provavelmente ele deve estar no vestiário agora, se preparando para o treino com aqueles animais que ele chama de “amigos”. Uh, eu deveria ter pulado as duas aulas de literatura como ele sugeriu e então não ficaria nesse corredor lotado de perdedores.

- Quinn! – ouço a familiar voz de Becky me chamar e automaticamente retomo minha postura rígida de capitã das líderes de torcida.

- Sim? – respondo sem interesse enquanto continuo a mexer em meu armário.

- Sue quer vê-la agora. – a pequena secretária loira diz e eu assinto meio confusa – Me acompanhe, por favor.

Pego minha bolsa e sigo Becky que passa calmamente pela multidão que, quando nos vê, abre passagem. Alguns alunos curiosos me olham enquanto cochicham uns com os outros. Observo-os fria e eles rapidamente retornam as suas atividades patéticas.

Viramos mais três corredores e chegamos à sala de Sue Sylvester, a treinadora. Becky abre a porta e me indica a sala com a cabeça. Entro e Sue me indica a poltrona e dispensa a loira menor com um simples gesto. Congelo, isso é um mau sinal.

- FABRAY, EU NÃO QUERO ACREDITAR! – ela grita assim que Becky sai – VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO DO QUE FEZ?

Jogo minha bolsa no chão e desabo na poltrona. Como assim? O que eu fiz? Vejamos: cinema com Sam na sexta, compras com Kitty no sábado, golfe com Frannie ontem, aquecimento mais cedo e...

- VOCÊ NÃO PODE SAIR JOGANDO RASPADINHA COM SAL GROSSO NOS OLHOS DOS OUTROS A UM MÊS DAS NACIONAIS!

Oh, droga. Então é isso. Bom, não era para acertar os olhos daquela baixinha estúpida do clube do coral ou seja lá o que ela faz da vida mas é bem difícil acertar qualquer outra parte daquele corpo minúsculo. O fato é: ela é uma perdedora e, na verdade, eu estava fazendo um favor. Aquele suéter de cachorro fica bem melhor coberto de gelo.

- Quinn, você foi MUITO irresponsável! – Sue diz ainda furiosa e eu me encolho – Eu não me importo com essa coisa de jogar raspadinhas desde que não seja perto das nacionais e não contenha SAL GROSSO!

- Eu.. eu... – tenho formular uma frase enquanto Sue passa as mãos nervosamente no curto cabelo loiro.

- Isso é um motivo mais que evidente para te tirar do time. – a treinadora fala e eu me levanto num salto.

O QUÊ?

- Não, não! – peço – Eu faço qualquer coisa! Só... não me tire do time.

Se eu sair, praticamente minha vida acaba.

Sue parece processar o que eu disse por alguns instantes até concordar frustrada. Sorrio e me estico para recolher minha bolsa do chão. Levanto-me e ela me interrompe, fazendo um gesto para me sentar. Obedeço e a treinadora digita rapidamente em seu computador. Observo-a impacientemente e balanço a perna nervosa. Eu não posso sair do time, eu não posso...

- Quinn, você poderia ter cegado aquela garota. – ela diz e chama Becky rapidamente pelo telefone.

Permaneço em silêncio. Becky entra alguns instantes depois e Sue ordena que o treino de hoje seja suspenso. Franzo a testa tentando fazer com que a treinadora explique, mas ela não o faz e apenas me entrega uma folha:

- Sábado, sete horas. Não se atrase.

Viro o papel e leio a palavra em gritantes letras em negrito: DETENÇÃO. Não! Levanto-me instintivamente para reclamar e Sue parece esperar essa reação porque simplesmente me empurra para fora e joga minha bolsa.

- Venha ou então você estará fora do time! – ela avisa e bate a porta.

Saio andando furiosa em direção ao meu armário. NÃO, NÃO E NÃO! Argh, eu não acredito. Sábado? Eu vou perder meu precioso sábado? Aquela menina ridícula vai me pagar, pode apostar. Droga, cadê o Sam? Isso só pode ser brincadeira.

Fecho os olhos tentando me controlar e caminho cada vez mais rápido, porém, sou interrompida por um ser que esbarra em mim e cai no chão. As pessoas simplesmente não sabem fazer as coisas hoje em dia!

- Você pode sair da minha frente? – pergunto irritada e a pessoa se vira para mim.

Oh não, é aquela garota, a destruidora de vidas sociais.

- Você esbarrou de propósito em mim, Quinn! – ela reclama enquanto junta algumas folhas que caíram no chão.

Arqueio uma sobrancelha e a garota revira os olhos, me deixando ainda mais irritada.

- Eu não me lembro de ter dado permissão a você para me chamar assim. – digo fria.

Geralmente, esta é a parte em que a pessoa sai correndo ou beija meus pés pedindo desculpas, mas a destruidora de vidas não faz nenhuma das duas opções. Ela se levanta, passando as mãos numa tentativa de ajeitar a roupa e se aproxima de mim. Pisco impassível e ela estreita o olhar.

O sinal bate e o corredor rapidamente fica vazio, só restando somente eu e a anã insuportável. A garota sustenta o olhar e eu sinto meu rosto esquentar de raiva. O que essa menina tem?

