O Cisne Negro
5 Capítulo 5
Seis dias depois, quando vieram buscar os filhos, fui surpreendida por Poliana estar sozinha, e pelo que ela me disse:
— Posso contar com você por mais um tempo? Aconteceram umas coisas entre eu e ele que...- ela falava como quem estava cansada- eu prefiro não envolver as crianças. Se não foi incômodo pra você, eu iria ser tão grata
Como percebi certo desequilíbrio em sua expressão, decidi que ficaria com seus filhos por mais um tempo. E assim o fiz. Quase dois meses depois, entre algumas visitas e telefonemas que ela trocava com suas crias, chegou o dia em que eles viriam buscar definitivamente os pequenos.
Eu estava de fato muito assustada, meu irmão iria fazer um show e brigar comigo e com sua mulher na frente dos filhos? Como ele já me disseram anteriormente, não havia maior mal exemplo que eu naquela família, o que automaticamente livrava seu preconceito e seus acessos de raiva de serem piores. O que sei que são.
A noite chegou, Karolina estava em minha casa, as coisas dos meninos já estavam devidamente arrumadas para a partida, ah como eu sentiria saudade daquelas crianças. O interfone toca:
—Senhorita, seu irmão e a mulher dele pedem para subir, permitido?
—Sim, podem subir.
Coloquei o telefone no gancho e aguardei até que subissem. Aquela espera pareceu demorar horas, mas não demorara minutos. A campainha toca, abro a porta:
—Gabriella, eu preciso ter uma palavrinha com você a sós- a voz grave de meu irmão ressoou em meus ouvidos
Poliana entrara e eu e ele saímos, fechei a porta e fomos até o final do corredor:
—Se for me falar tudo aquilo que já me disse antes, por favor, me poupe, se poupe- falei séria
—Não é nada disso- ele me abraçou timidamente- eu só queria dizer que eu te amo, e que nesses últimos tempos a minha ideia sobre tudo e todos vem se alterando. Minhas sinceras desculpas por tudo que eu já falei sobre você, não espero que me perdoe, mas eu precisava falar isso
Eu fiquei completamente pasma, sem reação por um bom tempo:
—Eu te desculpo, sim- o abraço também- eu também te amo, e fico feliz por você ter se aberto, e por ter tentado compreender meu lado. Vamos entrar, seus filhos estão mortos de saudade do pai- sorrio para ele e vou em direção à porta
Ao entrar, me deparo com Poliana e Karol conversando. Karol se levanta e vai até meu irmão:
—Olá, Victor!- ela estende a mão para ele- eu me chamo Karolina, sou sua cunhada.
Aquilo ainda me amedrontou, mas fingi que não e deixei fluir. Meu irmão apertou a mão da moça:
—Olá, Karolina, é um prazer lhe conhecer- ele sorriu para ela
—O prazer é meu- ela largou a mão dele e não disse mais nada por um tempo- seus filhos são umas gracinhas- ela fala e sai da frente dele, permitindo que ele abraçasse seus filhos e os levasse embora.
Assim que a família desceu, eu me joguei aliviada em meu sofá, cuidar de criança não é nada fácil, eu só queria dormir:
—você acha que isso foi real pra valer?- Karol me pergunta se jogando ao meu lado
—Eu não sei dizer, pra ser sincera. Pareceu, e eu prefiro só acreditar que foi, mesmo que nunca mais eu fale com ele- digo e suspiro- é, que confusão. Estou morta, vou tomar um banho.
Me levanto e vou em direção ao banheiro, onde me dispo e observo minha cicatriz no espelho, ela já não me incomoda tanto. A porta abre:
—Desculpe, eu...- ela para do nada- por que eu nunca vi essa cicatriz?- ela passa a mão em meu ombro
—Eu nunca me senti a vontade suficiente pra exibi-la, mas não me importo que você a veja agora- sorrio para ela pelo espelho
Ela encosta o rosto em meu ombro e passa seus braços pelo meu tronco, viro o rosto e a beijo. Me viro para ela e a abraço:
—Você quer saber qual é a dessa cicatriz?
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