- Pensei que eu pudesse te chamar assim já que você fez questão de jogar aquela raspadinha em mim. – ela diz e eu não respondo, voltando a caminhar para meu objetivo inicial: meu armário.

Ouço passos apressados e me viro apenas o suficiente para ver a menina atrás de mim. O que é isso? Bufo nervosa e aperto minhas mãos. Vamos lá, Quinn, autocontrole.

- Por que você está me seguindo? – pergunto e percebo que estou em frente ao meu armário.

- Eu não estou seguindo você. – ela responde enquanto abre o armário ao lado do meu – Eu estou apenas guardando minhas coisas já que não posso assistir o resto das aulas hoje.

Aproveito o momento para observar a garota mais atentamente. Cabelos longos e castanhos, pele morena bronzeada e, wow, belas pernas. Deixo escapar um suspiro e abro meu armário com um movimento brusco. O que eu estava fazendo? Uh, Sam onde você está?

Estico-me discretamente e consigo ver o nome da garota: Rachel. Até que é bonito. Fico observando-a por um tempo maior e não percebo que a morena estava me olhando curiosa de volta.

Dissimuladamente pego meu celular e digito uma mensagem para Sam sob o olhar de Rachel. Encaro-a e ela fecha seu armário e sorri misteriosa. Meu celular apita e eu o verifico, mas quando o desligo Rachel não está mais ao meu lado.

Corro para fora do McKinley: a escola, também conhecida como minha prisão de sábado. Sam me encontra no meio do caminho e pega minha bolsa, carregando-a para mim. Seguimos por meio quarteirão em silêncio até eu resolver contar minha sentença, ou seja, a detenção.

- A princesa ficará presa na torre no sábado? – ele provoca gargalhando e eu soco um dos seus braços.

- Isso não tem graça, Sam.- repreendo-o e ele tenta inutilmente parar de rir.

Ele me olha furtivamente e ri mais alto quando cruzo os braços, se abaixando uns centímetros para me dar um selinho.

- Não precisa ficar assim, princesa. – ele diz e eu faço uma careta para o apelido carinhoso. Eu realmente não gosto dessa mania de realeza do Sam. – Veja pelo lado bom: pelo menos você fará algo produtivo.

Rio ironicamente. Claro, é bem produtivo ficar numa sala durante sete horas seguidas.

Sam abre a porta da lanchonete e entra. Observo o exterior do local antes de entrar. Chamar aqui de lanchonete é até que um elogio porque o lugar está literalmente caindo aos pedaços. A placa de neon só ascende seis letras: L_N_CH_N_T_, incrementando mais ainda o cenário.

- Eu peço, mas só se você pagar. – Sam diz e eu assinto resmungando – Pode sentar e esperar aí.

Olho para os bancos rasgados e engordurados e faço uma careta de nojo, mas sento mesmo assim. Pego minha carteira e separo o dinheiro para pagar o lanche. Ótimo, meu dinheiro está acabando! Que dia m a r a v i l h o s o!

Pego meu lanche e o café e saio da lanchonete para voltar para a escola. O tempo de almoço já é curto e fica menor ainda quando não o passamos no refeitório. Sam me segue tranquilamente enquanto come.

- Q, relaxa, hoje ainda é segunda. Tem bastante tempo para você curtir até sábado.

- Não, Sam, não tem. Você por acaso esqueceu que essa semana tem cinco trabalhos para entregar? – pergunto brava e ele suspende os ombros.

- Eu tinha me esquecido. De qualquer forma, Kurt que vai fazer mesmo. – ele diz de boca cheia – Ah, e domingo eu não vou poder almoçar com você... Tenho treino com... o Blaine.

- Kurt? – pergunto curiosa.

Kurt é o único gay assumido de todo o McKinley. Alguns caras implicam com ele todos os dias, jogando-o na lata de lixo. Publicamente eu não ligo, quero dizer, finjo não ligar já que ele é um perdedor como outro qualquer. Mas, na verdade, eu realmente não gosto do que fazem com Kurt e, bem, ele é também a única pessoa com senso de moda o que faz dele uma pessoa até... legal.

- Yeah – Sam responde enquanto engole – Aquela menininha merece alguma função na sociedade.

- SAMUEL! – grito furiosa e ele me encara confuso – VOCÊ ESTÁ FORÇANDO ESSE GAROTO A FAZER ALGO QUE É SEU!

- Qual é o problema, Q? – Sam diz despreocupado enquanto viramos uma esquina – Afinal, você não gosta dos perdedores e também acha que eles devem fazer o que mandamos. E você está certa, oras.

Balanço a cabeça incrédula.

- Ah, Quinn, meu Deus. Você mesma jogou aquela raspadinha com sal naquela perdedora, não lembra? Vai me dizer que se arrependeu? – ele questiona e pela primeira vez sinto uma pontada de culpa.

- Deixa de bobagem, Sam. Vamos logo. – respondo encerrando o assunto.

Um quarteirão antes de chegar à escola, recebo uma linda mensagem de Frannie, minha irmã, para brindar este dia especial:

“Q, não vou para casa hoje. Invente uma desculpa para o papai. Não me ligue. – Fran.”

É, será uma longa semana.

Notas finais
Deixem comentários, críticas, sugestões... Até a próxima.

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